{"id":37404,"date":"2014-06-13T10:04:44","date_gmt":"2014-06-13T13:04:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37404"},"modified":"2016-03-09T10:08:49","modified_gmt":"2016-03-09T13:08:49","slug":"boteco-as-tres-cervejas-da-westvleteren","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/13\/boteco-as-tres-cervejas-da-westvleteren\/","title":{"rendered":"Boteco: As tr\u00eas cervejas da Westvleteren"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west7.jpg\" alt=\"\" width=\"442\" height=\"331\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abadia trapista de St. Sixtus nasceu em 1831 no munic\u00edpio belga de Vleteren, n\u00e3o muito longe das planta\u00e7\u00f5es de l\u00fapulo de Poperinge, no Flanders Ocidental. A Westvleteren Brewery, no entanto, s\u00f3 come\u00e7ou a fabricar cerveja em 1838, e a venda ao p\u00fablico s\u00f3 foi aberta em 1931. A grande procura fez com que os monges da St. Sixtus concedessem \u00e0 cervejaria St. Bernardus, da cidade vizinha, Watou, autoriza\u00e7\u00e3o para produzir as cervejas da Westvleteren para venda, e este acordo durou at\u00e9 1992 (muita gente compensa a dificuldade de encontrar uma Westvleteren bebendo as cervejas da St. Bernardus, que, teoricamente, usam a mesma receita \u2013 testes comparativos devem ser feitos com garrafas da mesma safra, importante lembrar), quando os monges da St. Sixtus retomaram a produ\u00e7\u00e3o da Westvleteren, tornando-a m\u00edtica n\u00e3o s\u00f3 pela dificuldade de consegui-la (teoricamente s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel compra-la na abadia: em pequenas quantidades na lojinha, em maiores com data, hora e placa do carro marcadas; na pr\u00e1tica, v\u00e1rios emp\u00f3rios europeus a vendem), mas principalmente por sua qualidade, elogi\u00e1vel. Abaixo, as tr\u00eas \u00fanicas cervejas que eles produzem atualmente:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"608\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Westvletern Blond \u00e9 a cerveja que os monges consomem na Abadia de St. Sixtus, e foi lan\u00e7ada comercialmente em 1999, ap\u00f3s a abadia deixar de produzir a Westvletern #6, uma Belgian Dark Ale (a Westvletern #4 tamb\u00e9m j\u00e1 havia sa\u00eddo de circula\u00e7\u00e3o). A receita une \u00e1gua, malte, levedura, a\u00e7\u00facar e especiarias. De colora\u00e7\u00e3o amarelo palha, a Westvletern Blond exibe um creme branco de excelente forma\u00e7\u00e3o e longa perman\u00eancia. O aroma \u00e9 especial: \u00e9 poss\u00edvel perceber um toque frutado c\u00edtrico e meio azedo que pode ser tanto derivado do l\u00fapulo quanto, principalmente, da levedura. H\u00e1 deliciosa sugest\u00e3o floral e herbal (erva-cidreira e capim lim\u00e3o), leve percep\u00e7\u00e3o de malte (p\u00e3o e biscoito) e adocicado distante (caramelo e mel). H\u00e1, ainda, algo que remete a fazendas (feno, palha e pasto). Na boca, um leve azedume se destaca ao lado do amargor c\u00edtrico no primeiro toque, e o conjunto se desmancha em notas herbais (erva-cidreira e capim lim\u00e3o), c\u00edtricas (abacaxi mais ma\u00e7\u00e3 e uva verdes) e condimentadas (semente de cravo). O final \u00e9 suavemente amargo, azedinho e c\u00edtrico (lim\u00e3o siciliano e abacaxi) enquanto o retrogosto traz notas herbais, c\u00edtricas e\u2026 fazendas. Foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"651\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Westvleteren #8 (anteriormente conhecida por Extra) \u00e9 uma Belgian Dark Strong Ale cuja receita, b\u00e1sica (para as tr\u00eas cervejas da casa), une \u00e1gua, malte, levedura, a\u00e7\u00facar e especiarias. A diferen\u00e7a da #8 para a Blond \u00e9 percept\u00edvel j\u00e1 na cor: enquanto a Blond \u00e9 amarela, a #8 \u00e9 \u00e2mbar escura, derivada da tosta do malte. O creme \u00e9 levemente bege, e de \u00f3tima forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia. As diferen\u00e7as se ampliam no nariz: aroma sensacional, frutad\u00edssimo, mas o que deriva de frutas amarelas na Blond aqui reca\u00ed sobre frutas escuras (ameixa principalmente), cristalizadas e com um toque extra de ma\u00e7\u00e3 bem pr\u00f3ximo de champanhe e vinho do Porto. H\u00e1 ainda sugest\u00e3o de nozes, madeira, caramelo, a\u00e7\u00facar mascavo e semente de cravo. Na boca, a #8 continua impressionando: a primeira impress\u00e3o \u00e9 adocicada e frutada (a\u00e7\u00facar mascavo e ameixa), mas logo na sequencia surge uma pic\u00e2ncia amarga que parece mais derivada dos 8% de \u00e1lcool do que do l\u00fapulo em meio a um oceano de sabores cujos destaques s\u00e3o notas que remetem a frutas escuras, caramelo, baunilha, vinho do Porto, e ameixa. O final \u00e9 frutado, alco\u00f3lico e levemente salgado enquanto o retrogosto traz caramelo e frutas escuras. Palmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west3.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"530\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechando o trio, a m\u00edtica Westvleteren #12, que foi produzida pela primeira vez em 1940, e eleita por um site em 2005 como \u201ca melhor cerveja do mundo\u201d, fato que desagradou os monges da St. Sixtus: \u201cN\u00f3s fazemos a cerveja para viver, n\u00e3o vivemos para a cerveja\u201d, disse o chefe do claustro, que manteve a mesma produ\u00e7\u00e3o anual de cerca de 160 mil garrafas, mesmo com tolos pagando at\u00e9 R$ 300 por um exemplar de 330 ml \u2013 na porta da abadia, uma caixa com 24 garrafas, incluindo dep\u00f3sito pelos cascos e pela caixa de madeira (que n\u00e3o precisam retornar), custa 52 euros, aproximadamente R$ 160 (24 garrafas!!!). Ok, o m\u00e9todo de compra \u00e9 complicado (apenas via telefone marcando hor\u00e1rio e com retirada pela placa do carro: em junho de 2014 s\u00f3 h\u00e1 vagas para retiradas de caixas para novembro e dezembro de 2014), mas mesmo sendo aconselhado n\u00e3o revend\u00ea-la, \u00e9 poss\u00edvel encontra-la tanto em Bruxelas quanto em Amsterd\u00e3 entre 10 e 16 euros. Ou seja, o mito em torno da Westvleteren #12 faz com que alguns exageros sejam cometidos por bebedores mais afoitos (e aproveitadores de plant\u00e3o), mas a grande quest\u00e3o \u00e9: ela \u00e9 a melhor cerveja do mundo?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west9.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"371\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De colora\u00e7\u00e3o \u00e2mbar escura e creme bege de \u00f3tima forma\u00e7\u00e3o e m\u00e9dia perman\u00eancia (incluindo algumas rendas belgas ao redor da ta\u00e7a), a Westvleteren #12 carrega 10.2% de gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica e um aroma refinado de Belgian Quadrupel, com notas que remetem a frutas escuras (ameixa, nozes, am\u00eandoa e uva passa), adocicado (caramelo, a\u00e7\u00facar mascavo e baunilha), condimentado (um pouco de canela e pimenta do reino) e amadeirado (remetendo levemente tanto a vinho do Porto quanto Jerez). O \u00e1lcool \u00e9 percept\u00edvel, mas delicadamente (o que \u00e9 louv\u00e1vel se considerarmos sua quantidade). Na boca, o \u00e1lcool aparece j\u00e1 no primeiro toque, mas n\u00e3o incomoda. A do\u00e7ura (puxando para a\u00e7\u00facar mascavo) tamb\u00e9m \u00e9 agrad\u00e1vel, na medida, batendo ponto, mas n\u00e3o enjoando. O mesmo pode ser dito das notas frutadas, que marcam presen\u00e7a, sem exageros. O final \u00e9 adocicado, frutado e alco\u00f3lico (principalmente com a cerveja na temperatura que deve ser tomada: de 10 a 12 graus) enquanto o retrogosto traz caramelo, madeira, vinho e ameixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west8.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"371\" \/><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Balan\u00e7o<\/strong><br \/>\nEles s\u00f3 produzem tr\u00eas cervejas e, pelo jeito, tem o mesmo cuidado com todas. A Westvletern Blond, feita para consumo dos monges, e liberada para o p\u00fablico em 1999, \u00e9 quase uma Farmhouse Ale (dif\u00edcil n\u00e3o sentir aromas de fazenda nela) e \u00e9 absolutamente magnifica. Muitas notas frutadas, c\u00edtricas, florais e herbais num conjunto refrescante e aconchegante. Encantadora, fica na d\u00favida se \u00e9 a melhor que a La Dor\u00e9e Gold, equivalente mon\u00e1stica da Chimay. Se pudesse, teria estoque vital\u00edcio das duas em casa. Quanto a Westvleteren #8, eu j\u00e1 havia bebido (e escrito sobre) ela uma vez, em 2011, antes do curso de sommelier, que ampliou a minha percep\u00e7\u00e3o. Se naquela \u00e9poca eu j\u00e1 havia ca\u00eddo de joelhos diante da #8, agora n\u00e3o deixa de ser diferente: \u00e9 incr\u00edvel com os monges belgas conseguem criar uma cerveja t\u00e3o especial com uma receita t\u00e3o b\u00e1sica. O equil\u00edbrio \u00e9 surpreendente e a paleta de aromas e sabores, complexa e cativante. Uma cerveja especial\u00edssima. J\u00e1 sobre a #12, dizer o que? Primeiro: n\u00e3o existe essa coisa de melhor cerveja do mundo, mesmo com ela liderando o meu ranking pessoal, simplesmente porque ela nunca seria a melhor cerveja do mundo debaixo de um sol de 30 graus na beira da praia. Cerveja tem momentos, tem acompanhamentos, n\u00e3o pode ser reduzida de forma t\u00e3o simples. Dito isso, a Westvletern #12 \u00e9 especial\u00edssima. O grande m\u00e9rito dela \u00e9 ter uma gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica alta e drinkability teoricamente alto (quatro dessa com 10.2% de \u00e1lcool devem derrubar muito marmanjo garganta por ae) porque ela desce incrivelmente f\u00e1cil: a do\u00e7ura n\u00e3o \u00e9 exagerada, nem o frutado e nem a presen\u00e7a do \u00e1lcool. Isso a valoriza e a torna inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west10.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"361\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Westvleteren Blond<br \/>\nProduto: Belgian Ale<br \/>\nNacionalidade: B\u00e9lgica<br \/>\nGradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,8%<br \/>\nNota: 4,55\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Westvleteren #8<br \/>\nProduto: Belgian Strong Ale<br \/>\nNacionalidade: B\u00e9lgica<br \/>\nGradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 8%<br \/>\nNota: 5\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Westvleteren #12<br \/>\nProduto: Belgian Quadrupel<br \/>\nNacionalidade: B\u00e9lgica<br \/>\nGradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 10,2%<br \/>\nNota: 5\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/west11.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"391\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nA abadia trapista de St. Sixtus nasceu em 1831 no munic\u00edpio belga de Vleteren, n\u00e3o muito longe das planta\u00e7\u00f5es de l\u00fapulo de Poperinge, no Flanders Ocidental. 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