{"id":34789,"date":"2015-10-21T00:01:43","date_gmt":"2015-10-21T03:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=34789"},"modified":"2018-06-11T00:14:29","modified_gmt":"2018-06-11T03:14:29","slug":"elliott-smith-ghost-in-every-town","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/21\/elliott-smith-ghost-in-every-town\/","title":{"rendered":"Elliott Smith: Ghost In Every Town"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34790\" title=\"elliott_smith_marina_chavez\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/elliott_smith_marina_chavez.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/elliott_smith_marina_chavez.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/elliott_smith_marina_chavez-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/elliott_smith_marina_chavez-300x297.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/breadandkat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guilherme Lage<\/a><br \/>\n<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos anos de vida, Elliott Smith combateu com rigor um devastador v\u00edcio em drogas e travou uma batalha interna contra dem\u00f4nios do passado que insistiam em assombr\u00e1-lo. Nas performances, a melodia \u00e9bria lhe despia a alma para quem se interessasse em ouvi-lo. O lamento inclemente que o fazia companhia evolui aos extremos, deixou-o cansado demais para a luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em Omaha, Nebraska, Steven Paul Smith teve uma inf\u00e2ncia conturbada no interior do Texas, onde fora criado por m\u00e3e e padrasto. \u201cElliott\u201d, como passou a ser chamado desde a adolesc\u00eancia, abandonou a casa da m\u00e3e e mudou-se para junto do pai em Portland, Oregon. L\u00e1, ainda p\u00fabere, encontrou na m\u00fasica, a v\u00e1lvula de escape que necessitava para a libera\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria criatividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um per\u00edodo com a banda Heatmiser (que rendeu tr\u00eas \u00e1lbuns: \u201cDead Air\u201d, 1993; \u201cCop and Speeder\u201d, 1994; e \u201cMic City Sons\u201d, lan\u00e7ado em 1996 ap\u00f3s o fim do grupo), Elliott decidiu apostar na carreira solo lan\u00e7ando \u201cRoman Candle\u201d (1994) pelo selo indie Cavity Search (o mesmo que lan\u00e7ou os primeiros singles do Heatmiser) e \u201cElliott Smith\u201d (1995) pela respeitada Kill Rock Stars, que tamb\u00e9m editaria o \u00e1lbum que iria sacramentar o m\u00fasico como um \u00edcone da cena underground norte-americana: \u201cEither\/Or\u201d (1997).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado em diversos locais (casas e est\u00fadios) e com nome \u201cemprestado\u201d da primeira obra publicada pelo fil\u00f3sofo dinamarqu\u00eas S\u00f8ren Kierkegaard, em 1843, \u201cEither\/Or\u201d aumentou o s\u00e9quito de f\u00e3s de Elliott Smith devido a faixas poderosas com \u201cChristian Brothers\u201d, \u201cComing Up Roses\u201d, \u201cNeedle in The Hay\u201d, \u201cBetween the Bars\u201d e \u201cAngeles\u201d. Entre os admiradores de \u201cEither\/Or\u201d estava um que iria mudar a vida de Elliott Smith: o cineasta Gus Van Sant.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/p4cJv6s_Yjw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Badalado por uma carreira em ascens\u00e3o ap\u00f3s dois sucessos independentes (\u201cDrugstore Cowboy\u201d, de 1989; e \u201cGarotos de Programa\u201d, de 1991) e uma estreia elogiada na poderosa Columbia Pictures com \u201cUm Sonho Sem Limites\u201d (1995), Gus Van Sant convidou Elliott Smith para compor algumas can\u00e7\u00f5es para seu novo filme, \u201cG\u00eanio Indom\u00e1vel\u201d (1996), que custou US$ 10 milh\u00f5es e faturou US$ 225 milh\u00f5es. A trilha trazia cinco can\u00e7\u00f5es de Elliott, incluindo \u201cMiss Misery\u201d, que foi indicada ao Oscar e catapultou ao estrelado ap\u00f3s uma comovente apresenta\u00e7\u00e3o na maior cerimonia da ind\u00fastria do cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes limitado a shows intimistas em pequenas casas noturnas, Smith deixava de ser um segredo dos f\u00e3s e ganhava o mundo, mas o sucesso cobraria um pre\u00e7o. \u201cN\u00e3o, Gus n\u00e3o me descobriu\u201d, ele repetiria a frase em in\u00fameras ocasi\u00f5es durante o per\u00edodo que sucedeu a efervesc\u00eancia. J\u00e1 veterano na ind\u00fastria, com seis \u00e1lbuns lan\u00e7ados na carreira, incluindo com sua finada banda, Elliott passava pelo ciclo de repeti\u00e7\u00f5es que acomete as estrelas ascendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A catarse foi intensificada com o lan\u00e7amento de \u201cXO\u201d em 1998, seu primeiro \u00e1lbum por uma grande gravadora, a Dreamworks Records. Gravado entre Los Angeles e Portland, \u201cXO\u201d vendeu 400 mil c\u00f3pias (o dobro que o dobro de seus discos anteriores) e a exposi\u00e7\u00e3o massiva que veio a reboque teve efeitos devastadores na vida particular do compositor, que vivia ent\u00e3o a mesma rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio com a fama que, anos antes, atormentara Kurt Cobain.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante as grava\u00e7\u00f5es de \u201cFigure 8\u201d, o sucessor de \u201cXO\u201d, as manh\u00e3s eram tomadas por entrevistas (que para ele pareciam infind\u00e1veis) sobre seu sucesso repentino. Ainda que d\u00f3cil aos rep\u00f3rteres, um sentimento de depress\u00e3o se precipitava sobre sua vida particular. Lan\u00e7ado em 2000, \u201cFigure 8\u201d foi recebido com entusiasmo por parte da cr\u00edtica, mas pouco avan\u00e7ou nos n\u00fameros conquistados pelo disco anterior (chegou na 99\u00aa posi\u00e7\u00e3o da Billboard enquanto \u201cXO\u201d havia batido no n\u00famero 104).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KV44ScxV1BU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Smith come\u00e7ava a se afastar cada vez mais do pr\u00f3prio c\u00edrculo social e, ao desabrochar do s\u00e9culo XXI, tornara-se inalcan\u00e7\u00e1vel. Ap\u00f3s retornar de uma turn\u00ea (no m\u00ednimo) conturbada, cortou rela\u00e7\u00f5es com o produtor Rob Schpnaf e se distanciou completamente de Magaret Mittleman, sua agente desde 1994. O m\u00fasico dava sinais claros de paranoia e falava abertamente sobre suic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elliott nadava contra um tsunami nos neg\u00f3cios. Para ele, a Dreamworks desistira muito cedo de \u201cFigure 8\u201d e a influ\u00eancia do selo em sua privacidade era inaceit\u00e1vel. N\u00e3o mais interessado no mercado, ele queria cis\u00e3o total com a gravadora. Em uma carta aberta, exigiu libera\u00e7\u00e3o do contrato que mantinha com a empresa, amea\u00e7ando tirar a pr\u00f3pria vida como retalia\u00e7\u00e3o, caso n\u00e3o fosse atendido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele ano, as apresenta\u00e7\u00f5es tornaram-se cada vez mais escassas e cada vez menos profissionais. N\u00e3o era incomum um Elliott Smith tr\u00f4pego e errante abandonar o palco ap\u00f3s poucas can\u00e7\u00f5es por n\u00e3o conseguir se lembrar das pr\u00f3prias letras. O fim parecia pr\u00f3ximo e a depress\u00e3o, caracter\u00edstica que o acompanhava desde a inf\u00e2ncia, ganhava novo combust\u00edvel devido ao abuso de drogas e \u00e1lcool.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo de ostracismo, no entanto, parecia ter feito bem a seu esp\u00edrito debilitado. Em lugar de dar cabo \u00e0 sua vida, afundou-se na pr\u00f3pria m\u00fasica com uma rec\u00e9m-encontrada robustez. Parecia, aos poucos, abandonar suas mem\u00f3rias agourentas. Dedicava cada mil\u00edmetro do novo afinco \u00e0 composi\u00e7\u00e3o do que, prometia ser um \u00e1lbum duplo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dBxYfLqKyew?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No outono de 2002, finalmente livrara-se do \u00e1lcool e das drogas. Entretanto, o destino reservou-o pouco tempo para aprecia\u00e7\u00e3o de seu novo senso de esperan\u00e7a. O novo disco, \u201cFrom a Basement on the Hill\u201d, que seria lan\u00e7ado postumamente em 2004, parecia lhe conferir o conforto terap\u00eautico que tanto buscara no entorpecimento. A dor e a ang\u00fastia, por\u00e9m, continuavam intactas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 21 de outubro de 2003, a janela de um apartamento no bairro de Echo Park, em Los Angeles, era invadida pelas brisas vespertinas que davam suas car\u00edcias finais ao corpo de um homem de 34 anos. Momentos antes, sua companheira correra a seu aux\u00edlio ap\u00f3s gritos ressonantes inundarem a habita\u00e7\u00e3o. Naquele dia, o mundo viu Elliott Smith pela \u00faltima vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cantor morreria em um hospital \u00e0s 13h36, com dois ferimentos de faca, aparentemente, auto infligidos. Para tr\u00e1s, ele deixava uma incomensur\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o para a m\u00fasica e o material que serviria para lan\u00e7amentos futuros \u2013 al\u00e9m de \u201cFrom a Basement on the Hill\u201d, o duplo \u201cNew Moon\u201d seria lan\u00e7ado em 2007 com 24 faixas raras, incluindo a primeira vers\u00e3o de \u201cMiss Misery\u201d e um cover de \u201cThirteen\u201d, do Big Star.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comparado a nomes como Nick Drake e Lou Barlow, Elliott Smith era um evidente representante dos anos 1990. A tristeza, a ang\u00fastia e o niilismo, caracter\u00edsticos das representa\u00e7\u00f5es musicais desta gera\u00e7\u00e3o, apareciam com agressiva clareza em seu trabalho. Ele se enquadrava no mito dos g\u00eanios torturados e amargava a fragilidade caracter\u00edstica dos poetas, mas era tamb\u00e9m um grande m\u00fasico. E \u00e9 por sua obra, sua m\u00fasica, que deve ser lembrado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sX8ct1MKfgY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OuxO_XkJ158?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P0kd4is0rv8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O_ZpXF0O3I8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Guilherme Lage (<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/breadandkat\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.facebook.com\/breadandkat<\/a>) \u00e9 jornalista. A foto que abre o texto \u00e9 do acervo de Marina Chavez (<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/marinachavezphotographs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.facebook.com\/marinachavezphotographs<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cAn Introducion to\u2026\u201d \u00e9 uma janela que se abre para que um novo p\u00fablico (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/02\/retratos-de-elliott-smith\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cFrom A Basement On The Hill\u201d, uma obra sublime, uma despedida digna (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/02\/retratos-de-elliott-smith\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cHeaven Adores You\u201d: ainda ruim, esse document\u00e1rio foi feito para f\u00e3s (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 21 de outubro de 2003, o mundo perdia Elliott Smith, um g\u00eanio torturado e um poeta que deve ser lembrado por sua m\u00fasica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/21\/elliott-smith-ghost-in-every-town\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2994],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34789"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34789"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34789\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47886,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34789\/revisions\/47886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}