{"id":37314,"date":"2016-03-07T23:59:21","date_gmt":"2016-03-08T02:59:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37314"},"modified":"2016-04-26T10:23:01","modified_gmt":"2016-04-26T13:23:01","slug":"entrevista-karine-alexandrino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/07\/entrevista-karine-alexandrino\/","title":{"rendered":"Entrevista: Karine Alexandrino"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37315\" title=\"karine1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/karine1.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karine Alexandrino est\u00e1 de volta! S\u00e3o 14 anos desde a estreia com \u201cSolteira Producta\u201d (2002) e 12 desde o segundo \u00e1lbum, o elogiado \u201cQuerem Acabar Comigo, Roberto\u201d (2004), que formam com o rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201cMulher Tombada\u201d uma trilogia de d\u00favidas e dores. \u201cOs personagens do primeiro \u00e1lbum voltam assumindo outras posturas numa continuidade pr\u00f3pria da vida que segue\u201d, conta Karine em entrevista ao Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente escudada por Dustan Gallas, que assina 13 das 14 can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum em parceria com ela (a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cDevaneios\u201d, de Luis Gardey e Erasmo Carlos, um enorme sucesso radiof\u00f4nico na voz de Julio Iglesias), Karine Alexandrino se mostra focada deixando de lado a pol\u00eamica com Karol Conka (que lan\u00e7ou \u201cTombei\u201d) e pensando adiante, j\u00e1 em busca de novos parceiros e planejando exposi\u00e7\u00e3o, livro e \u201cmuitos v\u00eddeos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bate papo abaixo, Karine diz que se assume feminista, ainda que empiricamente (\u201cN\u00e3o estudei nem a metade do que as grandes feministas estudaram\u201d) e conta que quer se curar de todos os ressentimentos. Explica que no longo tempo de sil\u00eancio discogr\u00e1fico empenhou-se na cria\u00e7\u00e3o de seu filho, e que \u201ca hora de voltar voltou. Estou aqui pronta para o trabalho de oper\u00e1ria da m\u00fasica, da arte e da frui\u00e7\u00e3o e aprendizado\u201d. Abaixo, o bate papo e um faixa a faixa assinado por Jos\u00e9 Augusto Lemos, editor-chefe e diretor da revista Bizz entre 1985-1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6zkGfpKbAIE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6zkGfpKbAIE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Karine, sentimos sua falta!  Por que tanto tempo sem lan\u00e7ar material novo?<\/strong><br \/>\nSentiram? Fico feliz de certa forma. Eu passei um bom tempo pra terminar o disco. Algumas dificuldades chamadas Vida (rs). Eu me empenhei na cria\u00e7\u00e3o dos primeiros anos do meu filho com exclusividade at\u00e9 que ele aprendesse a ler. Durante esse per\u00edodo fiz alguns shows e fui compondo no meu tempo. Como n\u00e3o tive obriga\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica (gravadora, etc) quis respeitar o que chamo de &#8220;momento certo&#8221;. Tinha de ser esse tempo mesmo. Estava maturando tudo. Inclusive minha vida pessoal. E acho que tenho que lan\u00e7ar \u00e1lbum quando sinto necessidade de me expressar. A hora de voltar voltou. Estou aqui pronta para o trabalho de oper\u00e1ria da m\u00fasica, da arte e da frui\u00e7\u00e3o e aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 &#8220;Mulher Tombada&#8217;? Rolou uma pol\u00eamica com a cantora Karol Conka, n\u00e9. O que aconteceu?<\/strong><br \/>\nMulher Tombada \u00e9 uma performance que criei desde o in\u00edcio dos 2000. \u00c9 uma mulher com muitas nuances e hist\u00f3rias de vida. Ora tristes, ora alegres. Sobre essa pol\u00eamica, f\u00e3s apareceram do Brasil inteiro (mesmo no meu per\u00edodo sab\u00e1tico nunca me abandonaram, sempre tive o meu inbox do facebook e e-mails cheios de reinvindica\u00e7\u00f5es de shows e pedidos pra eu voltar), ent\u00e3o eu comecei a achar que eles poderiam ter raz\u00e3o. Era muita gente reclamando que havia uma apropria\u00e7\u00e3o sem citar a fonte. Eu fui no embalo por eles. Hoje isso \u00e9 passado. N\u00e3o me importo, nem tenho medo dessas coisas. Meu \u00e1lbum novo fortalece minha cria\u00e7\u00e3o da Mulher Tombada. Um \u00e1lbum que passou uns 8 anos pra ser terminado. \u00c9 autobiogr\u00e1fico e h\u00e1 uma hist\u00f3ria com muita subjetividade. Isso o torna forte. As pessoas ouviram, est\u00e3o ouvindo, v\u00e3o ouvir e percebem que h\u00e1 uma verdade ali. Como na m\u00fasica que resume o sentimento do disco: \u201cSe N\u00e3o For Sincero, N\u00e3o Quero\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como &#8220;Mulher Tombada&#8221; se relaciona com os dois \u00e1lbuns anteriores? Podemos chamar de trilogia?<\/strong><br \/>\nSim. Est\u00e1 tudo conectado. \u00c9 um \u00e1lbum muito humano, conta hist\u00f3rias de pessoas e suas d\u00favidas e dores. Os personagens do primeiro \u00e1lbum de 2002 (\u201cSolteira Producta\u201d) voltam assumindo outras posturas numa continuidade pr\u00f3pria da vida que segue. H\u00e1 muitos sentimentos reincidentes que d\u00e3o uma coer\u00eancia. Seria legal se as pessoas que gostam do trabalho ouvissem os tr\u00eas. Recebo muito feed back de f\u00e3s com os tr\u00eas discos nas minhas redes. Eles consideram uma obra fechada mesmo. Eles entenderam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dustan Gallas \u00e9 um grande parceiro e est\u00e1 bastante envolvido com seu trabalho. Como funciona a parceria de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nA nossa parceria \u00e9 algo de uma sintonia assustadora. Ele \u00e9 um excelente produtor. Considero o Dustan o maior de todos. Ele \u00e9 o ideal pra mim. Mas terminamos nossa parceria com o \u201cMulher Tombada\u201d. Estou em busca de outras conex\u00f5es que me agradem. N\u00e3o gosto apenas de m\u00fasico que saiba tocar. Ele deve ter algo mais. Estou procurando e vou achar. J\u00e1 tenho letras pro pr\u00f3ximo disco. O primordial pra mim \u00e9 que este m\u00fasico que ainda n\u00e3o conheci seja multi-instrumentista. A vida vai me mostrar outro. A vida me d\u00e1 presentes (rs).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre &#8220;Solteira Producta&#8221; (2002) e &#8220;Mulher Tombada&#8221; (2016) muita coisa avan\u00e7ou nas discuss\u00f5es de g\u00eanero e de feminismo. Voc\u00ea se considera feminista? Como voc\u00ea esse momento?<\/strong><br \/>\nEu me considero feminina e sinto em mim todas as dores das milenares injusti\u00e7as hist\u00f3ricas. Sou feminista de uma maneira diferente. Me sinto muito emp\u00edrica porque n\u00e3o estudei nem a metade do que as grandes feministas como a Marcia Tiburi e outras estudaram.  Quero me curar de todos os ressentimentos. Eu gosto dos homens e procuro os mais evolu\u00eddos. Sou solid\u00e1ria a todas as mulheres porque tenho empatia. Eu estou sempre disposta a lutar pela nossa causa de liberta\u00e7\u00e3o. E sou contra o aumento dos deveres na vida das mulheres. O machismo continua. O machismo \u00e9 um verme profundo soterrado nas entranhas dos homens e de algumas mulheres que est\u00e3o sofrendo da mesma doen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual ser\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o da banda que ir\u00e1 te acompanhar nestes shows? O que o p\u00fablico pode esperar?<\/strong><br \/>\nDois multi-instrumentistas de muita personalidade. O Fabricio Carvalho (Astronauta Pinguim) e Felipe Faraco. Ofere\u00e7o uma performance calorosa. Eu me entrego de corpo e alma.  Eu fa\u00e7o meu trabalho pra valer. Como sempre digo: eu boto pra tombar. E com a ajuda de excelentes m\u00fasicos, tudo fica mais tranquilo. Comigo n\u00e3o tem meio termo. \u00c9 natural. Eu nasci pra estar num palco cantando os versos que escrevo. Eu ofere\u00e7o minha verdade, usando minha voz e corpo como meios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disco nas lojas, show na estrada: o que vem de novo por ai? Quais os planos de Karine Alexandrino?<\/strong><br \/>\nUma exposi\u00e7\u00e3o autobiogr\u00e1fica da \u201cMulher Tombada\u201d, muitos v\u00eddeos e meu primeiro livro. E trabalhar, trabalhar, trabalhar muito. At\u00e9 o fim (rs).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LdhghriYrFw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/LdhghriYrFw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>faixa a faixa por Jos\u00e9 Augusto Lemos<br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDuchamp N\u00e3o Passa\u201d<\/strong><br \/>\nRibombante m\u00edssil dirigido sem miseric\u00f3rdia \u00e0s pistas de dan\u00e7a. Sua batida rock-guitarreira lembra os melhores momentos do T. Rex; e a letra, em inspirado trocadilho, coloca o papa da arte de vanguarda como sua base e sustenta\u00e7\u00e3o: o pr\u00f3prio ch\u00e3o onde a estrela pisa altaneira, impedindo-a de cair nos esgotos da baixaria. Aten\u00e7\u00e3o para os deliciosos \u201cais\u201d e \u201cuis\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAmor na Estrada (Quero Sair Dessa Bolha Maldita)\u201d<\/strong><br \/>\nAcidente automobil\u00edstico \u00e0 beira-mar mergulha no precip\u00edcio das dores de amor. A corda bamba sob o abismo das ang\u00fastias \u00e9 tecida pelas l\u00e2nguidas baladas shanga-langa dos anos 50; e sobre ela a menina estende brilhante poema convoluto em busca de ar e sobreviv\u00eancia. Adoro como sua mera entona\u00e7\u00e3o da palavra \u201cbandida\u201d leva a can\u00e7\u00e3o para totalmente outra dire\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 cantar, n\u00e3o apenas ter uma voz afinada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSe N\u00e3o For Certo, N\u00e3o Quero\u201d<\/strong><br \/>\nEstalidos est\u00e9reo de pipoca tecno-p\u00f3pica anunciam aquela que \u00e9 provavelmente a mais bela de todas as obras-primas compostas at\u00e9 hoje por Karine. Voc\u00ea escolhe: serve tanto para chacoalhar at\u00e9 lustrar o assoalho do sal\u00e3o de baile, como para ouvir em posi\u00e7\u00e3o fetal no sof\u00e1 da sala, abra\u00e7ado a uma almofada, pensando na pessoa amada. Quando a gente pensa que j\u00e1 fizeram todas as can\u00e7\u00f5es de amor que realmente importam, aparece uma coisa dessas! Perspicaz cart\u00f3grafa do territ\u00f3rio afetivo-sexual, a poeta escancara qual \u00e9 a sua: amar entregue por inteiro, sem manipula\u00e7\u00e3o, nem guerra de nervos, com reciprocidade e transpar\u00eancia. Se os \u201ctchu-ru-rus\u201d e \u201csha-l\u00e1-l\u00e1s\u201d n\u00e3o te levarem ao c\u00e9u, voc\u00ea est\u00e1 morto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAssim Vamos Chegar no Jap\u00e3o\u201d<\/strong><br \/>\nOrquestra de cordas hollywoodiana desemboca em arroubo bossa nova lounge-exporta\u00e7\u00e3o (al\u00f4, Walter Wanderley!). Suspiros e gemidos irresist\u00edveis apimentam o balan\u00e7o gostoso, sexy de doer. Contraposta a um cafajeste amante mand\u00e3o, a gata mostra suas garras em versos como: \u201cO \u00fanico para\u00edso poss\u00edvel para mim seria, querido, outro corpo agora\u201d, ao passo que sua voz esvoa\u00e7ante rodeia a Terra feito sat\u00e9lite do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTroglodita Predileto\u201d<\/strong><br \/>\nO momento mais descabelado, sobre sacolej\u00e3o electro-dan\u00e7ante pulsando com a atitude de um gorila lutando para estra\u00e7alhar a jaula. Cheia de autoridade (nos dois sentidos!), Karine debocha de todos os estere\u00f3tipos machistas; e nos deixa \u2014 n\u00f3s homens \u2014 com certo pesar. Ser\u00e1 que, conforme a letra sugere, a mulher latino-americana s\u00f3 encontra duas alternativas de macho: ou um troglodita; ou algu\u00e9m com aquela sensibilidade que faz a poeta cantar que \u201csem amigo gay, ningu\u00e9m evolui\u201d???<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSociedade Alternativa\u201d<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 cover de Raul! A dama dos penteados bufantes tem o topete, isso sim, de apresentar sua pr\u00f3pria utopia contracultural, sem emprestar nada de ningu\u00e9m\u2026 embora o \u00f3rg\u00e3o (de fole?) na abertura evoque os Beatles de \u201cFool on the Hill\u201d. A partir da\u00ed, temos embalado i\u00ea-i\u00ea-\u00ea tropic\u00e1lio-mutante, florido em guitarra radiante e contrabaixo corpulento gastando os trastes; encabe\u00e7ado por supremo girl group de uma cantora s\u00f3, desconstruindo mais uma vez o testosterona. Phil Spector iria adorar! Mais legal ainda quando, a um ter\u00e7o do final, a saltitante can\u00e7\u00e3o engata outra marcha para ficar ainda mais dan\u00e7ante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMulher Tombada\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conceito que pede para ser decifrado por mentes curiosas, em vez de interpretado no reducionismo de uma \u201cmulher ca\u00edda\u201d. Filos\u00f3fica sem delonga, a garota p\u00f3s-papo-firme ecoa aqui aquela outra mina cantada por Mr. Dylan em \u201cLove Minus Zero\/No Limit\u201d: \u201cMeu amor fala suavemente\/Ela sabe que n\u00e3o h\u00e1 sucesso como o fracasso\/e que o fracasso n\u00e3o \u00e9 nenhum sucesso\u201d. Os \u201cidiotas da objetividade\u201d, como dizia Nelson Rodrigues (com quem Karine partilha certa esfera liter\u00e1ria), dificilmente ir\u00e3o entender por que o fracasso vale mais a pena do que o sucesso. Quem, por\u00e9m, enxergar neste manifesto a convic\u00e7\u00e3o de que antes a ru\u00edna do que qualquer concess\u00e3o \u00e0 mediocridade, se tornar\u00e1 solid\u00e1rio na torcida para que Producta-Perdicta levante, sacuda a poeira e d\u00ea a volta por cima. Ah! Tamb\u00e9m \u00e9 altamente tecno-dan\u00e7ante, guitarrinha funky patinando sobre beat agalopado. P.S. \u2014 Interessante como os versos \u201ca  eterna luta entre o salto alto e a escada\/entre o sucesso e o fracasso\/n\u00e3o \u00e9 pra mim\u201d anteciparam recente pol\u00eamica no tapete vermelho do festival de Cannes!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDevaneios\u201d<\/strong><br \/>\nDepois de Morris Albert e Domenico de Mugno, s\u00f3 faltava mesmo atacar Julio Iglesias! Linda demais a vers\u00e3o, a come\u00e7ar pela bacanuda metamorfose do bolero em batuque tribal ao estilo Banshees\/Joy Division\/Bunnymen. Sussurrante caliente ao p\u00e9 do ouvido, a cantora d\u00e1 show \u00e0 parte. Aos casais apaixonados, s\u00f3 resta dan\u00e7ar de rostinho colado. Tamb\u00e9m me agrada sobremaneira ser esta a \u00fanica cover do disco, porque Karine tem mais \u00e9 que nos brindar com o maior n\u00famero poss\u00edvel de composi\u00e7\u00f5es suas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cExame de Voltas\u201d<\/strong><br \/>\nInacredit\u00e1vel como a garota sapeca, num astral Alice \u00e0s maravilhas ou Dorothy no reino de Oz, n\u00e3o p\u00e1ra de tirar um coelho atr\u00e1s do outro de sua cartola forrada de melodias pop, ganchos classudos e encantos mil. Gostos\u00e9rrimo balan\u00e7o sinuoso chega para curar qualquer trava\u00e7\u00e3o nos quadris, enquanto a cascata de arpejos simula odisseias no espa\u00e7o. N\u00e3o entendo quase nada do trecho em ingl\u00eas que ela canta no final, mas ostenta tanto charme que coloca a can\u00e7\u00e3o como mais uma s\u00e9ria candidata \u00e0s paradas de sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCabaret Producta\u201d<\/strong><br \/>\nIntrospectivo \u00e9pico de seis minutos comp\u00f5e o \u00faltimo epis\u00f3dio na saga da f\u00eamea embalada para consumo. Vocalise esparramado em technicolor-cinemascope varre o deserto at\u00e9 a c\u00e2mera entrar pela janela do aposento de Producta, quebrando seu espelho e procurando seus sonhos embaixo da cama\u2026 at\u00e9 tudo, de repente, explodir em interl\u00fadio de furor uterino com sonoplastia de cinema er\u00f3tico japon\u00eas. Pena Bob Fosse n\u00e3o estar vivo para dirigir o videoclipe!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cR\u00e1dio AM (Amor de Telemarketing)\u201d<\/strong><br \/>\nArrepia, derrete e disputa com \u201cSe N\u00e3o For Certo\u2026\u201d o t\u00edtulo de momento m\u00e1ximo na carreira de Karine. O t\u00edtulo n\u00e3o est\u00e1 equivocado: se tem uma m\u00fasica radiof\u00f4nica da cabe\u00e7a aos p\u00e9s \u00e9 esta aqui, na cad\u00eancia rom\u00e2ntica de uma jovem-guarda remota com \u00f3rg\u00e3o de churrascaria, guitarras ultra-supimpas de Dustan e inesperada entrada no rock de arena. Incr\u00edvel: at\u00e9 a praga do telemarketing a marota alquimista consegue transmutar em do\u00e7ura das mais amorosas. N\u00e3o \u00e9 pequena a fa\u00e7anha! Aten\u00e7\u00e3o para o espec\u00edfico sotaque nordestino (caracter\u00edstico, segundo ela, de Recife e do Cariri), ingrediente especialmente irresist\u00edvel deste manjar de coco com calda de ameixa preta em forma de can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO Beb\u00ea de Zelda\u201d<\/strong><br \/>\nOpa! Olha\u00ed o fumegante naipe de metais da Motown, casando com o rock ingl\u00eas dos anos 60 pelas m\u00e3os do comandante Gallas. N\u00e3o surpreende reencontrarmos aqui o fantasma que assombra Alexandrino desde priscas eras, j\u00e1 homenageado em seu disco de estreia. Se n\u00e3o estou enganado, deve ser este o prot\u00f3tipo de todas as \u201ctombadas\u201d: Zelda Fitzgerald, linda e talentosa escritora-pintora que seu marido Scott chamou de \u201ca melindrosa original\u201d; definidora, portanto, do estilos\u00edssimo visual envergado pelas mulheres emancipadas nos anos 1920. Talento e beleza que, no entanto, desceram pelo ralo: sua obra liter\u00e1ria ofuscada pela do marido, com ambos os c\u00f4njuges mergulhados no po\u00e7o do alcoolismo. Interessante como este novo tributo de Karine a ela se distingue, com forte impon\u00eancia, da personalidade quebradi\u00e7a de Zelda. Mas Zelda teve um beb\u00ea? Teve sim: a jornalista e escritora Frances Scott Fitzgerald.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMeu Nome \u00c9 Igual\u201d<\/strong><br \/>\nFunk\u00e3o da pesada para levantar a mais desanimada das festas sacode cenas de um matrim\u00f4nio fracassado. Enquanto a casada-producta pondera se fica ou vai embora, despencam do c\u00e9u varais carregados de anz\u00f3is pop para fisgar os incautos. Outro detalhe atraente: a abertura viajandona (ecos de Rita &amp; seus Mutantes?) fica mais legal ainda quando reaparece no meio da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cReclame no Avi\u00e3o\u201d<\/strong><br \/>\nBatida tecnotr\u00f4nica conta o tempo feito bumbo-rel\u00f3gio. Palavras de ordem intercalam-se a cantiga de ninar. Teclados disparam enxame de abelhas em zigue-zague, quando n\u00e3o espoucam em c\u00f3digo-morse. Quem est\u00e1 no avi\u00e3o? Vai reclamar de qu\u00ea? P\u00f5e na conta dos mist\u00e9rios de Karine. O que percebemos \u00e9 que o adeus est\u00e1 no ar\u2026 e que ela prefere nos fazer passar por suas experi\u00eancias do que ser decifrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-37316\" title=\"karine2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/karine2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"901\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/karine2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/karine2-99x150.jpg 99w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/karine2-199x300.jpg 199w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a>.<br \/>\n&#8211; Fotos de Nicolas Gondim \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n&#8211; Jos\u00e9 Augusto Lemos foi editor-chefe e diretor da revista Bizz entre 1985-1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nKarine Alexandrino est\u00e1 de volta com \u201cMulher Tombada\u201d, um disco que encerra uma trilogia de d\u00favidas e dores. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/07\/entrevista-karine-alexandrino\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37314"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37314"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37328,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37314\/revisions\/37328"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}