{"id":37469,"date":"2014-03-14T09:51:47","date_gmt":"2014-03-14T12:51:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37469"},"modified":"2016-03-11T09:55:58","modified_gmt":"2016-03-11T12:55:58","slug":"r-30-na-europa-r-300-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/14\/r-30-na-europa-r-300-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"R$ 30 na Europa, R$ 300 em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/west1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"278\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em destaque na foto, de tampa amarela, a Westvleteren 12, apontada como a melhor cerveja do mundo. Vleteren \u00e9 uma aldeia na prov\u00edncia dos Flandres Ocidentais, na B\u00e9lgica. A cidade (quase na fronteira com a Fran\u00e7a) \u00e9 conhecida por dar nome a uma cervejaria fundada em 1838 na abadia trapista de Saint Sixtus, cuja produ\u00e7\u00e3o de cerveja visa apenas financiar a comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 2012 era raro encontrar Westvleteren para comprar fora da Abadia de Saint Sixtus. Os monges levam o \u201cn\u00e3o capitalismo\u201d t\u00e3o \u00e0 s\u00e9rio que, desde 1941, a Westvleteren era vendida unicamente no mosteiro, com cota m\u00e1xima de cinco caixas de 24 garrafas para cada pessoa, que tinha que marcar data e hora para retirar sua cota no mosteiro (sem atrasos) &#8211; e o cliente tinha que prometer n\u00e3o revender a cerveja!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, ap\u00f3s um projeto de moderniza\u00e7\u00e3o do mosteiro em 2012, que colocou milhares de caixas no mercado (uma manchete na \u00e9poca dizia que havia mais fila para comprar Westvleteren do que o ent\u00e3o rec\u00e9m-lan\u00e7ado iPad 2), ficou mais f\u00e1cil encontrar as tr\u00eas vers\u00f5es (6, 8 e 12) em bons emp\u00f3rios de Amsterdam, Paris ou Bruxelas. O pre\u00e7o varia entre 10 e, no m\u00e1ximo, 20 euros a garrafinha de 330 ml.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho cinco Westvleteren em casa (duas n\u00famero 12, duas n\u00famero 8 e uma Blond Ale) compradas em:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Duas em Bruxelas, em junho do ano passado. Paguei 12 euros (cerca de R$ 39) em cada no Bier Temple (e 10 euros, pouco mais de R$ 30, no balc\u00e3o do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/06\/29\/de-bar-em-bar-em-bruxelas\/\" target=\"_blank\">Au Bon Vieux Temps<\/a>);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Tr\u00eas em Amsterdam em 2012. Tinha me planejado para compra-las, mas assim que acordei precisei voltar a Paris, de \u00f4nibus, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/06\/14\/a-saga-do-computador-perdido\/\" target=\"_blank\">para resgatar o laptop que eu havia esquecido<\/a> no aeroporto Charles de Gaule. Uma amiga que estava viajando comigo ficou encarregada de procurar as Westvleteren, e as achou ao pre\u00e7o de 16 euros (R$ 50). Ela conta que todo mundo no emp\u00f3rio ficou boquiaberto quando ela disse que iria levar tr\u00eas garrafas. \u00c9 um pre\u00e7o que eles n\u00e3o est\u00e3o acostumados a pagar por cerveja, nem pela melhor do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estou relembrando essas hist\u00f3rias porque acabei de passar em um bar\/emp\u00f3rio no bairro Vila Ol\u00edmpia, em S\u00e3o Paulo, e quase cai para tr\u00e1s quando vi uma garrafinha da Westvleteren 12 sendo vendida por\u2026 R$ 300. Isso mesmo: seis vezes o pre\u00e7o que ela \u00e9 vendida em Amsterdam (10 vezes o do pub em Bruxelas). Fui procurar no Mercado Livre e h\u00e1 garrafas l\u00e1 entre R$ 139 e R$ 174. Queria ver a cara dos holandeses vendo esse pre\u00e7o. Se eu fiquei perplexo, imagina eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fico tentando imaginar a conta que uma pessoa que vende uma cerveja que \u00e9 encontrada por R$ 30 na Europa faz para chegar a esse pre\u00e7o de venda de R$ 300 no Brasil. N\u00e3o consigo chegar a nenhuma conclus\u00e3o que n\u00e3o seja abuso da boa-f\u00e9 do consumidor. A base, claro, n\u00e3o \u00e9 o valor real do produto, mas a dificuldade que uma pessoa tem de encontra-lo, o que inflaciona seu pre\u00e7o de custo conforme a necessidade do mercado. \u00c9 vergonhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembro da mesma amiga que comprou as Westvleteren em Amsterdam, um tempo depois, comentando que ap\u00f3s uma tempestade que caiu no Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, transformando toda a \u00e1rea em um imenso lama\u00e7al, os vendedores de galochas abaixaram os pre\u00e7os para aproveitar o momento e liquidar o estoque. Se fosse no Brasil, facilmente o ditado \u201ca necessidade faz o ladr\u00e3o\u201d seria colocado a prova: se voc\u00ea precisa, v\u00e3o cobrar mais caro. \u00c9 fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de achar que comerciante n\u00e3o deva ter lucro, imagina. Acredito fielmente que o capitalismo consciente seja um dos caminhos para a humanidade. \u00c9 um modelo que pode ser encontrado em diversos pa\u00edses da Europa, mas no Brasil, filhote do pensamento norte-americano (que financiou as ditaduras da Am\u00e9rica Latina e imp\u00f4s seu \u201camerican way of life\u201d simbolizado aqui, no auge, pela triste Lei de Gerson), \u00e9 muito raro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como sommelier e apaixonado por cervejas, tento sempre estar atento aos novos r\u00f3tulos que chegam as prateleiras e entender a l\u00f3gica dos pre\u00e7os. Semana passada, por exemplo, comprei uma Del Ducato, italiana, por R$ 22 (garrafa de 310 ml). Em Veneza, em 2012, paguei 5 euros (cerca de R$ 16) pela mesma cerveja, e imagino essa margem (quase 30%) como impostos, taxas e tudo o que envolve trazer uma bebida feita em uma cidade italiana e coloca-la numa g\u00f4ndola em S\u00e3o Paulo. Mais de R$ 30 eu n\u00e3o pagaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, sim, cervejas caras que valem o investimento, e isso \u00e9 preciso ser dito. Afinal deixar uma cerveja em barris envelhecendo por dois anos (como uma lambic) \u00e9 mais custoso que produzir uma quantidade em larga escala em 15 dias e colocar o produto no mercado (com uma pilsen tradicional de boteco). Por\u00e9m cobrar R$ 300 em uma cerveja que custa R$ 30 em outro pa\u00eds \u00e9, para mim, nada mais, nada menos que explora\u00e7\u00e3o. E \u00e9 vergonhoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/west2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"600\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEm destaque na foto, de tampa amarela, a Westvleteren 12, apontada como a melhor cerveja do mundo. Vleteren \u00e9 uma aldeia na prov\u00edncia dos Flandres Ocidentais, na B\u00e9lgica. 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