{"id":36081,"date":"2015-12-30T09:16:54","date_gmt":"2015-12-30T11:16:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=36081"},"modified":"2020-11-09T00:23:54","modified_gmt":"2020-11-09T03:23:54","slug":"entrevista-stilnovisti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/30\/entrevista-stilnovisti\/","title":{"rendered":"Entrevista: Stilnovisti"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-36082\" title=\"stilnovisti\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/stilnovisti.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/stilnovisti.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/stilnovisti-150x138.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/stilnovisti-300x277.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">De um t\u00edmido EP de estreia para um s\u00f3lido primeiro \u00e1lbum, muita coisa aconteceu na banda curitibana Stilnovisti: mudaram a forma\u00e7\u00e3o, as condi\u00e7\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, as carreiras paralelas em outros projetos musicais. Isso tudo colaborou para que \u201cIntertextualit\u00e9\u201d, o primeiro \u00e1lbum, tivesse a consist\u00eancia e a alma que n\u00e3o se percebiam no EP hom\u00f4nimo, lan\u00e7ado em 2010 pelo selo De Inverno (download via Mediafire <a href=\"http:\/\/www.mediafire.com\/?wr3t7e4hbk0ucad\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), e relan\u00e7ado dois anos mais tarde com tr\u00eas faixas b\u00f4nus gravadas ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de crescimento compensou: \u201cIntertextualit\u00e9\u201d \u00e9 um disco de estirpe rara nos dias de hoje, com can\u00e7\u00f5es que funcionam para espelhar experi\u00eancias de pessoas de diferentes idades. A sonoridade \u00e9 reconhecidamente inspirada pela m\u00fasica do passado \u2013 Aguinaldo Martinuci, vocalista e principal compositor da banda, reconhece influ\u00eancias de Rolling Stones (certamente a mais percept\u00edvel), Tom Jobim, Led Zeppelin e Luis Alberto Spinetta, entre outros \u2013 sem jamais soa datado, e tampouco renega a origem acad\u00eamica da banda \u2013 seus integrantes se conheceram na UFPR (Universidade Federal do Paran\u00e1). O \u00e1lbum \u00e9 fruto dos estudos para a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Martinuci, em que a intertextualidade, pelo vi\u00e9s da mem\u00f3ria e da influ\u00eancia, \u00e9 usada como tema para orientar as composi\u00e7\u00f5es. O resultado \u00e9 um disco conceitual, sim, mas nada monotem\u00e1tico, com partes que funcionam independentes do todo, e que ganham em impacto quando ouvidas em sequ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, \u201cCem Dias de Espera\u201d \u00e9 um \u00f3timo exemplo do conceito do disco, com guitarras bluesy e um riff encantador de piano pairando sobre uma melodia \u00e0 Paul McCartney, abrigando uma letra inspirada pelo filme \u201cCinema Paradiso\u201d (1988) \u2013 uma das grandes can\u00e7\u00f5es de 2015, diga-se. J\u00e1 \u201cZumzumzum\u201d e \u201cUm Deus Tamb\u00e9m \u00c9 o Vento\u201d s\u00e3o adapta\u00e7\u00f5es de poemas de Paulo Leminski tratados sob um prisma zepelliniano \u2013 a primeira para o lado mais orquestral e clim\u00e1tico, a segunda para o \u00e9pico e guitarreiro (com um acentinho grunge, inclusive).Influ\u00eancias de m\u00fasica erudita s\u00e3o n\u00edtidas em \u201cInverno\u201d (com a participa\u00e7\u00e3o da cantora l\u00edrica Cristiane Serkes) e \u201cSweet Flower\u201d (com arranjo de cordas de Arrigo Barnab\u00e9 e cita\u00e7\u00e3o ao quarteto de cordas em sol menor de Debussy), e o rock argentino de Spinetta e Charly Garc\u00eda se insinua em muitas nuances, como em algumas inflex\u00f5es vocais, e na \u00edntegra da vers\u00e3o para \u201cO Rouxinol e a Rosa\u201d, dos Paralamas do Sucesso, presente no tributo \u201cCaleidosc\u00f3pio\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/24\/download-tributo-aos-paralamas-do-sucesso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lan\u00e7ado pelo Scream&amp;Yell<\/a>) e tamb\u00e9m inclu\u00edda em \u201cIntertextualit\u00e9\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda \u2013 formada por Martinuci (voz, guitarra e piano), Lu\u00eds Bourscheidt (tamb\u00e9m d\u2019A Banda Mais Bonita da Cidade, bateria e percuss\u00e3o) Fabio Abu-Jamra (guitarra e viol\u00e3o, tamb\u00e9m integrantes da Milagrosos Decompositores) e Gustavo Slomp (baixo) \u2013 fez shows gratuitos em tr\u00eas teatros da capital paranaense para lan\u00e7ar \u201cIntertextualit\u00e9\u201d (que tamb\u00e9m pode ser baixado gratuitamente pelo <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/stilnovisti\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Soundcloud<\/a>) e agora procura maneiras de levar o show a outros Estados enquanto tocam seus outros trabalhos, todos ligados \u00e0 m\u00fasica \u2013 o Stilnovisti \u00e9 das poucas bandas independentes em que todos os integrantes t\u00eam a m\u00fasica como of\u00edcio. Martinuci, tamb\u00e9m integrante da IMOF, convidou o Scream &amp; Yell para uma audi\u00e7\u00e3o do disco pouco antes do lan\u00e7amento, onde aconteceu a primeira parte dessa entrevista. Uma segunda sess\u00e3o foi feita por e-mail, e a edi\u00e7\u00e3o desses encontros est\u00e1 transcrita abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"550\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/167750856&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com a mudan\u00e7a da forma\u00e7\u00e3o entre um disco e outro, os textos todos em primeira pessoa, \u00e9 justo perguntar: Stilnovisti \u00e9 uma banda ou um projeto de Martinuci?<\/strong><br \/>\nAs duas coisas: \u00e9, sobretudo, um projeto meu, mas a qualidade dos m\u00fasicos participantes, aliada a liberdade que recebem para interferir na sonoridade, faz com que seja tamb\u00e9m uma banda. O Lu\u00eds Bourscheidt tem um peso na est\u00e9tica do disco, \u00e9 o \u00fanico m\u00fasico que participa deste projeto desde o in\u00edcio. O Abu tamb\u00e9m influi bastante na sonoridade do grupo, est\u00e1 presente desde o primeiro EP, no fundo houve apenas a entrada do Slomp, baixista, que fez com a gente o show em S\u00e3o Paulo [em 2013, no Sesc Ipiranga] e acabou se fixando no projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea me disse que o disco s\u00f3 saiu porque a banda ganhou um edital do qual participou \u2013 e que sem tal financiamento, a banda talvez at\u00e9 tivesse acabado. Assim, gostaria que voc\u00ea me contasse como est\u00e1 o Stilnovisti hoje, enquanto banda. A ideia \u00e9 divulgar \u201cIntertextualit\u00e9\u201d, ver onde vai dar e depois decidir se seguem com a banda ou n\u00e3o, ou o projeto termina com esse disco?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o somos uma banda no sentido mais tradicional porque n\u00e3o nos encontramos se n\u00e3o temos gigs para fazer. Chega um momento que um projeto tem que se tornar economicamente vi\u00e1vel, doutra forma se rompe. Todos vivem exclusivamente de m\u00fasica, e um projeto de m\u00fasica autoral enfrenta uma realidade financeira diferente do contexto de bandas cover ou bandas de baile. Estamos entusiasmados com o resultado do disco e buscando um espa\u00e7o no cen\u00e1rio musical, isso n\u00e3o implica em necessariamente ter que \u201cestourar\u201d ou coisa parecida \u2013 o que seria lindo (risos) \u2013 implica apenas em conseguir um p\u00fablico num cen\u00e1rio mais alternativo no qual se enquadra a est\u00e9tica do grupo e assim, tendo shows para fazer o grupo segue em frente. Estamos trabalhando na divulga\u00e7\u00e3o do disco, vamos tentar contactar os Sescs, festivais etc. Estamos vivos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Impressiona o quanto esse disco \u00e9 diferente do EP que o antecedeu. Entendo que houve uma dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica mais assertiva na produ\u00e7\u00e3o \u2013 um controle maior mesmo, por sua parte \u2013 e uma decis\u00e3o mais clara de rumos. Mas o que voc\u00ea acha que mudou em termos de composi\u00e7\u00e3o? O que leva as can\u00e7\u00f5es desse disco a serem mais ricas harmonicamente \u2013 e a terem mais densidade \u2013 que as do disco de estreia?<\/strong><br \/>\nUm contexto bem diferente. Cinco anos separam um registro do outro. Cinco anos estudando m\u00fasica, n\u00e3o fiquei parado. Fui me tornando tamb\u00e9m um arranjador nesse per\u00edodo. Nesse sentido \u00e9 um disco \u201cmais meu\u201d do que o anterior, em termos de produ\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o musical (nota: o anterior tinha muitas composi\u00e7\u00f5es em parceria com o ex-integrante Fernando Nicknich). Por outro lado, somos um time que j\u00e1 joga junto h\u00e1 algum tempo. Mesmo n\u00e3o jogando com frequ\u00eancia j\u00e1 sabemos o que esperar um do outro. Tenho uma confian\u00e7a enorme nos rapazes, s\u00e3o m\u00fasicos diferenciados, que chegam e enriquecem as ideias que eu trago. O Lu\u00eds criou arranjos incr\u00edveis de bateria para \u201cZumzumzum\u201d, \u201cUm Deus Tamb\u00e9m \u00c9 o Vento\u201d e \u201cCem Dias de Espera\u201d, por exemplo. No primeiro registro, a gente tinha acabado de nascer enquanto grupo e o disco n\u00e3o teve pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinha verba, foi gravado, mixado e masterizado em 48 horas. Considerando isso, tenho muito orgulho do resultado que conseguimos naquele trabalho. Entretanto, discordo em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o harm\u00f4nica, \u201cImpressionista\u201d, \u00e9 talvez a harmonia mais complexa entre as can\u00e7\u00f5es que j\u00e1 escrevi e \u201cN\u00e3o Deu no NY Times\u201d \u00e9 muito rica em clima e densidade. Nos shows de lan\u00e7amento do disco novo, ela arrancou uma rea\u00e7\u00e3o muito forte do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas fugiram conscientemente de recursos tecnol\u00f3gicos muito avan\u00e7ados no disco. At\u00e9 onde sei, n\u00e3o h\u00e1 afina\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas, n\u00e3o deixaram para &#8220;corrigir na mixagem&#8221; \u2013 coisas muito comuns hoje em dia. Qual foi a inspira\u00e7\u00e3o para essa postura \u2013 e, mais importante, qu\u00e3o dif\u00edcil foi mant\u00ea-la? Porque as facilidades da modernidade s\u00e3o muito tentadoras em um ambiente de press\u00e3o t\u00e3o forte como o de uma grava\u00e7\u00e3o, inclusive com o \u201ctax\u00edmetro\u201d do est\u00fadio rolando.<\/strong><br \/>\nEu tive que me colocar firmemente contra interven\u00e7\u00f5es \u201ccir\u00fargicas\u201d na voz. Nos est\u00fadios, hoje em dia, parece que isso \u00e9 praxe e te olham com estranhamento quando voc\u00ea se posiciona contrariamente a esse mecanismo. Te acham conservador demais. Mas quando terminei de gravar as vozes, em duas sess\u00f5es de quatro horas, o engenheiro de grava\u00e7\u00e3o do est\u00fadio concordou que n\u00e3o era realmente necess\u00e1rio interferir nas vozes. Me preparei bastante para gravar, prefiro ouvir pequenos deslizes aqui e ali do que afina\u00e7\u00f5es for\u00e7adas. A gente escuta isso, me aborrece e sobretudo acho que interfere negativamente na expressividade. Eu nada tenho contra recursos que ornamentam, geram climas. Acho genial e futuramente quero usar mais recursos especialmente em termos de pedais para guitarra. Mas sinto que as coisas chegaram num ponto em que \u201cphotoshopearam\u201d a m\u00fasica e isso \u00e9 extremamente nocivo, gera uma falsa realidade. Tem outra coisa: vivemos numa sociedade que tem horror a rugas, ao que pode ser encarado como pequenas imperfei\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 doentio e tem um reflexo na psique das pessoas. Veja o que o Photoshop est\u00e1 fazendo com a cabe\u00e7a das meninas, das pessoas no geral, criando um padr\u00e3o de beleza inexistente, isso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o inofensivo quanto parece. Mas o disco tem edi\u00e7\u00f5es, tem uso criativo de recursos de plug-ins em algumas faixas, mas no geral \u00e9 bastante org\u00e2nico mesmo. Isso tem rela\u00e7\u00e3o com repert\u00f3rio tamb\u00e9m, \u201cSweet Flower\u201d e \u201cInverno\u201d s\u00e3o can\u00e7\u00f5es de c\u00e2mara, voz, piano e quarteto de cordas, t\u00eam que ser gravadas sem metr\u00f4nomo, com reg\u00eancia, todo mundo junto, doutra forma n\u00e3o funciona. Ou at\u00e9 funciona, mas \u00e9 frio. A\u00ed n\u00e3o me interessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A IMOF \u00e9 uma banda \u00e0 qual voc\u00ea se dedica de forma mais constante. Por outro lado, est\u00e1 claro, em todas as ocasi\u00f5es em que voc\u00ea fala sobre \u201cIntertextualit\u00e9\u201d, que o Stilnovisti \u00e9 um trabalho mais apaixonado. Como voc\u00ea equilibra as duas bandas?<\/strong><br \/>\nO Stilnovisti \u00e9 um projeto de vida. Sou um compositor. Deixei muita coisa de lado pela m\u00fasica, pela minha m\u00fasica, por esse desejo quase obsessivo de express\u00e3o, de compartilhar o que se forma na alma. De alguma forma, eu encaro esse disco como uma esp\u00e9cie de legado. Espero aumentar esse legado, \u00e9 claro! Tem mais can\u00e7\u00f5es na gaveta. A IMOF \u00e9 outro exerc\u00edcio, o de amalgamar minha po\u00e9tica a po\u00e9tica de outro compositor (nota: no caso, Ivan Santos). A IMOF tem um lado mais rocker meu, eu toco guitarra, sou arranjador e produtor musical do grupo. Eu e o Ivan temos parcerias tamb\u00e9m, mas em \u00faltima inst\u00e2ncia \u00e9 o grupo dele, \u00e9 o projeto dele, assim como o Stilnovisti \u00e9 um projeto meu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As suas influ\u00eancias est\u00e3o evidentemente em m\u00fasica de d\u00e9cadas atr\u00e1s: os trabalhos setentistas de Stones, Gil, Caetano, o trabalho dos 80 de Arrigo e Vitor Ramil. Claro, h\u00e1 outras que voc\u00ea cita nos textos, mas todas remetem ao passado. A m\u00fasica atual n\u00e3o te interessa?<\/strong><br \/>\nA gente vive na era da simultaneidade, n\u00e3o \u00e9 mesmo? O YouTube refor\u00e7ou isso, hoje um garoto descobre Beatles e Strokes no mesmo dia e para ele os dois s\u00e3o novidades. No caso do Ramil, me interessa a produ\u00e7\u00e3o atual dele, de 1995 para c\u00e1. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no caso dele, praticamente em todos os casos. Eu acho os dois \u00faltimos discos do Bob Dylan maravilhosos e para mim s\u00e3o discos atuais, n\u00e3o poderiam ter sido produzidos nos anos 1960. Para mim, raras exce\u00e7\u00f5es, a d\u00e9cada de 1980 foi a mais fraca da segunda metade do s\u00e9culo XX. No meu trabalho, al\u00e9m dos nomes citados, h\u00e1 um mergulho ainda mais profundo no passado. Tem muito de Jobim, de Debussy, tem at\u00e9 cita\u00e7\u00e3o ao Bach em \u201cOs Rios\u201d, mas tem elementos mais modernos em \u201cZumzumzum\u201d \u201cCem Dias de Espera\u201d e \u201cUm Deus Tamb\u00e9m \u00c9 o Vento\u201d. Tem uso de t\u00e9cnicas minimalistas, sobreposi\u00e7\u00e3o de compassos, enfim, ideias presentes em trabalhos de artistas do porte do Radiohead, Oren Lavie e Charlotte Gainsbourg por exemplo. N\u00e3o \u00e9 um olhar direcionado exclusivamente ao passado. Tem o intertexto como tem\u00e1tica, isso implica em mem\u00f3ria e influ\u00eancia. Olhar o passado \u00e9 sempre atual, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tudo que voc\u00ea escreveu sobre o disco \u2013 o material de imprensa, os textos que apresentam as can\u00e7\u00f5es no Soundcloud \u2013 diz respeito a onde a m\u00fasica do Stilnovisti se encaixa no seu universo pessoal. Mas de que maneira voc\u00ea acha que o disco se encaixa no que \u00e9 feito no Brasil hoje? Ou n\u00e3o se encaixa? (risos)<\/strong><br \/>\nDe novo a quest\u00e3o das simultaneidades. O \u201cIntertextualit\u00e9\u201d n\u00e3o \u00e9 um disco homog\u00eaneo. \u201cSweet Flower\u201d \u00e9 quase o avesso de \u201cUm Deus Tamb\u00e9m \u00e9 o Vento\u201d. \u00c9 e n\u00e3o \u00e9, porque vem da mesma m\u00e3o. O meu trabalho n\u00e3o se encaixa porque n\u00e3o tem pretens\u00e3o alguma de se encaixar. N\u00e3o sou o \u00fanico nessa dire\u00e7\u00e3o, tem v\u00e1rios outros artistas no Brasil e no mundo que n\u00e3o d\u00e3o a m\u00ednima para isso. Eu me encaixo com eles!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qcAagzJH-6w\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/qcAagzJH-6w\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4Qt0LgoGuKM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4Qt0LgoGuKM\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8NTH2NPTdic\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/8NTH2NPTdic\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nEles est\u00e3o lan\u00e7ando &#8220;Intertextualit\u00e9&#8221;, um disco que espelha experi\u00eancias de pessoas de diferentes idades. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/30\/entrevista-stilnovisti\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36081"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36081"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58276,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36081\/revisions\/58276"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}