{"id":35808,"date":"2015-12-11T08:14:24","date_gmt":"2015-12-11T10:14:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=35808"},"modified":"2020-11-09T00:23:47","modified_gmt":"2020-11-09T03:23:47","slug":"conexao-latina-lefunders","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/11\/conexao-latina-lefunders\/","title":{"rendered":"Conex\u00e3o Latina: Lefunders"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35809\" title=\"lefunders\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/lefunders.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se nunca houve no mundo uma \u201cfebre\u201d de surf music, tamb\u00e9m d\u00e1 para dizer que, desde que surgiu, o g\u00eanero nunca saiu de cena. Sempre no underground (e quase sempre longe das praias), bandas adotaram a est\u00e9tica de imagem e som dos grandes nomes do g\u00eanero, notadamente The Ventures e Dick Dale and His Del-Tones e ampliaram seu imagin\u00e1rio, incluindo filmes de terror e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, contos estradeiros, femme fatales e serial killers entre os personagens que inspiravam os riffs e t\u00edtulos das can\u00e7\u00f5es instrumentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Lefunders s\u00e3o uma banda argentina que milita no microcircuito surf latino-americano, mas d\u00e1 para dizer que eles s\u00e3o um dos grupos mais \u201cmacros\u201d nesse cen\u00e1rio \u2013 por sua ampla influ\u00eancia musical, que preserva a ess\u00eancia sessentista, mas acrescenta doses exatas de outros estilos \u2013 \u00e0s vezes de forma expl\u00edcita, \u00e0s vezes como inspira\u00e7\u00e3o sutil \u2013 para fazer um som empolgante, que pede para ser revisitado e reouvido v\u00e1rias vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um palco, o Lefunders \u00e9 daquelas bandas que faz voc\u00ea esquecer o que quer que esteja te afligindo. \u00c9 um clima de festa extremo, em que o fundador da banda, o guitarrista Cesar Azzaro, consegue a proeza de se revelar um frontman em uma banda instrumental, gra\u00e7as ao seu grande carisma e um gestual de palco intenso. O peso metaleiro que Miguel Nikolov coloca em suas batidas tamb\u00e9m se destaca, e Felipe Carey (baixo) e Ivo Rodriguez (guitarra) os acompanham, ajudando a garantir a singularidade da banda com varia\u00e7\u00f5es nas din\u00e2micas e um \u00f3timo gosto para timbres. N\u00e3o h\u00e1 uma can\u00e7\u00e3o parecida com a outra, \u201cpecado\u201d normalmente associado a surf music (e eventualmente verdadeiro em um caso ou outro).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco antes do segundo show no 92 Graus, em Curitiba \u2013 o primeiro foi t\u00e3o bem recebido que a banda foi convidada para uma segunda data n\u00e3o prevista na tour \u2013 o Scream &amp; Yell bateu um longo papo, sem gravador, com Miguel Nikolov, que serviu de base para a entrevista propriamente dita, conduzida por canais intern\u00e9ticos em meio a uma complicada agenda do baterista, que tamb\u00e9m \u00e9 fot\u00f3grafo, sushi man e vendedor de sucos detox (!). E o resultado \u00e9 uma das entrevistas mais bem-humoradas dos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 600px; height: 720px;\" src=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1577050661\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/lefunders.bandcamp.com\/album\/lefunders\"><\/a><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando conversamos em Curitiba, voc\u00ea me disse que o Cesar era o \u00fanico que j\u00e1 ouvia surf music e que ele convidou aos demais integrantes para montar uma banda do estilo. Da\u00ed eu te pergunto: quais os argumentos musicais que ele usou para convenc\u00ea-los? Devem ter sido argumentos muito contundentes! (risos)<\/strong><br \/>\nCesar era um Ramone perfeito: a roupa, o cabelo, a m\u00fasica, seu estilo de vida, tudo era baseado nos Ramones. A banda em que ele tocava, Afectados, era &#8220;la gr\u00e1n banda ramonera argentina&#8221; (risos). Inicialmente \u00e9ramos tr\u00eas no Lefunders: Cesar na guitarra, eu na bateria e Dandi no baixo. Eu tocava com Dandi em outra banda, chamada Portelefono. E nessa banda estava a esposa de Cesar, Mechi. Deixamos de tocar com Portelefono, passaram-se uns anos e a\u00ed o Cesar nos ofereceu a surf music. Bom, n\u00e3o quero me alongar em detalhes, mas o lance \u00e9 que um dia o Cesar apareceu com um topetinho, os \u201c\u00f3clinhos\u201d Buddy Holly&#8230; Era outro Cesar, um Ricardo Valenzuela (nota: vulgo Ritchie Valens) argentino. Ele nos apresentou a  The Ventures e eu diria que isso nos marcou para toda a vida. \u201cWipeout\u201d, \u201cRock Nuts\u201d&#8230; E, l\u00f3gico, j\u00e1 t\u00ednhamos escutado a trilha sonora de \u201cPulp Fiction\u201d, ou seja, eu e Dandi conhec\u00edamos o estilo, mas n\u00e3o sab\u00edamos que era um estilo (risos). Ent\u00e3o podemos dizer que valeram os argumentos do Cesar, ou seja, os Ventures. Argumentos extremos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, ent\u00e3o d\u00e1 para dizer que voc\u00eas fazem parte da gera\u00e7\u00e3o que conheceu o surf n\u00e3o pela praia, mas pelas trilhas sonoras dos filmes do Tarantino, certo? (risos)<\/strong><br \/>\nClaramente. Est\u00e1 comprovado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, uma piada recorrente sobre a surf music \u00e9 que os surfistas n\u00e3o a escutam e nunca a escutaram, e que quem ouve mesmo \u00e9 um pessoal que n\u00e3o vai para a praia, que prefere ir a bares escuros vestindo jaquetas de couro ou camisetas de mangas longas (risos). Mas falando s\u00e9rio: para quem os Lefunders tocam? Quem \u00e9 o p\u00fablico da banda?<\/strong><br \/>\nTodo tipo de pessoa vai aos nossos shows. Jovens, adultos, velhos, beb\u00eas, homens mulheres, hermafroditas, bichas, travestis, negros, brancos, verdes, tudo e todos s\u00e3o mais que bem-vindos para pirar a cabe\u00e7a com os Lefunders.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na m\u00fasica de voc\u00eas \u00e9 poss\u00edvel escutar influ\u00eancias que v\u00e3o al\u00e9m da surf music, como garage, hardcore, noise e metal \u2013 esse especialmente no seu modo de tocar bateria. Isso aparece intencionalmente, para fugir da ortodoxia do estilo, ou n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o consciente?<\/strong><br \/>\nEu acho que de in\u00edcio nada foi intencional, mas veja que j\u00e1 deixamos claro que o \u00fanico que j\u00e1 conhecia o estilo era o Cesar. As influ\u00eancias est\u00e3o presentes porque todos da banda somos muito abertos musicalmente e escutamos de tudo, mas n\u00e3o \u00e9 exagero dizer que encontramos sem querer um estilo n\u00e3o-ortodoxo. Tem garage porque se relaciona [com a surf music], hardcore porque escut\u00e1vamos muito quando \u00e9ramos mais jovens, noise porque n\u00e3o sabemos o que \u00e9 (risos) e metal, para mim em especial, porque \u00e9 algo que me deixa louco. O primeiro CD que comprei, aos 13 anos, foi \u201cSchizophrenia\u201d, do Sepultura, e \u00e9 um disco que at\u00e9 hoje n\u00e3o parei de escutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como acontece no blues, o surf \u00e9 um g\u00eanero que revisita seus cl\u00e1ssicos. Voc\u00eas fazem isso \u2013 no disco est\u00e3o \u201cComanche\u201d, do The Revels, e \u201cNitrus\u201d, de Dick Dale \u2013 mas dada a diversidade de influ\u00eancias de voc\u00eas fico pensando que poderia ser interessante se voc\u00eas \u201cconvertessem\u201d uma can\u00e7\u00e3o de outro estilo ao surf. J\u00e1 rolou algo assim?<\/strong><br \/>\nSim, a gente t\u00e1 nessa pegada. Chegamos a tocar  \u201cOne Step Beyond\u201d, do Madness, que est\u00e1 gravada na nossa primeira demo. Ali\u00e1s: em breve vai sair um K7 dos Lefunders em que estar\u00e1 nosso disco no Lado A e essa primeira demo no Lado B. Mas voltando aos covers que fizemos: j\u00e1 aconteceu de tocarmos \u201cWalk Like Jayne Mansfield\u201d, das The 5,6,7, 8&#8217;s, e outros tantos dos quais n\u00e3o me lembro agora. E a ideia \u00e9 fazer mais disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a t\u00edpica pergunta de jornalista pregui\u00e7oso, reconhe\u00e7o, mas a curiosidade \u00e9 real: como \u00e9 a cena de surf music na Argentina? Ela j\u00e1 tem hist\u00f3ria ou \u00e9 uma movimenta\u00e7\u00e3o recente?<\/strong><br \/>\nVou te ajudar com uma resposta pregui\u00e7osa: se \u00e9 pela minha idade (tenho 32 anos), eu te diria que a cena surf \u00e9 algo bastante novo. Na primeira leva temos Tormentos, Kahunas e Zorros Petardos; depois veio a segunda camada, que s\u00e3o Lefunders, Beach Breakers e mais algumas que eu n\u00e3o me lembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em agosto voc\u00eas passaram pelo Brasil. Como foi a recep\u00e7\u00e3o por aqui?<\/strong><br \/>\nFoi incr\u00edvel! D\u00e1 para dizer que temos \u201cpais posti\u00e7os\u201d aqui no Brasil, que s\u00e3o [os produtores] Fernanda e Deco! Obrigado, amigos! E obrigado ao g\u00eanio que \u00e9 Neri (da banda The Mullet Monster Mafia, e tamb\u00e9m produtor de shows), que nos convidou e ajudou a organizar a turn\u00ea. Sem ele nunca ter\u00edamos conseguido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas foi uma turn\u00ea um tanto quanto acidentada, n\u00e3o? Pelo que soube, poderia rolar at\u00e9 um livro do tipo \u201cComo Fazer uma Turn\u00ea Independente \u2013 Aprendendo com Erros Pr\u00e1ticos\u201d.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, a real \u00e9 que foi uma experi\u00eancia e tanto. N\u00e3o vamos te dizer se ganhamos ou perdemos grana, tampouco vamos dar nomes (risos). Vamos deixar que cada um descubra se aconteceu mesmo essa hist\u00f3ria de que alguns lugares n\u00e3o nos pagaram o que fora combinado (nota: relatos de fontes que preferem o anonimato d\u00e3o conta de que a banda tomou pelo menos dois calotes, e teve um show cancelado de v\u00e9spera). Tamb\u00e9m n\u00e3o esper\u00e1vamos alguns gastos como taxa por excesso de bagagem, multas com o carro alugado, pneus destru\u00eddos de um jeito que pareciam terem sido agarrados por um T.Rex&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para 2016, voc\u00eas v\u00e3o continuar divulgando o \u00e1lbum de estreia ou a prioridade \u00e9 voltar ao est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nA ideia \u00e9 entrar em est\u00fadio para gravar o novo disco, J\u00e1 temos v\u00e1rias m\u00fasicas, algumas j\u00e1 estamos tocando ao vivo: \u201cEl Terror de la Carretera\u201d, \u201cCosa del Diablo\u201d, \u201cUachilaun\u201d, \u201cEl Presidente Est\u00e1 en Ohio\u201d e outros tantos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xoJa1pXPLz8\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/xoJa1pXPLz8\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nOs Lefunders s\u00e3o uma banda argentina empolgante que milita no microcircuito surf latino-americano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/11\/conexao-latina-lefunders\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35808"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35808"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58275,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35808\/revisions\/58275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}