{"id":35318,"date":"2015-11-17T08:21:03","date_gmt":"2015-11-17T10:21:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=35318"},"modified":"2019-07-04T23:00:26","modified_gmt":"2019-07-05T02:00:26","slug":"balancao-el-mapa-de-todos-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/17\/balancao-el-mapa-de-todos-2015\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7\u00e3o: El Mapa de Todos 2015"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35319\" title=\"elmapa1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa1-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas grandes mudan\u00e7as j\u00e1 se notavam na edi\u00e7\u00e3o de 2016 do festival El Mapa de Todos, em Porto Alegre, se comparada aos anos anteriores: o n\u00famero menor de atra\u00e7\u00f5es (11, contra 18 do ano passado) e a aus\u00eancia do bar Opini\u00e3o entre os locais dos shows. Uma olhada mais atenta revelaria outra mudan\u00e7a, t\u00e3o importante quanto: uma escala\u00e7\u00e3o onde o rock era apenas um ingrediente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justo dizer que todas as mudan\u00e7as s\u00e3o coerentes. Afinal, apesar da predomin\u00e2ncia roqueira em anos anteriores, o festival nunca se prop\u00f4s a ser \u201cde rock\u201d \u2013 seu nome, tirado de uma can\u00e7\u00e3o do compositor uruguaio Daniel Viglietti, refletia tanto a proposta de integra\u00e7\u00e3o latino-americana pela m\u00fasica como a integra\u00e7\u00e3o de estilos e correntes musicais. E dessa forma, a organiza\u00e7\u00e3o optou por concentrar as apresenta\u00e7\u00f5es em lugares mais focados no objetivo art\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Opini\u00e3o \u00e9 um \u00f3timo lugar, mas nos shows em bares voc\u00ea sempre vai ter as pessoas que s\u00f3 ficam bebendo e conversando, ignorando quem est\u00e1 se apresentando. Nos anos anteriores, pudemos ver que existe um grande p\u00fablico que est\u00e1 interessado na m\u00fasica, que sai de casa exatamente para esse fim, e que quer um espa\u00e7o onde possa ouvi-la com conforto, ac\u00fastica adequada e boa visibilidade do palco\u201d, explicou Fernando Rosa, organizador do festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de atra\u00e7\u00f5es ocorreu por conta da perda de muitos dos patrocinadores \u2013 permaneceu apenas a Petrobras. A restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria for\u00e7ou a curadoria a ser mais enxuta, mas ao contr\u00e1rio de acanhar as escolhas, acabou levando \u00e0 escala\u00e7\u00e3o mais ousada at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35320\" title=\"elmapa2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na abertura, ocorrida no belo e centen\u00e1rio Theatro S\u00e3o Pedro, a ousadia se mostrou v\u00e1lida. Coube aos peruanos do Vieja Skina, banda praticamente desconhecida no Brasil, a miss\u00e3o de abrir a sexta edi\u00e7\u00e3o do El Mapa. Instrumental e com uma disposi\u00e7\u00e3o incomum de palco \u2013 os cinco \u201cmetaleiros\u201d \u00e0 frente, com tr\u00eas saxes, trompete e trombone \u2013 ganharam o p\u00fablico logo na primeira m\u00fasica. Embora puxada no palco pelo trombonista Giacomo Novella, fica evidente que a arquitetura musical da banda vem do guitarrista JMT, que orienta a din\u00e2mica em riffs imprevis\u00edveis e v\u00e1rias digress\u00f5es psicod\u00e9licas. Assim, por mais que a pr\u00f3pria banda se defina como \u201cska tradicional\u201d, o que sai das caixas de som \u00e9 uma irresist\u00edvel recria\u00e7\u00e3o peruana do ritmo jamaicano, um show para fazer anjos e dem\u00f4nios sacudirem as asinhas juntos, Gabriel e Belzebu improvisando coreografias de entortar os joelhos. Showza\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35321\" title=\"elmapa3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa3.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa3-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lafayette &amp; Os Tremend\u00f5es vieram na sequ\u00eancia. Provavelmente n\u00e3o h\u00e1 Estado no Brasil onde a Jovem Guarda seja mais reverenciada que no Rio Grande do Sul, e a presen\u00e7a na plateia de m\u00fasicos de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es do rock ga\u00facho \u2013 J\u00e9f, Frank Jorge, Lu\u00eds Vagner (Los Brasas), Carlo Pianta (Graforreia Xilarm\u00f4nica), Gustavo Telles (Os Escolhidos) e outros \u2013 era uma evid\u00eancia a mais disso. N\u00e3o faltavam tamb\u00e9m sessent\u00f5es dispostos a escutar ao vivo o som do \u00f3rg\u00e3o Hammond B3 que marcou sua juventude. Tamb\u00e9m havia uma sincronicidade po\u00e9tica: foi Fernando Rosa quem apresentou o f\u00e3 Gabriel Thomaz ao ent\u00e3o esquecido tecladista, permitindo a forma\u00e7\u00e3o da banda. Por\u00e9m, a verdade \u00e9 que o som docinho e nost\u00e1lgico da banda n\u00e3o conseguiu gerar a mesma como\u00e7\u00e3o dan\u00e7ante dos peruanos, e a queda do n\u00edvel adrenal foi not\u00e1vel. A discrep\u00e2ncia ficou um pouco pior pela decis\u00e3o de fazer um repert\u00f3rio extenso (26 can\u00e7\u00f5es), e a participa\u00e7\u00e3o de Diego Medina nas vers\u00f5es de \u201cSe Voc\u00ea Pensa\u201d e \u201cAmada Amante\u201d foi decepcionante. Na ter\u00e7a parte final do show, s\u00f3 os f\u00e3s (e Lafayette tem muitos em Porto Alegre) permaneciam, dan\u00e7ando ao som das faixas mais roqueiras do repert\u00f3rio, que haviam sido guardadas para o fim. Uma observa\u00e7\u00e3o: por mais que a banda tenha a proposta de dar a Lafayette seu merecido valor, a bajula\u00e7\u00e3o de Gabriel Thomaz, que elogia exageradamente o companheiro, torna-se cansativa ap\u00f3s o elogio ser repetido 10 vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35322\" title=\"elmapa4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa4.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa4.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa4-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sexta-feira de shows no Sal\u00e3o de Atos da UFRGS teve seus ingressos esgotados h\u00e1 mais de um m\u00eas, \u201cculpa\u201d do Onda Vaga, que h\u00e1 anos era requisitada n\u00e3o s\u00f3 na capital ga\u00facha, mas tamb\u00e9m em munic\u00edpios do interior, como Santa Maria, Caxias do Sul e Pelotas \u2013 dos quais sa\u00edram at\u00e9 excurs\u00f5es para o show. Os 1.000 ingressos colocados \u00e0 venda se esgotaram em poucos dias, e ainda era poss\u00edvel encontrar quase 200 pessoas do lado de fora do teatro, esperando inutilmente que mais ingressos fossem liberados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35323\" title=\"elmapa5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa5.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Milongas Extremas foi a escolha precisa para abrir a noite. Os uruguaios fazem jus ao seu nome de batismo, intensificando a for\u00e7a e a temperatura de suas can\u00e7\u00f5es de estrutura milonguera. Os quatro viol\u00f5es t\u00eam mais peso e volume que muita banda com duas guitarras, baixo e bateria por a\u00ed, e a intera\u00e7\u00e3o entre os quatro instrumentistas e cantores completa a receita com carisma. Se o Vieja Skina se apropriava de um estilo \u201cestrangeiro\u201d ao inserir elementos da m\u00fasica de seu pa\u00eds, o Milongas Extremas vai na outra pista, levando adiante o g\u00eanero musical mais emblem\u00e1tico de seu pa\u00eds ao incorporar a inspira\u00e7\u00e3o roqueira sem soar como \u201cmistureba\u201d, macumba para turista ou truque ex\u00f3tico. Suas (boas) grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio ainda n\u00e3o traduzem a experi\u00eancia ao vivo com justi\u00e7a, por isso se puder v\u00ea-los ao vivo, n\u00e3o deixe a oportunidade passar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35324\" title=\"elmapa6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa6.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa6.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa6-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa6-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha de Vitor Ramil como \u201crecheio\u201d da noite tamb\u00e9m tinha raz\u00e3o de ser: milongas s\u00e3o parte essencial de seu amplo repert\u00f3rio, e o compositor \u00e9 muito querido e valorizado pelo p\u00fablico ga\u00facho. Por\u00e9m, depois da energia liberada pelos uruguaios, fica dif\u00edcil ter a concentra\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para apreciar um repert\u00f3rio mais pl\u00e1cido e contemplativo. Ramil \u00e9 bom int\u00e9rprete e violonista melhor ainda, mas suas cr\u00f4nicas do universo ga\u00facho n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o facilmente assimil\u00e1veis como os versos de Mario Quintana ou a prosa de Luis Fernando Ver\u00edssimo (presente na plateia da noite anterior, diga-se). Ainda assim, foi recebido com respeito, aten\u00e7\u00e3o e, no caso de \u201cRamilonga\u201d e \u201cNoite de S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d, entusiasmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35325\" title=\"elmapa7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal acabara show de Ramil, j\u00e1 havia coros de \u201col\u00ea, ol\u00ea, ol\u00ea, ol\u00ea\u00ea\u00ea\u00ea\u00ea\u00ea&#8230; Ondaaaa&#8230; Vaga&#8230;\u201d Uma banda que nunca teve um disco editado no Brasil, n\u00e3o soa em r\u00e1dios e s\u00f3 havia tocado no pa\u00eds em 2011, no Rio e em S\u00e3o Paulo, despertava como\u00e7\u00e3o em um p\u00fablico ansioso, com faixa et\u00e1ria predominantemente entre 20 e 25 anos. Abrindo o show com a can\u00e7\u00e3o-tema da banda, e emendando \u201cTataral\u00ed\u201d e \u201cLa Ronda\u201d, hits do \u00e1lbum \u201cMagma Elemental\u201d (2013), terceiro e mais recente \u00e1lbum, a banda fez o p\u00fablico se levantar das cadeiras e n\u00e3o sentar mais. A diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas apresenta\u00e7\u00f5es anteriores no Brasil era gritante: antes uma boa e carism\u00e1tica banda ac\u00fastica, agora s\u00e3o uma unidade segura e potente, com voca\u00e7\u00e3o para banda de est\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35326\" title=\"elmapa8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa8.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa8.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa8-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa8-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As can\u00e7\u00f5es dos primeiros discos, \u201cEspiritu Salvaje\u201d (2008) e \u201cFuerte y Caliente\u201d (2010), ganhavam mudan\u00e7as significativas em arranjos e andamentos sem descaracteriz\u00e1-las, tornando mais intensos hits como \u201cJovens\u201d, \u201cIr al Baile\u201d, \u201cSequ\u00eda de Amor\u201d e outras (\u201cComo que No\u201d, em especial, foi de arrepiar). Perto do fim, durante \u201cCartagena\u201d, um grupo de cerca de 50 garotas subiu ao palco para dan\u00e7ar, no que foi imediatamente seguido por um n\u00famero ainda maior de meninos e meninas. Ou seja: em uma esp\u00e9cie de \u201condavagamania\u201d, mais de 100 pessoas se puseram em excita\u00e7\u00e3o dan\u00e7ante \u00e0 frente da banda no amplo palco do teatro, os que permaneciam na plateia n\u00e3o paravam de dan\u00e7ar, e o quinteto (que \u00e9 acompanhado por outros tr\u00eas excelentes m\u00fasicos) n\u00e3o se avexou, executando os melhores momentos de sua performance sem recorrer a expedientes populistas. O caminho que o Onda Vaga vem construindo \u00e9 o da grandeza \u2013 comercial e art\u00edstica. E Porto Alegre foi um degrau importante nesse trajeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35327\" title=\"elmapa9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e1bado, tudo come\u00e7ou a partir das 16h no Centro Cultural da Santa Casa \u2013 sim, um teatro nas depend\u00eancias de um hospital, outro espa\u00e7o recente na cena porto-alegrense. Talvez como consequ\u00eancia da peculiaridade da loca\u00e7\u00e3o, do hor\u00e1rio vespertino e da ousadia da escala\u00e7\u00e3o, as primeiras atra\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegaram a ter nem um ter\u00e7o dos 100 assentos ocupados, situa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 mudaria depois das 19h. O primeiro show deu um tom mais calmo e contemplativo: os Irm\u00e3os Carrilho, de Curitiba, assumem com gosto na m\u00fasica caipira, sem misturas, mas tamb\u00e9m sem rever\u00eancia excessiva ao passado. Alexandre e Matheus (que n\u00e3o s\u00e3o irm\u00e3os na \u201cvida real\u201d) s\u00e3o bons instrumentistas e melodistas, e can\u00e7\u00f5es como \u201cCalma\u201d e \u201cTrem\u201d t\u00eam n\u00edtida voca\u00e7\u00e3o pop. O repert\u00f3rio ainda tem momentos incipientes \u2013 a dupla poderia aproveitar melhor seus recursos vocais, e os momentos de dois viol\u00f5es ainda n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o ricos como os que exibem viol\u00e3o e bandolim \u2013 mas se eles continuarem sem medo rumo \u00e0 sua inten\u00e7\u00e3o de fazer aut\u00eanticas can\u00e7\u00f5es rurais contempor\u00e2neas, n\u00e3o ser\u00e1 de surpreender se ganharem proje\u00e7\u00e3o e reconhecimento nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35328\" title=\"elmapa10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa10.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa10.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa10-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa10-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das inten\u00e7\u00f5es roqueiras, o excesso de \u201cnamast\u00e9\u201d da ga\u00facha Ana Muniz transformou a calmaria em modorra para qualquer um que n\u00e3o estivesse vestido com estampas de inspira\u00e7\u00e3o indiana e falando de \u201cenergias\u201d a cada duas ora\u00e7\u00f5es. Ana canta muito bem e \u00e9 acompanhada por um power trio mais que competente, mas sua m\u00fasica deve demais \u00e0 est\u00e9tica rock-riponga de DCE dos anos 70 (ou 90), e agradou apenas os (poucos) f\u00e3s que foram v\u00ea-la. A sensa\u00e7\u00e3o de se estar presenciando algo honesto, mas datado e ainda em forma\u00e7\u00e3o, foi inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35329\" title=\"elmapa11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa11.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atra\u00e7\u00e3o seguinte, Fran\u00e7ois Peglau, tamb\u00e9m tinha olhos no passado \u2013 no caso, a new wave de Talking Heads, Devo, B-52\u2019s e Elvis Costello da \u00e9poca dos Attractions. Mas o peruano e sua \u00f3tima Fracaso Band olham para tr\u00e1s para poder saber o que vem pela frente, e entregam um pop sacana, inteligent\u00edssimo e muito dan\u00e7ante. Se Beck fosse peruano, tivesse apre\u00e7o pelo reggae e tamb\u00e9m curtisse uma banda mariachi, e se&#8230; Bem, deixemos os \u201cses\u201d de lado e digamos que o som de Fran\u00e7ois \u00e9 um daqueles presentes que a vida te d\u00e1. Mesmo com a cara fechada da banda (s\u00f3 o carism\u00e1tico Peglau parecia estar se divertindo), fizeram um \u00f3timo show, dan\u00e7ante e cheio de poss\u00edveis hits como a enlouquecida \u201cCosta Rica\u201d, \u201cSo Sad\u201d e \u201cLa Fiesta Termin\u00f3\u201d. Pena que foi breve (menos de 40 minutos) e que poucos o viram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35330\" title=\"elmapa12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa12.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o Alab\u00ea Oni, que j\u00e1 tocou em mais de 120 cidades no pa\u00eds, tinha mais convocat\u00f3ria e trouxe mais p\u00fablico \u00e0 casa. Mais que isso, o quarteto de percussionistas ga\u00fachos trouxe a espiritualidade e a alegria que Ana Muniz buscava e n\u00e3o conseguiu encontrar. Toques africanos dos mais variados resgatam a heran\u00e7a afroga\u00facha que boa parte do pa\u00eds (e do pr\u00f3prio Estado) ignora, ou finge ignorar. O aspecto \u201cfolcl\u00f3rico\u201d morre logo na primeira can\u00e7\u00e3o: a banda se entrega integralmente ao que est\u00e1 fazendo, e consegue projetar isso para o p\u00fablico. Logo tinha gente de todas as idades com sorris\u00e3o no rosto e sacudindo as cadeiras enquanto cantava as can\u00e7\u00f5es \u2013 com letras em ioruba e em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35331\" title=\"elmapa13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa13.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa13.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa13-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa13-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o ambiente transformado, Los Pira\u00f1as subiram despojados ao palco e&#8230; Olha, melhor transcrever aqui o que anotei no meu bloco de notas antes de jog\u00e1-lo em algum canto e sair pra dan\u00e7ar: \u201cuma chapaceira jungle com guitarras de fazer a mais louca chicha parecer can\u00e7\u00e3o de ninar\u201d. Impreciso, sim, e a banda n\u00e3o ajuda a ser mais exato, j\u00e1 que define seu som como \u201cruidismo tropical\u201d. D\u00e1 para dizer que tudo que j\u00e1 soou em vilas e clubes colombianos \u00e9 transformado pelo trio em uma acelerada sequ\u00eancia r\u00edtmica atual em n\u00edvel subconsciente. Talvez at\u00e9 subcut\u00e2neo&#8230; Pedro Ojeda \u00e9 um dos maiores bateristas das Am\u00e9ricas, o guitarrista Eblis Alvarez apresenta timbres e riffs que voc\u00ea certamente nunca ouviu antes, e o baixista Mario Galeano cria uma base indestrut\u00edvel (e, ao mesmo tempo, male\u00e1vel), para sustentar e direcionar isso tudo. Que espet\u00e1culo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35332\" title=\"elmapa14\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa14.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apresentado por Fernando Rosa como \u201cum gaiteiro, s\u00f3 que numa onda meio Radiohead\u201d, Aluisio Rockembach veio acompanhado de um percussionista, um baixista\/saxofonista e um violonista. A compara\u00e7\u00e3o com a banda brit\u00e2nica pode valer na remota semelhan\u00e7a f\u00edsica entre o m\u00fasico pelotense e Thom Yorke, e no fato de ambos n\u00e3o fazerem o que se esperaria de algu\u00e9m em seus \u201cpap\u00e9is\u201d. Mas o que Rockembach faz \u00e9 agregar influ\u00eancias de m\u00fasica erudita, jazz e pop \u00e0 sua base plena de chamam\u00e9, xote e vaneir\u00e3o, entre outros estilos. Se a descri\u00e7\u00e3o te pareceu demasiado \u201cfolcl\u00f3rica\u201d ou mesmo \u201cacad\u00eamica\u201d, esque\u00e7a: o som de Rockembach \u00e9 org\u00e2nico e envolvente, capaz at\u00e9 mesmo de tornar uma can\u00e7\u00e3o desgastada pelo excesso como \u201cOceano\u201d, de Djavan, e transform\u00e1-la em algo muito bonito. Fito P\u00e1ez tamb\u00e9m foi homenageado com uma simp\u00e1tica releitura de \u201c11 y 6\u201d, mas o destaque fica para o repert\u00f3rio pr\u00f3prio, especialmente a surpreendente \u201cValsa do Palha\u00e7o\u201d. Uma bela e inusitada maneira de encerrar a noite \u2013 e o festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35333\" title=\"elmapa15\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa15.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o do El Mapa de Todos apostou na diversidade de g\u00eaneros e na mudan\u00e7a de espa\u00e7os f\u00edsicos. Apesar do in\u00edcio morno do dia 14, a transforma\u00e7\u00e3o se provou frut\u00edfera. \u00c9 verdade que teatros pro\u00edbem a venda de comida e bebida, o que faz a diferen\u00e7a para uma parcela significativa do p\u00fablico. Mas ao insistir em privilegiar a m\u00fasica em detrimento da \u201cexperi\u00eancia de festival\u201d, como diz o jarg\u00e3o marqueteiro corrente, o festival \u00e9 fiel \u00e0 sua ideia de acreditar que a m\u00fasica merece respeito, aten\u00e7\u00e3o e pode ser impactante e transformadora. Que essa premissa se solidifique cada vez mais, e continue a atrair cada vez mais p\u00fablico para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35334\" title=\"elmapa16\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa16.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa16.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa16-150x100.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/elmapa16-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. Todas as fotos s\u00e3o de Paulo Capiotti\/El Mapa de Todos<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2012: Exemplo de qualidade e perseveran\u00e7a, festival chega ao \u00e1pice (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/11\/11\/festival-el-mapa-de-todos-2012\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2013 exibe programa\u00e7\u00e3o inteligente e respeito de um bom p\u00fablico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/12\/03\/festival-el-mapa-de-todos-2013\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2014: Buen\u00edsima onda que amea\u00e7a ficar mais valorosa a cada edi\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/18\/balancao-festival-el-mapa-de-todos-2014\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; El Mapa de Todos 2015\u00a0 apostou na diversidade de g\u00eaneros e acerta novamente\u00a0 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/17\/balancao-el-mapa-de-todos-2015\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A organiza\u00e7\u00e3o  apostou na diversidade de g\u00eaneros e na mudan\u00e7a de espa\u00e7os f\u00edsicos, e a transforma\u00e7\u00e3o se provou frut\u00edfera\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/17\/balancao-el-mapa-de-todos-2015\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1653,45,287,1516,1652,1649,1654,1650,1332,1648,1651],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35318"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35318"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35318\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52278,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35318\/revisions\/52278"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}