{"id":34987,"date":"2015-10-30T10:23:33","date_gmt":"2015-10-30T13:23:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=34987"},"modified":"2026-04-01T14:23:30","modified_gmt":"2026-04-01T17:23:30","slug":"o-rock-nacional-anos-80-e-a-censura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/30\/o-rock-nacional-anos-80-e-a-censura\/","title":{"rendered":"O rock nacional anos 80 e a Censura"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34989\" title=\"censurado1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/censurado1.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um momento de polariza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica do pa\u00eds, com minorias buscando seus direitos, para desespero do status quo, que adoraria manter tudo como era h\u00e1 100 anos, \u00e9 importante saudar a liberdade de express\u00e3o, afinal houve um tempo (n\u00e3o t\u00e3o distante) em que o Estado, atrav\u00e9s de uma repress\u00e3o intimidante, censurava manifesta\u00e7\u00f5es de opini\u00e3o (na grande letra de \u201cMetr\u00f4 Linha 743\u201d, de 1984, Raul Seixas diria que era proibido at\u00e9 pensar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O start foi dado com a promulga\u00e7\u00e3o do Ato Institucional n\u00ba 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, que criou a Divis\u00e3o de Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas (DCDP), por onde deveriam previamente passar todas as obras art\u00edsticas (filmes, pe\u00e7as de teatro, m\u00fasicas, discos) antes de executadas nos meios p\u00fablicos. Desta forma, um grupo de pessoas (orientadas pela Ditadura Militar vigente) decidia o que o povo brasileiro deveria consumir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o famosos os casos de artistas perseguidos pela Ditadura nos anos 70 (Caetano Veloso, Chico Buarque, Jards Macal\u00e9, Rita Lee, Belchior, Odair Jos\u00e9 e at\u00e9 Adoniran Barbosa, que teve sua \u201cTiro ao \u00c1lvaro\u201d vetada pela Censura Federal porque a censora considerou \u201cfalta de gosto&#8221; de Adoniran usar as palavras \u201ctauba\u201d, \u201crevorve\u201d e \u201cartomove\u201d), mas at\u00e9 sua extin\u00e7\u00e3o, com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, a DCDP atuou ativamente e arbitrariamente sobre a m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento de (um aguardado e bem-vindo) ajuste social, em que as placas tect\u00f4nicas da sociedade v\u00e3o pra l\u00e1 e pra c\u00e1 na busca por um conv\u00edvio mais justo para todos (esperamos), \u00e9 interessante lembrar-se de algumas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que foram proibidas pela Divis\u00e3o de Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas nos anos 80, e agradecer por vivermos em um pa\u00eds em que somos livres para discordar e discutir (sem que o Estado nos pro\u00edba de pensar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34990\" title=\"censurado2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/censurado2.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1982 &#8211; &#8220;Cruel Cruel Esquizofren\u00e9tico Blues&#8221; \/ &#8220;Ela Quer Morar Comigo na Lua&#8221;, Blitz<\/strong><br \/>\n\u201cAs Aventuras da Blitz\u201d, o \u00e1lbum que deu o pontap\u00e9 no rock nacional (com o hit \u201cVoc\u00ea N\u00e3o Soube Me Amar\u201d), lan\u00e7ado em 1982, teve suas duas \u00faltimas can\u00e7\u00f5es proibidas pela Censura, por\u00e9m a master do vinil j\u00e1 estava pronta, e a sa\u00edda encontrada pela gravadora foi inutilizar as duas faixas vetadas (escancarando assim o ato censor): desta forma, 30 mil vinis foram prensados com um risco feito com prego pela pr\u00f3pria banda para que o p\u00fablico n\u00e3o ouvisse a frase \u201cela diz que eu ando bundando&#8221;, da m\u00fasica \u201cEla Quer Morar Comigo na Lua\u201d, e o duplo sentido da palavra \u201cperu\u201d al\u00e9m de um palavr\u00e3o em \u201cCruel, Cruel Esquizofr\u00eanico Blues\u201d. Hoje liberadas, as duas can\u00e7\u00f5es integram a reedi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum em CD.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Blitz - Cruel, Cruel Esquizofren\u00e9tico Blues\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZUzGgSV5oJw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1983 &#8211; &#8220;S\u00f4nia&#8221; e &#8220;Cobra Venenosa&#8221;, Leo Jaime<\/strong><br \/>\nMais \u201cperigoso\u201d do que a Blitz, por\u00e9m, era Leo Jaime, que transformou \u201cSunny\u201d, uma balada blues rom\u00e2ntica e inocente composta por Bobby Hebb em 1966, em \u201cS\u00f4nia\u201d, uma suruba com direito a masturba\u00e7\u00e3o, sexo anal e trenzinho (\u201cS\u00f4nia, vamos nessa festa fazer um trenzinho \/ Voc\u00ea na frente e eu atr\u00e1s \/ E atr\u00e1s de mim um outro rapaz\u201d). A Censura n\u00e3o perdoou e o disco, \u201cproibido para menores de 18 anos\u201d, s\u00f3 podia ser vendido lacrado. Leo Jaime voltaria a ser censurado no \u00e1lbum \u201cVida Dif\u00edcil\u201d: a marchinha \u201cCobra Venenosa\u201d foi vetada pelo duplo sentido da letra: \u201cEu sou uma cobra venenosa, que pica, que pica\u201d&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LEO JAIME-SONIA-VERS\u00c3O CENSURADA ( HQ )\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8iX2_EEl4rE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1983 &#8211; &#8220;Mis\u00e9ria e Fome&#8221;, Inocentes<\/strong><br \/>\nA Ditadura n\u00e3o queria apenas proibir que o povo ouvisse palavr\u00f5es e m\u00fasicas sobre orgias, mas tamb\u00e9m manifesta\u00e7\u00f5es sobre a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o do povo brasileiro \u2013 e suas institui\u00e7\u00f5es. Em 1983, os Inocentes gravaram 13 can\u00e7\u00f5es para seu primeiro \u00e1lbum, por\u00e9m apenas quatro foram liberadas pela Censura, e lan\u00e7adas em um compacto no mesmo ano. A Censura vetou can\u00e7\u00f5es como \u201cTortura, Medo e Repress\u00e3o\u201d, \u201cMaldita Pol\u00edcia\u201d, \u201cN\u00e3o \u00e0 Religi\u00e3o\u201d e \u201cVida Submissa\u201d, entre outras, mas, com o fim do \u00f3rg\u00e3o federal, o \u00e1lbum foi relan\u00e7ado com 11 can\u00e7\u00f5es em 1988 pela Devil Discos, incluindo sete daquelas can\u00e7\u00f5es proibidas pela Censura cinco anos antes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mis\u00e9ria e Fome\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mwyZAhNHjidKafGv99Tx7WTHVVeWwZlOc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1984 &#8211; &#8220;Teoria da Relatividade&#8221;, Lob\u00e3o e os Ronaldos<\/strong><br \/>\nSim, Lob\u00e3o j\u00e1 foi vetado pela Censura. Foi em seu segundo disco, quando ainda era acompanhado pela banda Os Ronaldos. Lan\u00e7ado em 1984, do \u00e1lbum \u201cRonaldo Foi Pra Guerra\u201d (que trazia os hits \u201cMe Chama\u201d e \u201cCora\u00e7\u00f5es Psicod\u00e9licos\u201d) constava a faixa \u201cTeoria da Relatividade\u201d, parceria com Guto Barros que versava sobre um triangulo amoroso (que a TFP n\u00e3o aprova): \u201cLivros na minha cabeceira \/ E ela na cama com outro rapaz (&#8230;) \/ Por mais que eu fique frio na sala de estar \/ Eu sei que a cama \u00e9 pequena demais\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lob\u00e3o e os Ronaldos - Teoria da Relatividade\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gtm72yH7UY0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1985 &#8211; &#8220;Marylou&#8221; e &#8220;Prisioneiro&#8221;, Ultraje a Rigor<\/strong><br \/>\nSim, Roger Rocha Moreira tamb\u00e9m j\u00e1 foi censurado. E por mais que tenha usado seu enorme QI para que a hist\u00f3ria da galinha \u201cMarylou\u201d fosse aceita pela Censura (na letra final, Marylou bota \u201covo pelo sul\u201d), acabou barrado. Por\u00e9m o veto n\u00e3o impediu que a can\u00e7\u00e3o, presente em um disco praticamente \u201cgreatest hits\u201d (\u201cN\u00f3s Vamos Invadir Sua Praia\u201d, de 1985), chegasse aos ouvidos do p\u00fablico, e tamb\u00e9m se tornasse um sucesso. O Ultraje voltou a ser \u201cperseguido\u201d no disco seguinte: \u201cPrisioneiro\u201d, cantada pelo baixista Maur\u00edcio e que contava a hist\u00f3ria de um ladr\u00e3o (de colarinho branco, desses que trafegam no meio pol\u00edtico) que vive \u201cbem com o tr\u00e1fico e com a corrup\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o foi bem recebida na Censura.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ultraje a Rigor - 07 Marylou\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8Qqs0eIp6Mg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1986 \u2013 \u201cViva\u201d, Camisa de V\u00eanus<\/strong><br \/>\nA abertura pol\u00edtica caminhava a passos largos, com manifesta\u00e7\u00f5es sociais por elei\u00e7\u00f5es diretas ecoando pelo pa\u00eds. Marcelo Nova, que j\u00e1 tinha sido agraciado pela Censura com um veto (\u201cBete Morreu\u201d, do \u00e1lbum de estreia da banda, havia sido proibida), decidiu n\u00e3o enviar o \u00e1lbum \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o da Censura. Quando j\u00e1 se encontrava com cerca de 40 mil c\u00f3pias vendidas, \u201cViva\u201d foi recolhido pela Pol\u00edcia Federal por ordens da Censura. O pr\u00f3prio Marcelo Nova presenciaria a a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal enquanto olhava as novidades em uma loja de discos de S\u00e3o Paulo. \u201cEu vi meus discos serem levados no cambur\u00e3o. Parecia loucura, mas era verdade\u201d, relatou Nova a uma reportagem especial do Correio Brasiliense sobre a Censura publicada em abril de 2010. \u201cViva\u201d voltou \u00e0s lojas com oito m\u00fasicas vetadas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Camisa de V\u00eanus   Viva 1986   audio show Cai\u00e7ara Clube em Santos\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/i3Y6y5SwcFA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1986 &#8211; &#8220;Veraneio Vasca\u00edna&#8221;, Capital Inicial<\/strong><br \/>\nParceria de Flavio Lemos e Renato Russo ainda dos tempos do Aborto El\u00e9trico, o poderoso ataque a Policia Militar (\u201cassassinos armados, uniformizados\u201d, diz a letra) registrado no lado A do primeiro disco do Capital Inicial n\u00e3o passou impune pela Censura, que n\u00e3o s\u00f3 vetou a can\u00e7\u00e3o como proibiu a venda do disco para menores de 18 anos. O tiro, por\u00e9m, saiu pela culatra. O marketing que a banda ganhou com o veto da Censura atraiu a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, e mais de 100 mil compradores foram \u00e0s lojas, rendendo ao Capital Inicial seu primeiro disco de ouro. Essa \u00e9 daquelas que continuam bastante atuais&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Capital Inicial - Veraneio Vasca\u00edna (1986)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/914ALeYX1cY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1986 \u2013 \u201cGrande Coisa\u201d, Prem\u00ea<\/strong><br \/>\nNessa \u00e9poca, o irreverente Premeditando o Breque (nome reduzido para Prem\u00ea), egresso da Vanguarda Paulista, j\u00e1 era um veterano na cena, com alguns hits nacionais (as hil\u00e1rias \u201cS\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo\u201d e \u201cLua de Mel em Cubat\u00e3o\u201d) e quatro discos nas costas. Produzido por Lulu Santos, o quinto \u00e1lbum da banda, \u201cGrande Coisa\u201d, teve tr\u00eas m\u00fasicas censuradas: \u201cEspinha\u201d (que versava sobre masturba\u00e7\u00e3o), \u201cImp\u00e9rio dos Sentidos\u201d (sobre visitas a casas de massagem e adult\u00e9rios \u2013 com final feliz) e \u201cRubens\u201d (sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo), que acabou sendo regravada por C\u00e1ssia Eller em seu \u00e1lbum de estreia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PREM\u00ca - Rubens (Original)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IpylDTtKLtg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1986 &#8211; &#8220;Ro Que Se Da Ne&#8221;, Lulu Santos<\/strong><br \/>\nEm sua estreia na RCA, depois de quatro \u00e1lbuns (e muitos sucessos) na WEA, Lulu Santos voltou a cravar um punhado de hits nas r\u00e1dios (o lado A inteiro do vinil frequentou, e muito, os dials entre 1986 e 1987: \u201cCasa\u201d, \u201cCondi\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cMinha Vida\u201d, \u201cP\u00e9 Atr\u00e1s\u201d e \u201cUm Pro Outro\u201d). Por\u00e9m, no lado B do disco estava a can\u00e7\u00e3o que, provavelmente, \u00e9 a respons\u00e1vel por \u201cLulu\u201d, o disco de 1986, nunca ter sido reeditado em CD: \u201cRo Que Se Da Ne\u201d, vetada pela Censura, narra a hist\u00f3ria de um diretor de gravadora \u201cQue se amarrou no visual \/ O contrato t\u00e1 no papo \/ Se o talento for igual\u201d. Por\u00e9m, o diretor marca uma reuni\u00e3o em seu apartamento, e Lulu conta: \u201cO cara fuma, bebe e cheira \/ Fuma e quer pegar no meu pau \/ Cheira a noite inteira \/ Fala sem parar \/ E quando chega o dia \/ N\u00e3o quer mais me contratar\u201d. Ficou decidido que o p\u00fablico n\u00e3o podia ouvir isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Roque Se Dane Lulu Santos\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XgSEgwybC_g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1987 &#8211; &#8220;Faroeste Caboclo&#8221;, Legi\u00e3o Urbana<\/strong><br \/>\nEssa\u00a0 can\u00e7\u00e3o e &#8220;Conex\u00e3o Amaz\u00f4nica&#8221;, ambas do terceiro \u00e1lbum da Legi\u00e3o, &#8220;Que Pais \u00e9 Este?&#8221; (1987) foram vetadas pela Divis\u00e3o de Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas (j\u00e1 com seu poder abalado, mas ainda atuante), mas as r\u00e1dios e gravadora deram um jeitinho de toca-la sem serem autuadas pelo Estado: \u201cFaroeste Caboclo\u201d invadiu as r\u00e1dios numa vers\u00e3o editada (pela pr\u00f3pria gravadora) que \u201cembrulhava\u201d os palavr\u00f5es de forma que eles n\u00e3o fossem entendidos. Para quem queria tocar a can\u00e7\u00e3o em r\u00e1dios que n\u00e3o tinham a vers\u00e3o editada da gravadora, havia as artimanhas de silenciar os trechos de palavr\u00f5es ou mesmo editar o trecho no pr\u00f3prio vinil, riscando-o. Ou\u00e7a abaixo a vers\u00e3o que foi para as r\u00e1dios nos 80.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Legi\u00e3o Urbana : Faroeste Caboclo ( vers\u00e3o editada para r\u00e1dio )\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qNzSYu9i0xw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1987 &#8211; &#8220;Censura&#8221;, Plebe Rude<\/strong><br \/>\nA rep\u00f3rter (na revista Bizz) pergunta: \u201cCensura\u201d ainda \u00e9 uma m\u00fasica atual?\u201d. E a Plebe Rude responde: \u201cMuito. Tanto que foi censurada\u201d. At\u00e9 ent\u00e3o, a Plebe Rude j\u00e1 tinha sofrido muito com a Censura Federal, tendo sido inclusive presa (junto com a Legi\u00e3o Urbana) em 1982 em um festival em Patos de Minas por ter tocado ao vivo a m\u00fasica \u201cVote em Branco\u201d (a can\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi lan\u00e7ada oficialmente em 2006, no \u00e1lbum \u201cR ao Contr\u00e1rio\u201d). \u201cCensura\u201d est\u00e1 presente no segundo disco da Plebe Rude, \u201cNunca Fomos T\u00e3o Brasileiros\u201d, de 1987. A letra \u00e9 direta, e encerra um ciclo que, esperamos, nunca seja reaberto no pa\u00eds:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>\u201cA censura, a censura<br \/>\n\u00danica entidade que ningu\u00e9m censura<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Hora pra dormir, hora pra pensar<br \/>\nPorra meu papai, deixa me falar<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Contra a nossa arte est\u00e1 a censura<br \/>\nabaixo a cultura, viva a ditadura<br \/>\nJardel com travesti, censor com bisturi<br \/>\ncorta toda m\u00fasica que voc\u00ea n\u00e3o vai ouvir<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nada para ouvir, nada para ler<br \/>\nnada para mim, nada pra voc\u00ea<br \/>\nnada no cinema, nada na TV<br \/>\nnada para mim, nada pra voc\u00ea\u201d<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Plebe Rude \/ 05. Censura\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oadJJNlQc5A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em um momento de polariza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica do pa\u00eds \u00e9 bom relembrar um per\u00edodo em que dizer o que pensava era pro\u00edbido\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/30\/o-rock-nacional-anos-80-e-a-censura\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1556,2252,1060,1867,166,2251,1901,2253,973],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34987"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34987"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":95002,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34987\/revisions\/95002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}