{"id":36883,"date":"2016-02-16T10:35:58","date_gmt":"2016-02-16T13:35:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=36883"},"modified":"2016-09-03T11:21:01","modified_gmt":"2016-09-03T14:21:01","slug":"scream-yell-recomenda-di-souza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/02\/16\/scream-yell-recomenda-di-souza\/","title":{"rendered":"Scream &#038; Yell recomenda: Di Souza"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-36884\" title=\"disouza1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/disouza1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"564\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Piedade de Ponte Nova, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes na Zona da Mata mineira, Di Souza \u00e9 mais uma grata surpresa do cen\u00e1rio musical belo-horizontino. Radicado na capital mineira desde os 15 anos, o compositor traz em seu vasto curr\u00edculo as fun\u00e7\u00f5es de multi-instrumentista, arranjador, maestro de carnaval (do \u201cBloco, Ent\u00e3o Brilha!\u201d) e educador social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu disco de estreia, o vanguardista \u201c<a href=\"http:\/\/ojardimeletrico.com.br\/sdm_downloads\/di-souza-nao-devo-nada-pra-ninguem-2015\/\" target=\"_blank\">N\u00e3o Devo Nada Pra Ningu\u00e9m<\/a>\u201d (2015), aborda de maneira ir\u00f4nica e po\u00e9tica o cotidiano do artista independente. Produzido pelo pr\u00f3prio m\u00fasico com colabora\u00e7\u00e3o de Maur\u00edcio Ribeiro, o \u00e1lbum conta com as participa\u00e7\u00f5es especiais de Jos\u00e9 Luiz Braga e Luiz Gabriel Lopes (Graveola), Gustavito, Coletivo Ana, Lucas Telles, Juventino Dias e Jennifer Souza (Transmissor).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista concedida por e-mail, Di Souza fala do vagaroso processo de composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum (\u201cN\u00e3o faria sentido gravar \u00e0s pressas um disco que levanta a bandeira da leveza, da ludicidade e da poesia\u201d), influ\u00eancias (\u201cRaul Seixas + Tom Z\u00e9 + Luiz Tattit\u201d), e o fortalecimento do cen\u00e1rio mineiro (\u201cO Brasil ainda ir\u00e1 enxergar Minas Gerais para al\u00e9m dos clubes e das esquinas\u201d). Com voc\u00ea, Di Souza!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;N\u00e3o Devo Nada Pra Ningu\u00e9m&#8221; voc\u00ea promove um olhar ir\u00f4nico e po\u00e9tico para com o cotidiano. Como foi o processo de grava\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nPara al\u00e9m do per\u00edodo de dois anos de produ\u00e7\u00e3o musical, considero esse trabalho o fruto de uma viv\u00eancia maior. Tendo vivido em tr\u00eas diferentes espa\u00e7os urbanos (ro\u00e7a, favela e asfalto), o resultado sonoro nasce da turbul\u00eancia \u2018geo-cultural\u2019 que des\u00e1gua no artista que sou. Assim nasceram as m\u00fasicas e o conceito do trabalho. Dentro do est\u00fadio pude contar com a colabora\u00e7\u00e3o de 36 m\u00fasicos independentes da cena belo-horizontina, companheiros de bandas e encontros. Al\u00e9m disso, \u00e9 resultado tamb\u00e9m de tudo que j\u00e1 vivi e que o universo me possibilitou transformar em m\u00fasica. O processo de grava\u00e7\u00e3o foi propositalmente lento, pois n\u00e3o faria sentido gravar \u00e0s pressas um disco que levanta a bandeira da leveza, da ludicidade e da poesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No disco, de certa forma, voc\u00ea &#8220;desglamouriza&#8221; a profiss\u00e3o de m\u00fasico. Quais s\u00e3o as alegrias e os percal\u00e7os ligados \u00e0 \u00e1rea?<\/strong><br \/>\nSer m\u00fasico \u00e9 um paradoxo n\u00e9? Um lugar de prest\u00edgio que, ao mesmo tempo, \u00e9 desvalorizado na sociedade. Em algum tempo da hist\u00f3ria, onde havia imp\u00e9rios, reis e rainhas, os m\u00fasicos trabalhavam dentro dos castelos, limpando lixo e compondo privado para os seus superiores. Este lugar que ocupamos \u00e9 muito esquisito, pois o cidad\u00e3o (n\u00f3s, m\u00fasicos) que pertence a uma classe formadora de opini\u00f5es \u00e9 o mesmo que \u00e0s vezes nem recebe dignamente pelo trabalho que faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica popular brasileira, em suas mais variadas vertentes, \u00e9 a for\u00e7a motriz do seu trabalho. Quem s\u00e3o os seus pares?<\/strong><br \/>\nTalvez eu seja um filho subjetivo vindo do encontro de tr\u00eas grandes representantes da MPB: Raul Seixas + Tom Z\u00e9 + Luiz Tattit. Essa fus\u00e3o, no m\u00ednimo l\u00fadica, de S\u00e3o Paulo com Bahia, tornou-se minha refer\u00eancia na hora de compor aqui em Minas. Por aqui, tenho a sorte de habitar uma cidade de efervesc\u00eancia cultural gigantesca, onde muito convivo e aprendo com meus colegas de produ\u00e7\u00e3o musical local, representados por: Gustavito, Graveola e o Lixo Polif\u00f4nico, Luiza Brina, Urucum na Cara, Dead Lovers, Hugo da Silva, Rafael Dutra, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em Tom Z\u00e9, recentemente voc\u00ea se apresentou ao lado dele. Como foi o encontro?<\/strong><br \/>\nUma hist\u00f3ria pra contextualizar a emo\u00e7\u00e3o que foi esse encontro: eu era crian\u00e7a, morador de uma favela e aluno da ONG do grupo Corpo onde fazia aulas de dan\u00e7a. O professor botou a m\u00fasica &#8220;Xique Xique&#8221; do espet\u00e1culo \u201cParabelo\u201d (espet\u00e1culo do Grupo Corpo) pra tocar e eu n\u00e3o consegui fazer a aula. Fiquei paralisado, ouvindo o arranjo. Sentei da pista de dan\u00e7a enquanto os colegas dan\u00e7avam e eu s\u00f3 conseguia escutar, quieto! Ali, um novo mundo musical se abria para mim, que na \u00e9poca s\u00f3 escutava as musicas que tocavam na r\u00e1dio. A partir disso minha vis\u00e3o de mundo se modificou e desde ent\u00e3o eu escuto diariamente todos os discos do Tom Z\u00e9! Conhec\u00ea-lo foi um sonho realizado! Tocar junto dele foi algo que n\u00e3o tem nome ainda pra dar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em paralelo a sua carreira solo voc\u00ea dedica tempo a outros sete projetos. Como conciliar tantos trabalhos?<\/strong><br \/>\nParticipo de diversos movimentos culturais na cidade. Al\u00e9m das sete bandas independentes transito por seis Blocos de Carnaval onde atuo como maestro em tr\u00eas deles (Ent\u00e3o Brilha, Pisa na Ful\u00f4 e recentemente o Pena de Pav\u00e3o de Krishna). Tamb\u00e9m trabalho como educador musical j\u00e1 tendo passado por diversas escolas e ONG\u2019s. Me sinto bem em movimento, na verdade s\u00f3 sei viver se for assim. Considero-me um oper\u00e1rio cultural a servi\u00e7o da cidade, talvez para conseguir sobreviver nesse mundo t\u00e3o ca\u00f3tico, talvez pelo medo de estar sozinho, talvez pela hiperatividade diagnosticada j\u00e1 na inf\u00e2ncia, talvez porque seja f\u00e3 de Ayrton Senna, ou talvez porque s\u00f3 o Freud explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atualmente BH tem vivido tempos de efervesc\u00eancia musical gra\u00e7as a um grande n\u00famero de artistas e a produ\u00e7\u00e3o prol\u00edfica de discos. Como voc\u00ea v\u00ea este momento?<\/strong><br \/>\nTemos hoje em Belo Horizonte um cen\u00e1rio forte e diverso. Dif\u00edcil conseguir acompanhar tudo que vem sendo feito, pois a cada m\u00eas surge um disco novo que transborda criatividade e aponta novos rumos, novos sons. A for\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o independente se torna consistente, cada vez mais, com os est\u00fadios amadores feitos em quartos de casa, com os coletivos que encontram nesse fazer uma solu\u00e7\u00e3o para conseguirem espa\u00e7o e nos movimentos sociais que reivindicam uma cidade mais justa para se viver. A nossa gera\u00e7\u00e3o certamente ser\u00e1 lembrada por outras gera\u00e7\u00f5es. O Brasil ainda ir\u00e1 enxergar Minas Gerais para al\u00e9m dos clubes e das esquinas. O que se faz hoje musicalmente em Minas vai muito al\u00e9m dos r\u00f3tulos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como ativista cultural voc\u00ea acredita que h\u00e1, nos tempos atuais, alguma f\u00f3rmula de sobreviv\u00eancia art\u00edstica?<\/strong><br \/>\nAcredito que fui contemplado pelo universo em poder fazer parte de tantos trabalhos legais na cidade. Mas \u00e0s vezes me falta tempo para cuidar de outros campos da vida que tamb\u00e9m s\u00e3o importantes. Nesse sentido, sobreviv\u00eancia se torna algo relativo n\u00e9? Pois a gente acaba matando um lado para sobreviver o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z9PRtnaDOVs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z9PRtnaDOVs\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\">Pigner<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Seu disco de estreia, o vanguardista \u201cN\u00e3o Devo Nada Pra Ningu\u00e9m\u201d (2015), aborda de maneira ir\u00f4nica e po\u00e9tica o cotidiano&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/02\/16\/scream-yell-recomenda-di-souza\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[981,982],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36883"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36883"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39756,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36883\/revisions\/39756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}