{"id":36876,"date":"2016-02-16T10:16:08","date_gmt":"2016-02-16T13:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=36876"},"modified":"2018-01-03T10:23:52","modified_gmt":"2018-01-03T12:23:52","slug":"conexao-latina-buenos-muchachos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/02\/16\/conexao-latina-buenos-muchachos\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Latina: Buenos Muchachos"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-36900\" title=\"buenos3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buenos3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buenos3.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buenos3-150x93.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/buenos3-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando uma banda \u00e9 batizada com o t\u00edtulo de um dos filmes mais violentos e intensos de Martin Scorsese j\u00e1 \u00e9 um ind\u00edcio que o som n\u00e3o vai ser uma audi\u00e7\u00e3o suave. Sabendo que as influ\u00eancias iniciais da banda est\u00e3o principalmente no p\u00f3s-punk, com suas guitarras graves e percuss\u00e3o tribal, o ind\u00edcio vira certeza. Pois os uruguaios Buenos Muchachos \u2013 nome espanhol para o \u201cGoodfellas\u201d, ou \u201cOs Bons Companheiros\u201d por esses lados \u2013 n\u00e3o s\u00e3o banda de ganhar o ouvinte na primeira audi\u00e7\u00e3o. Mas responda honestamente: f\u00e3 de m\u00fasica \u00e9 o tipo de pessoa que desiste na primeira audi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A persist\u00eancia recompensa. A m\u00fasica dos Buenos Muchachos \u00e9 densa, mas n\u00e3o impenetr\u00e1vel. N\u00e3o nega a heran\u00e7a de Joy Division, Killing Joke e outros, mas ao mesmo tempo \u00e9 inegavelmente uruguaia, evocando imagens e sensa\u00e7\u00f5es que se avistam tanto no horizonte cinza de Montevid\u00e9u como no verde est\u00e1tico das paisagens rurais. Pode at\u00e9 mesmo ter aspira\u00e7\u00f5es pop, como j\u00e1 provou o sucesso que a can\u00e7\u00e3o \u201cHe Never Wants to See You (Once Again)\u201d \u2013 tirada de \u201cAmanecer B\u00faho\u201d, \u00e1lbum mais premiado e \u00fanico disco de ouro da banda em seus 25 anos de carreira, completados neste 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, a banda lan\u00e7ou \u201cNidal\u201d, seu s\u00e9timo \u00e1lbum. Diferente do antecessor, o duplo \u201cSe Pule la Colmena\u201d (2011), esse traz mais sil\u00eancios que garantem frescor \u00e0s can\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de maior concis\u00e3o cancioneira. \u201cBella y el Bestia\u201d, por exemplo, \u00e9 quase uma balada, com a voz rouca e rugosa de Pedro Dalton se sobrepondo \u00e0 delicadeza instrumental, que tem ecos tanto de Vini Reilly como do Sonic Youth. J\u00e1 \u201cSe Hizo Bosque ese Desierto\u201d \u00e9 t\u00e3o buc\u00f3lica quanto seu t\u00edtulo sugere. Claro, ru\u00eddos e disson\u00e2ncias n\u00e3o foram embora (ou\u00e7a \u201cSloane\u201d e \u201cSi Barre\u201d, por exemplo), mas o clima j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais apenas de tempestade ou desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em plano igual est\u00e3o as letras. Sempre um destaque da banda, a po\u00e9tica de Pedro Dalton \u2013 tamb\u00e9m escritor, desenhista, ator bissexto e pintor de paredes (!) \u2013 retrata o mundo interno de seus personagens (ou dele pr\u00f3prio) com pung\u00eancia e afeto, sem jamais escapar para os extremos do desprezo ou da condescend\u00eancia. Todas as figuras s\u00e3o humanas, mesmo aquelas \u2013 como transexuais e prostitutas \u2013 que a \u201cgente comum\u201d insiste em desumanizar. Dalton e o baterista Jos\u00e9 Nozar (vulgo \u201cNegro\u201d) conversaram por Skype com o Scream &amp; Yell para apresentar o que est\u00e1 por tr\u00e1s das hist\u00f3rias e sons de \u201cNidal\u201d, comentar os tr\u00eas shows em solo brasileiro em 2015 e falar sobre a \u201cn\u00e3o-celebra\u00e7\u00e3o\u201d do jubileu de prata da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aOd6xisuwqQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/aOd6xisuwqQ\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Montevid\u00e9u \u00e9 uma cidade com pr\u00e9dios antigos, dias fechados, \u00e9 muito maior que qualquer outra cidade do resto do Uruguai \u2013 ent\u00e3o fica aquela percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 uma cidade onde as pessoas se fecham em seus apartamentos, ao contr\u00e1rio da vida em casas no interior. E a m\u00fasica do Buenos Muchachos \u00e9 densa, muito introspectiva. O quanto Montevid\u00e9u influencia a banda?<\/strong><br \/>\nPedro: Acredito que impacta total e diretamente, n\u00e3o s\u00f3 nas letras, mas tamb\u00e9m na m\u00fasica. Na primeira vez em que fomos para Buenos Aires, em 2004, ficamos um m\u00eas inteiro por l\u00e1. Era agosto. Em uma entrevista, o rep\u00f3rter nos perguntou exatamente isso: se Montevid\u00e9u fazia alguma diferen\u00e7a para n\u00f3s enquanto compositores, e j\u00e1 ali eu respondi que a m\u00fasica do Buenos Muchachos jamais teria existido se f\u00f4ssemos origin\u00e1rios de Buenos Aires. Ali [na capital argentina] n\u00e3o se pode meditar. N\u00e3o tem um espa\u00e7o gigante para voc\u00ea andar e deixar seus pensamentos se estenderem, como as ramblas (nota: longas cal\u00e7adas que acompanham a orla mar\u00edtima). Todos sempre est\u00e3o nos carros, nos \u00f4nibus, e se est\u00e3o nas ruas, est\u00e3o apressados. Montevid\u00e9u, al\u00e9m das ramblas, tem as pra\u00e7as, os parques. S\u00e3o muitos lugares para introspec\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: A m\u00fasica representa o lugar onde ela se gerou. E veja, ela tamb\u00e9m pode marcar uma transforma\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pode mudar de vida atrav\u00e9s da m\u00fasica, e se voc\u00ea parar para pensar, aqui em Montevid\u00e9u n\u00e3o h\u00e1 quase mais nada que possa permitir uma grande mudan\u00e7a. As coisas aqui seguem a mesma rotina, seguem sua mesmice. Ent\u00e3o a m\u00fasica pode fazer voc\u00ea olhar sua vida por outro vi\u00e9s e te encorajar a promover uma transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: Por um lado eu acredito nisso tamb\u00e9m. Buenos Muchachos tem um lado bastante uruguaio. No cen\u00e1rio p\u00f3s-ditadura em que n\u00f3s da banda nos formamos musicalmente, havia esse som \u201coitentoso\u201d, muito particular do per\u00edodo. N\u00f3s investig\u00e1vamos outros estilos musicais, claro, mas esse era o som que ouv\u00edamos. S\u00f3 que as bandas dessa \u00e9poca no Uruguai tinham um som muito ruim, porque os t\u00e9cnicos de est\u00fadio eram um pessoal que gravava jingles, n\u00e3o estava habituado a refer\u00eancias. N\u00e3o havia uma cultura rock, ao contr\u00e1rio da Argentina, que j\u00e1 nos anos 1970 tinha Charly Garc\u00eda, Luis Alberto Spinetta, gente que j\u00e1 tinha ajudado a criar uma cultura rock. Ent\u00e3o ouv\u00edamos o som desse per\u00edodo de uma maneira muito particular, que talvez s\u00f3 existisse por aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interessante voc\u00ea falar nisso, porque algum tempo atr\u00e1s entrevistei o T\u00fassi DeMatteis, do La Hermana Menor (nota: banda da qual Nozar tamb\u00e9m faz parte), e ele me disse que antes o rock uruguaio era tipicamente uruguaio, haviam elementos que tornavam as bandas claramente pertencentes ao pa\u00eds, uma singularidade muito marcante. S\u00f3 que, ainda segundo ele, de uns anos para c\u00e1 isso vem mudando, as bandas cada vez mais se parecem com o som dos EUA ou da Inglaterra. Voc\u00eas concordam com a vis\u00e3o dele?<\/strong><br \/>\nJos\u00e9: Nos Buenos Muchachos somos muito particulares quanto \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o do entorno. Somos muito de refletir o ambiente, o momento, isso tudo. E tamb\u00e9m acabamos convivendo com as bandas que t\u00eam essa mesma rela\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos mais pr\u00f3ximos dos \u201cassemelhados\u201d. Logo, n\u00e3o vemos isso, mas talvez n\u00e3o sejamos as melhores pessoas para opinar. Capaz que T\u00fassi tenha uma vis\u00e3o geral maior que a nossa \u2013 afinal, ele \u00e9 cr\u00edtico de cultura (do jornal La Diaria), e tem acesso a muito mais coisas que n\u00f3s. Da nossa parte, estamos mais fechados para o nosso lado, ent\u00e3o n\u00e3o vemos nada assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre o som da banda: \u00e9 muito comum ver a m\u00fasica de voc\u00eas ser associada com adjetivos como &#8220;escuro\u201d, \u201cdenso\u201d, \u201csombrio\u201d, \u201cdepressivo\u201d. Mas existe muita luz nas composi\u00e7\u00f5es da banda, em especial nesse \u00faltimo disco. \u201cA Mi Manera\u201d, \u201cSol Torquelado\u201d e, principalmente, \u201cBella y El Bestia\u201d, t\u00eam grande afeto por seus personagens, apontam para coisas muito bonitas. Eu quero saber se esse olhar t\u00e3o pr\u00f3ximo e afetuoso aos personagens \u00e9 algo deliberado.<\/strong><br \/>\nPedro: Sim, um pouco. Esse foi o primeiro disco em muitos anos em que dividi as letras com Marcelo e com Topo. Havia uma alegria geral, um clima de encantamento, e isso nos levou a sair da escurid\u00e3o. Eu gosto, sim, da melancolia, porque ela transporta a lugares mais \u00edntimos e mais reflexivos do ser. \u201cBella y El Bestia\u201d tem a ver com o of\u00edcio de prostituta, e eu queria ver mais o lado da mulher, olhar para essa mulher que trabalha com isso e que tem um parceiro que n\u00e3o a entende, mas que talvez se venda mais que ela. Mas enfim, tamb\u00e9m foi diferente o processo de composi\u00e7\u00e3o. Antigamente eu escutava os temas e escrevia em cima deles. Agora foi mais o caso de sentarmos juntos para falar sobre o clima e a inten\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, e realmente compormos juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cA Mi Manera\u201d me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o porque est\u00e1 dedicada a Michelle Su\u00e1rez (advogada que foi a primeira transexual a obter um t\u00edtulo universit\u00e1rio no Uruguai com o \u201cnovo\u201d sexo, hoje senadora suplente pelo Partido Comunista). Parece que isso \u00e9 bem o que voc\u00eas querem dizer com \u201cestar sintonizados com seu entorno\u201d. Parece que h\u00e1 personagens que interessam a voc\u00eas e que n\u00e3o interessam muito a outros.<\/strong><br \/>\nPedro Totalmente. A\u00ed est\u00e1 a gra\u00e7a (risos). Olha, eu ganhei algumas opini\u00f5es escrotas aqui, tipo, \u201cah, isso foi pra gorda?\u201d. \u201cComo voc\u00ea est\u00e1 fazendo uma can\u00e7\u00e3o para defender isso?\u201d Eu s\u00f3 tinha lido algumas entrevistas que ela deu: pensa que ela, aos 15, na escola, foi questionada, ironizada, insultada, mas mesmo assim se decidiu por viver sua identidade sexual. E estamos falando de outra \u00e9poca!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: Ela vivia em um balne\u00e1rio (Atl\u00e1ntida, em Canelones) onde n\u00e3o tinha nada cultural. Imagina o que era viver esse dilema ali, uma cidade completamente vazia. E ela comentou com uma pessoa, de confian\u00e7a, e logo a cidade toda estava sabendo, e a escarneceram por isso. Isso \u00e9 muito estranho, cruel. Porque voc\u00ea olha para ela, e Michelle n\u00e3o quer emular a mulher. N\u00e3o \u00e9 uma caricatura, uma busca por ser a \u201cgarota modelo\u201d. Ela se sente uma mulher, se v\u00ea como uma mulher, e n\u00e3o precisa se caricaturar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: Pessoalmente, tamb\u00e9m vejo uma mulher ali, que trabalha, que \u00e9 bem interessante, de uma honestidade tremenda. Fui tomar um caf\u00e9 com ela depois, e ela \u00e9 realmente uma pessoa encantadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esses s\u00e3o temas que n\u00e3o consigo imaginar sendo tratados por m\u00fasicos pop no Brasil hoje. Estamos vivendo uma onda de neoconservadorismo que se espalha em tudo, da pol\u00edtica institucional ao dia a dia. E h\u00e1 quem diga que isso \u00e9 uma realidade pertinente a toda Am\u00e9rica Latina \u2013 inclusive no Uruguai, ainda que em menor escala. Acreditam que a m\u00fasica possa ser uma maneira de levar as pessoas a questionarem essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPedro: No Buenos Muchachos nunca pensamos em levar as pessoas para lado nenhum. Eu acho que sempre a m\u00fasica apontou para que n\u00e3o volt\u00e1ssemos para tr\u00e1s nas nossas vidas, mas isso veio de n\u00f3s tamb\u00e9m. N\u00e3o sei se seria uma coisa t\u00e3o direta&#8230; Olha, n\u00e3o sei como responder isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: A mim me parece que h\u00e1 demasiada press\u00e3o para que ningu\u00e9m transcenda tanto o que \u00e9 a norma&#8230; Esses \u201cburacos\u201d que permitem os outros a serem diferentes j\u00e1 est\u00e3o bem tampados, e n\u00e3o sei se a m\u00fasica pode levar algo diferente para mudar isso. No Uruguai aprovam-se muitas leis que levam ao individualismo, \u00e0 press\u00e3o social. Parece que temos uma falsa esperan\u00e7a, como se as leis nos permitissem sermos mais livres individualmente, mas na verdade acabam criando uma conformidade. Acredito que se a juventude n\u00e3o puder mudar essa situa\u00e7\u00e3o por suas a\u00e7\u00f5es, tudo ficar\u00e1 como est\u00e1. Mas essa juventude foi mal instru\u00edda&#8230; Isso \u00e9 outra coisa: tem gente por aqui que n\u00e3o sabe quem foram os Beatles \u2013 isso para n\u00e3o falar outras coisas, vamos ficar s\u00f3 nesse aspecto quase aned\u00f3tico. Parece que tem uma falha gigante na forma\u00e7\u00e3o que poderia ajudar as pessoas mesmo a procurarem causar transforma\u00e7\u00f5es. A m\u00fasica \u00e9 um agente disso, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico, e sozinha n\u00e3o transformar\u00e1 nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2015 voc\u00eas tocaram no Brasil e foram tr\u00eas shows bem diferentes: um no Sesc Pompeia, em S\u00e3o Paulo; outro no 4\u00ba Sal\u00e3o do Livro, em Guarulhos; e por fim como headliner da primeira noite do festival El Mapa de Todos, em Porto Alegre. Um show totalmente diferente do outro (eles riem). D\u00e1 para dar uma vis\u00e3o geral dessa experi\u00eancia t\u00e3o diversa?<\/strong><br \/>\nJos\u00e9: O primeiro de todos foi o de S\u00e3o Paulo. O Sesc foi fant\u00e1stico, ficamos realmente impactados com o tanto de pessoas que foram. Pensei que estariam alguns argentinos, por causa do idioma; e uns uruguaios; mas nunca imaginei que seria algo como foi, tanta gente, inclusive brasileiros, que foram para nos ver. S\u00e3o Paulo foi impactante: culturalmente, arquitetonicamente&#8230; E o lugar (a Choperia do Sesc) era maravilhoso! N\u00f3s sa\u00edmos para andar pelo Sesc e tudo era incr\u00edvel, o entorno tamb\u00e9m. Foi uma experi\u00eancia \u00f3tima, e as pessoas do Sesc nos trataram muito bem, Los Porongas, que tocaram conosco, tamb\u00e9m foram muito legais&#8230; Em Guarulhos foi um desafio: no dia anterior j\u00e1 tinha rolado outro show, as pessoas estavam cansadas, era o fim do evento e o p\u00fablico era muito jovem, uma crian\u00e7ada mesmo. Mas est\u00e1vamos \u201cligados no 220\u201d, era um teatro pequeno com som muito bom, e quem estava presente estava muito atento ao que estava acontecendo no palco \u2013 que, ali\u00e1s, era uma tenda (risos). Acabou sendo um dos nossos melhores shows, rolou entrega no palco e o p\u00fablico sentiu isso. E correspondeu! Foi \u00f3timo! Mas sobre o El Mapa o Pedro fala (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: No El Mapa fizemos uma passagem de som incr\u00edvel no meio da madrugada, e foi s\u00f3 (risos). N\u00e3o sab\u00edamos que ia acontecer isso (nota: na \u00faltima hora, o Bomba Est\u00e9reo, headliner original, pediu \u2013 ou, segundo fontes que preferem permanecer an\u00f4nimas, exigiu \u2013 uma mudan\u00e7a de hor\u00e1rio para n\u00e3o perder um voo. Os Buenos Muchachos seriam originalmente a antepen\u00faltima banda da noite), mas quando soubemos j\u00e1 t\u00ednhamos certeza que n\u00e3o ia ser legal para n\u00f3s. Com os anos, voc\u00ea aprende com os erros, ent\u00e3o j\u00e1 sabe de antem\u00e3o quando algo tem forte chance de dar errado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: Sabemos que o Fernando [Rosa, organizador do festival] fez o que p\u00f4de, e que ele estava sob muitos tipos de press\u00e3o. Diante do cen\u00e1rio, ele fez o que era poss\u00edvel. Mas realmente ficou complicado para n\u00f3s (nota: os Buenos Muchachos tocaram para um Opini\u00e3o semi-vazio, e na \u00faltima can\u00e7\u00e3o executada pela banda, apenas quatro pessoas permaneciam na plateia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: Espero que possamos voltar a Porto Alegre no futuro e tocar em outras condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: O Bomba Est\u00e9reo, por ser uma banda grande, poderia ter tido uma atitude diferente, mais compreensiva. Ou talvez n\u00e3o pudessem ter uma atitude dessas justamente por serem grandes. Vai saber. Nunca tivemos tanto sucesso como eles (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma entrevista recente, Marcelo [Fern\u00e1ndez, irm\u00e3o de Pedro e guitarrista da banda] disse que Buenos Muchachos \u00e9 uma banda que n\u00e3o gosta de olhar muito para o passado tampouco pensar demais no futuro. Assim sendo, pergunto a voc\u00eas: como veem o presente da banda?<\/strong><br \/>\nPedro: Alucinante. O Negro diz que devemos tocar mais ao vivo (risos). Mas est\u00e1 \u00f3timo! H\u00e1 anos que n\u00e3o vivia um presente t\u00e3o emocionante. Quando fazemos um balan\u00e7o de 2015, vemos que saiu um disco no qual gravamos todos juntos, tocamos bastante ao vivo, e temos hoje um baixista que realmente aporta coisas novas para nosso som. Nem lembr\u00e1vamos como era isso. Sem querer pegar pesado com os anteriores, mas agora temos um que toca como baixista, n\u00e3o como um quarto guitarrista. Estamos no nosso melhor momento!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: Sobretudo porque o disco foi uma aposta. N\u00e3o conscientemente, porque ele \u00e9 o que quer\u00edamos fazer, mas que n\u00e3o tem nada a ver com o momento atual da ind\u00fastria da m\u00fasica no Uruguai. \u00c9 um disco que tem a cultura dos Buenos Muchachos, com a letra e a m\u00fasica, e hoje temos um cen\u00e1rio em que h\u00e1 muito crossover. Temos artistas veteranos do rock que v\u00e3o e gravam uma cumbia, ou fazem uma parceria com um cantor de cumbia, porque o g\u00eanero est\u00e1 na moda (risos). E esse disco n\u00e3o tem nada disso, pelo contr\u00e1rio: est\u00e1 muito representativo de uma banda que n\u00e3o queria vender mais ou menos discos, que queria fazer o melhor que podia. O disco ganhou s\u00f3 uma resenha no Uruguai at\u00e9 agora, em um site de nicho. N\u00e3o saiu nada em nenhum meio impresso. Provavelmente porque \u00e9 um disco que requer muitas audi\u00e7\u00f5es, mas nessa velocidade das reda\u00e7\u00f5es, em que o jornalista escuta e, se n\u00e3o identifica de imediato o estilo e as f\u00f3rmulas, deixa de lado, quem quer escutar um disco assim? M\u00fasica tem que ser diger\u00edvel para esse tipo de ouvinte: se \u00e9 balada, \u00e9 balada; se \u00e9 midtempo, \u00e9 midtempo; se \u00e9 pesado, \u00e9 pesado. Sem nuances, sem varia\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o pode ser assim. Nossa m\u00fasica \u00e9 um mamute que n\u00e3o toca o ch\u00e3o, nosso disco tem uma densidade sonora mas tamb\u00e9m tem leveza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 verdade, mas esse est\u00e1 mais&#8230; solto. \u00c9 um disco muito cancioneiro. \u201cSe Pule la Colmena\u201d, por exemplo, n\u00e3o tinha essa caracter\u00edstica.<\/strong><br \/>\nPedro: Isso rolou pelo jeito de gravar. Foi tudo ao vivo no est\u00fadio, e isso sempre gera uma coisa org\u00e2nica como resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: N\u00e3o nos preocupamos em atentar para alguns detalhes que antes \u00e0s vezes repar\u00e1vamos. Deixamos passar pequenos erros propositadamente, coisas que n\u00e3o deixar\u00edamos passar nos discos anteriores. Isso n\u00e3o tinha rolado com nosso \u00e1lbum anterior, no qual tivemos um grande perfeccionismo. E ainda acho que \u00e9 um bom \u00e1lbum, mas gosto demais do que conseguimos com \u201cNidal\u201d, que soa muito mais org\u00e2nico, de fato. Tem esse frescor de banda ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ano que vem, a banda completa 25 anos de exist\u00eancia. Voc\u00eas est\u00e3o planejando alguma esp\u00e9cie de celebra\u00e7\u00e3o para marcar a data?<\/strong><br \/>\nPedro: Nada disso. Marcelo \u00e9 muito inimigo dessa ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: Eu tamb\u00e9m. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: N\u00e3o pensamos nesses termos. Se tanto, acho que festejamos quando completamos 23 anos e meio (risos). E podemos celebrar qualquer momento. E no momento atual ainda temos alguns custos do disco a pagar, n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de fazer essas comemora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9: O que gostamos de fazer \u00e9 tocar um disco do come\u00e7o ao fim, e pode ser que em algum momento decidamos comemorar os 20 anos de \u201cAmanecer B\u00faho\u201d, por exemplo, com um show em que o tocamos na \u00edntegra. Algo dessa forma nos interessaria fazer, embora n\u00e3o tenhamos nada espec\u00edfico no momento. Mas fazer algo da banda&#8230; N\u00e3o h\u00e1 porque. A banda continua. E continua olhando para a frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9rrjqm52b-k\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9rrjqm52b-k\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/vbPoX5Xc2P0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/vbPoX5Xc2P0\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object width=\"600\" height=\"340\" classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gbaP1piq8fE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/gbaP1piq8fE\" \/><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nQuando uma banda \u00e9 batizada com o t\u00edtulo de um dos filmes violentos de Scorsese j\u00e1 \u00e9 um ind\u00edcio que o som n\u00e3o vai ser suave&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/02\/16\/conexao-latina-buenos-muchachos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36876"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36876"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":45609,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36876\/revisions\/45609"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}