{"id":37530,"date":"2016-03-14T15:30:06","date_gmt":"2016-03-14T18:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37530"},"modified":"2024-10-26T23:56:38","modified_gmt":"2024-10-27T02:56:38","slug":"tres-livros-imperdiveis-para-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/tres-livros-imperdiveis-para-agora\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas livros: \u201cAlgu\u00e9m Come Centopeias Gigantes?\u201d, \u201cGeraldo Vandr\u00e9: Uma Can\u00e7\u00e3o Interrompida\u201d, \u201cDance of Days&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/centopeias.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"648\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAlgu\u00e9m Come Centopeias Gigantes?\u201d, Organiza\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Massari (Edi\u00e7\u00f5es Ideal)<\/strong><br \/>\nColet\u00e2nea de textos do m\u00edtico fanzine californiano Search &amp; Destroy, e da posterior RE\/Search Publications, ambos comandados por V. Vale, \u201cAlgu\u00e9m Come Centopeias Gigantes?\u201d re\u00fane 15 entrevistas escolhidas pelo reverendo F\u00e1bio Massari e textos bacanudos que servem de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 livros lan\u00e7ados pela editora RE\/Search, como \u201cPranks\u201d (1988), \u201cIncredibly Strange Music\u201d (1993), e \u201cModern Pagans\u201d (2001), entre outros. Jello Biafra abre o volume com uma entrevista (de 22 p\u00e1ginas) empolgante de 1996, e dai pra frente o leitor ir\u00e1 se deparar com a inoc\u00eancia punk de Paul Simonon, do Clash, numa entrevista emocional, honesta e reveladora de 1977; com Henry Rollins mostrando que \u00e9 gente como eu e voc\u00ea num papo de 2012; e Lydia Lunch enchendo as veias de adrenalina num papo excelente de 2013. H\u00e1 mais: um dia na casa do casal Lux Interior e Poison Ivy ouvindo compactos de bandas desconhecidas, Patti Smith em 1977 tateando nervosamente o que J. G. Ballard, em 1988, exibe com total consci\u00eancia. Ali\u00e1s, os papos com Ballard, Timothy Leary, Lawrence Ferlinghetti (beatnicks, fama e independ\u00eancia), Paul Krassner (trolagem), Throbbing Gristle (m\u00fasica industrial) e Diane Di Prima (poesia, religi\u00e3o e paganismo) est\u00e3o entre os destaques de uma colet\u00e2nea que j\u00e1 nasce pedindo um segundo volume, pois \u00e9 daqueles livros que provocam ideias, questionamentos e inspiram a olhar o mundo de uma maneira completamente diferente e distante do padr\u00e3o replicador de tend\u00eancias das publica\u00e7\u00f5es atuais, sugerindo revolu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o conformismo capitalista movido por hypes e modismos. Absolutamente obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10 (<a href=\"https:\/\/issuu.com\/edicoesideal\/docs\/centopeias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia 54 p\u00e1ginas<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/geraldo_vandre.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"651\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGeraldo Vandr\u00e9: Uma Can\u00e7\u00e3o Interrompida\u201d, Vitor Nuzzi (Editora Kuarup)<\/strong><br \/>\nExistem biografias n\u00e3o autorizadas que buscam \u201cdecifrar\u201d o biografado, muitas vezes de modo a denegri-lo, e com o burburinho faturar uns trocados \u00e0 custa de um famoso (na via contraria, quando esse exerc\u00edcio de entendimento \u00e9 verdadeiro, o resultado s\u00e3o obras geniais <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/12\/livros-the-who-ian-curtis-e-smiths\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como a biografia dos Smiths<\/a>, assinada por Tony Fletcher). Existem outras biografias n\u00e3o autorizadas que s\u00e3o exerc\u00edcios de paix\u00e3o, com o bi\u00f3grafo tateando cada passo do biografado n\u00e3o apenas buscando entende-lo (o que muitas vezes descobre-se ser imposs\u00edvel), mas tamb\u00e9m para iluminar uma trajet\u00f3ria que merece ser contada. \u201cGeraldo Vandr\u00e9: Uma Can\u00e7\u00e3o Interrompida\u201d \u00e9 uma honrosa integrante deste segundo grupo, e se o jornalista Vitor Nuzzi n\u00e3o chega a desvendar o mist\u00e9rio Geraldo Vandr\u00e9 neste livro imperd\u00edvel, deixa centenas de migalhas de p\u00e3o pelo caminho para que o leitor n\u00e3o s\u00f3 reconstrua a trajet\u00f3ria de um dos artistas m\u00edticos da m\u00fasica brasileira, como tamb\u00e9m parte da hist\u00f3ria da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, aquela dominada (e manchada) por militares. Vitor busca as origens de Geraldo Pedrosa de Ara\u00fajo Dias, acompanha sua convers\u00e3o a Geraldo Vandr\u00e9, reconta alguns momentos hist\u00f3ricos da m\u00fasica brasileira enquanto situa cada passagem, de modo impec\u00e1vel, no momento pol\u00edtico e social vivido pela na\u00e7\u00e3o, validando a quest\u00e3o de que toda obra art\u00edstica (tanto quanto sua censura) est\u00e1 inserida no tempo \/ espa\u00e7o em que foi gerida, e \u00e9 fruto inevit\u00e1vel deste tempo. Ap\u00f3s 350 p\u00e1ginas, a sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas a de conhecer e se aprofundar na hist\u00f3ria grandiosa de um artista outrora popular, mas do pr\u00f3prio Brasil. Absolutamente essencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/danceofdays.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"645\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDance of Days: Duas D\u00e9cadas de Punk na Capital dos EUA\u201d, Mark Andersen e Mark Jenkins (Edi\u00e7\u00f5es Ideal)<\/strong><br \/>\nO pref\u00e1cio escrito especialmente para a edi\u00e7\u00e3o brasileira merecia ser enquadrado, mas \u201cDance of Days\u201d n\u00e3o reserva apenas essas primeiras p\u00e1ginas de deleite, muito pelo contr\u00e1rio. O come\u00e7o, no entanto, pode derrubar alguns leitores, ainda que seja did\u00e1tico e importante para a hist\u00f3ria posterior da cena de Washington DC, porque volta uma d\u00e9cada (mais propriamente para a primeira metade dos anos 70) buscando flagrar as fa\u00edscas que causaram o inc\u00eandio harDCore que, nos anos 80, colocou a cidade no mapa mundi da m\u00fasica. Andersen e, principalmente, Jenkis s\u00e3o detalhistas ao extremo na reconstru\u00e7\u00e3o da cena local, e, muitas vezes no livro, cinco ou seis bandas v\u00e3o come\u00e7ar e acabar na mesma p\u00e1gina, dando frutos a outras bandas que implodiram antes de voc\u00ea pensar em bater o nome delas no Google. Esse primeiro trecho \u00e9 bastante did\u00e1tico e cansativo, mas o leitor s\u00f3 poder\u00e1 valorizar a segunda metade de \u201cDance of Days\u201d ap\u00f3s entender todos os trope\u00e7os pelo qual a cena de DC (que deu ao mundo o straight edge, o emocore e Dave Grohl \u2013 se voc\u00ea pensa em culpa-la, leia o livro correndo o risco de mudar de opini\u00e3o) passou antes de se tornar adulta. Por mais que o Minor Threat seja influente e importante, a hist\u00f3ria que realmente vale a pena (e inspira) come\u00e7a com Rites of Spring e se amplia com o Fugazi e a Positive Force, momentos em que a ira, a raiva e o desconforto s\u00f3cio-pol\u00edtico ganha foco e dire\u00e7\u00e3o, deixando de cheirar a mero espirito juvenil. Desta forma, \u00e9 imposs\u00edvel valorizar a segunda parte de \u201cDance of Days\u201d sem passar pela primeira, num belo resumo que o leitor deve levar pra vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10 (<a href=\"https:\/\/issuu.com\/edicoesideal\/docs\/dance_of_days\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia 52 p\u00e1ginas<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"FUGAZI Live in front of THE WHITE HOUSE, January 12, 1991 (Gulf War 1 Protest)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c_5OZOwAhas?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\n\u201cAlgu\u00e9m Come Centopeias Gigantes?\u201d vai bagun\u00e7ar suas ideias; Geraldo Vandr\u00e9 e o Brasil; a hist\u00f3ria da cena punk de DC\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/tres-livros-imperdiveis-para-agora\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37530"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37530"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37530\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84806,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37530\/revisions\/84806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}