{"id":35655,"date":"2013-01-08T08:37:16","date_gmt":"2013-01-08T11:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=35655"},"modified":"2015-12-01T08:47:24","modified_gmt":"2015-12-01T11:47:24","slug":"boteco-cerveja-coruja-um-mito-sulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/08\/boteco-cerveja-coruja-um-mito-sulista\/","title":{"rendered":"Boteco: Cerveja Coruja, um mito sulista"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/coruja6.jpg\" alt=\"coruja6.jpg\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2004, os arquitetos Rafael Rodrigues e Micael Eckert decidiram criar uma cerveja especial, que n\u00e3o passasse pelo processo de pasteuriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fosse submetida a temperaturas elevadas e n\u00e3o tivesse conservantes. No linguajar cervejeiro, uma cerveja viva. Para isso, teriam que mant\u00ea-la refrigerada do t\u00e9rmino da fabrica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o consumo acreditando que a melhor cerveja \u00e9 aquela retirada do tanque. Nascia a Coruja Viva. De l\u00e1 pra c\u00e1, novos r\u00f3tulos foram lan\u00e7ados e a produ\u00e7\u00e3o &#8211; que inicialmente era feita em Teut\u00f4nia, a 130 quil\u00f4metros de Porto Alegre &#8211; cresceu e foi transferida para Forquilhinha, Santa Catarina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Debutante da cervejaria catarinense, a Coruja Viva nasceu com l\u00fapulo, fermento, \u00e1gua e tr\u00eas vezes mais malte de cevada do que as tradicionais. Para valorizar o produto, os arquitetos optaram por uma garrafa de rem\u00e9dio antiga \u2013 hoje cl\u00e1ssica. Sem pasteuriza\u00e7\u00e3o e sem conservantes, a Coruja Viva tem um breve tempo de vida. O aroma floral remete a campo, banana e p\u00e3o \u2013 a dose tripla de malte valoriza a sensa\u00e7\u00e3o. No paladar, um refor\u00e7o da sensa\u00e7\u00e3o do aroma com o l\u00fapulo cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o deixando um leve amargor. A sensa\u00e7\u00e3o fica entre o adocicado (e amanteigado) e o azedo num conjunto refrescante, leve e particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o Extra Viva (tamb\u00e9m em garrafa de \u2018rem\u00e9dio\u2019 e tamb\u00e9m n\u00e3o pasteurizada) surgiu em 2007, uma Premium American Lager que de t\u00e3o robusta quase parece uma Vienna Lager. O aroma \u00e9 um capricho de linhagem tradicional com malte e l\u00fapulo presentes em doses generosas e um pouco de c\u00edtrico. No paladar, o malte sai \u00e0 frente deixando notas de mel, caramelo, aveia, madeira e trigo pelo caminho. O l\u00fapulo vem na sequencia caprichando no amargor que gruda no c\u00e9u da boca e equilibra o conjunto. O \u00e1lcool (6,5% aqui contra 4,5% na vers\u00e3o Viva) tamb\u00e9m \u00e9 mais percept\u00edvel, mas a for\u00e7a do malte causa a melhor sensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Coruja Otus Lager \u00e9 a vers\u00e3o pasteurizada da Coruja Viva, produzida para durar mais tempo nas prateleiras e alcan\u00e7ar locais mais distantes do reino do Rio Grande do Sul. O aroma, assim como na Viva, relembra (de forma menos intensa) uma casinha no campo com destaque para trigo e p\u00e3o. O paladar novamente refor\u00e7a o aroma com algo de floral e c\u00edtrico. Caso fosse um bocadinho mais leve poderia se encaixar no territ\u00f3rio das witbier, mas o l\u00fapulo marca boa presen\u00e7a amargando tudo aquilo que o malte quer ado\u00e7ar (num jogo muito bem balanceado que cumpre a miss\u00e3o de dar uma ideia da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o da cervejaria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, a Coruja Strix Extra \u00e9 a vers\u00e3o pasteurizada da Coruja Extra Viva. Aqui, de forma diferente, o que era uma Premium American Lager se transforma em uma Munich Helles no processo. No aroma, a presen\u00e7a de trigo e fermento se faz marcante (m\u00e9rito do malte de cevada) e o l\u00fapulo surge leve. No paladar, a primeira sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de p\u00e3o, depois biscoito. Depois v\u00e3o surgindo notas derivadas do malte, mel e caramelo, al\u00e9m do l\u00fapulo, que equilibra bem o conjunto interessante, mas algo me incomoda, talvez seja o trigo e\/ou fermento, que risca do c\u00e9u da boca at\u00e9 o fim da garganta. Ainda assim, uma bela cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/coruja4.jpg\" alt=\"coruja4.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo para a linha tradicional, a Coruja Alba Weizen junta malte de cevada com malte de trigo, e os dois s\u00e3o bastante percept\u00edveis no aroma, que, claro, remete a banana, mel e cravo (no meio do caminho entre uma Weiss alem\u00e3 e uma witbier belga). O paladar segue as notas antecipadas pelo aroma, mas de forma mais intensa. O adocicado do mela\u00e7o sai \u00e0 frente, com o fermento surgindo na retaguarda. O dul\u00e7or que remete a banana est\u00e1 presente, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intenso como o das Weiss alem\u00e3s (assim como o cravo). Aqui, a grande estrela \u00e9 o trigo, que domina o conjunto de uma \u00f3tima cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ada em 2011, a vers\u00e3o Weisenbock da Coruja Alba \u00e9 muito mais intensa \u2013 como era de se esperar. No aroma, as notas de banana s\u00e3o atropeladas pelos cinco tipos diferentes de malte, que deixam uma tonalidade de caramelo no ar (e tamb\u00e9m algo de trigo, floral e \u00e1lcool). No paladar, as notas de malte de caramelo e banana disputam a aten\u00e7\u00e3o. O \u00e1lcool ganha mais evid\u00eancia (s\u00e3o 6,8% de gradua\u00e7\u00e3o) enquanto cita\u00e7\u00f5es de cravo e canela surgem para temperar o conjunto. Conforme esquenta no copo, vai ficando mais melada e temperada. Bem interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da linha tradicional, a Coruja lan\u00e7ou em 2012 um linha apropriadamente chamada de Fora de S\u00e9rie, que \u00e9 sazonal. Para estrear essa linha, eles chamaram o instituto de arte e humanismo Studio Clio e desenvolveram a Coruja Baca, uma Amber Lager Libert\u00e1ria (no dicion\u00e1rio da cervejaria), que une \u00e1gua, malte de cevada, l\u00fapulo e&#8230; polpa de pitanga. O resultado \u00e9 uma cerveja cujo aroma (um dos mais deliciosos que j\u00e1 experimentei) remete a trigo em gr\u00e3os, l\u00fapulo e pitanga. No paladar seco, o jogo do doce e azedo se destaca: a pitanga vai delicadamente, o l\u00fapulo d\u00e1 a porrada. Arrependido de ter pegado apenas uma garrafa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda cerveja da linha Fora de S\u00e9rie foi uma parceria dos arquitetos da Coruja com o roqueiro Wander Wildner. Era uma cerveja de por\u00e3o (Keller Bier) que recebeu malte Vienna e extrato de pimenta (isso mesmo, pimenta). Apelidada como Rock Bier, a Coruja Labareda traz no aroma notas de tostado e defumado que remetem a bacon e peito de peru, mas de uma forma mais comportada que as ariscas Schlenkerla. H\u00e1 ainda a percep\u00e7\u00e3o de condimentado devido a pimenta. O paladar \u00e9 forte. Malte e l\u00fapulo surgem equilibrados enquanto a pimenta risca o c\u00e9u da boca e desce a garganta como um bom molho mexicano. Excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Beer Experience 2012, em S\u00e3o Paulo, a Coruja apresentou a Coice, terceira Fora de S\u00e9rie da casa, uma lager escura de 12% de \u00e1lcool e com pau de canela na f\u00f3rmula. Por\u00e9m, a grande quest\u00e3o: se a Corujas Viva e Extra-Viva tem curto tempo de vida, onde encontra-las? Em S\u00e3o Paulo \u00e9 poss\u00edvel compra-las no Emp\u00f3rio Frei Caneca, Emp\u00f3rio Alto de Pinheiros, Titus Bar e Rota do Acaraj\u00e9, entre outros. As garrafas (de 1 litro) Viva e Extra Viva custam entre R$ 28 e R$ 35 (alguns lugares cobram o vasilhame). As da linha tradicional (Alba, Strix e Otus) saem por volta de R$ 14 (600 ml) enquanto as especias Baca e Labareda est\u00e3o sendo vendidas por volta de R$ 14\/R$ 15 (310 ml).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/coruja3.jpg\" alt=\"coruja3.jpg\" \/><\/p>\n<p>Coruja Viva<br \/>\n&#8211; Produto: Premium American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,23\/5<\/p>\n<p>Coruja Extra Viva<br \/>\n&#8211; Produto: Premium American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 6,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,28\/5<\/p>\n<p>Coruja Otus Lager<br \/>\n&#8211; Produto: Premium American Lager<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,13\/5<\/p>\n<p>Coruja Strix Extra<br \/>\n&#8211; Produto: Munich Helles<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 6,3%<br \/>\n&#8211; Nota: 2,90\/5<\/p>\n<p>Coruja Alba Weizen<br \/>\n&#8211; Produto: German Weizen<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,14\/5<\/p>\n<p>Coruja Alba Weizenbock<br \/>\n&#8211; Produto: German Weizenbock<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 6,8%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,46\/5<\/p>\n<p>Coruja Baca<br \/>\n&#8211; Produto: Fruit Beer<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,7%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,83\/5<\/p>\n<p>Coruja Labareda<br \/>\n&#8211; Produto: Keller<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: Brasil<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 6,7%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,73\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/coruja1.jpg\" alt=\"coruja1.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/01\/top-1001-cervejas-marcelo-costa\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Leia sobre outras cervejas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/boteco\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Sobre todas as cervejas da Coruja (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/coruja\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEm 2004, dois arquitetos decidiram criar uma cerveja que n\u00e3o passasse pelo processo de pasteuriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fosse submetida a temperaturas elevadas e n\u00e3o tivesse conservantes\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/08\/boteco-cerveja-coruja-um-mito-sulista\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[347],"tags":[510],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35655"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35655"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35656,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35655\/revisions\/35656"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}