{"id":37492,"date":"2016-03-14T21:52:26","date_gmt":"2016-03-15T00:52:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37492"},"modified":"2016-09-10T10:09:57","modified_gmt":"2016-09-10T13:09:57","slug":"entrevista-clara-averbuck-e-eva-uviedo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/entrevista-clara-averbuck-e-eva-uviedo\/","title":{"rendered":"Livro: Clara Averbuck e Eva Uviedo"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37493\" title=\"clara_eva\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/clara_eva.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/renata_arruda\" target=\"_blank\">Renata Arruda<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa \u00e9 uma obra de fic\u00e7\u00e3o? Qualquer semelhan\u00e7a com personagens vivos ou mortos \u00e9 problema de voc\u00eas\u201d, \u00e9 o aviso impresso no colof\u00e3o de \u201cToureando o Diabo\u201d, s\u00e9timo livro de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caverbuck\" target=\"_blank\">Clara Averbuck<\/a> e segundo em parceria com a ilustradora <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/evauviedo\/\" target=\"_blank\">Eva Uviedo<\/a>. No romance, Clara resgata a protagonista de seus dois primeiros romances, Camila, que agora, entrando na faixa dos trinta, resolve remexer em seus cadernos do passado e repassar sua vida, desde aquela \u00e9poca em que \u201cqueria ser a mais inteligente, a mais linda, a mais engra\u00e7ada, a mais talentosa, a que mais se destacava, a que mais&#8230; agradava os caras\u201d at\u00e9 o presente, em que entende que o seu fortalecimento e, nas suas palavras, \u201creden\u00e7\u00e3o\u201d s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s da uni\u00e3o com as outras mulheres. Mas ainda que haja v\u00e1rias boas passagens feministas, o livro n\u00e3o panfleta sobre isso: h\u00e1 ainda uma mistura de relatos sobre as rela\u00e7\u00f5es conturbadas com diversos homens ao longo de sua vida e reflex\u00f5es sobre o of\u00edcio de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a autora fa\u00e7a quest\u00e3o de deixar bem clara a distin\u00e7\u00e3o entre a sua vida pessoal e a do seu alter ego (\u201cN\u00e3o \u00e9 o meu eu. \u00c9 um recurso liter\u00e1rio largamente usado e sempre foi nessa literatura que eu mirei. Sempre disse que a Camila era o meu excesso e nunca neguei que usava a vida como mat\u00e9ria prima da minha obra, mas isso n\u00e3o significa que seja um cronograma do que eu vivi\u201d, diz ela), muitas vezes a voz da personagem se confunde com a da pr\u00f3pria Clara e \u00e9 inevit\u00e1vel lembrar-se de seus artigos escritos no site <a href=\"http:\/\/lugardemulher.com.br\/\" target=\"_blank\">Lugar de Mulher<\/a>, que divide a autoria com Mari Messias e Ana Paula Barbi, em digress\u00f5es como esta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cMedo do rid\u00edculo do livro tamb\u00e9m. N\u00e3o vou parir personagem hero\u00edna que faz tudo certinho, n\u00e3o vou criar personagem vil\u00e3 que faz tudo errado e amam odiar. N\u00e3o quero criar mulher abusada pra mostrar o que pode acontecer, n\u00e3o quero criar v\u00edtima nem algoz; n\u00e3o vou dar vida \u00e0 vil\u00e3 que todo mundo odeia, mas quer comer ou ser. Personagem mina humana, eu quero. Porque eu quero que as minas se identifiquem com ela. \u00c9 pra elas que eu escrevo. Antes n\u00e3o era.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrito em um fluxo de consci\u00eancia que remete a uma vers\u00e3o mais rock and roll de Elvira Vigna, o livro n\u00e3o tem uma hist\u00f3ria propriamente dita, sendo antes uma narrativa costurada por bilhetes, poemas, letras de m\u00fasica e pensamentos escritos \u00e0 m\u00e3o, rabiscos soltos e desenhos diversos, que passam ao leitor a sensa\u00e7\u00e3o de estar de posse de um di\u00e1rio \u00edntimo da narradora-personagem. As ilustra\u00e7\u00f5es ficaram a cargo da artista Eva Uviedo, parceira de longa data de Clara, que traduz em imagens muitos dos sentimentos expostos pela personagem. O resultado \u00e9 bel\u00edssimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o objetivo de ter maior independ\u00eancia, as autoras resolveram recorrer ao financiamento coletivo para viabilizar a brochura, e conseguiram reunir mais de 600 apoiadores, cujos investimentos ultrapassaram a marca inicial de 35 mil reais (agora o livro pode ser adquirido <a href=\"http:\/\/www.evauviedo.com.br\/#!toureando-o-diabo\/cd2e\" target=\"_blank\">aqui<\/a>). Na entrevista a seguir, Clara Averbuck e Eva Uviedo contam sobre como foi esta primeira experi\u00eancia e falam ainda sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o da obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37494\" title=\"toureando_diabo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/toureando_diabo.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/toureando_diabo.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/toureando_diabo-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/toureando_diabo-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O livro foi financiado atrav\u00e9s do Catarse e eu me lembro que na \u00e9poca algumas pessoas criticaram tanto a iniciativa quanto o valor do projeto. Ao mesmo tempo, voc\u00ea se dizia surpresa que mais autores n\u00e3o recorriam ao crowdfunding para lan\u00e7ar seus livros. Minha pergunta \u00e9: com os altos custos da produ\u00e7\u00e3o de um livro, ser\u00e1 que para a maioria dos autores menos famosos n\u00e3o se torna invi\u00e1vel levantar um valor t\u00e3o alto e por isso \u00e9 mais garantido procurar a seguran\u00e7a das editoras?<\/strong><br \/>\nClara: Bom, meu projeto n\u00e3o era de um autor iniciante; \u00e9 o meu s\u00e9timo livro, afinal, e eu tenho um p\u00fablico bastante fiel. E existe uma diferen\u00e7a entre fazer um livro e lan\u00e7ar um projeto de crowdfunding, com recompensas, taxas de envio, servi\u00e7os de terceiros. S\u00d3 um livro pode ser impresso com 5 mil reais, at\u00e9 menos, dependendo da tiragem. L\u00f3gico que um autor iniciante n\u00e3o pode pedir 35 mil em um projeto. Mas d\u00e1 pra fazer por bem menos e bem menos livros. Mas n\u00f3s quisemos fazer um projeto grande mesmo, e saiu um livro maravilhoso, impresso numa gr\u00e1fica foda, todo ilustrado e que valeu cada segundo de incomoda\u00e7\u00e3o. E sim, existe a incomoda\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 todo mundo que tem disposi\u00e7\u00e3o pra passar por ela. O autor pode se sentir mais seguro e mais confort\u00e1vel entregando o texto pra editora, e realmente, \u00e9 muito mais f\u00e1cil. Agora, imagina se um autor best seller resolve fazer um financiamento coletivo? Eu ia achar maravilhoso. Ia ser uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora que o livro est\u00e1 em fase de lan\u00e7amento, como voc\u00eas avaliam todo o processo desde a cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 a autopublica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o independente? Saiu como o esperado? Pensam em repetir?<\/strong><br \/>\nClara: S\u00e3o novos modelos de economia para novos tempos e eu acho que essa ideia ainda vai muito longe. Eu, com certeza, vou repetir a experi\u00eancia e n\u00e3o vou esquecer de colocar uma parte do dinheiro pra mim, porque um dos motivos do livro ter atrasado foi que eu n\u00e3o pude me dedicar inteiramente a ele; a gente tem que trabalhar e pagar as contas, afinal, e essa ideia de que o artista tem que ser abnegado e n\u00e3o querer viver da arte que produz n\u00e3o me agrada. Eu quero, sim, viver de vender meus livros, n\u00e3o de outros frilas que paguem minhas contas enquanto minha profiss\u00e3o tem que ser tratada como um hobby praticado nas horas vagas, e isso era imposs\u00edvel com o mercado editorial funcionando da maneira que funciona e pagando 10% do pre\u00e7o de capa pra quem escreveu o livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eva: Sou control freak assumida e adoro ter o controle do processo inteiro. Sofro quando algo sai da linha do que eu acredito ser o certo. A Clara e eu botamos a m\u00e3o desde a planilha de custos at\u00e9 a playlist pra tocar no evento, passando por toda a cria\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o, tudo, sempre de comum acordo. D\u00e1 trabalho, claro, mas a tranquilidade de ter poder de decis\u00e3o sobre seu pr\u00f3prio projeto vale cada noite virada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Clara, voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a concep\u00e7\u00e3o do projeto e como foi o seu processo de cria\u00e7\u00e3o dele? A decis\u00e3o de trazer a Camila de volta j\u00e1 estava planejada ou foi algo que voc\u00ea decidiu ao longo do processo?<\/strong><br \/>\nClara: N\u00e3o estava planejada, mas \u00e0 medida que fui escrevendo o livro senti uma necessidade muito grande de reviver a Camila, que acabou no \u201cVida de Gato\u201d (2004) com um p\u00e9 na bunda e um cora\u00e7\u00e3o partido e falando que era uma \u201cmulherzinha com bolas\u201d no \u201cM\u00e1quina de Pinball\u201d (2002). O processo de amadurecimento dela tem muito a ver com o meu, \u00e9 claro, e eu gostei demais de ter trazido ela de volta, at\u00e9 porque deu pra puxar umas refer\u00eancias dos meus livros anteriores que quem j\u00e1 leu vai pescar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do \u00f3bvio amadurecimento, o que voc\u00ea diria que mudou em Camila de \u201cM\u00e1quina de Pinball\u201d para c\u00e1? O que voc\u00ea imagina que aconteceu com ela durante esse per\u00edodo? Pode-se dizer que a Camila \u00e9 completamente inspirada em voc\u00ea ou h\u00e1 hist\u00f3rias de outras mulheres nela tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nClara: Alterego significa \u201coutro eu\u201d. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 o meu eu. \u00c9 um recurso liter\u00e1rio largamente usado e sempre foi nessa literatura que eu mirei. Sempre disse que a Camila era o meu excesso e nunca neguei que usava a vida como mat\u00e9ria prima da minha obra, mas isso n\u00e3o significa que seja um cronograma do que eu vivi. Tem muita fic\u00e7\u00e3o, ou seja, hist\u00f3rias inventadas, e tem tamb\u00e9m inspira\u00e7\u00e3o em outras mulheres. Ali\u00e1s, elas foram a grande inspira\u00e7\u00e3o desse livro e eu quero muito que elas se identifiquem com essa Camila. A Camila antiga queria ser diferente das outras, especial, floquinho de neve \u00fanico; a Camila de agora eu constru\u00ed pra ser todas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37496\" title=\"ilustraccca7acc83o1_toureando\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/ilustraccca7acc83o1_toureando.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"675\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/ilustraccca7acc83o1_toureando.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/ilustraccca7acc83o1_toureando-110x150.jpg 110w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea frequentemente se diz arrependida de certa passagem a respeito de estupro em seu primeiro livro. No \u201cToureando&#8230;\u201d j\u00e1 encontramos tanto autora quanto personagem com uma outra vis\u00e3o sobre os homens, as mulheres e a vida. Voc\u00ea pode comentar um pouco sobre como se deu o seu envolvimento com o feminismo e como foi fazer essa autoavalia\u00e7\u00e3o da sua obra?<\/strong><br \/>\nClara: A gente n\u00e3o acorda um dia e virou feminista. Foi todo um processo de reconhecimento e desconstru\u00e7\u00e3o. Comecei a me interessar por feminismo por causa da minha autora brasileira favorita, a Carmen da Silva, que era mais conhecida por ter uma coluna na revista Claudia chamada \u201ca arte de ser mulher\u201d. Ela foi a respons\u00e1vel por introduzir o feminismo na imprensa brasileira bem pelas beiradas, j\u00e1 que estava falando com donas de casa dos anos 60 sobre protagonizarem suas pr\u00f3prias vidas em vez de serem coadjuvantes da dos maridos, sobre orgasmo, enfim, sobre quest\u00f5es das mulheres que ningu\u00e9m nunca tinha tocado. Foi uma grande ruptura na \u00e9poca, j\u00e1 que, antes dela, quem fazia as vezes de \u201cconselheiros\u201d das ang\u00fastias femininas eram homens assinando com pseud\u00f4nimos femininos. Eu virei f\u00e3 da Carmen por causa de seu romance \u201cSangue Sem Dono\u201d (1964), que \u00e9 maravilhoso, e fui atr\u00e1s das outras obras dela. A partir dali comecei a pensar muito no assunto, pensar que \u201celas\u201d, as feministas, estavam certas em v\u00e1rias quest\u00f5es. Ainda n\u00e3o me considerava feminista, tinha uma imagem muito estigmatizada da coisa toda, mas, \u00e0 medida que fui me aprofundando, \u201celas\u201d viraram \u201cn\u00f3s\u201d. E a partir do momento em que percebi a import\u00e2ncia de me colocar, de me posicionar, foi natural que minha escrita fosse mudando um pouco. Eu tenho uma escrita agressiva e direta mesmo, \u00e9 o meu estilo, mas, no come\u00e7o, eu tinha uma \u00e2nsia de n\u00e3o \u201cser mulherzinha\u201d, sabe? Agora n\u00e3o tenho mais essa nega\u00e7\u00e3o pelo feminino que eu tinha no come\u00e7o. Eu considerava o feminino inferior, mais fraco, ruim; queria escrever como um cara. Minhas refer\u00eancias liter\u00e1rias eram homens, era algo natural pra mim. N\u00e3o ter mais medo de ser mulher foi uma grande mudan\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 na minha literatura, mas em como eu me posiciono na vida. E \u00e9 por isso que a gente vive falando que representatividade importa. Hoje eu vejo meninas muito jovens querendo escrever e acho isso demais. Dito isso: a passagem do \u201cM\u00e1quina de Pinball\u201d com a qual implico \u00e9 quando Camila diz que agradeceria se fosse estuprada porque os ingleses n\u00e3o gostam de sexo e ela n\u00e3o estava conseguindo transar por l\u00e1. Cagada de uma jovem escritora querendo chocar. Mandei mal, apenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O texto parece depender muito das imagens; gostaria de saber como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas fizeram juntas, ou acontecia do desenho vir depois do texto ou vice-versa?<\/strong><br \/>\nClara: Eu escrevia, mandava pra Eva, ela desenhava, a gente discutia. O processo de escolher os textos dos caderninhos tamb\u00e9m foi bem legal. O trabalho de edi\u00e7\u00e3o de texto foi nosso e isso foi incr\u00edvel. Eu e a Eva constru\u00edmos essa Camila juntas. Cortamos muito, muito texto, e alguns foram substitu\u00eddos pelas ilustras, que realmente d\u00e3o a liga do livro. O texto sozinho n\u00e3o existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eva: A mesma coisa com os desenhos. Alguns eu diagramava junto com o texto e pensava: n\u00e3o, esse precisa escrever \u00e0 m\u00e3o, tem que ter a letra da Clara nessa imagem, vai dar a for\u00e7a que falta. E a gente \u00e9 geminiana, muda de ideia loucamente, trocamos tudo de lugar mil vezes. Tem muita ilustra\u00e7\u00e3o que eu fiz inspirada pela personagem, mas n\u00e3o sabia onde ia encaixar ainda, da\u00ed ficava zanzando de uma p\u00e1gina pra outra at\u00e9 achar seu lugar. Quando todo mundo achou seu lugar, texto e imagens, demos o livro por terminado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eva, voc\u00ea pode falar sobre a escolha das ilustra\u00e7\u00f5es da s\u00e9rie Sobre Amor &amp; Outros Peixes e contar um pouco sobre sua inspira\u00e7\u00e3o para cri\u00e1-la?<\/strong><br \/>\nEva: N\u00e3o sei bem como surgiu essa s\u00e9rie. Comecei desenhando peixes alados em todo lugar por volta de 2005, da\u00ed em diante a viagem aqu\u00e1tica foi indo em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es. Eu curto muito a diversidade dos seres marinhos; saber de um animal como um tubar\u00e3o, que \u00e9 muito suave e ao mesmo tempo extremamente violento. Ou a arraia, que \u00e9 completamente mansa, mas muito perigosa se voc\u00ea pisar nela. O polvo, envolvente; o peixe, fugaz. Fui identificando nas caracter\u00edsticas deles muitos comportamentos que poderia atribuir a humanos, e por a\u00ed foi. A primeira vez que a gente juntou os dois universos, o da Clara e o meu, foi no livro \u201cNossa Senhora da Pequena Morte\u201d (2008). J\u00e1 estavam ali as mulheres com cabelo de tent\u00e1culo e tudo o mais. Acho que combina bem com a caracter\u00edstica mutante da personagem, e nesse livro ela est\u00e1, mais do que nunca, fugindo de um molde, ela est\u00e1 em eterna reconstru\u00e7\u00e3o. E por outro lado, acho que a hist\u00f3ria da Camila vai trazer uma compreens\u00e3o das pessoas para as ilustra\u00e7\u00f5es. Por exemplo, tem uma hora em que ela narra um amor que apenas escapa, e no desenho quem est\u00e1 fugindo \u00e9 um peixe. Da\u00ed vai construindo um universo simb\u00f3lico que at\u00e9 agora era s\u00f3 meu, mas espero que v\u00e1 indo para o mundo pra ser entendido de uma forma mais abstrata. A real \u00e9 que desenho n\u00e3o \u00e9 muito pra explicar, ele precisa apenas funcionar. Mas o significado est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37495\" title=\"ilustraccca7acc83o2_namorada-do-polvo2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/ilustraccca7acc83o2_namorada-do-polvo2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"646\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/ilustraccca7acc83o2_namorada-do-polvo2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/ilustraccca7acc83o2_namorada-do-polvo2-139x150.jpg 139w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/ilustraccca7acc83o2_namorada-do-polvo2-278x300.jpg 278w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Renata Arruda (<\/span><a href=\"http:\/\/twitter.com\/renata_arruda\" target=\"_blank\">@renata_arruda<\/a><span>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/www.mardemarmore.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Prosa Espont\u00e2nea<\/a>. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/literatura\/\"><strong>LEIA MAIS SOBRE LIVROS E HQs NO SCREAM &amp; YELL<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Renata Arruda\nClara e Eva est\u00e3o lan\u00e7ando o segundo livro em parceria, &#8220;Toureando o Diabo&#8221;, fruto de um crowdfunding de sucesso\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/entrevista-clara-averbuck-e-eva-uviedo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37492"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37492"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37492\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37499,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37492\/revisions\/37499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}