{"id":36825,"date":"2015-07-27T13:23:39","date_gmt":"2015-07-27T16:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=36825"},"modified":"2016-02-12T13:29:17","modified_gmt":"2016-02-12T16:29:17","slug":"coluna-um-heroi-punk-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/27\/coluna-um-heroi-punk-em-sp\/","title":{"rendered":"Coluna: Um her\u00f3i punk em SP"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-36826\" title=\"wander2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/wander2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 80, ele foi vocalista de uma das maiores bandas punks do Brasil. Nos anos 90, saiu em carreira solo e virou punk brega. No novo s\u00e9culo, voltou aos vocais d\u2019Os Replicantes para uma turn\u00ea na Europa e alguns discos e lan\u00e7ou seis \u00e1lbuns solo. No primeiro regravou Sex Pistols; em outro fez vers\u00f5es de Iggy Pop e Ramones; em outro resgatou Belchior e Sergio Sampaio. Suas can\u00e7\u00f5es n\u00e3o tocam no r\u00e1dio, mas um excelente p\u00fablico bateu ponto no Sesc Pompeia, quinta-feira passada (23), para v\u00ea-lo. Aos 55 anos, Wander Wildner \u00e9 um her\u00f3i punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sei quantos shows vi de Wander Wildner at\u00e9 hoje, mas foram muitos. Uns 20, talvez. Artistas que a gente acompanha de perto costumam nos surpreender, e com Wander n\u00e3o \u00e9 diferente. J\u00e1 houve shows inesquec\u00edveis (como sua temporada voz e guitarra no Caf\u00e9 Camalehon, na rua atr\u00e1s da faculdade Mackenzie, e um outro com o Replicantes, em particular, na pequena Funhouse, quando a casa ainda tinha palco e promovia shows, foi hist\u00f3rico), v\u00e1rios shows bons e alguns abaixo do esperado. Quase nenhum foi semelhante ao anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na choperia do Sesc Pompeia na quinta passada, Wander lan\u00e7ava seu oitavo disco, \u201cExiste Algu\u00e9m A\u00ed?\u201d (2015), um \u00e1lbum denso e sofrido que serve como trilha sonora para o momento atual do Brasil. Se toda arte \u00e9 reflexo do ambiente que a cerca, Wander parece ser um dos poucos artistas que vive neste pa\u00eds atualmente, j\u00e1 que o rock adolescente planejadinho dos programas de TV est\u00e1 mais preocupado com o umbigo, as dores do cora\u00e7\u00e3o e as da testa do que com o mundo que o cerca, e, no palco, faz cara feia como se tomasse papinha de pera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wander, por outro lado, parece sentir na pele os desajustes da nossa sociedade. A expectativa para o show, ent\u00e3o, era um retrato depressivo dos dias atuais, mas eis que o bardo punk ga\u00facho resolveu transformar uma noite qualquer de show em uma festa de amigos tocando todas as can\u00e7\u00f5es que os amigos mais queriam ouvir. Se eu tivesse feito o set list do show de quinta-feira provavelmente n\u00e3o teria sido t\u00e3o feliz quanto ele pr\u00f3prio. Um clima de alegre incredulidade tomou o local, e muita gente terminou rouca no final da noite. Inclusive ele que, conforme os anos passam, se aproxima de uma vers\u00e3o tupi de Tom Waits.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco, uma nova banda, mais pesada e entrosada, (Gustavo Chaise no baixo; Eduardo Dolzan na bateria; Jimi Joe e Mauricio Chaise nas guitarra), dava conta do esporro sonoro. A festa (punk) come\u00e7ou com \u201cAstronauta\u201d, hino d\u2019Os Replicantes, uma parceria de Wander com Carlos Gerbase que abre o lado B do vinil \u201cHist\u00f3rias de Sexo &amp; Viol\u00eancia\u201d (1987), e seguiu-se com o \u00fanico grande sucesso nacional de Wander (ainda que 90% das can\u00e7\u00f5es da noite tenham sido cantadas em coro por cerca de 700 pessoas), \u201cBebendo Vinho\u201d, logo no come\u00e7o do show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguiram-se as deliciosamente infames \u201cFreira Desalmada\u201d e \u201cEmpregada\u201d (a primeira, uma parceria de fundo de \u00f4nibus de turn\u00ea com Thedy Correa, do Nenhum de N\u00f3s; a segunda do repert\u00f3rio da ic\u00f4nica Graforreia Xilarm\u00f4nica) mais a densa \u201cQuase um Alco\u00f3latra\u201d (que h\u00e1 tempos Wander n\u00e3o tocava ao vivo) e \u201cSandina\u201d, outro hino d\u2019Os Replicantes (composta pelo guitarrista e jornalista Jimi Joe). Ap\u00f3s esse come\u00e7o festeiramente absurdo, com f\u00e3s de sorriso largo na choperia, Wander mostrou uma m\u00fasica nova \u201cNaquela Noite Ela Chorou\u201d, uma balada sobre a derrota de Ol\u00edvio Dutra para Lasier Martins nas elei\u00e7\u00f5es para o senado em 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gritos de \u201cOl\u00ea, ol\u00ea, Ol\u00ea, Wander, Wander\u201d ecoaram pelo ambiente, e o her\u00f3i punk mostrou-se a vontade para cantar can\u00e7\u00f5es ora mais suaves (\u201cO Ritmo da Vida\u201d), de projetos paralelos (\u201cO \u00daltimo Rom\u00e2ntico da Rua Augusta\u201d) e vers\u00f5es (\u201cCandy\u201d, de Iggy Pop; \u201cAmigo Punk\u201d, da Graforreia). Os hits entre os f\u00e3s marcaram presen\u00e7a em massa: \u201cLugar do Caralho\u201d, \u201cEu Queria Morar em Beverly Hills\u201d, \u201cO Mantra das Possiilidades\u201d, \u201cBoas Not\u00edcias\u201d, \u201cEu N\u00e3o Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro\u201d, \u201cHippie-Punk-Rajneesh\u201d, \u201cLugar do Caralho\u201d, \u201cUm Bom Motivo\u201d, \u201cRodando el Mundo\u201d\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do disco novo, \u201cExiste Algu\u00e9m A\u00ed?\u201d, mais uma can\u00e7\u00e3o ecoou na noite (\u201cNuma Ilha Qualquer\u201d), e o bis n\u00e3o poderia ter sido mais especial: \u201cMichael Row the Boat Ashore\u201d, uma can\u00e7\u00e3o de escravos do s\u00e9culo 19 vertida para o portugu\u00eas como \u201cJesus Voltar\u00e1\u201d e gravada em vers\u00e3o punk primeiro pela Sangue Sujo (banda que Wander montou logo ap\u00f3s sair d\u2019Os Replicantes no final dos anos 80 e que rendeu o clipe abaixo) e depois pelo pr\u00f3prio Wander no \u00e1lbum \u201cBuenos Dias\u201d (1999) fez a missa pegar fogo. Para o fim, um hino punk brega: \u201cEu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo\u201d. Se a m\u00fasica \u00e9 um anestesiante para as dores do dia-a-dia, shows assim soam como um tanque de glicose para uma vida de ressaca. Seguimos em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. Obrigado pela foto, Bruno Capelas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nNos anos 80, ele foi vocalista de uma das maiores bandas punks do Brasil. Nos anos 90, saiu em carreira solo e virou punk brega. 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