{"id":35069,"date":"2015-11-04T07:58:31","date_gmt":"2015-11-04T10:58:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=35069"},"modified":"2020-12-16T00:34:59","modified_gmt":"2020-12-16T03:34:59","slug":"a-pequena-grande-revolucao-de-sia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/04\/a-pequena-grande-revolucao-de-sia\/","title":{"rendered":"A pequena grande revolu\u00e7\u00e3o de Sia"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35070\" title=\"brill_buildind\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/brill_buildind.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/brill_buildind.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/brill_buildind-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/brill_buildind-299x300.jpg 299w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ana Clara Matta<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Enquanto o rock, o blues, o country, a m\u00fasica cl\u00e1ssica, e grande parte dos g\u00eaneros musicais possuem cidades e locais espec\u00edficos tratados como seus ber\u00e7os, pouco discutimos o ber\u00e7o do pop \u2013 talvez o mais f\u00e1cil de ser especificado. O pop, como conhecemos, nasceu n\u00e3o s\u00f3 em um pa\u00eds, estado, ou cidade: nasceu em um pr\u00e9dio. O Brill Building em New York City. O sistema que operava dentro das paredes desse pr\u00e9dio luxuoso da Broadway, at\u00e9 certo ponto, definiu, por c\u00f3pia ou por oposi\u00e7\u00e3o, tudo o que aconteceria na m\u00fasica ap\u00f3s a sua era de ouro, que perdurou pelas d\u00e9cadas de 1950 e 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os compositores do Brill Building eram reis, m\u00fasicas eram feitas e entregues para os melhores int\u00e9rpretes do per\u00edodo como em um sistema de produ\u00e7\u00e3o industrial. Duplas de compositores jovens como Hal David e Burt Bacharach ou Carole King e Gerry Goffin, lendas como Leiber e Stoller ou compositores solo como Neil Diamond e Paul Simon eram procurados por gravadoras de \u00eddolos teen do rockabilly, girl groups de doo-wop e lendas do R&amp;B em busca dos futuros hits.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A virada autoral dos anos 70, em que o cantor-compositor \u00e9 o rei de seu pr\u00f3prio universo de refer\u00eancias confessionais e o pop foi tomado de assalto pelo rock de grandes ambi\u00e7\u00f5es, criou uma encruzilhada (onde quem sabe Robert Johnson espera com seu viol\u00e3o) nos caminhos na ind\u00fastria musical. De um lado, a press\u00e3o pela verdade pessoal do artista, pela express\u00e3o realmente art\u00edstica e a diferencia\u00e7\u00e3o desses e dos trabalhadores &#8220;em s\u00e9rie&#8221; diminu\u00eddos do pop. Do outro, ind\u00fastrias musicais locais, como a localizada na cidade de Nashville, Tennessee, e centrada na m\u00fasica country, em que o compositor especializado ainda \u00e9 rei e serve \u00e0s demandas do int\u00e9rprete em busca do hit do ver\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos, uma pessoa resolveu colocar essa divis\u00e3o em cheque, em crise, pela primeira vez significativa desde os anos 70, e questionar o que \u00e9 afinal ser &#8220;autoral&#8221;. O nome dessa artista (r\u00f3tulo que com sua arte ela, at\u00e9 certo ponto, tamb\u00e9m derruba e reconstr\u00f3i) \u00e9 Sia Furler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que aconteceu na carreira de Sia antes do in\u00edcio de sua pequena revolu\u00e7\u00e3o, cuja primeira pedra na janela do establishment foi jogada com o lan\u00e7amento do disco \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/04\/sia-sem-medo-de-soar-pop\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">1000 Forms of Fear<\/a>\u201d (2014), n\u00e3o importa muito para esse texto. Mas de maneira resumida, Sia come\u00e7ou como artista independente autoral e atingiu a maturidade musical compondo para cantoras e DJs com apelo enorme com as massas, em colabora\u00e7\u00f5es que foram convertidas em milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas e muito, muito airplay.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35071\" title=\"sia3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/sia3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/sia3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/sia3-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que Sia questiona \u00e9: ser\u00e1 poss\u00edvel ser autoral e confessional em um ambiente completamente mercadol\u00f3gico, emprestando suas palavras para outros artistas e diluindo por a\u00ed sua identidade? A resposta que ela encontrou, e repassa para n\u00f3s em um experimento audiovisual complexo, \u00e9: claro que sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No material promocional de \u201c1000 Forms of Fear\u201d, um disco que lida com t\u00f3picos pessoais como os v\u00edcios e problemas psicol\u00f3gicos da compositora, e \u00e9 cantado inteiramente em sua pr\u00f3pria voz, Sia se fez sumir. Na capa do \u00e1lbum, apenas uma peruca, iniciando o c\u00f3digo do disco. Uma crian\u00e7a usando essa peruca a substituiu em clipes, e em premia\u00e7\u00f5es e performances da late night televisiva americana, celebridades com a mesma peruca dublavam os versos da compositora e cantora. Com esses gestos, Sia questionava se as palavras se tornam menos sua na boca de quem n\u00e3o sentiu tudo o que motivou a escrita delas. E dessa maneira, questiona essa coloca\u00e7\u00e3o do sistema Brill Building, o sistema do compositor contratado, \u00e9 realmente inferior como foi pregado pelos defensores do artista autoral nos anos 70.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sia se prepara agora para dar mais passos nessa revolu\u00e7\u00e3o e lan\u00e7ar um disco chamado \u201cThis is Acting\u201d, agendado para lan\u00e7amento oficial no final de janeiro de 2016, e mais uma express\u00e3o que brinca com a legitimidade das emo\u00e7\u00f5es. Nas capas dos singles j\u00e1 lan\u00e7ados do disco, mais pessoas com o cabelo-signo de Sia. O que \u00e9 apenas atua\u00e7\u00e3o? A performance da cantora, os versos da compositora de m\u00fasicas que foram feitas possivelmente para outros artistas, ou todas essas vers\u00f5es &#8220;falsas&#8221; de Sia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAlive\u201d, primeiro single de \u201cThis is Acting\u201d, foi escrito para Adele e quase vendido para Rihanna antes de ser gravado, enfim, por sua compositora. Na sua voz, \u00e9 elogiado por ser cru, real, triste, relacionado com a alma de Sia Furler \u2013 isso aconteceria na voz de outra pessoa? Nesta semana, mais propriamente no dia 03\/11, ela disponibilizou a segunda m\u00fasica de \u201cThis is Acting\u201d, chamada &#8220;Bird Set Free&#8221; (e tamb\u00e9m foi oferecida para Adele, que a descartou).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com m\u00fasica pop e discos com um alcance bem amplo, nada de nichos, Sia ecoa Walter Benjamin e Abbas Kiarostami e quebra um paradigma de originalidade que durou 40 anos sem ser desafiado. Uma desafiante corajosa chegou, e ela tem um ex\u00e9rcito de doppelgangers ao seu lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-xJrcWtM6jQ\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-xJrcWtM6jQ\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KrT_0J6m6y8\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KrT_0J6m6y8\"><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ana Clara Matta (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@_ana_c<\/a>) \u00e9 editora do <a href=\"http:\/\/www.rocknbeats.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Rock \u2018n\u2019 Beats<\/a> e do <a href=\"http:\/\/ovodefantasma.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ovo de Fantasma<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><strong><\/strong><br \/>\n&#8211; Sia ainda tem muito f\u00f4lego pra mostrar. Mostrando a cara, ou n\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/04\/sia-sem-medo-de-soar-pop\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que Sia questiona \u00e9: ser\u00e1 poss\u00edvel ser autoral e confessional em um ambiente completamente mercadol\u00f3gico? Resposta&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/11\/04\/a-pequena-grande-revolucao-de-sia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35069"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35069"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59116,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35069\/revisions\/59116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}