{"id":35348,"date":"2015-11-17T09:11:44","date_gmt":"2015-11-17T12:11:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=35348"},"modified":"2024-02-23T00:12:23","modified_gmt":"2024-02-23T03:12:23","slug":"entrevista-nasi-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/17\/entrevista-nasi-2015\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;Estou bem, mas tamb\u00e9m n\u00e3o chuta o meu calcanhar que ainda n\u00e3o virei santo!\u201d, avisa Nasi (2015)"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35349\" title=\"nasi\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/nasi.jpg\" alt=\"\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasi est\u00e1 menos irado. N\u00e3o \u00e9 que Marcos Valad\u00e3o \u2013 nome de batismo do vocalista do Ira! \u2013 tenha perdido a sua raiva e o seu jeito selvagem de cantar. Mas, ao longo dos \u00faltimos tempos, o cantor parece ter encontrado a temperan\u00e7a. A sensa\u00e7\u00e3o fica clara em \u201cEgbe\u201d, seu quarto disco solo, lan\u00e7ado recentemente em CD e DVD. \u201cN\u00e3o gosto de falar em maturidade. Porra, se um disco \u00e9 maduro, o pr\u00f3ximo com certeza vai apodrecer\u201d, brinca o cantor, em entrevista ao Scream &amp; Yell. Mas, apesar da boa fase, ele avisa: \u201cEstou bem, mas tamb\u00e9m n\u00e3o chuta o meu calcanhar que eu ainda n\u00e3o virei santo!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baseado em boa parte do repert\u00f3rio de \u201cPerigoso\u201d, \u00e1lbum de est\u00fadio de 2012, \u201cEgbe\u201d \u00e9 o resultado de um especial que Nasi gravou para o Canal Brasil no Audio Arena, um est\u00fadio que fica dentro do Est\u00e1dio do Morumbi, em S\u00e3o Paulo. \u201cEstou brincando que a \u00fanica coisa boa que saiu atualmente do Morumbi foi o est\u00fadio \u2013 e o meu disco\u201d, diz o s\u00e3o-paulino Nasi, decepcionado com a fase atual do tricolor paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os destaques do repert\u00f3rio, regrava\u00e7\u00f5es de \u201cDois Animais na Selva da Rua\u201d (de Taiguara, mas conhecida pela voz de Erasmo Carlos), \u201cSol e Chuva\u201d (Alceu Valen\u00e7a) e do hino \u201cRubro Zorro\u201d, em pegada bluegrass. Al\u00e9m disso, vale a pena prestar aten\u00e7\u00e3o na forma como o disco retrata a rela\u00e7\u00e3o de Nasi com a cultura iorub\u00e1 \u2013 o cantor \u00e9 iniciado no culto de orix\u00e1s desde 2009. \u201c\u00c9 algo que faz parte da minha vida, mas n\u00e3o vou ficar fazendo m\u00fasica com tem\u00e1tica de orix\u00e1s toda hora\u201d, avisa o vocalista do Ira!, que deixa entrever o amor do cantor pelo afrobeat na faixa-t\u00edtulo. \u201cNo final das contas, acho que saiu mais com cara de Carlos Santana do que de Fela Kuti\u201d, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, o cantor fala mais sobre o repert\u00f3rio de \u201cEgbe\u201d, discute sua liga\u00e7\u00e3o com a cidade de S\u00e3o Paulo e comenta sobre o atual momento do rap brasileiro \u2013 ao lado de Andr\u00e9 Jung, ele \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de um dos primeiros discos do g\u00eanero no pa\u00eds, \u201cHip Hop Cultura de Rua\u201d, de 1988. \u201cEu n\u00e3o queria virar cantor de rap. Eu sou um cantor de rock e de blues. O que sempre me atraiu no rap era trabalhar na produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz Nasi, que v\u00ea \u201co funk como um filho bastardo do rap\u201d e revela ser f\u00e3 de Emicida e Criolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, Nasi diz que os planos para a volta do Ira! n\u00e3o acabaram apenas na turn\u00ea que rodou o Pa\u00eds nos \u00faltimos dois anos. No papo, ele tamb\u00e9m lembra passagens da carreira da banda \u2013 incluindo o pol\u00eamico e seminal \u201cPsicoac\u00fastica\u201d, de 1988. \u201cO \u2018Psicoac\u00fastica\u2019 n\u00e3o tocou em r\u00e1dio nem com todo o jab\u00e1 da gravadora. \u00c9 um disco esquisito para o padr\u00e3o do rock radiof\u00f4nico brasileiro\u201d, afirma o cantor, que n\u00e3o v\u00ea o rock dos anos 1980 como um movimento. \u201cN\u00f3s s\u00f3 \u00e9ramos garotos que toc\u00e1vamos nos bares e ensaiavam nas garagens\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nasi lan\u00e7a o DVD do novo show &quot;Egbe&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zreJ99RchsY?list=PLK1j5nPicPxA_yHo_4wAFhaC0zGqZkIR2\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 o \u201cEgbe\u201d? Por que registrar de novo o repert\u00f3rio do disco \u201cPerigoso\u201d?<\/strong><br \/>\nOriginalmente, esse projeto era um especial para a TV. Fui convidado pelo Canal Brasil para produzir um musical para a faixa de m\u00fasica do canal. O \u201cPerigoso\u201d saiu apenas em CD, em 2012, e eu n\u00e3o tinha feito nenhum registro visual dele. Achei que seria legal que esse repert\u00f3rio fizesse parte do especial de TV, e ao mesmo tempo produzir videoclipes para que essas m\u00fasicas ganhassem uma sobrevida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea gravou \u201cao vivo\u201d dentro de um est\u00fadio no est\u00e1dio do Morumbi, o Audio Arena. Imagino que tenha sido algo incr\u00edvel para um s\u00e3o-paulino\u2026<\/strong><br \/>\nFoi uma coincid\u00eancia (risos). Sou um s\u00e3o-paulino conhecido, ent\u00e3o pode parecer que \u00e9 algum arroubo de torcedor, mas n\u00e3o \u00e9. Conheci o Audio Arena, que \u00e9 um camarote nos dias de jogo, quando fiz o \u00faltimo show do Ira! de 2014 em um evento fechado l\u00e1. Depois, encontrei o Andreas Kisser, que me contou que tinha tirado um baita som dentro daquele est\u00fadio. Foi uma boa soma, e acabamos fechando uma parceria. Usamos algumas horas no Audio Arena em troca de colocar o nome deles na capa. Esse \u00e9 o segundo DVD que eu fa\u00e7o nesse formato dentro do est\u00fadio, mas ao vivo [o primeiro foi \u201cVivo na Cena\u201d, de 2010]. Estou brincando que a \u00fanica coisa boa que saiu atualmente do Morumbi foi o est\u00fadio \u2013 e o meu disco. Dizem que a nossa arena est\u00e1 defasada, mas o s\u00e3o-paulino pode se gabar que o est\u00e1dio tem um est\u00fadio. Infelizmente, n\u00e3o pudemos utilizar o campo como cen\u00e1rio, por conta das varia\u00e7\u00f5es de luz ao longo das 12 horas de grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A sua liga\u00e7\u00e3o com a cultura iorub\u00e1 j\u00e1 existe h\u00e1 um bom tempo, mas \u00e9 a primeira vez que isso aparece escancarado em um disco seu \u2013 a come\u00e7ar pela faixa-t\u00edtulo. Os orix\u00e1s s\u00e3o rock\u2019n\u2019roll?<\/strong><br \/>\nNem diria que \u00e9 uma liga\u00e7\u00e3o pelo rock\u2019n\u2019roll. J\u00e1 conversei com outros artistas, como o Kiko Dinucci e a Roberta S\u00e1, e imagino que um dia possa surgir um trabalho que fale sobre orix\u00e1s. Hoje esse tema entra como mais um dos assuntos que eu posso cantar. As minhas letras s\u00e3o fruto de coisas que eu penso e vivo. Mas \u00e9 bom explicar: a minha liga\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem com a umbanda, nem com o candombl\u00e9, mas sim com a origem dos dois. A cultura de orix\u00e1s \u00e9 da tradi\u00e7\u00e3o iorub\u00e1, um povo que est\u00e1 entre a Nig\u00e9ria, o Benin e o Togo. Mais que uma na\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma etnia lingu\u00edstica. Esse culto aos orix\u00e1s \u00e9 a matriz que gerou o candombl\u00e9, que \u00e9 uma religi\u00e3o brasileira, e tamb\u00e9m a umbanda, que tem culto a orix\u00e1s, mas misturado com espiritismo e catolicismo. Na verdade, eu sou iniciado desde 2009 em v\u00e1rios orix\u00e1s, em uma progress\u00e3o que vai se aprofundando com o tempo. \u00c9 algo que faz parte da minha vida, mas n\u00e3o vou ficar fazendo m\u00fasica com tem\u00e1tica de orix\u00e1s toda hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o \u00e9 uma coisa \u00e0 la Cat Stevens, que canta sobre Al\u00e1 desde que se converteu ao islamismo.<\/strong><br \/>\n[O culto aos orix\u00e1s] \u00e9 um tema importante, mas n\u00e3o \u00e9 central. Uma das coisas bacanas do culto \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 necessidade nem de convers\u00e3o nem de prega\u00e7\u00e3o. A religi\u00e3o e a cultura s\u00e3o uma coisa s\u00f3. Voc\u00ea fala de comida, de m\u00fasica, de dan\u00e7a, de plantas, de fen\u00f4menos da natureza. \u00c9 uma religi\u00e3o sobre a vida e n\u00e3o sobre formas de conduta. Agora, tem uma m\u00fasica que \u00e9 legal nesse disco, que \u00e9 \u201cEgbe Oniri\u201d, que \u00e9 uma tentativa minha de fazer um afrobeat. Sou apaixonado por Fela Kuti, o que pode parecer ex\u00f3tico para algumas pessoas, porque isso nunca se manifestou na minha m\u00fasica. Essa m\u00fasica \u00e9 baseada em um canto de orix\u00e1s, e a melodia dela me chamou a aten\u00e7\u00e3o porque ela sempre pareceu com uma melodia ocidental. No final das contas, acho que saiu mais com cara de Carlos Santana do que de Fela Kuti. Ah, o nosso sangue latino\u2026 (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra liga\u00e7\u00e3o tua que pouca gente conhece \u00e9 a sua paix\u00e3o pelo rap \u2013 voc\u00ea e o Andr\u00e9 Jung foram respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o do \u201cHip Hop Cultura de Rua\u201d, um dos primeiros discos de rap do Brasil. Como \u00e9 que voc\u00ea v\u00ea o rap brasileiro hoje?<\/strong><br \/>\nOlha\u2026 tem algo que eu n\u00e3o gosto: o rap no Brasil acabou gerando uma cultura musical que n\u00e3o me agrada, o funk. O funk \u00e9 um filho bastardo do rap. Tirando o MC Catra, que eu gosto muito. Depois, fiquei sabendo que ele gosta de rock\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele gravou um disco de metal recentemente\u2026<\/strong><br \/>\nTalvez por isso que sempre o achei diferenciado. (risos). Mas vejo com muitos bons olhos essa nova gera\u00e7\u00e3o do rap, especialmente o Criolo e o Emicida. O Emicida evoluiu o texto do rap: \u00e9 fruto n\u00e3o s\u00f3 de um talento po\u00e9tico que ele tem, mas tamb\u00e9m do freestyle. Ele saiu da escurid\u00e3o dos assuntos de cadeia. \u00c9 um baita de um talento. J\u00e1 o bacana do Criolo \u00e9 que ele traz o rap para a m\u00fasica popular brasileira. Essa turma veio em um momento muito bom, dando uma guinada em um momento de desgaste do rap nacional. Parecia, antes do surgimento deles, que o rap tinha chegado a uma encruzilhada no Brasil, como o rock e qualquer g\u00eanero que tem seu apogeu e sua decad\u00eancia. E eles trouxeram o rap de volta com muita for\u00e7a. Sem demagogia nenhuma, acho o rap brasileiro o melhor que h\u00e1 no mundo hoje em dia. S\u00e9rio mesmo. Sou f\u00e3 da velha guarda do rap americano: Curtis Blow, Grandmaster Flash, De La Soul, A Tribe Called Quest, at\u00e9 o final dessa gera\u00e7\u00e3o old school. Depois, o rap americano ficou um lixo, virou um rap ostenta\u00e7\u00e3o. No Brasil, o rap ainda tem essa urg\u00eancia de ser uma m\u00fasica que fala sobre a periferia sem transform\u00e1-la em fetiche intelectual. O rap ainda \u00e9 uma ponte muito importante de ser porta-voz do que acontece, dos anseios, da periferia das grandes cidades. Sem falar na parte musical: no Brasil, o rap \u00e9 influenciado pelo samba. O Tha\u00edde, o D2, o Rappin Hood, todos eles t\u00eam um su\u00edngue diferente que \u00e9 fruto da nossa m\u00fasica. Quando eu trabalhei com rap, muita gente achava que eu ia virar cantor de rap, que o Ira! ia virar rap.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda mais porque na \u00e9poca voc\u00eas tinham uma m\u00fasica que chamava\u2026 \u201cFarto do Rock\u2019n\u2019Roll\u201d.<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o queria virar cantor de rap. Eu sou um cantor de rock e de blues. O que sempre me atraiu no rap era trabalhar na produ\u00e7\u00e3o. Era trabalhar com a possibilidade de fazer m\u00fasicas com peda\u00e7os de m\u00fasicas antigas, com samplers, e o DJ que pega o peda\u00e7o de uma m\u00fasica do Cartola e transforma numa batida. Isso era o que me chamava a aten\u00e7\u00e3o, e \u00e9 isso que eu acho bacana no Brasil, de tantas possibilidades. Eu acho o rap brasileiro maravilhoso, de Racionais a Criolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando a falar do \u201cEgbe\u201d, uma coisa que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi que voc\u00ea gravou, de novo, \u201cDois Animais na Selva da Rua\u201d, do Taiguara. \u00c9 a segunda m\u00fasica do \u201cCarlos, Erasmo\u2026\u201d [disco de 1971 de Erasmo Carlos, um dos melhores de sua carreira] que voc\u00ea grava. Qual \u00e9 a tua liga\u00e7\u00e3o com esse disco?<\/strong><br \/>\n\u201cDois Animais\u201d foi a \u00fanica m\u00fasica n\u00e3o autoral que eu trouxe do \u201cPerigoso\u201d. Eu me identifico tanto com a letra que at\u00e9 sinto como se ela fosse minha. \u201cCarlos, Erasmo\u2026\u201d, para mim, \u00e9 \u201co\u201d disco. \u00c9 um dos melhores da MPB e, para mim, \u00e9 o melhor disco do Erasmo Carlos. Se eu pudesse, gravaria todas as m\u00fasicas desse disco. Quase gravei \u201cN\u00e3o Te Quero Santa\u201d, que tem uma coisa meio psicod\u00e9lica incr\u00edvel, meio brit\u00e2nica. Gostaria muito que algum dia, uma curadoria me chamasse para cantar esse disco em algum projeto. N\u00e3o se surpreenda se eu gravar mais uma m\u00fasica dele em algum momento, seja no meu trabalho solo ou em alguma m\u00fasica para o Ira!. A gente fala muito sobre os anos 1960, mas a grande d\u00e9cada musical para mim \u00e9 a de 1970. Nos anos 1970, a gente teve o rock progressivo, o heavy metal, o funk, o punk rock, o glam, a disco music\u2026 eu devo estar at\u00e9 esquecendo alguma coisa. S\u00e3o muitos subg\u00eaneros dentro da m\u00fasica pop que foram incr\u00edveis. Os anos 1960 tiveram um sonho de liberdade incr\u00edvel, mas os anos 1970 s\u00e3o incompar\u00e1veis. Mas, voltando \u00e0 \u201cDois Animais\u201d: eu s\u00f3 acho que vale a pena fazer uma regrava\u00e7\u00e3o quando eu tiver algo a acrescentar. Como o que eu fiz agora com \u201cRubro Zorro\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era a minha pr\u00f3xima pergunta\u2026<\/strong><br \/>\nPara eu regravar alguma coisa do Ira!, eu teria que trazer uma nova proposta. Gosto muito de country americano, de bluegrass, coisas a la Johnny Cash. \u201cRubro Zorro\u201d fala sobre bandidos e anti-her\u00f3is, e aquele verso do \u201cfaroeste do Terceiro Mundo\u201d sempre me fez pensar que ela tinha uma cara de trilha de filme do Velho Oeste. Criei uma levada para ela de bluegrass, para ficar mais com cara de Ennio Morriconne, das trilhas do S\u00e9rgio Leone e do Tarantino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Certa vez, li em uma entrevista sua, uma frase que dizia que \u201co melhor disco do Ira! \u00e9 o que a gente n\u00e3o gravou em 1984\u201d. Como assim?<\/strong><br \/>\nIsso foi uma frase meio superdimensionada\u2026 O que eu quis dizer foi que o Ira! teve uma fase muito bacana influenciada pelo p\u00f3s-punk e pela disson\u00e2ncia do Gang of Four em 1984. Foi a \u00e9poca que a cozinha do Ira! tinha o Charles Gavin na bateria e o Dino [Nascimento] no baixo. T\u00ednhamos um contrato com uma gravadora na \u00e9poca, mas est\u00e1vamos na gaveta, que nem time de futebol que contrata jogador e n\u00e3o sabe o que fazer com ele. Foi uma \u00e9poca em que n\u00f3s toc\u00e1vamos muito no underground paulistano, uma \u00e9poca intensa com Mercen\u00e1rias, Smack, Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria. A gente criou um p\u00f3s-punk paulistano muito legal, mas que nem chegou ao vinil. Todo mundo lan\u00e7ou seus discos, menos a gente. J\u00e1 o Ira! ficou naquele limbo, e quando nos livramos da gravadora, j\u00e1 est\u00e1vamos numa fase mais solar, com uma influ\u00eancia mod. Essa fase p\u00f3s-punk do Ira! infelizmente n\u00e3o teve registro, embora algumas m\u00fasicas daquela fase acabaram entrando em outros discos para completar repert\u00f3rio. Separadas daquele contexto, no entanto, elas perderam sentido. O que eu queria dizer \u00e9 que a gente teria feito um disco diferente em 1984, que mudaria a nossa carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os cr\u00edticos e os f\u00e3s do Ira! se dividem entre o \u201cPsicoac\u00fastica\u201d (1988) e o \u201cVivendo N\u00e3o Aprendendo\u201d (1986) como o melhor disco da banda. Queria saber qual \u00e9 o seu disco favorito da banda.<\/strong><br \/>\nO \u201cVivendo\u201d, em termos de repert\u00f3rio, \u00e9 de fato um dos melhores discos da banda. Particularmente, n\u00e3o gosto do som dele. O Edgard gosta muito da sonoridade, mas o \u201cVivendo\u201d foi um disco que teve muitos problemas: come\u00e7amos gravando no Rio de Janeiro com o Liminha, n\u00e3o nos demos bem e o Liminha mandou a gente acabar o disco sozinhos. A\u00ed voltamos para S\u00e3o Paulo com a master, tivemos redu\u00e7\u00f5es na qualidade da fita, que prejudicaram o som dos pratos no disco. Gosto das m\u00fasicas, mas n\u00e3o gosto do som, que \u00e9 inferior at\u00e9 ao \u201cMudan\u00e7a de Comportamento\u201d (1985), que foi gravado e mixado em uma semana, e \u00e9 bem superior. Por isso, tendo a gostar mais do \u201cPsicoac\u00fastica\u201d. \u00c9 um disco refer\u00eancia no rock nacional. Foi um disco mixado a oito m\u00e3os \u2013 eu, Edgard, Andr\u00e9 e o produtor Paulo Junqueiro \u2013, em uma \u00e9poca que n\u00e3o tinha ProTools nem nada. \u00c9 um disco que n\u00e3o d\u00e1 mais para fazer de novo daquele jeito. E \u00e9 legal porque foi um disco anti-cl\u00edmax para a gravadora: n\u00f3s t\u00ednhamos dois discos que eram praticamente de power-pop, com refr\u00e3os, melodias assobi\u00e1veis, e fizemos um disco esquisito, cheio de hard rock e psicodelia. O single chamava \u201cPegue Essa Arma\u201d e n\u00e3o tinha nenhum refr\u00e3o. O \u201cPsicoac\u00fastica\u201d n\u00e3o tocou em r\u00e1dio nem com todo o jab\u00e1 da gravadora. \u00c9 um disco esquisito para o padr\u00e3o do rock radiof\u00f4nico brasileiro. Outro disco que eu gosto muito \u00e9 o \u201cMeninos da Rua Paulo\u201d (1991), que tem um som bem bacana, ali no final da nossa passagem pela Warner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Ira! voltou em 2014 para uma s\u00e9rie de shows e segue em turn\u00ea pelo Brasil. Voc\u00eas apresentaram uma m\u00fasica nova, \u201cA-B-C-D\u201d. Vem mais por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s [Nasi e Edgard] j\u00e1 come\u00e7amos a falar sobre lan\u00e7ar material in\u00e9dito para o Ira! No entanto, aconteceu uma coisa que eu acho positiva: estou lan\u00e7ando agora esse meu trabalho, que surgiu antes da gente oficializar a volta do Ira!, e o Edgard est\u00e1 produzindo um CD que deve sair agora. Nesse momento, a gente n\u00e3o consegue sentar para criar um disco novo, por conta dos nossos compromissos solo. Eu n\u00e3o descartaria que o primeiro registro dessa nova fase Ira! seja o show ao vivo do Rock in Rio, com a participa\u00e7\u00e3o do Rappin\u2019 Hood e do Toni Tornado. N\u00e3o \u00e9 um show ao vivo qualquer \u2013 at\u00e9 porque a gente tem o &#8220;MTV Ao Vivo&#8221; e o &#8220;Ac\u00fastico&#8221; \u2013, mas um show bacana com boas participa\u00e7\u00f5es. Isso n\u00e3o est\u00e1 decidido, mas estamos considerando a hip\u00f3tese desse disco servir como um aperitivo dessa nova forma\u00e7\u00e3o do Ira!. Naturalmente, quando eu e o Edgard acabarmos de apresentar os nossos trabalhos solo, nossos esp\u00edritos criativos v\u00e3o se encaminhar para fazer coisas novas para o Ira!.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nasi - Rubro Zorro (DVD Egb\u00e9 - 2015)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/E2dJ8aVev90?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De repente \u00e9 o caso de gravar o tal disco de 1984, do jeito que voc\u00eas queriam\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9 que eu n\u00e3o sei se\u2026 aquele repert\u00f3rio era mais do que uma cole\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas. Era o jeito de tocar bateria do Charles&#8230; H\u00e1 coisas que, se n\u00e3o acontecem num tempo, n\u00e3o acontecem mais. Mas, quando a gente for fazer o pr\u00f3ximo disco do Ira!, a gente tem que ter em mente uma coisa: tem que ser o melhor. Pode at\u00e9 n\u00e3o ser, mas a gente quer fazer o melhor disco que a gente j\u00e1 fez. O disco \u00e9 sempre um retrato seu. N\u00e3o d\u00e1 para calcular matematicamente como vai ser o pr\u00f3ximo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cMudan\u00e7a de Comportamento\u201d fez 30 anos em 1985, e ele faz parte de uma onda de discos entrando nessa fase balzaquiana. Como voc\u00ea v\u00ea a sua gera\u00e7\u00e3o de rock brasileiro? Alguns colegas envelheceram mal?<\/strong><br \/>\n(Respira)&#8230; Olha, acho que foi uma gera\u00e7\u00e3o importante para o momento que o Brasil viveu. O Brasil precisava de artistas que pudessem ser identificados com a juventude, porque a m\u00fasica popular brasileira da \u00e9poca estava \u201cabolerada\u201d. Os \u00eddolos da MPB, por v\u00e1rias quest\u00f5es, come\u00e7aram a cantar boleros, e o rock meteu o p\u00e9 na porta. Mas, como em todo movimento hegem\u00f4nico, a domin\u00e2ncia faz muito mal para a criatividade: para cada banda bacana, h\u00e1 dez porcarias. Na \u00e9poca, todo mundo era do rock, as gravadoras tinham lan\u00e7amentos de rock em escala industrial, e isso acabou tirando muito a atualidade e a intensidade do rock. 1985 foi um ano incr\u00edvel: primeiros discos de Ira!, Legi\u00e3o, RPM\u2026 foi um ano que, se voc\u00ea olhar a fundo, foi realmente fant\u00e1stico. D\u00e1 at\u00e9 vontade de chorar pensando no que a gente tem de m\u00fasica pop hoje. Mas \u00e9 dif\u00edcil falar em gera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o acho que a gera\u00e7\u00e3o do rock brasileiro seja um movimento como foi a Tropic\u00e1lia ou a Bossa Nova. Esses movimentos t\u00eam artistas articulados entre si, alguns tinham at\u00e9 manifesto. N\u00f3s \u00e9ramos s\u00f3 garotos que tocavam nos bares e ensaiavam nas garagens. Ningu\u00e9m imaginou que \u00edamos virar fen\u00f4menos de mercado. Se houve articula\u00e7\u00e3o art\u00edstica para criar um movimento, foi aqui em S\u00e3o Paulo: Ira!, Mercen\u00e1rias, Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, Akira S, Smack\u2026 chegamos at\u00e9 a ter manifesto, alguns dos m\u00fasicos tocavam na banda do outro, fic\u00e1vamos trocando figurinhas sobre Joy Division e Gang of Four. Aquilo, sim, foi o nosso movimento, que acabou n\u00e3o tendo repercuss\u00e3o nem virou tend\u00eancia. \u00c9 at\u00e9 engra\u00e7ado, porque hoje, aquele som que a gente fazia influenciado por The Cure, Gang of Four, New Order, viraram o som que as bandas faziam h\u00e1 algum tempo atr\u00e1s no r\u00e1dio, como Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, Interpol. Precisou passar 30 anos para aquele som virar pop?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao disco novo, \u201cN\u00e3o Vejo Mais Nada de Voc\u00ea\u201d, \u00e9 uma m\u00fasica que tem muito a cara de S\u00e3o Paulo. Quando vi o show do Ira! na Virada Cultural, imaginei que n\u00e3o havia ocasi\u00e3o melhor para a banda voltar do que naquele palco espec\u00edfico, na frente da esta\u00e7\u00e3o J\u00falio Prestes. O Ira! sempre foi considerada a cara de S\u00e3o Paulo. Como voc\u00ea v\u00ea a cidade hoje?<\/strong><br \/>\n\u201cN\u00e3o Vejo Mais Nada de Voc\u00ea\u201d foi intencionalmente feita para falar de S\u00e3o Paulo. O Ira! sempre foi muito identificado com S\u00e3o Paulo, mesmo que n\u00e3o intencionalmente. Temos tr\u00eas ou quatro m\u00fasicas que falam de S\u00e3o Paulo mesmo, como \u201cMeninos da Rua Paulo\u201d, \u201cEnvelhe\u00e7o na Cidade\u201d, \u201cPobre Paulista\u201d. Por outro lado, essa coisa de ser \u201cde S\u00e3o Paulo\u201d come\u00e7ou a incomodar a gente, porque a gente viajava o Brasil inteiro e todo mundo achava que a gente era bairrista. O nosso sotaque tamb\u00e9m influ\u00eda bastante nisso, porque ele \u00e9 um pouco peculiar. Chegou um momento da nossa carreira que a gente sentiu que essa ideia de \u201cpaulista\u201d estava virando algo caricatural. \u201cAh, l\u00e1 vem os paulistas\u2026\u201d. N\u00e3o era a nossa inten\u00e7\u00e3o fazer uma m\u00fasica que falasse de S\u00e3o Paulo. S\u00f3 ach\u00e1vamos que n\u00e3o fazia sentido pegarem no nosso p\u00e9: o artista baiano faz m\u00fasica sobre a Bahia. O carioca, sobre o Rio de Janeiro, e os ga\u00fachos adoram falar de Porto Alegre. Por que a gente n\u00e3o pode? S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade de todos e n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m. A\u00ed, mais recentemente, quando comecei a compor as m\u00fasicas do \u201cPerigoso\u201d, lembrei disso e acabei fazendo a \u201cN\u00e3o Vejo Mais Nada de Voc\u00ea\u201d. A parte engra\u00e7ada \u00e9 que os lugares que eu falo na m\u00fasica, como o Riviera e o Cine Belas Artes, acabaram voltando a funcionar agora, ent\u00e3o a m\u00fasica ficou meio fora do tempo. Essas coisas ficaram meio anacr\u00f4nicas, porque a m\u00fasica foi escrita em 2010. A gente tem dois movimentos em S\u00e3o Paulo hoje: um \u00e9 a perda e a descaracteriza\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os que s\u00e3o tradicionais, e outro movimento de revitaliza\u00e7\u00e3o do centro, que ajudou a salvar algumas coisas. S\u00e3o Paulo \u00e9 a cidade do futuro, do progresso, mas n\u00e3o pode fazer disso um motivo para perder sua identidade afetiva. Foi isso o que eu procurei falar nessa m\u00fasica. Vai ver que a m\u00fasica fez uma coisa m\u00e1gica para fazer esses lugares voltarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos \u00faltimos tempos, voc\u00ea parece mais bem humorado, seja na postura no palco, nos discos ou at\u00e9 mesmo nessa conversa. A fase est\u00e1 boa? Qual \u00e9 a receita disso?<\/strong><br \/>\nEstou bem sim. Acho que, depois do tanto que vivi, e j\u00e1 vivi momentos bem dif\u00edceis, durante a d\u00e9cada de 1990 especialmente. N\u00e3o gosto de falar que \u00e9 a religi\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. As pessoas \u00e0s vezes acham que \u00e9 s\u00f3 a religi\u00e3o que salva, e n\u00e3o \u00e9. Acho que tem um conjunto de coisas que eu busquei, administrando coisas que sempre me foram carentes, como paci\u00eancia, toler\u00e2ncia. N\u00e3o gosto de falar de maturidade. Detesto essa palavra, especialmente porque usam muito ela na m\u00fasica. \u201cAh, o disco novo do Ira! mostra a maturidade da banda\u201d. Porra, se esse disco \u00e9 maduro, o pr\u00f3ximo com certeza vai apodrecer, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Maturidade nem sempre \u00e9 uma coisa boa\u2026<\/strong><br \/>\nPrecisa muita delicadeza no trato musical, n\u00e9? P\u00f4, sei l\u00e1, fala que o disco tem influ\u00eancias mais amplas, que o disco explora outras coisas\u2026 Cheguei num momento da minha vida que eu tive que provar pra mim mesmo um pouco do meu valor, nessa fase solo sem o Ira!. Depois que voc\u00ea passa 30 anos como cantor do Ira!, voc\u00ea fica um pouco limitado como cantor do Ira!. Nesse tempo que fiquei solo, tive que me virar sozinho, e o saldo foi muito positivo: fiz muitos shows, tive um disco indicado ao Grammy Latino, corri todo o Pa\u00eds. Isso me deu um upgrade pessoal. Estou num momento muito satisfeito, independentemente de n\u00e3o estar estourado em r\u00e1dio ou ter discos de ouro, coisas que eu tive, mas talvez n\u00e3o tenha tido o prazer como eu vivo hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Nasi est\u00e1 menos irado?<\/strong><br \/>\n(risos). \u00c9, mas tamb\u00e9m n\u00e3o chuta meu calcanhar que eu n\u00e3o virei santo! Hoje, eu j\u00e1 n\u00e3o fico arranjando muita sarna para me co\u00e7ar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nasi - Rubro Zoro\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tEjBXnNAM5U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ira! - Dias de Luta (Ao Vivo no Rock in Rio)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/93etcBjBEnk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ira! e Ultraje a Rigor - Should I Stay Or Should I Go (Ao Vivo no Rock in Rio) [The Clash cover]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lYET9Jj3Qp4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog&nbsp;<a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pergunte ao Pop<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista Ira! 2007: A gente sempre acaba descobrindo um terceiro som\u201d, diz Egdard (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/ira_edgard2007.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista Ira! 2001: \u201cProcuramos fazer justi\u00e7a com nosso repert\u00f3rio\u201d, diz Edgard (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/edgard.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista Nasi 2010: \u201cPerdemos a oportunidade de dar um tempo\u201d, diz sobre o Ira! (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/05\/09\/entrevista-nasi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Entrevista Nasi 2013: &#8220;Se tem uma pessoa que pode dizer se o Ira! volta ou n\u00e3o, sou eu&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/02\/entrevista-nasi-2\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cVivo na Cena\u201d, Nasi -&gt; \u201cO Ira! est\u00e1 morto, mas Nasi est\u00e1 vivo\u2026 e rouco\u201d, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/07\/03\/musica-george-israel-capital-inicial-nasi\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A volta do Ira! em S\u00e3o Paulo: &#8220;O grande show da Virada Cultural de 2014&#8221; (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/20\/10-shows-da-virada-cultural-2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Ao vivo no Festival Casar\u00e3o 2013, Porto Velho, Nasi mostra vigor e lucidez (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/31\/festival-casarao-2013-porto-velho\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nasi est\u00e1 menos irado? &#8220;J\u00e1 n\u00e3o fico arranjando muita sarna pra co\u00e7ar, mas n\u00e3o chuta meu calcanhar que n\u00e3o virei santo!&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/17\/entrevista-nasi-2015\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[971,1030],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35348"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35348"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35348\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79544,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35348\/revisions\/79544"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}