{"id":37516,"date":"2016-03-14T16:13:49","date_gmt":"2016-03-14T19:13:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37516"},"modified":"2019-03-28T17:47:22","modified_gmt":"2019-03-28T20:47:22","slug":"documentario-incognito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/documentario-incognito\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio: Inc\u00f3gnito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-37517  aligncenter\" title=\"incongnito\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/incongnito.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/incongnito.jpg 563w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/incongnito-99x150.jpg 99w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/incongnito-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu me achei, mas j\u00e1 n\u00e3o era mais eu\u201d. Quem diz isso \u00e9 <a href=\"https:\/\/marcosandrada.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcos Andrada<\/a>, e isso \u00e9 tudo que ele quer saber sobre si pr\u00f3prio. Marcos fracassou, como m\u00fasico e como desenhista. Como filho, talvez. Fracasso que ele assume, e que ele diz n\u00e3o t\u00ea-lo prejudicado, mas que deixou cicatrizes que aparecem durante muitos dos 26 minutos do document\u00e1rio \u201cInc\u00f3gnito\u201d, dirigido por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zpandre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Andr\u00e9 Z. Pagnossim<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/otaviobertolo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ot\u00e1vio Bertolo<\/a>, que voc\u00ea pode assistir na integra no final da p\u00e1gina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da inexpress\u00e3o da banda Vultos, um quase-sucesso de um apagado underground paulista dos anos 1980, lembrado por ningu\u00e9m a n\u00e3o ser pelos frequentadores mais antigos e empedernidos da Baratos Afins, ao encontro com um \u201ceu que n\u00e3o \u00e9 ele\u201d atrav\u00e9s da comunh\u00e3o com o ayahuasca, do isolamento auto-imposto na inf\u00e2ncia a um per\u00edodo colaborativo e extremamente produtivo com um m\u00fasico 15 anos mais jovem. \u201cInc\u00f3gnito\u201d cobre tudo, sempre nas palavras de seu protagonista. Embora use de fotos, imagens de arquivo (como um show para n\u00e3o mais de dez pessoas na Feira da Pompeia) e anima\u00e7\u00f5es de seus carregados desenhos e pinturas, \u00e9 a narrativa acidentada de Marcos, na qual mistura ingl\u00eas e portugu\u00eas, que desvenda a hist\u00f3ria que os diretores desejam contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atipicidade do padr\u00e3o narrativo \u00e9 explicada por Bertolo. \u201cSeria imposs\u00edvel adotar uma estrutura convencional, pois os depoimentos n\u00e3o tinham muita linearidade. Essa estrutura ajuda a mostrar o que \u00e9 a vida dele e a maneira como ele pensa. Como n\u00e3o havia nenhum compromisso comercial com o filme, procuramos explorar essa possibilidade ao m\u00e1ximo\u201d. Assim, o formato \u201ctalking heads\u201d, recorrente em document\u00e1rios, d\u00e1 lugar a uma constru\u00e7\u00e3o acidentada, mas coerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal constru\u00e7\u00e3o traz uma jornada de isolamento, de cria\u00e7\u00f5es, de inadequa\u00e7\u00e3o. E, sobretudo, de autoconhecimento. Andrada sabe que sua vida \u00e9 a m\u00fasica, que compor \u00e9 o que ele quer, sabe, precisa e aceita fazer. Qualquer outra coisa que n\u00e3o seja isso n\u00e3o aparece em sua vida \u2013 ele certamente n\u00e3o a mostrar\u00e1, se muito a deixar\u00e1 entrever. Mesmo que essa m\u00fasica esteja em um sem-n\u00famero de fitas cassetes guardadas em sua casa, t\u00e3o decadente e confort\u00e1vel como suas roupas. Mesmo que essa m\u00fasica venha na forma de um grande disco (\u201cBem A\u00e9reo\u201d, de 2014, sob o nome Sereialarm, que reunia Marcos ao mesmo Ot\u00e1vio Bertolo que co-dirige o document\u00e1rio), que foi ignorado por quase toda a imprensa musical brasileira, inclusive a independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pagnossim e Bertolo haviam sido colegas de faculdade e ficaram anos sem manter contato pr\u00f3ximo. Ao se reencontrar, Bertolo mencionou o trabalho que vinha fazendo com Andrada no <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/04\/28\/entrevista-sereialarm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sereialarm<\/a>, e da\u00ed surgiu a ideia do document\u00e1rio. E desde o in\u00edcio, ficou decidido que Marcos seria o \u00fanico a aparecer na tela. \u201cO risco que existia em abrir o filme para depoimentos de outras pessoas seria o de elas apenas ficarem elogiando o Marcos e sua obra, o que poderia fazer a coisa cair num trabalho \u2018chapa-branca\u2019. Isso era a \u00faltima coisa que gostar\u00edamos. Por isso escolhemos ter apenas o Marcos no filme. Se o que ele fala \u00e9 verdade ou exagero, fica a cargo do espectador decidir\u201d, diz Pagnossim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele ainda explica que o risco da auto-glorifica\u00e7\u00e3o do protagonista tamb\u00e9m passa longe. \u201cMuitos artistas carregam uma sombra de personagem que, infelizmente, transcendem a pr\u00f3pria obra. O Z\u00e9 Mojica Marins, o Paulo Cesar Pereio, tantos outros. A gente poderia ter seguido uma linha com o Marcos falando as hist\u00f3rias hil\u00e1rias e \u2018proibidonas\u2019 dos bastidores de m\u00fasica nos anos 80, por exemplo, quase um \u2018whistleblower do rock nacional\u2019, mas preferimos mostrar seus desenhos e sua m\u00fasica. \u00c9 isso o que importa\u201d. Bertolo complementa: \u201cEu tenho um problema s\u00e9rio com diretores, escritores e m\u00fasicos que se esfor\u00e7am bastante pra virar um personagem maior que a pr\u00f3pria obra. A MPB e o rock possuem in\u00fameros exemplares desta fauna, s\u00f3 que a hist\u00f3ria e a m\u00fasica do Marcos s\u00e3o t\u00e3o pouco conhecidas, que n\u00e3o existe esse risco e se acontecer, miss\u00e3o cumprida. Eu preferiria muito mais que a m\u00fasica transcendesse isso tudo, pois \u00e9 assim que entendo a minha rela\u00e7\u00e3o com essa hist\u00f3ria. O Marcos \u00e9 um cara de extremos. Em alguns momentos eu prefiro ficar s\u00f3 com as m\u00fasicas e deixar o personagem \u2018ausente\u2019\u201d. Ou melhor, inc\u00f3gnito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cInc\u00f3gnito\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de um fracasso, mas o que fracassou? A comercializa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica ou seu autor como artista? Ou fracassaram as expectativas da fam\u00edlia de Marcos? Pode ser que os verdadeiros fracassados sejam aqueles que n\u00e3o ouviram suas composi\u00e7\u00f5es&#8230; Ao fim do filme, muita coisa permanece inc\u00f3gnita. Menos Marcos Andrada. Depois desse filme, voc\u00ea sempre vai se lembrar dele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Qs1KRrNR4jk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\n\u201cInc\u00f3gnito\u201d \u00e9 a hist\u00f3ria de um fracasso, mas o que fracassou? A comercializa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica ou seu autor como artista? Assista!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/documentario-incognito\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3,118],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37516"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":50907,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37516\/revisions\/50907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}