{"id":37630,"date":"2014-01-08T10:54:37","date_gmt":"2014-01-08T13:54:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37630"},"modified":"2016-03-23T10:55:09","modified_gmt":"2016-03-23T13:55:09","slug":"boteco-10-cervejas-pale-lager-para-o-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/08\/boteco-10-cervejas-pale-lager-para-o-verao\/","title":{"rendered":"Boteco: 10 cervejas pale lager para o ver\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/pilsen1.jpg\" alt=\"pilsen1.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cPilsen, o estilo de cerveja mais popular do mundo, foi inventado na Bo\u00eamia tcheca e aperfei\u00e7oado na Alemanha. E, nos pa\u00edses americanos, fossem do norte ou do sul, transformado numa efervesc\u00eancia massificada. Para muita gente, \u00e9 o \u00fanico estilo de cerveja que conhecem, ou do qual j\u00e1 ouviram falar, seja qual for a vers\u00e3o. Muitos dos rec\u00e9m-aficionados por cerveja de qualidade torcem o nariz s\u00f3 de ouvir falar em Pilsen. T\u00e3o familiar, t\u00e3o amarela. O que teria para oferecer? Na verdade, muito, contando que seja o produto aut\u00eantico. A genu\u00edna cerveja Pilsen \u00e9 uma bela cria\u00e7\u00e3o \u2013 delicada, pronunciada, saborosa, arom\u00e1tica e apetitosa. Os esnobes que desprezam seus sabores puros, simples e lineares n\u00e3o sabem o que est\u00e3o perdendo. Infelizmente, estamos inundados de imita\u00e7\u00f5es massificadas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Garrett Oliver, da Brooklyn Brewery, no livro \u201cA Mesa do Mestre Cervejeiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrever sobre pilsens \u00e9 quase como cutucar um vespeiro: aqueles que \u201centendem\u201d um pouquinho que seja de cerveja dizem que as pale lagers mainstream, comumente chamadas de Standart American Lagers, s\u00e3o praticamente \u00e1gua gaseificada (e eles n\u00e3o est\u00e3o errados). Do outro lado, os f\u00e3s da loura estupidamente gelada (se esquentar no copo, fica imposs\u00edvel bebe-la) acusam os f\u00e3s de outras cervejas de elitismo, e baixam o cal\u00e3o quando o bicho pega. A quest\u00e3o, na verdade, \u00e9 que as Pale Lagers tem uma fun\u00e7\u00e3o importante de introduzir o bebedor no territ\u00f3rio das cervejas, e s\u00e3o \u00f3timas companheiras para refrescar em dias de calor tanto quanto parceiras eternas de longas botecagens, churrasco e encontros entre amigos \u2013 o que no meio cervejeiro \u00e9 conhecido como cervejas de sess\u00e3o, para beber por um longo tempo sem, no entanto, ficar completamente b\u00eabado (afinal 10 Heineken litr\u00e3o n\u00e3o fazem tanto \u201cestrago\u201d quanto 10 Duvel de 330 ml).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato inconteste \u00e9 que a cerveja nossa tradicional de cada dia poderia ser muito melhor, e para isso basta comparar qualquer uma das 10 cervejas abaixo com uma Bohemian Pilsener tradicional \u2013 como as tchecas Pilsner Urquell, 1795 e Czechvar \u2013 e perceber a diferen\u00e7a: o modo de preparo \u00e9 o mesmo, a propor\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool \u00e9 semelhante, mas a diferen\u00e7a no sabor \u00e9 gritante. O que mudou? Bem, a equa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 simples: os grandes produtores de cerveja diminu\u00edram a quantidade de insumos (malte e l\u00fapulo) em suas receitas (e aumentaram a de cereais n\u00e3o maltados como arroz e milho) para baratear o produto e torna-lo acess\u00edvel para mais pessoas (e, claro, aumentar o lucro). O resultado \u00e9 uma cerveja praticamente sem caracter\u00edsticas sensoriais, com apenas um tra\u00e7o de malte e l\u00fapulo para criar uma fina camada de sabor, e exercitar a sua fun\u00e7\u00e3o mais celebrada: refrescar. E ainda assim, mesmo no territ\u00f3rio das Standart American Lagers, existem diferen\u00e7as. Vamos conferir 10 marcas importadas encontradas no Brasil:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/dos1.jpg\" alt=\"dos1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Dos Equis Lager Especial, produzida pela primeira vez em 1897 para celebrar a chegada do s\u00e9culo XX, \u00e9 um dos sucessos de venda do card\u00e1pio da Cervecer\u00eda Cuauht\u00e9moc-Moctezuma, fundada em 1890 em Monterey, no M\u00e9xico, e que, ap\u00f3s algumas fus\u00f5es e incorpora\u00e7\u00f5es, passou para o comando da Heineken International em 2010. Ainda produzida em Monterey, a Dos Equis Lager Especial chega ao Brasil importada pela Cervejaria Kaiser Brasil S\/A. De colora\u00e7\u00e3o tradicional dourada e espuma branca de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e pouca perman\u00eancia, a Dos Equis Lager Especial traz no aroma, em destaque, leve percep\u00e7\u00e3o de malte e presen\u00e7a de oxida\u00e7\u00e3o (off-flavour que remete a papel molhado). No paladar, extremamente leve, um toque de adocicado com leve percep\u00e7\u00e3o de milho, e um amargor suave, que toca o c\u00e9u da boca e desaparece, deixando para o final, milho e dul\u00e7or suave. No retrogosto, refrescancia. E s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/sol1.jpg\" alt=\"sol1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m da Cervecer\u00eda Cuauht\u00e9moc-Moctezuma, a Sol Premium Beer, diferente da Dos Equis Lager Especial, \u00e9 produzida no Brasil desde 2006 \u2013 a garrafa informa que ela \u00e9 fabricada pela CKBR, em Araraquara. Sua hist\u00f3ria, por\u00e9m, remonta a 1890, e no M\u00e9xico ela \u00e9 apresentada nas vers\u00f5es escura, com lim\u00e3o e sal, com clamato e sem \u00e1lcool. A Sol Premium brasileira exibe uma colora\u00e7\u00e3o dourada (um pouco mais escura que a Dos Equis) e espuma branca de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia. No aroma, nada a se destacar (nem qualidades, nem off-flavour), mas, com insist\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel sentir o p\u00e1lido aroma do malte e dos cereais n\u00e3o maltados. J\u00e1 o paladar, ainda que leve, \u00e9 mais encorpado que sua prima Dos Equis, com o amargor um tiquinho mais presente, o que j\u00e1 faz uma grande diferen\u00e7a, valorizando inclusive o dul\u00e7or do malte. O final \u00e9 levemente amargo e adocicado. No retrogosto, um pouquinho de malte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/bud1.jpg\" alt=\"bud1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do M\u00e9xico para os Estados Unidos, a Budweiser norte-americana (h\u00e1 duas cervejas com o mesmo nome na Rep\u00fablica Tcheca) \u00e9 responsabilidade da Anheuser-Busch, cervejaria fundada em 1876 por imigrantes alem\u00e3es em St. Louis. Hoje \u00e9 apontada como a cerveja mais vendida do mundo (a segunda \u00e9 a Bud Light, vers\u00e3o com 4,2% de \u00e1lcool). A vers\u00e3o brasileira da Budweiser \u00e9 produzida em Jacare\u00ed, estado de S\u00e3o Paulo, e traz \u2013 como informa o r\u00f3tulo \u2013 \u00e1gua, malte, l\u00fapulo, levedura e arroz. De colora\u00e7\u00e3o amarelo palha e creme branco de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e baixa perman\u00eancia, a Budweiser se diferencia de outras Standard American Lager pela percep\u00e7\u00e3o de malte e l\u00fapulo no aroma, ainda que de maneira discreta. No paladar, o amargor \u00e9 suave, mas tamb\u00e9m mais destacado que nas concorrentes, chegando a marcar a garganta. O final \u00e9 discreto e levemente amargo enquanto o retrogosto consegue trazer um pouco do dul\u00e7or do malte. Uma surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/estrella1.jpg\" alt=\"estrella1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De La Coru\u00f1a, na Espanha, surge a Cerveceria Hijos de Rivera, fundada em 1980 e respons\u00e1vel pela Estrella Galicia, uma Premium American Lager que j\u00e1 era produzida desde 1906 pela cervejaria de mesmo nome (e da mesma fam\u00edlia), e que vem tendo uma receptividade t\u00e3o boa no Brasil a ponto dos espanh\u00f3is planejarem abrir uma f\u00e1brica por aqui at\u00e9 a Copa. De colora\u00e7\u00e3o dourada e espuma branca de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia, a Estrella Galicia destaca um aroma que exibe um equil\u00edbrio interessante entre malte e l\u00fapulo, percept\u00edveis com facilidade, al\u00e9m de um leve toque met\u00e1lico, que n\u00e3o atrapalha o conjunto. No paladar, o amargor do l\u00fapulo d\u00e1 o primeiro bote, e logo \u00e9 encoberto pelo dul\u00e7or do malte, mostrando que os espanh\u00f3is aprenderam direitinho o modelo tcheco. O final \u00e9 levemente amargo e desaparece rapidamente, mas o leve amargor retorna com malte no retrogosto em uma cerveja refrescante e bastante correta \u2013 principalmente para um t\u00edtulo mainstream.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/bit1.jpg\" alt=\"bit1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quinta cerveja da lista \u00e9 a Bitburger, produzida desde 1817 na cidade alem\u00e3 de mesmo nome, e presente no Brasil desde 2007. Segundo Roberto Fonseca, do blog B.O.B., <a href=\"http:\/\/blogs.estadao.com.br\/bob\/bitburger-versao-brasileira-convencao\/\" target=\"_blank\">em texto de 2009<\/a>, apesar das informa\u00e7\u00f5es de r\u00f3tulo e garrafa indicarem que ela \u00e9 importada da Alemanha, a Bitburger vem sendo produzida no Brasil, mais propriamente em Caieiras, na Grande S\u00e3o Paulo. Apesar da fonte bastante confi\u00e1vel, paira a d\u00favida no ar, porque o conjunto surpreende muito para uma cerveja feita no Brasil e com rotulagem e garrafa informando ser de importa\u00e7\u00e3o alem\u00e3. De colora\u00e7\u00e3o dourada e creme branco de boa forma\u00e7\u00e3o e m\u00e9dia perman\u00eancia, a Bitburger \u00e9 uma aut\u00eantica German Pilsener que fornece as melhores notas de aroma de todas as cervejas provadas neste post, com o malte se dispersando em notas que remetem a p\u00e3o, trigo, cereais e biscoito. H\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o de fermento tamb\u00e9m. No paladar, o malte d\u00e1 o primeiro toque, mas o l\u00fapulo surge alguns segundos depois e vai amargando a experi\u00eancia levemente at\u00e9 o final, refrescante e maltado. O retrogosto refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de malte e cereais. Muito boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/red1.jpg\" alt=\"red1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da Alemanha para a Jamaica, a Desnoes &amp; Geddes Limited (D&amp;G) \u00e9 uma empresa fundada em 1918 em Kingston que produz cervejas e refrigerantes. O carro chefe da casa \u00e9 esta Red Stripe, uma pale lager que patrocina a equipe de bobsleigh da Jamaica (algo como uma corrida de tren\u00f3!) e que faz um sucesso danado no Inglaterra, mas ainda patina nos Estados Unidos. Seu maior charme \u00e9 a garrafinha incomum \u2013 e se o maior destaque \u00e9 a garrafa, voc\u00ea j\u00e1 sabe o que esperar. De colora\u00e7\u00e3o amarelo palha e creme branco de boa forma\u00e7\u00e3o e baixa perman\u00eancia, a Red Stripe se aproxima das mexicanas no quesito aroma, que n\u00e3o se desprende com facilidade, dificultando a percep\u00e7\u00e3o olfativa. \u00c9 poss\u00edvel perceber um pouco de fermento e uma sugest\u00e3o de malte, tudo bem dilu\u00eddo. O paladar tamb\u00e9m carece de qualidades, com malte e l\u00fapulo cumprindo fun\u00e7\u00f5es de dul\u00e7or e amargor sem muito brilho. O final \u00e9 levemente amargo e o retrogosto, inexistente, decepciona em uma cerveja muito cara (R$ 9) para o que oferece.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/almaza.jpg\" alt=\"almaza.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9tima pale lager da lista vem da Bauchrieh, cidade na regi\u00e3o metropolitana de Beirute. Isso mesmo, a Almaza Pilsner Beer \u00e9 uma cerveja libanesa produzida pela Brasserie Almaza, cervejaria fundada em 1933, e que hoje integra o grupo Heineken Internacional, o que facilita encontra-la em nossas prateleiras. A receita, avisa o r\u00f3tulo, traz \u00e1gua, cevada maltada, l\u00fapulo e milho no conjunto que traz menos \u00e1lcool das 12 pale lagers listadas aqui (4,2%). De colora\u00e7\u00e3o dourada e creme branco, de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e baixa perman\u00eancia, a Almaza Pilsner Beer exibe um aroma em que \u00e9 poss\u00edvel perceber l\u00fapulo e malte (remetendo suavemente a cereais e biscoito), o que j\u00e1 \u00e9 um destaque, ainda que a percep\u00e7\u00e3o seja quase inexpressiva. J\u00e1 o paladar valoriza um pouco mais os ingredientes, tornando o conjunto mais agrad\u00e1vel. O final \u00e9 levemente amargo e maltado, e desaparece rapidamente, enquanto o retrogosto traz refrescancia \u2013 mais uma do cap\u00edtulo muito frescor, pouco sabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/birra.jpg\" alt=\"birra.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do L\u00edbano para a It\u00e1lia, com a Birra Moretti, cervejaria criada em 1859 por Luigi Moretti, na cidade de Udine, quando este trabalhava em uma f\u00e1brica de gelo e cerveja, e sua inven\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a fazer sucesso entre os frequentadores. Logo a Birra Moretti virou mania nacional at\u00e9 ser incorporada pela Heineken, em 1996, que manteve a receita original, e o sucesso da marca. De colora\u00e7\u00e3o dourada e espuma branca de boa forma\u00e7\u00e3o e m\u00e9dia perman\u00eancia, a Birra Moretti Premium Lager traz uma leve percep\u00e7\u00e3o de malte e l\u00fapulo, com delicada valoriza\u00e7\u00e3o do primeiro. No paladar, simpl\u00edssimo, a regra tcheca \u00e9 aplicada com menos intensidade: uma pancadinha de amargor de l\u00fapulo com um toque suave do dul\u00e7or do malte equilibrando o conjunto delicado, executado para n\u00e3o incomodar paladares despreparados. O final \u00e9 inicialmente maltado e, rapidamente, desaparece deixando frescor e trazendo, na sequencia, o retrogosto quase impercept\u00edvel com malte, amargor e um pouco de milho. Interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/heineken.jpg\" alt=\"heineken.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pen\u00faltima do conjunto \u00e9 um \u00edcone: a holandesa Heineken, natural de Amsterd\u00e3, nasceu em 1873, e hoje \u00e9 uma das cervejas mais consumidas do mundo. A vers\u00e3o brasileira \u00e9 produzida pela CKBR em Jacare\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo, seguindo as regras de qualidade da matriz. De colora\u00e7\u00e3o dourada e espuma branca de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e baixa perman\u00eancia, a Heineken Pale Lager destaca um aroma personal, que em muitas cervejas seria um defeito, mas que no caso da Heineken \u00e9 vendido como qualidade: o off-flavour de \u201cLight struck\u201d, ou exposi\u00e7\u00e3o do l\u00edquido da garrafa verde \u00e0 luz. O resultado \u00e9 um leve cheiro entre gamb\u00e1 e chul\u00e9 derivado da oxida\u00e7\u00e3o do l\u00fapulo, que diferencia a Heineken das concorrentes (e hoje, com a produ\u00e7\u00e3o nacional, parece bem menos intenso do que quando as garrafas eram importadas e sofriam as intemp\u00e9ries da viagem e dep\u00f3sito). Claro, n\u00e3o s\u00f3 isso: a percep\u00e7\u00e3o de malte e l\u00fapulo no aroma \u00e9 muito mais elevada que nas concorrentes, com sugest\u00e3o de cereais, biscoito e notas herbais. No paladar, a diferen\u00e7a se acentua, com amargor mais evidente (ainda que encaixado no estilo, ou seja, n\u00e3o t\u00e3o potente) e dul\u00e7or mais presente, caracter\u00edsticas presentes at\u00e9 o final da ta\u00e7a, mais amargo e herbal (e levemente oxidado), que desaparecem rapidamente, abrindo a oportunidade para que o bebedor pedir outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/stella1.jpg\" alt=\"stella1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechando o passeio pela B\u00e9lgica, mais propriamente em Leuven, cidade ao lado de Bruxelas que abriga o festival Rock Werchter, onde em 1366 uma cervejaria chamada Den Hoorn come\u00e7ou a produzir uma cerveja que fez na fama na regi\u00e3o (mas que n\u00e3o era a Stella de hoje, j\u00e1 que as primeiras bohemian pilseners claras datam de 1800). Em 1717, o mestre cervejeiro Sebastian Artois comprou a Den Hoorn e mudou seu nome para Cervejaria Artois, e a Stella Artois, como conhecemos, nasceu no natal de 1926. Hoje \u00e9 uma das cervejas mais vendidas do mundo (e a cerveja clara mais vendida no Reino Unido \u2013 a escura \u00e9 a Guiness), e a vers\u00e3o brasileira \u00e9 produzida pela Ambev em Jaguari\u00fana com produtos importados da matriz belga, e que incluem l\u00fapulo Saaz, malte e cereais n\u00e3o maltados (milho e arroz). De colora\u00e7\u00e3o dourada e creme branco de m\u00e9dia forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia, com direito ao tradicional \u201cperlage\u201d belga, a Stella Artois destaca um aroma maltado com notas que remetem a trigo, biscoito e cereais. H\u00e1 tamb\u00e9m percep\u00e7\u00e3o de notas herbais. O l\u00fapulo, que pouco aparece no aroma, \u00e9 mais assertivo no paladar, com um tra\u00e7o de amargor se destacando em um conjunto mais adocicado que a concorrente holandesa. O amargor segue at\u00e9 o final, mais prolongado que as anteriores. No retrogosto, dul\u00e7or de malte. Muito boa no que se prop\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/stella2.jpg\" alt=\"stella2.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong> Balan\u00e7o<\/strong><br \/>\nComo ponto de partida, a mexicana Dos Equis Lager Especial \u00e9 uma representante tradicional do estilo Pale Lager, com pouco desafio para o paladar: a hist\u00f3ria aqui (e em boa parte das Standard American Lager) \u00e9 refrescar o bebedor no calor ou acompanha-lo numa boa sess\u00e3o (sentar e beber, beber e beber) sem oferecer riscos a tira-lo a aten\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 fazendo. Ou seja, \u00e9 uma cerveja com caracter\u00edsticas pr\u00f3ximas as de \u00e1gua. No comparativo com outras do estilo, ela se destaca pelo leve dul\u00e7or que se sobressai ao lado da percep\u00e7\u00e3o de milho. Quanto a Sol Premium Beer, \u00e9 preciso esquecer o t\u00edtulo \u201cPremium\u201d, porque de Premium ela n\u00e3o tem nada. Ainda assim, se destaca perante a Dos Equis Lager Especial por ter um bocadinho a mais de l\u00fapulo, o que, inclusive, melhora at\u00e9 a paladar do malte, que \u00e9 impercept\u00edvel no aroma. Melhora em rela\u00e7\u00e3o a concorrente local, mas ainda \u00e9 uma cerveja de sess\u00e3o para beber sem prestar aten\u00e7\u00e3o ao conjunto. J\u00e1 a Budweiser brasileira, feita em Jacare\u00ed, foi uma boa surpresa, a primeira a parecer uma c\u00f3pia, ainda que extremamente p\u00e1lida, das cervejas tchecas, enquanto as outras s\u00e3o mais parecidas com\u2026 \u00e1gua. Ok, n\u00e3o se anime: \u00e9 uma cerveja em que \u00e9 poss\u00edvel perceber malte e l\u00fapulo, mas de forma bastante t\u00edmida. Bate as duas mexicanas com facilidade, mas perde para a Estrella Galicia, \u00f3tima surpresa vinda de La Coru\u00f1a, na Espanha: conjunto equilibrado com suave percep\u00e7\u00e3o de malte e l\u00fapulo tanto no aroma quanto no paladar, que termina levemente amargo, com toda representante do estilo deveria ser. Uma das quatro melhores das 10 provadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quinta cerveja do pacote, Bitburger, foi outra boa surpresa, t\u00e3o boa que faz o bebedor ficar na d\u00favida: \u00e9 uma autentica cerveja alem\u00e3 ou uma cerveja de matriz alem\u00e3 produzida no Brasil? Se for uma cerveja alem\u00e3, segue o padr\u00e3o do pa\u00eds; se for uma cerveja brasileira, faz bonito perante a concorr\u00eancia. Muito malte e um leve amargor que descem bonito em dias de ver\u00e3o. Da Jamaica, surge a Red Stripe, uma Pale Lager bastante discreta com a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o de refrescar, apesar de sua garrafa peculiar e interessante. A libanesa Almaza pula a frente das mexicanas e da jamaicana, e enfrenta a Budweiser de igual, mas \u00e9 mais uma cerveja mediana cuja fun\u00e7\u00e3o maior \u00e9 refrescar sem chamar a aten\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a Birra Moretti eleva um tiquinho esse padr\u00e3o com malte e l\u00fapulo mais percept\u00edveis, a ponto de at\u00e9 aparecerem suavemente no retrogosto, grande m\u00e9rito para o conjunto, que, infelizmente, n\u00e3o consegue competir de igual para igual com a Heineken, quase uma carta de inten\u00e7\u00f5es do estilo Standart American Lager, que s\u00f3 n\u00e3o deve ser seguida cegamente por seu caracter\u00edstico cheirinho de chul\u00e9 derivado da oxida\u00e7\u00e3o do l\u00fapulo com a entrada de luz pelo vasilhame verde (das anteriores, as mexicanas e a libanesa optam tamb\u00e9m por garrafas transparentes enquanto as demais seguem o padr\u00e3o de garrafas escuras), mas \u00e9 uma boa cerveja, um dos principais r\u00f3tulos do estilo, e que consegue brilhar valorizando malte e l\u00fapulo. Fechando o passeio, a Stella Artois acabou soando mais adocicada do que Heineken, o que n\u00e3o atrapalha o drinkability, mas faz uma pequena diferen\u00e7a que conta a favor da holandesa (no meu ponto de vista). No geral, a Stella \u00e9 uma bela representante do estilo, com aromas e sabores mais intensos que a grande maioria presente no mercado, oferecendo refrescancia e sabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual a melhor?, pergunta o leitor. Se for para destacar apenas uma, a Bitburger, como uma boa German Pilsner, \u00e9 mais caprichada, mas seu pre\u00e7o um pouco mais elevado a coloca em outro grupo. Desta forma, Heineken e Stella Artois acabam se destacando na quest\u00e3o custo \/ beneficio. Estrella Galicia vem logo na sequencia e, da\u00ed em diante, a qualidade decai: a Budweiser, por exemplo, tem um bom pre\u00e7o, mas perde bastante em conjunto para Heineken e Stella enquanto a jamaicana Red Stripe, que integra o pelot\u00e3o final junto com as mexicanas, custa o pre\u00e7o de quatro Heinekens e n\u00e3o oferece a qualidade de uma. Birra Moretti e Almaza perdem na quest\u00e3o pre\u00e7o, mas est\u00e3o ali, marcando presen\u00e7a. O que importa, na verdade, n\u00e3o \u00e9 qual cerveja das 10 \u00e9 a melhor, mas descobrir qual mais lhe agrada, e entender o que nesta cerveja conquista seu perfil sensorial. Em um momento de boom cervejeiro, com cada vez mais cervejas superlotando as g\u00f4ndolas dos supermercados, a op\u00e7\u00e3o por escolher uma cerveja mainstream passa n\u00e3o s\u00f3 pelo bolso, mas tamb\u00e9m pelo que a cerveja lhe entrega. Fa\u00e7a o teste: compre algumas destas cervejas e tente perceber a diferen\u00e7a entre cada uma delas, e o que mais lhe agrada em cada uma. Talvez seja o primeiro passo de uma longa caminhada numa estrada repleta de cervejas diferentes, saborosas e provocantes, em que voc\u00ea pode encontrar cervejas como a sensacional curitibana Dum Jan Kubis, talvez a melhor Premium American Lager brasileira. Vale a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/bit11.jpg\" alt=\"bit11.jpg\" \/><\/p>\n<p>Dos Equis Lager Especial<br \/>\n&#8211; Produto: Standard American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: M\u00e9xico<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 1,91\/5<\/p>\n<p>Sol Premium Beer<br \/>\n&#8211; Produto: Standard American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: M\u00e9xico<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,3%<br \/>\n&#8211; Nota: 1,99\/5<\/p>\n<p>Budweiser<br \/>\n&#8211; Produto: Standard American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Estados Unidos<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,03\/5<\/p>\n<p>Estrella Galicia<br \/>\n&#8211; Produto: Premium American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Espanha<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,7%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,48\/5<\/p>\n<p>Bitburger Premium Beer<br \/>\n&#8211; Produto: German Pilsner<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Alemanha<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,8%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,82\/5<\/p>\n<p>Red Stripe<br \/>\n&#8211; Produto: Standard American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Jamaica<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,7%<br \/>\n&#8211; Nota: 1,98\/5<\/p>\n<p>Almaza Pilsner Beer<br \/>\n&#8211; Produto: Standard American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Libano<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,2%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,00\/5<\/p>\n<p>Birra Moretti<br \/>\n&#8211; Produto: Premium American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: It\u00e1lia<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,6%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,16\/5<\/p>\n<p>Heineken<br \/>\n&#8211; Produto: Premium American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Holanda<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,66\/5<\/p>\n<p>Stella Artois<br \/>\n&#8211; Produto: Premium American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: B\u00e9lgica<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,61\/5<\/p>\n<p>Pre\u00e7o mais baixos de cada r\u00f3tulo encontrados no Buscap\u00e9:<br \/>\nDos Equis: R$ 3,99 (355 ml)<br \/>\nSol: R$ 3,20 (355 ml)<br \/>\nBudweiser: R$ 2,49 (343 ml)<br \/>\nEstrella Galicia: R$ 3,19 (330 ml)<br \/>\nBitburger: R$ 7,00 (330 ml)<br \/>\nAlmaza Pilsner: R$ 7,00 (330 ml)<br \/>\nRed Stripe: R$ 9,50 (330 ml)<br \/>\nBirra Moretti: R$ 5,39 (330 ml)<br \/>\nHeineken: R$ 2,43 (355 ml)<br \/>\nStella Artois: R$ 2,09 (275 ml)<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/heineken1.jpg\" alt=\"heineken1.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEscrever sobre pilsens \u00e9 quase como cutucar um vespeiro: aqueles que \u201centendem\u201d um pouquinho que seja de cerveja dizem que as pale lagers mainstream, comumente chamadas de Standart American Lagers, s\u00e3o praticamente \u00e1gua gaseificada (e eles n\u00e3o est\u00e3o errados)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/08\/boteco-10-cervejas-pale-lager-para-o-verao\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37630"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37630"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37631,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37630\/revisions\/37631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37630"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}