{"id":35462,"date":"2015-11-22T10:51:32","date_gmt":"2015-11-22T13:51:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=35462"},"modified":"2016-03-21T08:46:59","modified_gmt":"2016-03-21T11:46:59","slug":"cinema-chato-o-rei-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/22\/cinema-chato-o-rei-do-brasil\/","title":{"rendered":"Cinema: Chat\u00f4 &#8211; O Rei do Brasil"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35463\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"chato1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/chato1.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"571\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/chato1.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/chato1-105x150.jpg 105w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/chato1-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCada povo tem o \u2018Chinese Democracy\u2019 que merece\u201d, comentou um amigo no Facebook ao ver o p\u00f4ster de \u201cChat\u00f4 \u2013 O Rei do Brasil\u201d (2015), o j\u00e1 lend\u00e1rio filme de Guilherme Fontes. Outro amigo interveio de modo divertidamente certeiro: \u201cNenhum povo merece o \u2018Chinese Democracy\u2019\u201d (risos). Permanecendo na compara\u00e7\u00e3o com armas e rosas, \u00e9 reconfortante perceber que o \u201cnosso Chinese Democracy\u201d \u00e9 muito melhor do que o deles, mas, para isso, \u00e9 preciso baixar a guarda: 20 anos ap\u00f3s o projeto ter sido iniciado, \u201cChat\u00f4 \u2013 O Rei do Brasil\u201d finalmente chega aos cinemas, e surpreende como um grande filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imbr\u00f3glio extra produ\u00e7\u00e3o daria um outro filme (oferecendo material t\u00e3o vasto quanto) e \u00e9 recomend\u00e1vel assistir a entrevista que Alexandre Matias, do Trabalho Sujo, fez com o ator e diretor Guilherme Fontes para a Trip TV (linkada no final deste texto) em fevereiro, j\u00e1 que h\u00e1 tanta coisa envolvida, falada, repercutida e, segundo o pr\u00f3prio Guilherme, n\u00e3o provada na hist\u00f3ria desde que o projeto foi iniciado que fica dif\u00edcil opinar com seguran\u00e7a sem soar vazio. Se a produ\u00e7\u00e3o (iniciada em 1995, mas com filmagens realizadas apenas em 1999 e 2004) foi conturbada, o resultado final \u00e9 cinema dos bons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira coisa a se falar da vers\u00e3o final de \u201cChat\u00f4 \u2013 O Rei do Brasil\u201d \u00e9 que a est\u00e9tica do filme n\u00e3o pertence ao cinema brasileiro atual, muito menos dos anos 90, quando come\u00e7ou a ser filmado. O roteiro parte de um ponto de vista lis\u00e9rgico: devido a uma trombose, Assis Chateaubriand entra em um estado vegetativo e come\u00e7a a relembrar fatos importantes de sua vida, e esse estado conturbado de sa\u00fade \u201ccontamina\u201d suas mem\u00f3rias de tal forma que tudo no filme soa exagerado, o que, de certa forma, cria uma vers\u00e3o totalmente Guilherme Fontes do personagem Chat\u00f4 (a fam\u00edlia n\u00e3o se sentiu t\u00e3o lisonjeada <a href=\"http:\/\/cultura.estadao.com.br\/blogs\/direto-da-fonte\/familia-de-chato-tenta-impedir-estreia-de-filme-diz-fernando-morais\/\" target=\"_blank\">e tentou impedir o filme de estrear<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, a trama \u00e9 inspirada na excelente biografia hom\u00f4nima de Fernando Morais, sucesso de vendas e cr\u00edtica em 1994. Por\u00e9m, o roteiro desenvolvido por Guilherme Fontes com auxilio de Matthew Robbins (indicado por Francis Coppola, que tamb\u00e9m deu pitacos) se liberta de contar uma hist\u00f3ria tradicional de biografado (\u201cem 1930 ele fez isso, em 1940 fez aquilo\u201d) sugerindo um novo tempo \/ espa\u00e7o para o personagem, que ao mesmo tempo \u00e9 o do livro de Fernando Morais e tamb\u00e9m outro, a vis\u00e3o pessoal de Guilherme Fontes do pr\u00f3prio Chat\u00f4 numa recria\u00e7\u00e3o (t\u00e3o) p\u00f3s-tropicalista (quanto os discos do Boogarins). \u00c9 outra \u00e9poca, e tamb\u00e9m \u00e9 o agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35464\" title=\"chato2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/chato2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Magnata das comunica\u00e7\u00f5es (apelidado por muitos de \u201cO Cidad\u00e3o Kane\u201d brasileiro), Chat\u00f4 \u00e9 desenhado no filme como um homem de extremos, grosso no trato com as pessoas e vision\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, um jagun\u00e7o de peixeira na m\u00e3o e grandes ideias na cabe\u00e7a. Em uma cena divertida, Chat\u00f4 est\u00e1 em Nova York participando de um leil\u00e3o de arte quando o leiloeiro apresenta um quadro: \u201cAs pessoas est\u00e3o pagando 25 mil d\u00f3lares nesse homem magricela?\u201d, no que comenta sua companhia: \u201c\u00c9 um Modigliani, Chat\u00f4\u201d. Ele arremata a obra (\u201c<a href=\"http:\/\/masp.art.br\/masp2010\/acervo_detalheobra.php?id=325\" target=\"_blank\">Retrato de Leopold Zborowski<\/a>\u201d, hoje exposta no MASP, museu criado por ele) por US$ 70 mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os desvios de car\u00e1ter a que Assis Chateaubriand \u00e9 constantemente acusado marcam presen\u00e7a no filme, o que faz Carlos Imperial parecer um coroinha (o picareta mor da Jovem Guarda foi muito bem retratado no denso\/tenso document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\" target=\"_blank\">Eu Sou Carlos Imperial<\/a>\u201d). \u201cDe que adianta ser dono de 26 jornais, 14 r\u00e1dios, 4 revistas e 2 esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o se est\u00e1 endividado at\u00e9 a alma\u201d, comenta um subalterno, no que responde Chat\u00f4: \u201cO importante n\u00e3o \u00e9 ter dinheiro, \u00e9 ter cr\u00e9dito\u201d. E h\u00e1 v\u00e1rias maneiras de conseguir cr\u00e9dito, ensina o magnata, seja caluniando anunciantes, seja pressionando milion\u00e1rios, seja sendo amigo do presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma aula psicod\u00e9lica sobre o in\u00edcio da comunica\u00e7\u00e3o de massa na Terra de Santa Cruz, a estreia de \u201cChat\u00f4 \u2013 O Rei do Brasil\u201d em 2015 n\u00e3o poderia ser mais oportuna, j\u00e1 que escancara o modo de jornalismo direcionado a interesses de conglomerados em voga no pa\u00eds, e que se ampliou <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=049U7TjOjSA\" target=\"_blank\">logo ap\u00f3s Chat\u00f4 decair<\/a>. Num momento simb\u00f3lico do filme, Chat\u00f4 argumenta: \u201cSe voc\u00ea fosse dono de um jornal e eu estivesse comendo sua mulher, voc\u00ea me chamaria de que? Sim, de corrupto\u201d. Se Get\u00falio era realmente corrupto e se a tal mulher, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o passava de uma paix\u00e3o plat\u00f4nica, pouco importa. O que fica para o povo \u00e9 a manchete, \u00e9 a &#8220;verdade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um grupo inspirado de atores (Marco Ricca est\u00e1 excelente como Chat\u00f4, e o mesmo vale para Paulo Betti como Get\u00falio, Gabriel Braga Nunes com Carlos Rosemberg \u2013 uma jun\u00e7\u00e3o de Carlos Lacerda com Samuel Wainer \u2013 Let\u00edcia Sabatella como a primeira esposa e Leandra Leal como a segunda, al\u00e9m dos geniais e lend\u00e1rios falecidos Walmor Chagas e Jos\u00e9 Lewgoy), um roteiro esperto e um personagem rico em pol\u00eamicas, \u201cChat\u00f4 \u2013 O Rei do Brasil\u201d se prova um filme imperd\u00edvel, que, sim, demorou 20 anos para chegar \u00e0s telas, mas foi lan\u00e7ado no momento certo. Em alguns pontos, o Brasil permanece o mesmo de 60 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CqbaEGwLErc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/CqbaEGwLErc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/WsG2__MKHNI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/WsG2__MKHNI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/cinema\/\">MAIS SOBRE CINEMA E FILMES<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nAula lis\u00e9rgica sobre o in\u00edcio da comunica\u00e7\u00e3o de massa na Terra de Santa Cruz, estreia de \u201cChat\u00f4\u201d n\u00e3o poderia ser mais oportuna\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/22\/cinema-chato-o-rei-do-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35462"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35462"}],"version-history":[{"count":24,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35462\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35479,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35462\/revisions\/35479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}