{"id":34878,"date":"2015-10-26T14:19:04","date_gmt":"2015-10-26T16:19:04","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=34878"},"modified":"2024-10-19T01:20:11","modified_gmt":"2024-10-19T04:20:11","slug":"39%c2%aa-mostra-de-cinema-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/26\/39%c2%aa-mostra-de-cinema-de-sp\/","title":{"rendered":"39\u00aa Mostra SP: Um filme por dia"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35184\" title=\"mostrasp1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/mostrasp1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"738\"><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos meus 15 anos como cidad\u00e3o de S\u00e3o Paulo, acho que esse foi um dos meus melhores aproveitamentos pessoais na Mostra Internacional de S\u00e3o Paulo: dos 20 filmes que escolhi (a grande maioria, a esmo), apenas um me decepcionou, mas n\u00e3o completamente, j\u00e1 que a hist\u00f3ria da Rainha Cristina (que eu desconhecia) se mostrou muito mais interessante do que a fraca adapta\u00e7\u00e3o. Outros dois tamb\u00e9m ficaram em d\u00e9bito (\u201cPara O Outro Lado\u201d e \u201cAqui Est\u00e1 Harold\u201d), mas a grande maioria, ou seja, os outros 17, mostraram muita qualidade e temas interessant\u00edssimos, que recomendam ir atr\u00e1s. De todos, a trilogia portuguesa (da qual s\u00f3 vi os dois primeiros filmes, mas felizmente estreia essa semana no Brasil) \u201cAs Mil e Uma Noites\u201d foi a obra que mais me emocionou na sala de cinema, seguida pelos excelentes \u201cChronic\u201d, de Michel Franco, e \u201cFlocken\u201d, de Beata G\u00e5rdeler. Abaixo, textos r\u00e1pidos dos 20 filmes (e minha lista de prefer\u00eancias). E, desde j\u00e1, a expectativa pelo ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">01 &#8211; \u201cChronic\u201d, Michel Franco<br \/>\n02 &#8211; \u201cAs Mil e Uma Noites &#8211; Volume 2, O Desolado\u201d, Miguel Gomes<br \/>\n03 &#8211; \u201cAs Mil e Uma Noites &#8211; Volume 1, O Inquieto\u201d, Miguel Gomes<br \/>\n04 &#8211; \u201cFlocken\u201d, Beata G\u00e5rdeler<br \/>\n05 &#8211; &#8220;O Bot\u00e3o de P\u00e9rola&#8221;, Patricio Guzm\u00e1n<br \/>\n06 &#8211; \u201cO Filho de Saul\u201d, L\u00e1szl\u00f3 Nemes<br \/>\n07 &#8211; \u201cEstive em Lisboa e Lembrei de Voc\u00ea\u201d, Jos\u00e9 Barahona<br \/>\n08 &#8211; &#8220;O Idealista\u201c, Christina Rosendahl<br \/>\n09 &#8211; \u201cCamino a La Paz\u201d, Francisco Varone<br \/>\n10 &#8211; \u201c1001 Gramas\u201c, Bent Hamer<br \/>\n11 &#8211; &#8220;Uma Noite em Oslo&#8221;, Eirik Svensson<br \/>\n12 &#8211; \u201cOutras Garotas\u201c, Esa Illi<br \/>\n13 &#8211; \u201cNingu\u00e9m Ama Ningu\u00e9m\u2026 Por Mais de Dois Anos\u201d, Clovis Mello<br \/>\n14 &#8211; \u201cBoas Coisas Acontecem\u201d, Phie Ambo<br \/>\n15 &#8211; \u201cMonty Python \u2013 The Meaning of Live\u201d, Roger Graef e James Rogan<br \/>\n16 &#8211; \u201cPara o Outro Lado\u201d, Kiyoshi Kurosawa<br \/>\n17 &#8211; \u201cAqui Est\u00e1 Harold\u201c, Gunnar Vikene<br \/>\n18 &#8211; \u201cJovem Rainha\u201c, Mika Kaurism\u00c4ki\u201c<\/p>\n<p>Hors-Concours<br \/>\n&#8211; &#8220;O Rei da Com\u00e9dia&#8221;, Martin Scorsese<br \/>\n&#8211; \u201cIntermezzo\u201d, Gustaf Molander<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34879\" title=\"flocken\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/flocken.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"285\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KE-FwSPoob8\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/KE-FwSPoob8\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 1<br \/>\n&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;Flocken&#8221;, Beata G\u00e5rdeler (Su\u00e9cia, 2015)<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo em ingl\u00eas: &#8220;Flocking&#8221;<br \/>\n****<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis um daqueles roteiros aparentemente simples que, na verdade, esconde uma profundidade enorme em seus m\u00ednimos detalhes. Inspirado em fatos reais, ele conta a hist\u00f3ria de uma garota de 14 anos que diz ter sido estuprada por um colega de sala de aula. Ambos vivem em uma pequena cidade sueca, e ainda que o mote da trama seja &#8220;comunidade&#8221; e o roteiro se utilize do crime para discutir a cegueira conjunta de um grupo de pessoas, a maneira com que os temas s\u00e3o jogados na tela repercute v\u00e1rias discuss\u00f5es no \u00e2mago do espectador. &#8220;Flocking&#8221; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 importante por colocar o tema &#8220;estupro&#8221; em pauta e universaliza-lo (acontece aqui, acontece na Su\u00e9cia, e o mundo precisa discutir isso), mas por aprofundar quest\u00f5es, como a necessidade de consenso para o ato sexual (o fato de duas pessoas \u201cficarem\u201d n\u00e3o desobriga o consentimento), a amplitude do termo \u201cestupro\u201d e, polemicamente, olhar o estuprador como um doente. Por tudo isso, &#8220;Flocking&#8221; necessita de uma longa reflex\u00e3o. E \u00e9 um grande filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34880\" title=\"caminoalapaz\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/caminoalapaz.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rGI1fFi8BHM\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/rGI1fFi8BHM\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 2<br \/>\n&#8211; &#8220;Camino a La Paz&#8221;, Francisco Varone (Argentina, 2015)<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estreia do cineasta Francisco Varone na dire\u00e7\u00e3o de filmes (com um vasto curr\u00edculo de pr\u00eamios em publicidade), &#8220;Camino a La Paz&#8221; \u00e9 um road movie comovente sobre rela\u00e7\u00f5es humanas. Na trama, o desempregado Sebastian (o excelente Rodrigo de la Serna, o Alberto de \u201cDi\u00e1rios de Motocicleta\u201d, 2004) acaba de se mudar para uma nova casa com a esposa, e, insistentemente, o telefone toca na resid\u00eancia a procura de uma empresa de taxis. Em certa altura, Sebastian decide aceitar uma corrida, e ganha uma nova profiss\u00e3o. Entre os passageiros que costuma atender est\u00e1 Khalil (o respeitado ator e diretor de teatro mendocino Ernesto Suarez), que lhe faz uma proposta: leva-lo em uma viagem de mais de 3.000 km at\u00e9 La Paz, na Bol\u00edvia. O mote, simples e bastante eficiente, choca a personalidade dos dois personagens, e engrandece o cinema. A bela fotografia da regi\u00e3o andina e sacadas bem-humoradas bastante pertinentes s\u00e3o outros pontos positivos de um filme simples que merece ser visto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34881\" title=\"chronic\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/chronic.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"285\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XUYrOBFCmyU\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/XUYrOBFCmyU\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 3<br \/>\n&#8211; &#8220;Chronic&#8221;, Michel Franco (M\u00e9xico\/Fran\u00e7a, 2015)<br \/>\n**** \u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencedor (merecido) do pr\u00eamio de melhor roteiro no Festival de Cannes, \u201cChronic\u201d conta a hist\u00f3ria de um enfermeiro, David (Tim Roth), um homem bastante dedicado e eficiente no cuidado de seus pacientes terminais, que desenvolve uma forte e at\u00e9 \u00edntima rela\u00e7\u00e3o com cada um deles, ainda que, em sua vida particular, seja bastante desajeitado e reservado. O roteiro escrito por Michel Franco, que tamb\u00e9m assina a dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 mostra como nos afastamos de entes doentes, delegando seus cuidados para outra pessoa, como nos distanciamos de seus pr\u00f3prios desejos. De forma direta, \u201cChronic\u201d discute com sobriedade a eutan\u00e1sia ao menos tempo em que observa (em sil\u00eancio \u2013 a trilha sonora \u00e9 extremamente econ\u00f4mica) o fracasso das rela\u00e7\u00f5es familiares. O ponto positivo a se ressaltar \u00e9 a profundidade de David, uma aula de cria\u00e7\u00e3o de personagem, muito distante do manique\u00edsmo \u00f3bvio que contamina blockbusters e telenovelas. Um filme para ver e ficar horas em sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34882\" title=\"lisboa\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/lisboa.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9GIGOu9T52c\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9GIGOu9T52c\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 4<br \/>\n&#8211; &#8220;Estive em Lisboa e Lembrei de Voc\u00ea&#8221;, Jos\u00e9 Barahona (Portugal\/Brasil, 2015)<br \/>\n***<\/strong><strong>\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeira exibi\u00e7\u00e3o oficial do filme inspirado no romance hom\u00f4nimo de Luiz Ruffato, presente na sess\u00e3o ao lado do diretor portugu\u00eas Jos\u00e9 Barahona e do ator principal, Paulo Azevedo. A trama conta a hist\u00f3ria de S\u00e9rgio de Souza Sampaio, um mineiro batalhador que trabalha no escrit\u00f3rio de uma empresa na pequena cidade de Cataguases, pr\u00f3xima de Juiz de Fora, e v\u00ea um futuro brilhante descortinar-se ao abandonar o cigarro, comprar uma moto, se casar e ter seu primeiro filho. Por\u00e9m, a vida prega pe\u00e7as, e, desempregado e desiludido, S\u00e9rgio aceita o conselho de um amigo e parte atr\u00e1s de emprego em Lisboa. Seu plano, como o de milhares de brasileiros que tentam a sorte no exterior, \u00e9 trabalhar muito, juntar um bom dinheiro, voltar para o Brasil, comprar uma casa e \u201cser patr\u00e3o\u201d, em suas pr\u00f3prias palavras. Por\u00e9m, as coisas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis para o rapaz em terras lusitanas, fazendo de &#8220;Estive em Lisboa e Lembrei de Voc\u00ea&#8221; um filme triste, muito triste&#8230; como a pr\u00f3pria vida. Um filme dolorosamente verdadeiro.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34909\" title=\"journey1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/journey1.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HyVmofRMXpc\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HyVmofRMXpc\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 5<br \/>\n&#8211; T\u00edtulo Original: \u201c<\/strong><strong>Kishibe no Tabi\u201d, Kiyoshi Kurosawa (Jap\u00e3o\/Fran\u00e7a, 2015)<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; <\/strong><strong><strong>T\u00edtulo Nacional: <\/strong>\u201cPara O Outro Lado\u201d<br \/>\n**<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com roteiro adaptado do romance \u201cKishibe no Tabi\u201d (2010), do escritor Kazumi Yumoto, o novo filme de Kiyoshi Kurosawa acompanha a trajet\u00f3ria de Mizuki (Eri Fukatsu), uma professora de piano que, sem nenhum recado ou informa\u00e7\u00e3o, foi abandonada pelo marido Yusuke (Tadanobu Asano). Tr\u00eas anos depois, ele retorna como se estivesse numa transi\u00e7\u00e3o, mais propriamente no Purgat\u00f3rio: apesar de todas as pessoas o verem, Yusuke est\u00e1 morto (e a esposa sabe disso), mas sua alma s\u00f3 ir\u00e1 descansar ap\u00f3s ele cumprir seu papel na Terra, e por isso os dois partem juntos em uma aventura de acerto de contas com o passado (e com outros mortos que passam pela mesma situa\u00e7\u00e3o de Yusuke). A bela fotografia de Akiko Ashizawa \u00e9 um dos destaques do filme, que rendeu a Kiyoshi Kurosawa o pr\u00eamio de Melhor Diretor na mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes 2015. Apesar dos cr\u00e9ditos, \u201cPara O Outro Lado\u201d \u00e9 um road movie que traz poucas novidades e soa longo demais em seus 128 minutos.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34911\" title=\"sonofsaul\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/sonofsaul.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/NzMpU0OSres\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/NzMpU0OSres\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 6<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;Saul Fia&#8221;, L\u00e1szl\u00f3 Nemes (Hungria, 2015)<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo em ingl\u00eas: &#8220;Son of Saul&#8221;<br \/>\n****<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencedor do Grande Pr\u00eamio do J\u00fari no Festival de Cannes 2015 e favorito ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, \u201cSon of Saul\u201d chama a aten\u00e7\u00e3o pela forma (nitidamente influenciada por games de a\u00e7\u00e3o) com que desenvolve a hist\u00f3ria de Saul Ausl\u00e4nder (G\u00e9za R\u00f6hrig), um h\u00fangaro preso pelos nazistas no campo de Auschwitz-Birkenau, 1944. Ele integra o Sonderkommando, grupo de prisioneiros judeus destacado para ajudar os nazistas no \u201cservi\u00e7o bra\u00e7al\u201d dos campos de exterm\u00ednio (limpar a \u201csujeira\u201d: organizar filas para a c\u00e2mara de g\u00e1s, empilhar e queimar os corpos, se livrar das cinzas). Sua rotina em Auschwitz \u00e9 assustadora (mas apenas sugestionada pela edi\u00e7\u00e3o) e, em um dos cremat\u00f3rios, Saul descobre o corpo de um garoto que acredita ser seu filho, o que o motiva a seguir um novo caminho em meio a barb\u00e1rie. Com a c\u00e2mera na m\u00e3o focada apenas em Saul (quase todo o resto \u00e9 desfocado), a edi\u00e7\u00e3o fren\u00e9tica leva o espectador por um tour traum\u00e1tico por Auschwitz, e ainda que o resultado final n\u00e3o tenha o impacto violento de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/22\/katyn-de-andrzej-wajda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Katyn<\/a>\u201d (2007), de Andrzej Wajda, \u201cSon of Saul\u201d consegue abalar e recontar, de forma inovadora, uma hist\u00f3ria que todos conhecem (e n\u00e3o podem esquecer).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34961\" title=\"good_things_await\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/good_things_await.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/E0JqK-xL2Wk\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/E0JqK-xL2Wk\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 7<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;<\/strong><strong>S\u00c5 Meget Godt I Vente&#8221;, Phie Ambo (Dinamarca, 2015)<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: &#8220;<\/strong><strong><strong>Boas Coisas Nos Aguardam<\/strong>&#8221;<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Niels Stokholm tem 80 anos e \u00e9 o dono da fazenda Thorshojgaard, na costa dinamarquesa. Dedicado \u00e0 agricultura biodin\u00e2mica, Niels \u00e9 elogiado por consumidores, incluindo um dos melhores restaurantes do mundo, o Noma, de Copenhague. Totalmente conectado com o ambiente, ele acredita na harmonia do universo. Logo nos primeiros minutos do document\u00e1rio ajuda uma vaca a parir um pequeno bezerro (no meio do processo pede para a cinegrafista: \u201cLargue a c\u00e2mera e nos ajude, por favor\u201d). Logo depois, conversando com um representante do Noma em um celeiro, comenta: \u201cEssa parte do boi oferece uma carne muito boa&#8230; mas n\u00e3o gosto de falar isso perto dele\u201d. O bom document\u00e1rio \u201cBoas Coisas Nos Aguardam\u201d (\u201cS\u00c5 Meget Godt I Vente\u201d) acompanha a rotina dedicada de Niels, incluindo sua conturbada rela\u00e7\u00e3o com as autoridades locais, que amea\u00e7am retirar sua licen\u00e7a. \u201cDizer que um fazendeiro biodin\u00e2mico est\u00e1 maltratando seu gado \u00e9 uma piada\u201d, ele comenta. Faltou completar: uma piada sem gra\u00e7a, afinal Niels \u00e9 um raro homem disposto a pensar num futuro melhor para a humanidade, sem se importar que esse futuro seja daqui \u201ca 100, 200, 300 anos\u201d, e ele n\u00e3o esteja mais vivo. O que o interessa: ele est\u00e1 fazendo a sua parte. Aplausos.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34967\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"idealista\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/idealista.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/BeS1KslYFJo\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/BeS1KslYFJo\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 8<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;Idealisten<\/strong><strong>&#8220;, <\/strong><strong><strong>Christina Rosendahl<\/strong> (Dinamarca, 2015)<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: &#8220;<\/strong><strong><strong>O Idealista<\/strong>&#8221;<br \/>\n***<\/strong><strong>\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra come\u00e7ou a Guerra Fria, per\u00edodo em que EUA e R\u00fassia criaram um arsenal tem\u00edvel de bombas at\u00f4micas. Enquanto milhares de pessoas protestavam contra a corrida armamentista, os dois pa\u00edses abasteciam seus aliados. No caso dos EUA, dois acidentes revelaram seus intentos: o primeiro aconteceu em 1966, quando um avi\u00e3o B-52 se chocou com outro avi\u00e3o e quatro bombas nucleares ca\u00edram na aldeia de Palomares, na Espanha (o caso foi abafado pelo ditador Francisco Franco). O segundo ocorreu em 1968 na base dos EUA em Thule, Groenl\u00e2ndia, territ\u00f3rio ent\u00e3o controlado pela Dinamarca. Durante d\u00e9cadas, pol\u00edticos dinamarqueses negaram que o pa\u00eds tivesse armas de destrui\u00e7\u00e3o de massa, e a mentira se perpetuaria caso o jornalista Poul Brink n\u00e3o tivesse enfrentado as autoridades e revelado a verdade. Durante 10 anos, Poul cobriu o assunto e \u201cO Idealista\u201d, ao chocar imagens reais de \u00e9poca com ficcionais atuais, soa quase como um (essencial) document\u00e1rio ao mostrar a trajet\u00f3ria heroica de Brink, que foi processado pelo governo dinamarqu\u00eas por revelar segredos de Estado, mas ganhou o Pr\u00eamio Cavling, de Jornalista do Ano, em 1997. Uma aula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34968\" title=\"thegirlking\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/thegirlking.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zxL0S78DZfc\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/zxL0S78DZfc\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 9<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;Tyttokuningas<\/strong><strong>&#8220;, <\/strong><strong>Mika Kaurism\u00c4ki (Finl\u00e2ndia, Alemanha, Su\u00e9cia, 2015)<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: &#8220;<\/strong><strong><strong><strong>A Jovem Rainha<\/strong><\/strong>&#8221;<br \/>\n*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da s\u00e9rie \u201ca vida real pode ser mais ficcional do que a pr\u00f3pria fic\u00e7\u00e3o\u201d, a hist\u00f3ria de Cristina \u00e9 um deslumbre. \u00danica herdeira do rei Gustavo II Adolfo, Cristina foi criada como Pr\u00edncipe (para atender as necessidades do reino) e ascendeu ao trono sueco em 1632, com apenas 6 anos. Em 1644 foi coroada Rainha da Su\u00e9cia e, apaixonada por filosofia e artes, in\u00edcio uma grande reforma no pa\u00eds visando tornar Estocolmo \u201ca nova Atenas\u201d. Paralelamente, enquanto s\u00faditos pediam um herdeiro, ela mantinha um romance com sua dama de companhia, a condessa Ebba Sparre, para desespero da corte, que tratou de \u201cabrir os olhos\u201d da amante, que a abandonou. Desiludida, Cristina fez de seu primo, seu filho (sim, isso que voc\u00ea leu), passou-lhe a coroa e, contrariando a todos, abdicou do trono de um reino luterano, se converteu ao cristianismo e foi viver em Roma com o Papa. Amiga de Descartes e Bernini, Cristina morreu virgem (diz o filme) aos 63 anos e \u00e9 uma das raras mulheres enterradas no Vaticano, numa hist\u00f3ria que teria tudo para render um grande filme, o que n\u00e3o \u00e9 o caso de \u201cA Jovem Rainha\u201d, um pastel\u00e3o dram\u00e1tico com momentos dignos das passagens mais bregas de novelas mexicanas. Quem esperava algo no n\u00edvel do \u00f3timo \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/14\/cinema-argentina-eua-e-dinamarca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Amante da Rainha<\/a>\u201d (2012) sair\u00e1 decepcionado, ainda que \u201cA Jovem Rainha\u201d seja daqueles filmes que de t\u00e3o ruim chegam a ser bons. Cristina merecia algo melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34999\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"intermezzo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/intermezzo.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"291\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/3O8wxbc1ZWg\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/3O8wxbc1ZWg\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 10<br \/>\n&#8211; \u201cIntermezzo\u201d, Gustaf Molander  (Su\u00e9cia, 1936)<br \/>\n***\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ingrid Bergman estreou no cinema em 1932, aos 17 anos, e quatro anos depois, em seu s\u00e9timo trabalho, se destacou em \u201cIntermezzo\u201d, cujos direitos seriam vendidos para a United Artists, nos EUA, que faria um remake de sucesso em 1939 marcando a estreia da atriz em Hollywood (seu quinto filme nos EUA seria \u201cCasablanca\u201d, mas isso \u00e9 outra hist\u00f3ria). Presente no Panorama N\u00f3rdico da Mostra SP 2015, a vers\u00e3o original de \u201cIntermezzo\u201d \u00e9 muito mais po\u00e9tica e menos carola do que a vers\u00e3o USA, que explicita a ode \u00e0 fam\u00edlia que o drama original \u2013 mais focado nos (des)encontros da vida \u2013 acena. Na trama, Holger, um violinista famoso, retorna para Estocolmo (e para a fam\u00edlia) ap\u00f3s dois anos em turn\u00ea pelo mundo, se apaixona pela pianista Anita (e por sua musicalidade), que d\u00e1 aulas para sua filha, e decide abandonar tudo pela paix\u00e3o. Juntos, eles partem em turn\u00ea como duo, e o romance floresce, mas Anita tem d\u00favidas quanto ao futuro profissional (ela sonha ser solista) e n\u00e3o se sente bem como destruidora de lares. Holger tamb\u00e9m tem d\u00favidas e, se voc\u00ea se atentar ao t\u00edtulo, entender\u00e1 a moral deste bom filme, muito mais equilibrado na vers\u00e3o original.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35000\" title=\"meaning\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/meaning.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/z7bNziRXDuE\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/z7bNziRXDuE\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 11<br \/>\n&#8211; \u201cMonty Python \u2013 The Meaning of Live\u201d, Roger Graef e James Rogan (Inglaterra, 2014)<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2013, a trupe Monty Python perdeu um processo na Justi\u00e7a devido a royalties referentes a \u201cSpamalot (2005), um musical derivado do filme \u201cMonty Python e o C\u00e1lice Sagrado\u201d (1975) \u2013 o produtor do filme, Mark Forstater, alegou que tamb\u00e9m tinha direitos sobre o musical, e os cinco Pythons originais (o sexto, Graham Chapman, faleceu aos 48 anos em 1989) tiveram que arcar com \u00a3 800.000 em taxas legais (quase R$ 5 milh\u00f5es) num processo que durou sete anos. Como levantar a grana? Voltando aos palcos, e, pela primeira vez (e talvez \u00faltima) em 34 anos, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones e Michael Palin se reuniram para 10 noites de apresenta\u00e7\u00f5es no imenso O2 Arena, em Londres (com 16 mil lugares). Este document\u00e1rio flagra a reuni\u00e3o em interessantes (e reveladoras) conversas com a trupe. Das mem\u00f3rias do primeiros shows no come\u00e7o dos anos 70 at\u00e9 os ensaios pr\u00e9 retorno, \u201cThe Meaning of Live\u201d n\u00e3o s\u00f3 cria um painel interessante que aproxima o p\u00fablico dos cinco comediantes, como faz ter (muita) vontade n\u00e3o s\u00f3 de tirar os DVDs da estante, mas de v\u00ea-los ao vivo. Era uma vez?<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35001\" title=\"comedia\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/comedia.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"298\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0wVhCCo02P4\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0wVhCCo02P4\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 12<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;The King of Comedy<\/strong><strong>&#8220;, <\/strong><strong>Martin Scorsese (EUA, 1982)<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: &#8220;<\/strong><strong><strong><strong><strong>O Rei da Com\u00e9dia<\/strong><\/strong><\/strong>&#8221;<br \/>\n****<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos destaques da retrospectiva da The Film Foundation na Mostra SP 2015, esta com\u00e9dia afiada de Martin Scorsese conta com Jerry Lewis no papel de Jerry Langford, um famoso e consagrado comediante e apresentador de sucesso (um misto de J\u00f4 Soares com Silvio Santos) que \u00e9 sequestrado por uma f\u00e3 e um psicopata pretendente a humorista. A f\u00e3 (daquelas loucas que sabem tudo sobre o astro) deseja ser groupie \u2013 em papel \u00f3timo de Sandra Bernhard. O psicopata (vivido por um Robert De Niro estupendo) quer\u2026 fama e reconhecimento. O roteiro esperto de Paul D. Zimmerman vasculha (e critica) com sobriedade o universo das celebridades, e nas m\u00e3os de Scorsese se transforma em um filme absolutamente brilhante, sarc\u00e1stico, ir\u00f4nico, \u201caterrorizante\u201d (grifo do pr\u00f3prio cineasta) e, num mundo dominado por paparazzis, atual\u00edssimo. Um retrato ao mesmo tempo realista e absurdo do mundo moderno. \u201cO Rei da Com\u00e9dia\u201d \u00e9, talvez, o filme definitivo sobre o vazio da ind\u00fastria de celebridades. E uma pequena obra prima que merece estar na lista dos melhores filmes de Scorsese..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35015\" title=\"gramas1001\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/gramas1001.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FVIAtIHcehM\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/FVIAtIHcehM\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 13<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;1001 Gram<\/strong><strong>&#8220;, <\/strong><strong>Bent Hamer (Noruega, 2014)<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: &#8220;<\/strong><strong><strong><strong><strong>1001 Gramas<\/strong><\/strong><\/strong>&#8221;<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filme selecionado pela Noruega para representar o pa\u00eds na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2014 (vencida pelo polon\u00eas \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/15\/tres-filmes-tangerines-leviata-ida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ida<\/a>\u201d), \u201c1001 Gramas\u201d parte de um ponto inusitado para criar o retrato do momento exato em que uma determinada pessoa come\u00e7a a reconstruir sua vida. Marie (Ane Dahl Torp) \u00e9 uma cientista que trabalha com pesos e medidas. Sua vida passa por um s\u00e9rio momento de turbul\u00eancia: seu casamento fracassou (e o ex-marido, que ainda tem as chaves da casa, todos os dias visita o im\u00f3vel para buscar algo \u2013 uma mesa, um quadro) e seu pai, tamb\u00e9m cientista, est\u00e1 doente. Em meio ao caos pessoal, ela precisa levar \u201co peso \u2013 de um quilo oficial \u2013 da Noruega\u201d para uma competi\u00e7\u00e3o em Paris, o que a obriga a sair do momento let\u00e1rgico. Delicado, suavemente melanc\u00f3lico e pontuado com agrad\u00e1veis escapes c\u00f4micos, \u201c1001 Gramas\u201d se utiliza da leveza para falar do fardo peso da vida e cresce consideravelmente devido a atua\u00e7\u00e3o contida de Ane Dahl Torp, que consegue conquistar o espectador. Um filme modesto&#8230; e muito bonito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35016\" title=\"harold\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/harold.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SdkkYdgHvwA\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SdkkYdgHvwA\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 14<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;Her Er Harold<\/strong><strong>&#8220;, <\/strong><strong>Gunnar Vikene (Noruega, 2014)<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: &#8220;<\/strong><strong><strong>Aqui Est\u00e1 Harold<\/strong>&#8221;<br \/>\n**<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A premissa deste drama c\u00f4mico noruegu\u00eas \u00e9 bem interessante (e bastante comum no mundo capitalista que vivemos): ap\u00f3s 40 anos vendendo m\u00f3veis em uma pequena cidade da Noruega, Harold v\u00ea seu pequeno com\u00e9rcio falir quando uma imensa loja da Ikea (conhecida pelo design arrojado e pre\u00e7os baixos) aporta na cidade. Harold n\u00e3o se conforma. \u201cEu mobilei essa cidade\u201d, esbraveja para a esposa, que est\u00e1 bastante doente. Como vingan\u00e7a, Harold planeja ir at\u00e9 a Su\u00e9cia e sequestrar o criador da Ikea. O que ele n\u00e3o conta, por\u00e9m, \u00e9 que Ingvar Kamprad, o tal criador, achar\u00e1 a ideia do sequestro interessante, porque ser\u00e1 uma boa publicidade para a marca. No meio do caminho, Harold tenta se aproximar do filho, um jornalista desempregado que se ressente do pai ter dedicado sua vida ao neg\u00f3cio e ter dado pouca aten\u00e7\u00e3o a ele. Apesar da boa premissa, de alguns bons momentos c\u00f4micos e da boa atua\u00e7\u00e3o do elenco, \u201cAqui Est\u00e1 Harold\u201d n\u00e3o mant\u00e9m o pique em seus 88 minutos, e se perde no trecho final, esvaziando uma boa ideia. Para ver sem grandes expectativas.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35049\" title=\"outrasgarotas\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/outrasgarotas.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/g46rpaQiPyQ\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/g46rpaQiPyQ\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 15<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo original: &#8220;Toiset Tyt\u00f6t<\/strong><strong>&#8220;, <\/strong><strong>Esa Illi  (Finl\u00e2dia, 2015)<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: &#8220;<\/strong><strong><strong>Outras Garotas<\/strong>&#8221;<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis a hist\u00f3ria de quatro garotas finlandesas de 18 anos terminando o ensino fundamental. Elas se chamam Jessica, Jenny, Taru e Aino, e poderiam ter nascido e crescido em qualquer lugar do planeta, pois seus dramas n\u00e3o se diferem em quase nada dos vividos por uma garota norte-americana, inglesa ou brasileira: a primeira grande paix\u00e3o e a consequente desilus\u00e3o, gravidez, fam\u00edlias estilha\u00e7adas (os homens s\u00e3o praticamente todos ausentes), inadequa\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o e bullying, desejos. E por mais que essa lista de temas soe absolutamente \u00f3bvia, o grande acerto do diretor Esa Illi, que tamb\u00e9m assina o roteiro, \u00e9 respeitar a natureza comum dos dramas pessoais. Baseado em acontecimentos reais (em 2011, quatro garotas de Helsinki mantiveram di\u00e1rios em v\u00eddeo sobre suas vidas durante o per\u00edodo de um ano), \u201cOutras Garotas\u201d \u00e9 um pequeno filme indie que n\u00e3o traz absolutamente nada de novo, mas tem um frescor que consegue dar vida a temas que j\u00e1 foram bastante gastos na cinematografia mundial. Um filme simples, bonito e triste.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35051\" title=\"oinquieto\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/oinquieto.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"288\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/vqVvgIEh1u8\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/vqVvgIEh1u8\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 16<br \/>\n&#8211; \u201cAs Mil e Uma Noites &#8211; Volume 1, O Inquieto\u201d, Miguel Gomes (Portugal, 2015)<br \/>\n*****\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Respons\u00e1vel por \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/05\/filmes-bling-ring-tabu-casamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tabu<\/a>\u201d (2012), um dos melhores filmes em l\u00edngua portuguesa deste sofrido novo s\u00e9culo, o cineasta portugu\u00eas Miguel Gomes volta a soar esplendido com uma trilogia que empresta apenas o formato do &#8220;Livro das Mil e Uma Noites&#8221; para recontar a hist\u00f3ria recente de Portugal (mais propriamente entre 2014 e 2015), quando o governo federal baixou leis que deixaram a popula\u00e7\u00e3o na mis\u00e9ria. Neste \u201cVolume 1\u201d, com trechos notadamente inspirados em Fellini, o pr\u00f3prio Miguel Gomes se sente incapaz de contar a hist\u00f3ria, e covardemente foge. Em seu posto \u00e9 colocada a bela Xerazade, que precisar\u00e1 distrair o rei Xariar com suas hist\u00f3rias sobre um pobre pa\u00eds europeu levado \u00e0 bancarrota por pol\u00edticos inescrupulosos \u2013 que recebem a \u201cben\u00e7\u00e3o\u201d de um g\u00eanio, que lhes endurece o \u201cpau mole\u201d (um pol\u00edtico brit\u00e2nico graceja: \u201cJ\u00e1 gozei tr\u00eas vezes s\u00f3 de lembrar da costa da Esc\u00f3cia\u201d). Seguem narrativas intensas sobre amores, inc\u00eandios, galos falantes e a crescente onda de desemprego que abala o povo portugu\u00eas. Numa palavra: essencial.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35052\" title=\"desolado\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/desolado.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"286\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-CQDmMSGqWg\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/-CQDmMSGqWg\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 17<br \/>\n&#8211; \u201cAs Mil e Uma Noites &#8211; Volume 2, O Desolado\u201d, Miguel Gomes (Portugal, 2015)<br \/>\n*****\u00bd<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo filme da trilogia de Miguel Gomes \u00e9 mais po\u00e9tico e inicia com um trecho que soa uma homenagem a Pier Paolo Pasolini, que tamb\u00e9m se inspirou no formato do \u201cLivro das Mil e Uma Noites\u201d no filme que encerra sua \u201cTrilogia da Vida\u201d (\u201cAs Mil e Uma Noites\u201d, 1974). Nesta abertura, um ladr\u00e3o \u00e9 perseguido pela policia, que usa at\u00e9 drones para captura-lo. Na fuga, participa de um bacanal e de um belo jantar. Em uma das hist\u00f3rias mais interessantes contadas por Xerazade, uma ju\u00edza ensina sua filha, que acabou de perder a virgindade, a fazer um bolo de chocolate para o amado, isso antes de enfrentar um terr\u00edvel tribunal que ir\u00e1 testar sua f\u00e9 na justi\u00e7a. No terceiro conto, o espectador acompanha a rotina de um grupo de moradores de um pr\u00e9dio: garotos que observam um casal transando por um buraco na parede, festeiros que fazem de banheiro um elevador engui\u00e7ado, papagaios mortos que voltam \u00e0 vida, brasileiras naturistas, um casal cansado de receber a mesma comida da ajuda comunit\u00e1ria e fantasmas (de pessoas, de c\u00e3es e, pior, da crise econ\u00f4mica) que assombram os moradores. \u00c9 Portugal, mas poderia ser o Brasil (se soub\u00e9ssemos nos revoltar).<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35096\" title=\"natt17\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/natt17.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"276\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kPfrbSwD_JQ\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/kPfrbSwD_JQ\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 18<br \/>\n&#8211; Titulo Original: \u201cNatt Til 17\u201d, Eirik Svensson (Noruega, 2014)<br \/>\n&#8211; Titulo Nacional: &#8220;Uma Noite em Oslo&#8221;<br \/>\n***<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">16 de maio, v\u00e9spera do Dia da Constitui\u00e7\u00e3o Norueguesa, principal feriado do pa\u00eds, e enquanto fam\u00edlias se preparam para o tradicional desfile anual do dia seguinte, Thea, de 15 anos, planeja fazer uma festa em casa, aproveitando a aus\u00eancia dos pais, que todo ano aproveitam o feriado para sair da capital e viajar. A venda de \u00e1lcool \u00e9 proibida para menores de 18 anos no pa\u00eds (s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel comprar bebida acima de 4.7% de \u00e1lcool em Vinmonopolets controlados pelo governo, de segunda a sexta em hor\u00e1rio comercial), mas Thea consegue que um garoto mais velho abaste\u00e7a a festa. Paralelamente, dois garotos (imigrantes), Sam e Amir, tamb\u00e9m de 15 anos, est\u00e3o passando por um teste de amizade: Amir \u00e9 apaixonado por Thea, que agora est\u00e1 saindo com Sam. Inicialmente, o roteiro de Sebastian Torngren Wartin sugere um drama rom\u00e2ntico adolescente, mas \u201cUma Noite em Oslo\u201d vai al\u00e9m, ampliando (de forma surpreendente) o olhar sobre a juventude da Noruega, com suas dores, dramas, drogas, bullyings e medos. Para pensar.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35185\" title=\"ninguem1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/ninguem1.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0nJOuIRwxLk\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/0nJOuIRwxLk\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 19<br \/>\n&#8211; \u201cNingu\u00e9m Ama Ningu\u00e9m&#8230; Por Mais de Dois Anos\u201d, Clovis Mello (Brasil, 2015)<br \/>\n**<\/strong><strong>*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro longa-metragem de Clovis Mello, diretor premiado em publicidade que come\u00e7ou a carreira no in\u00edcio dos anos 1980 como editor na Rede Globo, onde trabalhou em novelas e seriados, \u201cNingu\u00e9m Ama Ningu\u00e9m&#8230; Por Mais de Dois Anos\u201d inspira-se em cinco contos (interligados) do genial Nelson Rodrigues, com roteiro adaptado a seis m\u00e3os por Paula Santos, Marina Meira e Rodrigo Vasconcellos. Inevitavelmente, a produ\u00e7\u00e3o carrega um jeit\u00e3o de programa especial da TV Globo, mas das melhores safras (como \u201cA Vida Como Ela \u00c9\u201d e \u201cCom\u00e9dias da Vida Privada\u201d), e boa parte da virtude vem do texto impag\u00e1vel de Nelson Rodrigues, que ora conta a hist\u00f3ria de uma esposa infiel (numa baita atua\u00e7\u00e3o de Gabriela Duarte), ora de um marido trabalhador que ama a esposa acima de todas as coisas (no sensacional conto \u201cCoroa de Orquideas\u201d), ora da bela Rainha de Sab\u00e1, entre outros. Num momento em que o politicamente correto soa como o 11\u00b0 mandamento da B\u00edblia, nada como Nelson Rodrigues para arejar as ideias (e polemiza-las) num filme divertido (e que faz pensar). Estreia dia 19\/11 com o bord\u00e3o: &#8220;Se voc\u00ea nunca foi tra\u00eddo, \u00e9 com\u00e9dia; Se j\u00e1 foi, \u00e9 drama&#8221;. \ud83d\ude42<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-35186\" title=\"boton\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/boton.jpg\" alt=\"\"><\/td>\n<td>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"405\" height=\"260\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/m8kdxpJZEj4\"><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"405\" height=\"260\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/m8kdxpJZEj4\"><\/object><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FILME 20<br \/>\nT\u00edtulo original: \u201cEl Bot\u00f3n de N\u00e1car\u201c, Patricio Guzm\u00e1n (Chile, 2015)<br \/>\n<\/strong><strong>&#8211; T\u00edtulo nacional: \u201cO Bot\u00e3o de P\u00e9rola\u201d<br \/>\n****<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo no in\u00edcio de seu filme, Patricio Guzm\u00e1n (que tamb\u00e9m assina o premiado roteiro) busca convencer o espectador de que o oceano cont\u00e9m a hist\u00f3ria de toda a humanidade. A narrativa, neste ponto inicial falando sobre a import\u00e2ncia da \u00e1gua (momento em que se torna imposs\u00edvel dissociar o filme de certo pol\u00edtico paulista), rememora passagens de programas do canal de TV a cabo National Geographic. Esse pr\u00f3logo desemboca na rela\u00e7\u00e3o do povo ind\u00edgena do sul do Chile (e pr\u00f3ximo da Patag\u00f4nia) com a \u00e1gua, e, delicadamente, Guzm\u00e1n come\u00e7a a desfiar seu grande intento: propor uma dolorosa cobran\u00e7a de acerto de contas chilena com seu pr\u00f3prio passado, dos bandeirantes que dizimaram tribos inteiras de \u00edndios aos militares da ditadura de Pinochet, que de helic\u00f3pteros jogavam corpos amarrados em trilhos de trem para afundarem no fundo do oceano, um cemit\u00e9rio em alto mar (isso no come\u00e7o dos anos 80). Vencedor do Urso de Prata de melhor roteiro no Festival de Berlim, \u201cO Bot\u00e3o de P\u00e9rola\u201d pega o espectador de surpresa e o emociona tanto quanto o enraivece. Felizmente e dolorosamente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apagar o passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nUm passeio (muitas vezes aleat\u00f3rio) sobre alguns filmes destacados na programa\u00e7\u00e3o da 39\u00aa Mostra de Cinema de S\u00e3o Paulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/26\/39%c2%aa-mostra-de-cinema-de-sp\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[226],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34878"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34878"}],"version-history":[{"count":51,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34878\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84543,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34878\/revisions\/84543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}