{"id":37582,"date":"2016-03-21T10:36:54","date_gmt":"2016-03-21T13:36:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37582"},"modified":"2016-12-22T10:56:21","modified_gmt":"2016-12-22T12:56:21","slug":"a-crueza-emocional-de-lucy-dacus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/21\/a-crueza-emocional-de-lucy-dacus\/","title":{"rendered":"A crueza emocional de Lucy Dacus"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37583\" title=\"lucy_dacus1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/lucy_dacus1.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\">Gabriel Innocentini<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitos fardos numa exist\u00eancia. Por exemplo, quando voc\u00ea fica sozinho com ningu\u00e9m al\u00e9m de voc\u00ea no escuro. A hora da verdade, a noite escura da alma, a solid\u00e3o de n\u00e3o poder mentir nem pro espelho apagado. E o que voc\u00ea faz se \u00e9 artista? Os dois caminhos mais \u00f3bvios: voc\u00ea se afoga nisso e \u00e9 eventualmente tragado; voc\u00ea se afoga nisso e eventualmente arruma um jeito de se safar. Num caso, s\u00e3o os destinos tr\u00e1gicos; noutro, os que retornam pra contar sua hist\u00f3ria. Aqui entra em cena uma garota vestindo macac\u00e3o e tocando uma Epiphone com boca em F e afinada em open D. Lucy Dacus, senhoras e senhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado em apenas um dia e lan\u00e7ado de forma independente em 26 de fevereiro via selo Ehse Records, de Baltimore, \u201cNo Burden\u201d \u00e9 o disco de estreia desta garota de Richmond, Virginia. \u201cI Don&#8217;t Wanna Be Funny Anymore\u201d, o primeiro single (com a capa sugerindo uma p\u00e1gina arrancada de um di\u00e1rio) e a can\u00e7\u00e3o que abre \u201cNo Burden\u201d, j\u00e1 adianta o universo que Lucy pretende explorar nos pouco mais de 35 minutos do \u00e1lbum, eleito disco da semana da Spin, e definido pela Pitchfork como um disco de indie rock incomum. Por aqui preferimos focar na crueza emocional.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hSUhtC4kons?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta d\u00e9cada temos acompanhado o surgimento e o amadurecimento de compositoras que est\u00e3o alargando o vocabul\u00e1rio do indie-rock. Todos sabem os nomes: Angel Olsen, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/15\/musica-yowler-maryn-jones\/\" target=\"_blank\">Ywoler<\/a>, Sadie Dupois, Katie Crutchfield, Elena Tonra, Romy Madley Croft, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/14\/sharon-van-etten-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\">Sharon Van Etten<\/a>, Jessica Jalbert, Abi Reimold, Julien Baker, Skylar Gudasz (detentora do melhor verso do ano at\u00e9 aqui: \u201cDont ask me if I believe in God \/ I just believe in Gibson guitars\u201d) e por a\u00ed vai. Cada uma de um jeito, sem saber cantar, sem saber mais do que tr\u00eas acordes, com phd em literatura, de fam\u00edlia hippie, virtuoses nas escalas \u00e0 Malkmus, com ironias devastadoras, sem aliviar, todas essas e mais outras rimando ou sem rimas mostram sua for\u00e7a em nossos fones de ouvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucy Dacus, de meros 20 anos, diz versos que poderiam estar na boca de um indie-hero como Jeff Mangum: \u201cBut here we are and something about it doesn\u2019t feel like an accident. \/ We\u2019re all looking for something to adore \/ and how to survive the bending and breaking\u201d. A can\u00e7\u00e3o \u201cMap On A Wall\u201d, sozinha, j\u00e1 justificaria a inclus\u00e3o de \u201cNo Burden\u201d entre os melhores da temporada 2016. Sete minutos e vinte e oito segundos de vulnerabilidade, entrega, abertura, expectativa, pedidos, e finalmente consci\u00eancia &amp; descoberta. Nada mau pra uma letra que come\u00e7a com um desinteressante \u201cOh please don\u2019t make fun of me\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DjSh_WpYI6A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTrust\u201d merecia ser citada inteira, a inscri\u00e7\u00e3o intimista num territ\u00f3rio l\u00edrico de sobreviv\u00eancia. Podem lembrar do poema \u201cUma arte\u201d da Elizabeth Bishop, e at\u00e9 mesmo de uns versos do Bob Dylan sobre ser mais jovem do que antes. Lucy fala em queimar di\u00e1rios e duvida estar mais s\u00e1bia. Mas n\u00e3o \u00e9 apenas sobreviv\u00eancia, \u00e9 uma esp\u00e9cie de relato do que um artista passa nessa luta de foice no escuro consigo pr\u00f3prio. Machado de Assis dizia: alguma coisa temos de sacrificar. Num tempo em que at\u00e9 estadistas dizem n\u00e3o ser a favor nem contra ningu\u00e9m, Lucy sabe o pre\u00e7o de sua escolha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fosse um lado A, lado B, o disco j\u00e1 ganharia espa\u00e7o eterno em nossos cora\u00e7\u00f5es. O jogo est\u00e1 ganho e tanto Lucy quanto n\u00f3s somos os vencedores. Mas quem fala de vit\u00f3rias? Ainda h\u00e1 sete can\u00e7\u00f5es por explorar, uma inclusive com um dos melhores t\u00edtulos dos \u00faltimos tempos: \u201cTroublemaker Doppelg\u00e4nger\u201d, com os versos \u201cI wanna live in a world where I can keep my doors wide open,\/but who knows what\u2019d get in and what\u2019d get out?\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/88hQgxgqdo4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\">@eduardomarciano<\/a>) \u00e9 jornalista e dissecou a discografia completa de Bob Dylan no Scream &amp; Yell. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">Confira aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nesta d\u00e9cada temos acompanhado o surgimento de compositoras que est\u00e3o alargando o vocabul\u00e1rio do indie-rock&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/21\/a-crueza-emocional-de-lucy-dacus\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":32,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1333],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37582"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37582"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41386,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37582\/revisions\/41386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}