{"id":34743,"date":"2015-10-18T11:41:58","date_gmt":"2015-10-18T14:41:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=34743"},"modified":"2024-05-17T14:15:04","modified_gmt":"2024-05-17T17:15:04","slug":"livro-como-a-musica-ficou-gratis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/18\/livro-como-a-musica-ficou-gratis\/","title":{"rendered":"Literatura: &#8220;Como a M\u00fasica Ficou Gr\u00e1tis&#8221;, de Stephen Witt, traz boas hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34744\" title=\"como_a_musica_ficou-gratis\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/como_a_musica_ficou-gratis.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"647\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/como_a_musica_ficou-gratis.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/como_a_musica_ficou-gratis-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele amigo que come\u00e7ou a se desfazer de sua preciosa cole\u00e7\u00e3o de discos e s\u00f3 acredita no streaming. Um primo que lotou HDs e CDs virgem com MP3 e hoje se v\u00ea com um quartinho cheio de entulho. Um conhecido que descobriu milhares de novidades e agora s\u00f3 quer saber de bandas experimentais da Isl\u00e2ndia \u2013 e em vinil. Se voc\u00ea esteve na internet durante o fim da d\u00e9cada de 1990 e o come\u00e7o dos anos 2000, provavelmente pode conhecer alguns desses personagens \u2013 ou talvez at\u00e9 seja algum deles. H\u00e1, no entanto, personagens importantes que voc\u00ea n\u00e3o conhece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode aparecer at\u00e9 o in\u00edcio de uma piada ruim, mas um engenheiro de som alem\u00e3o, um empres\u00e1rio da m\u00fasica e um oper\u00e1rio de uma f\u00e1brica de discos do sul dos Estados Unidos s\u00e3o os respons\u00e1veis pela mudan\u00e7a na forma como ouvimos (e consumimos) nossas can\u00e7\u00f5es favoritas hoje. Sem desfecho sem gra\u00e7a, mas com muito bom humor, o jornalista norte-americano Stephen Witt explica como esses tr\u00eas caras \u2013 Karlheinz Brandeburg, Doug Morris e Dell Glover, respectivamente \u2013 fizeram essas mudan\u00e7as (um pouco sem querer) em &#8220;<a href=\"http:\/\/www.intrinseca.com.br\/comoamusicaficougratis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Como a M\u00fasica Ficou Gr\u00e1tis<\/a>&#8221; (\u201cHow Music Got Free\u201d no original), trabalho obrigat\u00f3rio publicado em julho deste ano pela Intr\u00ednseca com tradu\u00e7\u00e3o de Andrea Gottlieb de Castro Neves e 272 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colaborador da revista americana New Yorker, Stephen Witt usa uma estrutura digna dos melhores thrillers hollywoodianos para contar a hist\u00f3ria de como o MP3 foi criado e se tornou o formato padr\u00e3o para o vazamento e a propaga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica na internet nos \u00faltimos 20 anos. Tudo come\u00e7a dentro dos laborat\u00f3rios do Instituto Fraunhofer, com a equipe liderada por Karlheinz Brandenburg tentando descobrir um novo algoritmo para transmitir m\u00fasica de forma digital sem que ela perca a qualidade. \u00c9 um come\u00e7o \u00e1rido, entre guerras de patentes e muita briga entre burocratas e cientistas, mas que vale a pena. Praticamente derrotado nos comit\u00eas de padroniza\u00e7\u00e3o de formatos, o MP3 encontraria seu sucesso (e daria muito dinheiro aos donos de suas patentes) justamente por auxiliar usu\u00e1rios de todo mundo a quebrar os direitos autorais&#8230; da ind\u00fastria da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ind\u00fastria da m\u00fasica, por sua vez, \u00e9 muito bem representada por Doug Morris: alto executivo de gravadoras como Time-Warner e Polygram, Morris aparece ao longo do livro para ilustrar os altos e baixos que o setor fonogr\u00e1fico viveu nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Da histeria do auge do CD \u2013 seja nos in\u00fameros e lucrativos relan\u00e7amentos ou na descoberta dos rappers que pareciam pequenas minas de ouro \u2013 \u00e0 derrocada da m\u00eddia f\u00edsica, passando pelas brigas entre bandas e os sites de compartilhamento (um abra\u00e7o, Shawn Fanning!), Morris \u00e9 um personagem important\u00edssimo nessa trajet\u00f3ria. Acompanh\u00e1-lo ao longo de &#8220;Como a M\u00fasica Ficou Gr\u00e1tis&#8221; \u00e9, por vezes, ver um filme cujo protagonista \u00e9 o (ou parece ser) o vil\u00e3o da hist\u00f3ria, tentando a todo custo fazer o f\u00e3 de m\u00fasica gastar o seu rico dinheirinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 pela hist\u00f3ria de Morris e Brandenburg (e de outros altos executivos, inovadores e celebridades como Steve Jobs e Jay-Z), &#8220;Como a M\u00fasica Ficou Gr\u00e1tis&#8221; j\u00e1 valeria a pena por seu texto envolvente e muito bem explicativo. No entanto, \u00e9 ao contar a hist\u00f3ria de Dell Glover que o livro se torna uma aula de jornalismo: f\u00e3 de rap, motocicletas e de tatuagens, Glover era apenas um dos muitos oper\u00e1rios da f\u00e1brica de CDs da PolyGram na Carolina do Norte nos anos 1990. Para sustentar seus muitos hobbies, no entanto, Glover logo percebeu que tinha uma mina de ouro ao alcance das m\u00e3os e de um drive de grava\u00e7\u00e3o de CDs: com a ajuda de colegas, ele logo se tornou um dos maiores vendedores de discos piratas das redondezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era o bastante: ao longo de uma d\u00e9cada, ele se tornaria um dos principais vazadores de \u00e1lbuns em MP3 do mundo, abastecendo uma cadeia que sa\u00eda de grupos fechados e selecionados de hackers e experts em m\u00fasica para o universo altamente compartilhado dos programas de peer-to-peer como Napster, KaZaa, LimeWire e Soulseek. Ao perfilar Glover com uma proximidade intensa, Witt traz a seu livro uma hist\u00f3ria inesperada sobre como discos guardados a sete chaves \u2013 lembra do rolo que aconteceu ap\u00f3s o vazamento de &#8220;St. Anger&#8221;, do Metallica? \u2013 chegavam aos internautas de todo o mundo, decifrando um enigma que fazia gente como Morris arrancar os cabelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como a M\u00fasica Ficou Gr\u00e1tis&#8221; n\u00e3o tenta tra\u00e7ar um panorama amplo da m\u00fasica hoje em dia, nem tenta refletir com bola de cristal se a aposta da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica nos servi\u00e7os de streaming vai dar certo ou errado (shake it off, Taylor!). Pode parecer uma falha, mas \u00e9 um \u00f3timo servi\u00e7o: com boas hist\u00f3rias e apura\u00e7\u00e3o competente (que avan\u00e7a at\u00e9 as investiga\u00e7\u00f5es do FBI para punir os vazadores e o aparecimento do YouTube como uma lucrativa plataforma de m\u00fasica), Stephen Witt faz muito mais para quem quer entender o neg\u00f3cio da m\u00fasica nos tempos de hoje, em uma trama cheia de coadjuvantes de luxo, reviravoltas e sacadas inteligentes. Se voc\u00ea \u00e9 f\u00e3 de m\u00fasica (como alguns dos personagens l\u00e1 de cima ou a maioria dos leitores do Scream &amp; Yell), n\u00e3o hesite em pegar esse livro pela m\u00e3o e l\u00ea-lo at\u00e9 o final. O resto (n\u00e3o) \u00e9 sil\u00eancio.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Stephen Witt with Sean Nelson: How Music Got Free\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rx7Bdq7kz7A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog&nbsp;<a href=\"http:\/\/pergunteaopop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pergunte ao Pop<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/literatura\/\"><strong>LEIA MAIS SOBRE LIVROS E HQs<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se voc\u00ea \u00e9 f\u00e3 de m\u00fasica (como alguns personagens o livro e a maioria dos leitores deste site), n\u00e3o hesite em l\u00ea-lo at\u00e9 o final\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/18\/livro-como-a-musica-ficou-gratis\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34743"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34743"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":81657,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34743\/revisions\/81657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}