{"id":37102,"date":"2014-10-02T11:22:54","date_gmt":"2014-10-02T14:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=37102"},"modified":"2016-02-28T11:29:29","modified_gmt":"2016-02-28T14:29:29","slug":"boteco-baladin-e-as-cervejas-de-teo-musso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/10\/02\/boteco-baladin-e-as-cervejas-de-teo-musso\/","title":{"rendered":"Boteco: Baladin e as cervejas de Teo Musso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/teo1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teo Musso \u00e9 uma lenda no universo cervejeiro. Segundo o jornal Gazeta de Parma, \u201cele \u00e9 um g\u00eanio da cerveja\u201d. O Corrierre Della Serra diz que \u201cTeo \u00e9 o homem que inventou a cerveja artesanal\u201d. E em bate papo em S\u00e3o Paulo na noite de 01\/10 para apresentar as oito cervejas da Baladin, sua cervejaria, que retornam ao Brasil atrav\u00e9s de importa\u00e7\u00e3o da Bier &amp; Wein, ele mesmo bate no peito e diz que, em 1986, quando comprou o \u00fanico bar que existia em Piozzo, cidade de 800 habitantes em que vive na regi\u00e3o do Piemonte, e come\u00e7ou a produzir cervejas, s\u00f3 havia cervejas mainstream na It\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/teo2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria cervejeira de Teo come\u00e7a quando ele prova uma Chimay Blue, e se encanta. O brewpub, chamado Baladin (contador de hist\u00f3rias em franc\u00eas) foi o primeiro investimento, e Teo enfrentou uma longa batalha para inserir cerveja no cotidiano de um povo acostumado ao vinho. A fabrica\u00e7\u00e3o artesanal come\u00e7ou em 1997, quando os dois primeiros r\u00f3tulos da Baladin (e, segundo ele, os dois primeiros r\u00f3tulos de cerveja artesanal da hist\u00f3ria da It\u00e1lia) foram colocados no mercado: Isaac e Nora (as duas cervejas da linha com especiarias da casa levam o nome e personalidade de seus filhos).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin3.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na excelente conversa, acompanhada por cerca de 30 pessoas, Teo defendeu que cervejeiro artesanal \u00e9 artes\u00e3o, questionando aqueles que fazem cerveja pensando apenas no mercado, como grande parte das micro cervejarias norte-americanas. \u201cQuem faz IPA usando l\u00fapulo Cascade n\u00e3o est\u00e1 fazendo nada novo, est\u00e1 pensando s\u00f3 no lado comercial\u201d, observou. As IPAs norte-americanas, inclusive, foram bastante criticadas por Teo, exatamente por endeusar (de forma exagerada) o l\u00fapulo. \u201c\u00c9 preciso deixar um pouco de lado esse conceito alem\u00e3o (de lei da pureza) porque \u00e9 poss\u00edvel produzir cerveja artesanal com outros ingredientes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin4.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teo leva t\u00e3o a s\u00e9rio a quest\u00e3o de ingredientes que criou em uma fazenda a \u201cSociedade Agr\u00edcola Cervejaria Baladin\u201d, para envolver-se diretamente em toda etapa de produ\u00e7\u00e3o visando criar uma \u201ccerveja genuinamente italiana\u201d, segundo ele. A cevada que ele utiliza vem, principalmente, dos campos de Melfi, da regi\u00e3o da Basilicata. Parte do l\u00fapulo vem de uma planta\u00e7\u00e3o experimental no Piemonte, gerido em coopera\u00e7\u00e3o com a Faculdade de Ci\u00eancias Agrarias de Cussanio. O cervejeiro busca autonomia porque quer tornar a Baladin \u201c100% artesanal e independente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin5.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das 30 cervejas que a Baladin produz na It\u00e1lia, 8 retornam ao Brasil nesta primeira etapa da parceria de distribui\u00e7\u00e3o da Bier &amp; Wien: Isaac, Wayan, Nora, Super, Le\u00f6n, Nazionale, Super Bitter e Open Rock &amp; Roll. Destas, eu s\u00f3 havia experimentado anteriormente a Wayan, uma Saison condimentad\u00edssima e deliciosa \u2013 outras duas que j\u00e1 passaram por este espa\u00e7o n\u00e3o entraram neste primeiro lote: Mama Kriek, uma experi\u00eancia maluca de Teo. e Open Noir, vers\u00e3o especial de um dos hits da casa, a Open, com alca\u00e7uz Cal\u00e1bria na receita tentando acalmar uma IPA rebelde.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin6.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teo dividiu a apresenta\u00e7\u00e3o das cervejas em tr\u00eas grupos: Isaac, Wayan, Nora representam o grupo das cervejas com especiarias, e foram, para mim, o destaque da noite. Super e Le\u00f6n s\u00e3o do grupo cervejas Puro Malte, seguindo uma tradi\u00e7\u00e3o belga com bastante fidelidade. J\u00e1 a Nazionale, Super Bitter e Open Rock &amp; Roll \u00e9 o pacote de cervejas lupuladas da Baladin, e, em seu tratando de Teo Musso, n\u00e3o espere amargor acentuado (a Open Rock &amp; Roll tem o IBU mais alto do octeto: 43), at\u00e9 porque o cervejeiro defende a harmoniza\u00e7\u00e3o de suas cervejas com comida, e as cervejas altamente lupuladas atropelam qualquer prato, diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo, um pouco sobre cada uma das oito cervejas da Baladin que chegam ao mercado brasileiro. Segundo a Bier &amp; Wien, os pre\u00e7os sugeridos ao consumidor s\u00e3o R$ 22 para as vers\u00f5es de 330 ml em emp\u00f3rios (R$ 28 em restaurantes) e R$ 50 as vers\u00f5es de 750 ml (R$ 66 em restaurantes).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin7.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"434\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladan Isaac \u2013 Witbier \u2013 5% de \u00e1lcool \u2013 10 IBU<\/strong><br \/>\nA primeira cerveja produzida por Teo Musso \u00e9 a mais arom\u00e1tica do conjunto que chega ao Brasil. No aroma, bastante c\u00edtrico, coentro e casca de laranja. Na boca, lev\u00edssima, com um azedinho cativante e muito c\u00edtrico. A receita une \u00e1gua, malte de cevada, trigo, levedura, semente de coentro, l\u00fapulo, casca de laranja e xarope de cereais. \u201c\u00c9 99% italiana\u201d, diz Teo. \u201cS\u00f3 o l\u00fapulo, que usamos em pouqu\u00edssima quantidade, \u00e9 importado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladin Wayan \u2013 Saison \u2013 5,8% de \u00e1lcool \u2013 9 IBU<\/strong><br \/>\nA mais maluca do trio de especiarias re\u00fane cinco cereais (trigo, cevada, centeio, espelta e trigo sarraceno) e nove especiarias (cinco s\u00e3o pimenta, mas ainda h\u00e1 camomila, canela, raiz de genciana e semente de coentro) al\u00e9m de casca de laranja e bergamota. No nariz, muito cereal e c\u00edtrico, mas n\u00e3o senti tanto o conjunto de pimentas. Na boca, por\u00e9m, a pimenta aparece em destaque (e conquista). H\u00e1 azedume na garganta e efervesc\u00eancia na l\u00edngua. Bem provocante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladin Nora \u2013 Traditional Ale &#8211; 6,8% de \u00e1lcool \u2013 14 IBU<\/strong><br \/>\nTeo buscou referencias na hist\u00f3ria cervejeira eg\u00edpcia para produzir uma receita que traz gr\u00e3os Khorasan Kamut (uma esp\u00e9cie de trigo pr\u00e9-hist\u00f3rico), mirra (para substituir o l\u00fapulo), casca de laranja, gengibre, levedura e xarope de cereais. O resultado \u00e9 outra cerveja doidinha, que num primeiro momento lembra lambic, mas tamb\u00e9m traz sugest\u00e3o de mel, banana e gengibre no aroma. O paladar \u00e9 terroso, levemente azedo, com percep\u00e7\u00e3o de gengibre e bergamota. Muito boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin8.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"328\" \/><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladin Super \u2013 Belgian Strong Ale \u2013 8% de \u00e1lcool \u2013 17 IBU<\/strong><br \/>\n\u00c9 da linha mais tradicionalista e, apesar de ser apresentada como Amber Ale, parece mais uma Dubbel \u2013 a denomina\u00e7\u00e3o correta e Belgian Strong Ale. H\u00e1 muita percep\u00e7\u00e3o \u2013 tanto no nariz quanto na boca \u2013 de melado e caramelo al\u00e9m de leve sugest\u00e3o de ameixa e toffee.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladin Le\u00f6n \u2013 Strong Dark Ale \u2013 9% de \u00e1lcool \u2013 21 IBU<\/strong><br \/>\nA outra da linha tradicionalista destaca um aroma que paga tributo \u00e0s melhores Strong Dark Ales belgas, tanto com sugest\u00e3o de frutas escuras quanto lembran\u00e7a de vinho do Porto. Na boca, por\u00e9m, ela surge mais terrosa que a vers\u00e3o tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin9.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"399\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladin Nazionale \u2013 Belgian Blond Ale \u2013 6.5% de \u00e1lcool \u2013 29 IBU<\/strong><br \/>\nTeo a denomina como \u201cItalian Ale\u201d por ser feita exclusivamente com ingredientes italianos (malte dos campos de Melfi e l\u00fapulo de Piemonte), e adiciona na receita semente de coentro e bergamota. O resultado \u00e9 uma cerveja lev\u00edssima, de belo aroma frutado e herbal e paladar suave que a transforma quase numa India Blond Ale, devido a um amargozinho pronunciado e bastante agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladin Super Bitter \u2013 Belgian Strong Ale \u2013 8,5% de \u00e1lcool &#8211; IBU 35<\/strong><br \/>\nFeita para tirar sarro da pira\u00e7\u00e3o de alguns nas cervejas altamente lupuladas norte-americanas, a Super Bitter carrega na inser\u00e7\u00e3o de l\u00fapulo Amarillo (incluindo no dry hopping) sem perder a do\u00e7ura da tradi\u00e7\u00e3o belga. O aroma \u00e9 excelente e o paladar valoriza algo como amargor maltado (ou caramelo amargo). Nada agressiva, pelo contr\u00e1rio, muito equilibrada e saborosa. Uma das minhas preferidas na noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Baladin Open Rock \u2018n\u2019 Roll \u2013 7.5% de \u00e1lcool \u2013 IBU 43<\/strong><br \/>\nA cerveja mais amarga deste lote n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o amarga assim, o que revela a proposta de Teo Musso: valorizar todos os ingredientes retirando de cada um o que tem de melhor. Numa receita tradicional que recebe apenas adi\u00e7\u00e3o de pimenta, a Open Rock \u2018n\u2019 Roll exibe no nariz um aroma condimentado e picante enquanto o paladar traz amargor assertivo sem ser agressivo ao lado de caramelo de malte.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/baladin10.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nTeo Musso \u00e9 uma lenda no universo cervejeiro. 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