{"id":35600,"date":"2015-11-26T10:06:07","date_gmt":"2015-11-26T12:06:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=35600"},"modified":"2024-03-28T22:17:51","modified_gmt":"2024-03-29T01:17:51","slug":"entrevista-sergio-pamps-pamplona2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/26\/entrevista-sergio-pamps-pamplona2\/","title":{"rendered":"Entrevista: S\u00e9rgio &#8216;Pamps&#8217; Pamplona"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35590\" title=\"pamps-1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/pamps-1.jpg\" alt=\"\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/nevoa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andr\u00e9 Silva<\/a><br \/>\nFoto de Mateus Mondini<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das bandas mais interessantes do p\u00f3s-punk brasileiro permanece, h\u00e1 cerca de 30 anos, tamb\u00e9m uma das mais desconhecidas: Smack. Com apenas tr\u00eas discos muito breves (o primeiro de 1985, o \u00faltimo de 2008), a banda cravou um som criativo e en\u00e9rgico, com uma dose de psicodelia, ang\u00fastia existencial e arabescos estranhos de guitarra, fugindo \u00e0s caricaturas de banda inglesa que povoaram nos anos 80 o chamado p\u00f3s-punk no Brasil \u2013 mais uma segunda fase \u201cesteticamente permissiva\u201d do punk do que uma proposta unit\u00e1ria de sons. O combo era uma esp\u00e9cie de supergrupo do underground paulista, que perdeu seu pilar central em 5 de novembro deste ano, dia em que seu criador, S\u00e9rgio \u201cPamps\u201d Pamplona, faleceu aos 62 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dessa perda terr\u00edvel, e da raridade de registros relacionados \u00e0 banda, a publica\u00e7\u00e3o dessa entrevista \u2013 conduzida por Andr\u00e9 Silva com Lucas Campacci e Mateus Mondini \u2013 torna-se necess\u00e1ria n\u00e3o apenas para honrar a mem\u00f3ria de um grande artista, mas tamb\u00e9m para fazer que seu legado, sua m\u00fasica, continue ressoando: realizada em julho de 2013, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 certamente uma das \u00faltimas entrevistas concedidas por Pamps (se n\u00e3o for a \u00faltima). Foi captada em v\u00eddeo, assim como os relatos de outros m\u00fasicos ativos nos anos 80, para compor o document\u00e1rio \u201cMe Perco Nesse Tempo: arqueologia do p\u00f3s-punk em S\u00e3o Paulo\u201d \u2013 com finaliza\u00e7\u00e3o prevista para 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os discos do Smack est\u00e3o dispon\u00edveis (dois) pela <a href=\"http:\/\/www.baratosafins.com.br\/smack.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Baratos Afins<\/a> e (um) <a href=\"http:\/\/mmrecords.com.br\/smack\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Midsummer Madness<\/a>. Na conversa abaixo, Pamps relembra o tempo que integrou a banda de Itamar Assump\u00e7\u00e3o (\u201cA gente convivia quase que diariamente: por dois anos a gente se viu todo santo dia\u201d), inspira\u00e7\u00f5es para o primeiro disco do Smack (\u201cEu tinha ideia do que fazer por causa dos Talking Heads\u201d), HQs (&#8220;A m\u00fasica &#8216;Clone&#8217; foi tirada de uma HQ do Homem-Aranha&#8221;), casas de shows dos anos 80 (&#8220;Madame Sat\u00e3 era especial&#8221;) e opina: &#8220;Acho que o som do Smack n\u00e3o tem uma linha condutora, cada m\u00fasica \u00e9 uma  m\u00fasica, n\u00e3o tem uma identidade pr\u00f3pria, n\u00e3o segue um padr\u00e3o&#8221;. Com voc\u00ea, as hist\u00f3rias de S\u00e9rgio \u201cPamps\u201d Pamplona.<\/p>\n<p>https:\/\/youtube.com\/watch?v=AYZVeko13Es<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Smack | ao vivo | Rota 86 | \u00e1udio in\u00e9dito | 198?\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aXqGu9GHe2M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu o Smack?<\/strong><br \/>\nEu tinha tocado com o Itamar Assun\u00e7\u00e3o, a\u00ed o Arrigo [Barnab\u00e9] me chamou para montar uma banda para acompanhar a afilhada dele. Eu estava com vontade de fazer alguma coisa, pensando em compor. Eu tinha uma casa na Previd\u00eancia, a\u00ed montei um estudiozinho. Tinha um [gravador] Akai 4000D, comprei um microfone e aparelhei, comprei um amplificador do [guitarrista dos Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, Miguel] Barella e tinha uma Giannini, boa e velha. Eu ainda n\u00e3o conhecia o Edgard [Scandurra, do Ira!]. Da\u00ed comecei a gravar uma demozinho pra mim mesmo, linha de baixo, guitarra, bateria e voz. Tinha uma amiga minha, Ilsinha, mostrei pra ela, que gostou, e mostrei pra Sandra [Coutinho, baixista das Mercen\u00e1rias]: a gente estava sempre ligado, mor\u00e1vamos ali perto. Falei: \u201cVamos fazer alguma coisa\u201d. Ofereci os temas, que eram do primeiro disco, \u201cAo Vivo no Mosh\u201d (1985), eles curtiram e tal. Mas no come\u00e7o era eu na guitarra, Edgard na bateria, Sandra no teclado, era desfigurada a coisa. Come\u00e7amos a procurar baterista. Da\u00ed passou um monte de baterista como Paulo Barnab\u00e9 e Charles Gavin, uma infinidade de gente e ningu\u00e9m entendia nada do que a gente estava fazendo, n\u00e3o entendia os tempos&#8230; N\u00e3o sei por que, nenhum (deles) fechou as levadas. Um belo dia, eu estava na casa da Aninha, guitarrista das Mercen\u00e1rias, e a\u00ed o Thomas [Pappon, baterista dos Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria e membro do Fellini] apareceu daquele jeito dele: \u2018\u2019Opa meninas, cheguei!\u2019\u2019. O Edgard estava l\u00e1, a Sandra e a Ros\u00e1lia tamb\u00e9m estavam. Acho que foi o Edgard que sugeriu: \u201cP\u00f4, Pamps! Vamos l\u00e1, vamos tocar!\u201d. Tinha uma bateriazinha e, na primeira passada que ele deu em todas as m\u00fasicas, fechou tudo. Sa\u00ed de l\u00e1 embasbacado. Ele me ligou no dia seguinte: \u201cAchei muito bom esse som!\u201d Basicamente, foi assim que surgiu o Smack. Depois o Edgard saiu, virou um trio: eu, a Sandra e o Thomas, e fizemos aquele segundo disco, \u201cNoite e Dia\u201d (1986) que \u00e9 bem mais leve \u2013 bem mais Smack, ali\u00e1s. A gente vivia numa \u00e9poca em que rolava muita hero\u00edna, e Smack \u00e9 um nome d\u00fabio, pode ser tanto a onomatopeia do beijo quanto esse nome de hero\u00edna na Europa. A banda parou um temp\u00e3o e a\u00ed fizemos um terceiro disco em 2008 [\u201c3\u201d, lan\u00e7ado pela Midsummer Madness]. Gosto bastante das m\u00fasicas, n\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 ouviram&#8230;Tem coisa mais romantiquinha, mas sempre brincando com as palavras. Mod\u00e9stia \u00e0 parte, gosto muito das minhas letras. O Edgard tamb\u00e9m comp\u00f4s. Ele adora o Smack porque \u00e9 onde ele se libera. Nessa \u00e9poca toda, quando ele tocou no Ira!&#8230; era uma divers\u00e3o pra ele, no Ira! ele ficava meio preso, tinha uma f\u00f3rmula b\u00e1sica, bem pop-rock, e no Smack sempre deixei as pessoas livres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conta um pouco sobre tocar com o Itamar! A gente ouviu que voc\u00ea n\u00e3o gostava de falar que tinha tocado com ele.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, nunca falei isso. Muito pelo contr\u00e1rio, tenho o maior orgulho de ter tocado com o Pantera Cor-de-Rosa. Adoro o Itamar. Adorei ter tocado com ele, aprendi muito; nunca consegui fazer os baixos que ele fazia. Ele era bom baixista, eu nunca fui. Era iniciante, pra pegar aquelas linhas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tocou bastante tempo com ele?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, foi no comecinho do Isca [de Pol\u00edcia, banda do Itamar Assump\u00e7\u00e3o], o primeiro disco, s\u00f3 que ele fez o baixo e eu s\u00f3 toquei na musica \u201cBaby\u201d. Ele colocou o nome de quem tocou, Pamps. Nossa, a gente convivia quase que diariamente: por dois anos a gente se viu todo santo dia. Eu morava na Penha e ele na Lapa, quando come\u00e7amos a tocar. Ele ligava pra mim, \u201cPamps, t\u00f4 indo a\u00ed\u201d, ele pegava o bus\u00e3o e eu virava para o canto e dormia mais uma hora. Quando chegava, tinha um quintalz\u00e3o com n\u00easpera, amora, banana. Pegava o fusquinha que eu tinha e \u00edamos para o ensaio. A gente passava o dia junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que \u00e9 bem comum no Smack \u00e9 o experimentalismo, principalmente no segundo disco. O primeiro \u00e9 mais cru, o que voc\u00ea acha?<\/strong><br \/>\nEu ia perguntar pra voc\u00eas, o que voc\u00eas gostavam no Smack? O segundo uma coisa mais experimental, o primeiro, uma coisa mais fechada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 porque \u00e9 ao vivo, n\u00e9? Paulada. No segundo voc\u00eas a produ\u00e7\u00e3o foi mais elaborada&#8230;<\/strong><br \/>\nO segundo foi gravado ao vivo tamb\u00e9m. Ao vivo n\u00e3o como o \u201cAo Vivo no Mosh\u201d, que entramos de manh\u00e3 e sa\u00edmos \u00e0 tarde, repassamos o repert\u00f3rio umas 300 vezes. Eu e o Edgard voltamos para fazer os vocais, porque os dois estavam gripados no dia da grava\u00e7\u00e3o, aquele tinha gente aplaudindo, os amigos. Eu tinha ideia do que fazer por causa dos Talking Heads, eles tinham feito um disco ao vivo, no est\u00fadio. Achei genial! Primeiro corta o custo l\u00e1 embaixo, grava no est\u00fadio; tem depois a mixagem e um abra\u00e7o. O segundo foi no [est\u00fadio] Vice-Versa que a gente gravou. Mas \u201cao vivo\u201d que eu digo \u00e9 todos tocando instrumentos ao mesmo tempo: n\u00e3o tinha as palmas. Mas, claro, foi um pouco mais rebuscado, era est\u00fadio anal\u00f3gico naquela \u00e9poca, da\u00ed dava problema de sincronia entre um instrumento e outro, passando as faixas, rota\u00e7\u00e3o&#8230; Tinha um monte de problemas, mas foi mais pensado. Surgiu como um p\u00f3s-Smack, j\u00e1 \u00e9 mais pesad\u00e3o, mais para dentro. O pior de todos foi o terceiro, esse \u00faltimo foi terr\u00edvel fazer. N\u00f3s gravamos ao vivo tamb\u00e9m, na casa do irm\u00e3o do Thomas, o Tancredo, e era um estudiozinho desse tamanho assim, a mesa de som ficava no andar de cima. O primeiro resolvi cortar em 45 rota\u00e7\u00f5es, para dar mais qualidade. Gravado ao vivo, na pauleira, no est\u00fadio, n\u00e3o estava uma grande maravilha e cortando em 45 voc\u00ea ganha em qualidade e som no vinil. Mas quebramos umas cinco agulhas cortando o master no vinil: (a gente) n\u00e3o entendia, n\u00e3o conseguia, nunca tinha feito isso, acho que foi o primeiro no Brasil, n\u00e3o sei se ningu\u00e9m mais fez LP em 45 rota\u00e7\u00f5es aqui. L\u00e1 fora eram bem comuns na \u00e9poca, v\u00e1rios grupos j\u00e1 tinham feito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Smack! - Noite e Dia (1985) Baratos Afins\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xEPhyWAZ3JU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os dois primeiros foram gravados pela Baratos Afins. Como que voc\u00eas chegaram no Luiz Calanca (dono da loja\/selo)? Qual foi a participa\u00e7\u00e3o dele?<\/strong><br \/>\nBoa pergunta&#8230; Eu n\u00e3o lembro. Acho que, de novo, o Thomas deve ter apresentado, da\u00ed levamos uma demo para ele, cacete, naquela \u00e9poca. Ele adorou e bancou tudo, tudo, est\u00fadio, capa, prensagem. O segundo j\u00e1 n\u00e3o: ele bancou o est\u00fadio e a gente rachou a prensagem, alguma coisa assim. J\u00e1 n\u00e3o foi produ\u00e7\u00e3o total dele. O primeiro sim, ele bancou tudo. E o terceiro a gente rachou entre os quatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pra voc\u00ea, qual que \u00e9 a m\u00fasica que voc\u00ea mais gosta?<\/strong><br \/>\nDif\u00edcil, hein&#8230; Olha, uma que me emociono muito e que gosto \u00e9 a \u201cVerlan\u201d, do \u00faltimo disco, em que cito o nome das pessoas, dos meus entes queridos, minhas tr\u00eas filhas, Edgard, Andr\u00e9&#8230; Esse disco todo foi feito l\u00e1 na casa do Edgard. Na \u00e9poca a gente ia muito pra l\u00e1, tinha uma coisa bem gostosa. Mas essa m\u00fasica me toca muito, a acho bonita: os acordes que inventei, a simplicidade. Eu tenho amor, uma paix\u00e3o muito grande. A letra bonita, a ideia me cativou&#8230; Sou f\u00e3. Eu tinha uma namorada que morava l\u00e1, volta e meia ia para l\u00e1. Esse neg\u00f3cio de chamar o inverso [\u201cl\u2019invers\u201d, em franc\u00eas, ao contr\u00e1rio], Verlan. A \u201cFora Daqui\u201d acho legal, principalmente a parte 2, que \u00e9 sem vocal e muda totalmente, emenda tudo. E a que veio depois, muito boa. N\u00e3o sei, n\u00e3o tenho uma predileta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E disco, tem algum favorito?<\/strong><br \/>\nO primeiro, sem d\u00favida. O segundo j\u00e1 foi uma transi\u00e7\u00e3o, meio impreciso. O primeiro baixou o santo e eu fiz. Em alguns meses escrevi as m\u00fasicas, a maioria \u00e9 minha, tem uma ou duas do Edgard.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que voc\u00ea se inspirava mais na hora de escrever?<\/strong><br \/>\nUma coisa que me inspirava muito, no primeiro e no segundo disco principalmente, fora minha viv\u00eancia na \u00e9poca&#8230; HQs: \u201cSete Nomes\u201d, por exemplo, foi totalmente tirado do Corto Maltese, (personagem) de \u201cF\u00e1bula de Veneza\u201d, do [Hugo] Pratt, com coisas de ma\u00e7onaria&#8230; \u00c9 um personagem fant\u00e1stico&#8230; Fora a imagem, que \u00e9 linda, os textos s\u00e3o fant\u00e1sticos. Essa coisa m\u00edstica sempre me atraiu muito. Quando tem mist\u00e9rio, estou dentro. Santo Daime, essas coisas&#8230; Gosto muito de HQ, a m\u00fasica \u201cClone\u201d foi tirada de uma HQ do Homem-Aranha. Tinha uma \u00e9poca em que todos os her\u00f3is da Marvel sumiram, 1980 e pouco. Voc\u00ea comprava o gibi e n\u00e3o tinha Homem-Aranha. Da\u00ed eles voltaram com outra vestimenta, poderes aprimorados, o Homem-Aranha ficou todo azul em vez de vermelho e azul, e tem uma hist\u00f3ria em que aparece um clone dele: teve uma confus\u00e3o de todos os her\u00f3is, eles entraram num t\u00fanel do tempo. Dele saem dois Homens-Aranhas e voc\u00ea n\u00e3o sabe quem \u00e9 um, quem \u00e9 outro. Influ\u00eancias no Brasil&#8230; Luiz Melodia, por exemplo. Sempre adorei as m\u00fasicas dele, as letras, aquela colcha de retalhos, de juntar frases. Vira um am\u00e1lgama e transp\u00f5e uma emo\u00e7\u00e3o pelas letras. [O som do Smack tamb\u00e9m] tem a ver com m\u00fasicas como Jimi Hendrix, Gang of Four, Talking Heads, Beatles&#8230; O primeiro disquinho que comprei, \u201cI Wanna Hold Your Hand\u201d, foi aos 9 anos. Mas atualmente tenho tido dificuldade, tem umas tr\u00eas m\u00fasicas que est\u00e3o sem letra. Tem um esbo\u00e7o, mas \u00e9 o momento, tem que esperar o momento. Se for\u00e7ar sai merda, n\u00e3o tem jeito, para qualquer coisa que voc\u00ea fa\u00e7a na vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As drogas tiveram uma rela\u00e7\u00e3o muito forte com a \u00e9poca? Havia o lema punk \u201cno future&#8221;&#8230;<\/strong><br \/>\n\u201cNo Future\u201d, n\u00e3o sei, n\u00e3o chego a fechar muito com o Sex Pistols nesse sentido, mas drogas fazem parte da humanidade. Desde que o homem entrou em contato com a Natureza e descobriu que alguma coisa provocava altera\u00e7\u00e3o na mente, no esp\u00edrito, na alma, come\u00e7ou a curtir. A hero\u00edna simplesmente porque \u00e9 a melhor droga do mundo, nirvana, a Terra artificial, s\u00f3 que \u00e9 terrivelmente viciante. Escapei algumas vezes de morrer e n\u00e3o recomendo a ningu\u00e9m. Mas \u00e9 a droga dos sonhos, mexe muito com os sonhos, e eu gosto muito de dormir por causa disso. Durmo bastante pra sonhar, eu gosto, os sonhos s\u00e3o reveladores. Coca\u00edna, para falar, conversar, encher o saco. Acho que nunca gostei de maconha na verdade. Gosto de haxixe, bastante, teve bastante influ\u00eancia nas minhas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode dar um exemplo?<\/strong><br \/>\nEspecificamente n\u00e3o, mas tanto no primeiro como no segundo disco, os dois foram feitos sob o est\u00edmulo tanto de her\u00f4 como de haxixe. As minhas composi\u00e7\u00f5es, muito sonho, muita fragmenta\u00e7\u00e3o, talvez por isso a diversidade entre as m\u00fasicas. Acho que o som do Smack n\u00e3o tem uma linha condutora, cada m\u00fasica \u00e9 uma m\u00fasica, n\u00e3o tem uma identidade pr\u00f3pria, n\u00e3o segue um padr\u00e3o. Voc\u00ea vai encontrar um sambinha disfar\u00e7ado de rock, com uma pauleira. O que vem \u00e9 o que vem: abrir as anteninhas e deixa o c\u00e9rebro fazer a sua parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como era sua vida na \u00e9poca do \u201cAo Vivo no Mosh\u201d? O que voc\u00ea fazia?<\/strong><br \/>\nEu trabalhava na Folha de S.Paulo como programador e tinha essa namorada que tinha mudado para Paris. Ia duas vezes por ano pra Paris, ficava meio que l\u00e1 e aqui. Eu tinha meu trabalho na Folha, razo\u00e1vel, e outras fontes de renda que me permitiam isso. Sempre gostei muito da Europa, essa coisa de transitar por pa\u00edses numa viagem de oito horas, outro cheiro, outra tapinha de cerveja, outra cultura. Isso sempre me fascinou, sempre que posso dou uma fugida pra l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Das casas de shows, qual voc\u00ea achava a melhor na \u00e9poca? Em qual mais gostava de tocar?<\/strong><br \/>\nTinha tantas&#8230; Madame Sat\u00e3 era especial. Pra mim foi, n\u00e3o s\u00f3 por tocar l\u00e1, mas porque voc\u00ea tocava praticamente junto com as pessoas, num palco de 20 cent\u00edmetros, e o camarim era no banheiro. E era uma tribo legal que frequentava, ali\u00e1s, v\u00e1rias tribos: carecas, punks, moicanos, n\u00f3s, que est\u00e1vamos surgindo&#8230; n\u00e3o sei como se classifica \u201cn\u00f3s\u201d, os p\u00f3s-punks: acabou se formando uma turma que \u00e9 essa toda, desde Ratos do Por\u00e3o, Inocentes, Mercen\u00e1rias, Ira!, Volunt\u00e1rios&#8230; Todo mundo muito unido. Depois deu continuidade: na \u00e9poca do Orkut (parece que \u00e9 coisa do s\u00e9culo 1800) tinha aquela comunidade, \u201cP\u00e2nico em SP\u201d, e era legal: todo mundo se reencontrava, a gente saia junto, marcava pizzada n\u00e3o sei onde, essa turma toda que frequentava o Sat\u00e3 se reunia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Smack! | Programa Passagem de Som\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0lYVar-FQR0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Smack! | Programa Instrumental Sesc Brasil\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8c76Z0LhxOY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Smack - N\u00ba4 - Sesc Ipiranga.2009\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fJUWsfdb_OI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Andr\u00e9 Silva (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/nevoa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@nevoa<\/a>) escreve no <a href=\"http:\/\/www.perdidosnoar.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Perdidos no Ar<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.odeommmm.tumblr.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desenha<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Andr\u00e9 Silva\nUma das bandas mais interessantes do p\u00f3s-punk brasileiro permanece, h\u00e1 cerca de 30 anos, desconhecida: Smack.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/26\/entrevista-sergio-pamps-pamplona2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35600"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35600"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80705,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35600\/revisions\/80705"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}