{"id":37238,"date":"2014-09-11T11:41:44","date_gmt":"2014-09-11T14:41:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37238"},"modified":"2016-03-02T11:47:51","modified_gmt":"2016-03-02T14:47:51","slug":"boteco-tres-cervejas-que-ganhei-de-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/11\/boteco-tres-cervejas-que-ganhei-de-presente\/","title":{"rendered":"Boteco: Tr\u00eas cervejas que ganhei de presente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/zwickel1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"586\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira cerveja \u00e9 uma austr\u00edaca, presente do parceiro Leonardo Dias, e veio de Viena. \u00c9 uma Zwickelbier, estilo alem\u00e3o que caracteriza uma cerveja n\u00e3o filtrada da regi\u00e3o da Franconia, no norte da Baviera, que remete ao estilo Keller, mas com menos carbonata\u00e7\u00e3o e lupulagem. Essa Schwechater Zwickl \u00e9 uma releitura vienense do estilo b\u00e1varo, e na ta\u00e7a exibe um l\u00edquido de colora\u00e7\u00e3o amarelo palha, com turbidez t\u00edpica das cervejas n\u00e3o filtradas. O creme \u00e9 branco de boa forma\u00e7\u00e3o e m\u00e9dia alta perman\u00eancia. No nariz, notas c\u00edtricas (lim\u00e3o siciliano) dan\u00e7am ao lado da cevada (remetendo a feno, capim e p\u00e3o) com sugest\u00e3o de condimenta\u00e7\u00e3o (semente de cravo) e pic\u00e2ncia de acidez. Na boca, amargor c\u00edtrico e acidez surpreendem positivamente o bebedor num conjunto que ainda valoriza as notas derivadas da cevada com leve sugest\u00e3o herbal (ervas) e floral. No final, cevada, c\u00edtrico e amargor comportado. No retrogosto, uma rede em uma tarde na fazenda. Simples e eficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/divina1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"586\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda cerveja \u00e9 belo-horizontina, presente da querida Jennifer Souza. J\u00e1 tinham me falado da Divina (um abra\u00e7o, Rodrigo Brasil), e a mem\u00f3ria resgata uma cita\u00e7\u00e3o no encarte do \u00e1lbum \u201cNacional\u201d, do Transmissor (banda da qual Jennifer \u00e9 integrante), lan\u00e7ado em 2012: \u201cTransmissor bebe cervejas Cruz Alta e Divina\u201d. Anotei. O mestre cervejeiro Leandro Maciel n\u00e3o integra a banda, mas \u00e9 amigo da turma e produz cervejas em casa desde 2008: \u201cFa\u00e7o a Divina h\u00e1 seis anos\u201d, conta em bate papo por e-mail. \u201cO nome n\u00e3o \u00e9 nenhuma prepot\u00eancia e sim uma homenagem \u00e0 av\u00f3 da minha esposa, que se chamava Divina\u201d, explica. Quando completou 30 anos, Leandro ganhou de presente da sogra um kit para fabrica\u00e7\u00e3o de cerveja artesanal e a esposa complementou o presente com um curso. \u201cComecei fazendo cervejas Extra Special Bitter, pois sou fan\u00e1tico pelo sabor do l\u00fapulo, mas logo fiquei encantando pelos complexos sabores das cervejas Belgas\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/divina2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"720\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Divina que veio na mala da Jennifer \u00e9 uma Belgian Strong Ale, e n\u00e3o deu nem tempo de ser rotulada (a arte do r\u00f3tulo \u00e9 essa acima). A receita une os maltes Munich, Vienna, Pilsen, Trigo e Torrado com os l\u00fapulos Target, Hallertauer Mittelfrueh e Fuggles enquanto Leandro testa a levedura em diferentes baldes (o primeiro com a belga T-58 e o segundo com o ingl\u00eas S-04). De colora\u00e7\u00e3o marrom escura com creme bege de \u00f3tima forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia, a Divina Belgian (Dark) Strong Ale exibe um aroma caprichado valorizando as notas derivadas do malte torrado (chocolate e baunilha \u00e0 frente, caf\u00e9 na retaguarda, resultando em cappuccino) e trazendo consigo sugest\u00e3o de madeira e frutas escuras (ameixa). Na boca, o malte tostado brilha em notas que inicialmente remetem a caf\u00e9 (e auxiliam a lupulagem na fun\u00e7\u00e3o de amargor) e depois, mais macias, sugerem baunilha, caramelo, chocolate e frutas escuras. O final \u00e9 deliciosamente maltado (puro cappucino) e o retrogosto refor\u00e7a a sugest\u00e3o. Muito boa!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/pliny.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"586\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira cerveja \u00e9 norte-americana, presente do amigo Rodrigo Salem. No ranking do Ratebeer (que a Westvleteren lidera), a Pliny the Elder, uma Double IPA, aparece na 16\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre as melhores do mundo (a vers\u00e3o \u201cfresca\u201d, Pliny the Younger, uma Triple IPA, \u00e9 a 5\u00aa colocada, mas bebe-la n\u00e3o \u00e9 das coisas mais f\u00e1ceis do mundo \u2013 Salem conta neste texto que escreveu para a Serafina) e \u00e9 fabricada pela Russian River, cervejaria de Santa Rosa, cidade a sete horas de Los Angeles, com 40% mais malte e duas vezes mais l\u00fapulos (Amarillo, Centennial, CTZ e Simcoe) que a vers\u00e3o IPA tradicional da casa. O resultado \u00e9 uma cerveja de colora\u00e7\u00e3o alaranjada como creme de \u00f3tima forma\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia. No nariz, o aroma \u00e9 complexo e sensacional exibindo um embate provocante entre c\u00edtrico (tangerina, lim\u00e3o siciliano e manga) e herbal (pinho), com ambos vencendo: dependendo do momento \u2013 e do aquecimento da cerveja na ta\u00e7a \u2013 um dos tons prevalece, alternando-se na sequencia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/pliny1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"278\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O perfil arom\u00e1tico ainda conta com sugest\u00e3o de condimenta\u00e7\u00e3o (pimenta branca), percep\u00e7\u00e3o de caramelo do malte (mel) e dos 8% de \u00e1lcool, al\u00e9m de leve toque resinoso, que n\u00e3o soa agressivo (e impressiona). Na boca, h\u00e1 um aceno do melado de malte antes que o l\u00fapulo tome a frente e dite as regras, que repetem a percep\u00e7\u00e3o adiantada pelo aroma: divis\u00e3o caprichada entre herbal (pinho) e c\u00edtrico (laranja) se alternando no paladar, com eleva\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o resinosa (ainda assim, n\u00e3o agressiva) e do \u00e1lcool, que soa aconchegante (vejamos depois que a garrafa de 510 ml acabar \u2013 risos). Outro fator que impressiona: os 100 pontos de IBU surgem na sequencia da do\u00e7ura do primeiro toque (na entrada), mas n\u00e3o se acumulam no c\u00e9u da boca e garganta, permitindo ao bebedor valorizar outros atributos do conjunto. O final traz mel, resina e frutado (p\u00eassego) c\u00edtrico enquanto o retrogosto exibe c\u00edtrico (abacaxi), condimenta\u00e7\u00e3o (pimenta branca) e leve acidez alco\u00f3lica. Tem outra?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/russian.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"428\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Balan\u00e7o<\/strong><br \/>\nQuase que uma vers\u00e3o b\u00e1vara (ou seja, dentro da lei da pureza) das witbiers belgas, a austr\u00edaca Schwechater Zwickl \u00e9 uma cerveja saborosa e refrescante, que pode trazer l\u00e1grimas aos olhos na torneira, mas tamb\u00e9m \u00e9 gostosa de beber na garrafa. A segunda do trio \u00e9 artesanal, e veio de Belo Horizonte: a Divina Belgian Dark Strong Ale surpreende pelo drinkability alt\u00edssimo para uma cerveja de 7% de \u00e1lcool (desce de maneira t\u00e3o suave que, quando se percebe, era uma vez a garrafa). Leandro, o mestre-cervejeiro, costuma fazer testes com levedura na brasagem: \u201cO padr\u00e3o \u00e9 o fermento belga T-58\u201d, ele conta. \u201cNo segundo balde testei o (fermento ingl\u00eas) S-04\u201d. E avisa: \u201cN\u00e3o sei qual garrafa voc\u00ea pegou: se o sabor estiver bem frutado foi o T58. Mais seco foi um teste com o S-04. Veja o que acha. rs\u201d. E a minha sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a levedura deste exemplar era a brit\u00e2nica, pois o frutado (marcante no estilo belga) estava bem suave, a ponto de remeter mais a uma Imperial Stout (impress\u00e3o que diminui conforme a cerveja aquece no copo). O resultado, independente de estilo, \u00e9 uma cerveja agradabil\u00edssima, que vou querer provar novamente para tirar a prova da levedura (olha o golpe do jornalista \u2013 risos). Fechando com a Pliny the Elder, uma impressionante Imperial IPA que mesmo com 8% de \u00e1lcool e 100 de IBU, desce f\u00e1cil e pede outra. Fa\u00e7o parte do coro: melhor Imperial IPA do mundo (na minha lista pessoal, BrewDog Hardcore IPA e Anderson Valley Imperial IPA ficaram para tr\u00e1s).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Schwechater Zwickl<br \/>\n&#8211; Produto: Zwickel<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: \u00c1ustria<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,4%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,44\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Divina Belgian Strong Ale<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Dark Strong Ale<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 7%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,05\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pliny the Elder<br \/>\n&#8211; Produto: Imperial IPA<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: EUA<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 8%<br \/>\n&#8211; Nota: 4,48\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/pliny2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"247\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nQuase que uma vers\u00e3o b\u00e1vara (ou seja, dentro da lei da pureza) das witbiers belgas, a austr\u00edaca Schwechater Zwickl \u00e9 uma cerveja saborosa e refrescante, que pode trazer l\u00e1grimas aos olhos na torneira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/11\/boteco-tres-cervejas-que-ganhei-de-presente\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[620,618,619],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37238"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37238"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37238\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37239,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37238\/revisions\/37239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}