{"id":37267,"date":"2014-07-10T09:43:50","date_gmt":"2014-07-10T12:43:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37267"},"modified":"2016-03-04T09:49:09","modified_gmt":"2016-03-04T12:49:09","slug":"boteco-quatro-cervejarias-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/10\/boteco-quatro-cervejarias-brasileiras\/","title":{"rendered":"Boteco: Quatro cervejarias brasileiras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/bohemia1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"548\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrindo um quarteto de cervejarias brasileiras que j\u00e1 passaram por este espa\u00e7o com a Chocolatier, uma \u00e9 uma Dark American Lager que recebe adi\u00e7\u00e3o de aroma natural de cacau num lan\u00e7amento limitado da Bohemia, de Petr\u00f3polis. De colora\u00e7\u00e3o marrom escuro com creme marrom de m\u00e9dia baixa forma\u00e7\u00e3o e r\u00e1pida dispers\u00e3o, a Bohemia Chocolatier destaca no aroma a do\u00e7ura intensa derivada da adi\u00e7\u00e3o de cacau em p\u00f3, que remete tanto a caramelo quanto a chocolate ao leite (nos bons momentos) e Nescau em um copo d\u2019agua (nos ruins). Na boca, a do\u00e7ura \u00e9 intensa enquanto o corpo refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de Nescau misturado com \u00e1gua. O conjunto simplista exibe apenas do\u00e7ura (caramelo e chocolate em p\u00f3) deixando amargor ou mesmo poss\u00edveis notas derivadas da torra do malte (como caf\u00e9) de fora. O final \u00e9 doce e achocolatado (com \u00e1gua) enquanto o retrogosto traz cacau em p\u00f3. Fraquinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/baden.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"550\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comemorativa Baden Baden 15 Anos \u00e9 uma Heller Bock de respeito da turma de Campos de Jord\u00e3o, que traz como inova\u00e7\u00e3o o uso de l\u00fapulos brasileiros no dry-hopping (l\u00fapulos europeus foram usados para amargor e sabor). Devido ao clima brasileiro, inadequado ao plantio, o l\u00fapulo usado em 99,9% da produ\u00e7\u00e3o cervejeira do pa\u00eds \u00e9 importado, mas a Baden Baden conseguiu quatro quilos de l\u00fapulos plantados em S\u00e3o Bento do Sapuca\u00ed, interior de S\u00e3o Paulo, para a fabrica\u00e7\u00e3o desta cerveja. O agr\u00f4nomo Rodrigo Veraldi conseguiu a fa\u00e7anha de colher 12 quilos bons para utiliza\u00e7\u00e3o em cerveja ap\u00f3s um experimento fracassado, pois uma das plantas da tentativa frustrada cresceu em uma \u00e1rea de descarte e foi a base para a planta\u00e7\u00e3o que, finalizada, integra a receita da Baden Baden 15 anos. A conquista \u00e9 uma vit\u00f3ria mesmo em compara\u00e7\u00e3o com n\u00fameros como o da Alemanha, que s\u00f3 em 2005 colheu 29 mil toneladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/baden2.jpg\" alt=\"\" width=\"330\" height=\"261\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De colora\u00e7\u00e3o \u00e2mbar cristalina, a Baden Baden 15 anos (a cervejaria surgiu em 1999 em Campos do Jord\u00e3o) exibe um excelente creme branco, de \u00f3tima forma\u00e7\u00e3o e boa perman\u00eancia. No nariz, um interessante buqu\u00ea arom\u00e1tico destaca o malte (atrav\u00e9s de notas adocicadas que remetem a caramelo e mel) abra\u00e7ado por delicadas notas florais e um leve toque frutado c\u00edtrico, sem remiss\u00e3o a nenhuma fruta especifica. H\u00e1, ainda, sugest\u00e3o de biscoito e leve amendoado. Na boca, o conjunto melhora consideravelmente. A entrada \u00e9 adocicada com caramelo do malte, que encontra pouca resist\u00eancia de amargor dos l\u00fapulos, e se sobressai num conjunto agrad\u00e1vel que sugere leve amendoado, aproxima\u00e7\u00e3o com mel e caramelo al\u00e9m de biscoito e leve toque floral com nenhuma percep\u00e7\u00e3o dos 6.7% de \u00e1lcool. O final \u00e9 maltado e adocicado, sem presen\u00e7a de l\u00fapulo, enquanto o retrogosto refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de do\u00e7ura.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/landbier.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"550\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira da lista \u00e9 a Landbier, de Presidente Prudente, que j\u00e1 havia passado por este espa\u00e7o com as vers\u00f5es Pilsen, Stout e Weiss, e retorna agora com uma Belgian Ale cuja receita re\u00fane um blend de seis tipos de malte e tr\u00eas tipos de l\u00fapulo. De colora\u00e7\u00e3o \u00e2mbar acobreada e creme levemente bege de boa forma\u00e7\u00e3o e m\u00e9dia baixa perman\u00eancia, a Landbier Belgian Ale destaca no primeiro plano arom\u00e1tico um off flavour intenso de diacetil sugestionando manteiga, e que, em contanto com as notas derivadas do caramelo do malte, remete a p\u00e3o doce. Debaixo da nuvem amanteigada \u00e9 poss\u00edvel notar leves notas de frutas escuras (ameixa). Na boca, h\u00e1 refor\u00e7o da sensa\u00e7\u00e3o de p\u00e3o doce com o diacetil marcando o conjunto de forma dominante ao lado do caramelo do malte tostado sem nenhum confronto do l\u00fapulo. No trecho final, o amanteigado se sobrep\u00f5e ao caramelo e prejudica fim e retrogosto. Uma pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/grandcru.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"601\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechando o quarteto com o r\u00f3tulo mais novo da DUM, de Curitiba, cervejaria respons\u00e1vel pelas incr\u00edveis Jan Kubis e Petroleum, e que investe aqui no que eles denominam como Double Witbier, a DUM Grand Cru, uma receita que une \u00e1gua, malte, trigo, aveia, cascas de laranja frescas, sementes de coentro e fermento belga. De colora\u00e7\u00e3o entre o \u00e2mbar, o alaranjado e o avermelhado, a DUM Grand Cru exibe um creme m\u00e9dio, de baixa persist\u00eancia. No nariz, notas c\u00edtricas (casca de laranja) em primeiro plano mais condimenta\u00e7\u00e3o (coentro) e caramelo do malte formam um belo conjunto arom\u00e1tico que n\u00e3o esconde os 8.8% de \u00e1lcool, percept\u00edveis atrav\u00e9s de uma sensa\u00e7\u00e3o mentolada. Na boca, a entrada adocicada (de caramelo) \u00e9 atropelada rapidamente por um amargor c\u00edtrico (laranja) e alco\u00f3lico. O final caprichado traz laranja, \u00e1lcool, condimenta\u00e7\u00e3o e caramelo, e remete a licor. No retrogosto, laranja e caramelo. Bela!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Balan\u00e7o<\/strong><br \/>\nA Bohemia bem que tentou, mas o fraco resultado desta Chocolatier tira o posto de pior cerveja \u201cachocolatada\u201d brasileira da Backer Brown. A melhor ainda \u00e9 a Cacau IPA, da Bodebrown, mas duas boas alternativas inglesas podem servir como exemplo de compara\u00e7\u00e3o: esque\u00e7a a Bohemia Chocolatier e procure a Young\u2019s Double Chocolate Stout ou Batemans Mocha Beer, duas marcas que mostram que \u00e9 poss\u00edvel produzir cerveja boa com chocolate. A pr\u00f3xima \u00e9 a Baden Baden 15 anos, boa cerveja da turma de Campos de Jord\u00e3o, que utilizou l\u00fapulos brasileiros no dry-hopping, e ainda que a receita n\u00e3o valoriza l\u00fapulos, a iniciativa \u00e9 elogi\u00e1vel e rende uma das melhores cervejas da Baden Baden (ao lado da 1999 e da Red Ale). A Landbier, que j\u00e1 havia exibido alguns erros nas tr\u00eas primeiras cervejas que passaram por aqui, parece ainda n\u00e3o ter encontrado o caminho. Com off flavour intenso de diacetil, a Landbier Belgian Ale p\u00e3o doce de padaria, a\u00e7ucarado e amanteigado. Quem sabe na pr\u00f3xima. Para fechar o quarteto, a melhor do conjunto, DUM Grand Cru, dos respons\u00e1veis pelas excelentes Petroleum e Jan Kubis. Aqui, os curitibanos sonharam em fazer uma Double Witbier (\u201cAlgo como uma weisenbock belga\u201d, eles explicam no site oficial), e o resultado \u00e9 quase um licor alco\u00f3lico (8.8%) com presen\u00e7a c\u00edtrica (laranja), condimentada (coentro), caramelada de malte e alco\u00f3lica. Beeeeem boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bohemia Chocolatier<br \/>\n&#8211; Produto: Dark American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,1%<br \/>\n&#8211; Nota: 1,60\/5<br \/>\n&#8211; Pre\u00e7o pago: R$ 4,50 (355 ml)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baden Baden 15 anos<br \/>\n&#8211; Produto: Doppelbock<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 6,7%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,01\/5<br \/>\n&#8211; Pre\u00e7o pago: R$ 14,90 (600 ml)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Landbier Belgian Ale<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Ale<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,5%<br \/>\n&#8211; Nota: \u2014-\/5<br \/>\n&#8211; Pre\u00e7o pago: R$ 12 (600 ml)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DUM Grand Cru<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Ale<br \/>\n&#8211; Nacionalidade:<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 8,8%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,34\/5<br \/>\n&#8211; Pre\u00e7o pago: R$ 15 (355 ml)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/grandcru1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nA terr\u00edvel Bohemia Chocolatier; a proposta da Baden Baden 15 anos; Landbier Belgian Ale; DUM Grand Cru\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/10\/boteco-quatro-cervejarias-brasileiras\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[459,476,580,633],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37267"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37268,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37267\/revisions\/37268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}