{"id":34692,"date":"2015-10-15T11:43:13","date_gmt":"2015-10-15T14:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=34692"},"modified":"2016-09-05T10:14:13","modified_gmt":"2016-09-05T13:14:13","slug":"hqs-bechdel-seres-urbanos-e-peeters","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/15\/hqs-bechdel-seres-urbanos-e-peeters\/","title":{"rendered":"HQs: Bechdel, Seres Urbanos e Peeters"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\" target=\"_blank\">Adriano Mello Costa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-34693 aligncenter\" title=\"alison_bechdel\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/alison_bechdel.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"666\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/alison_bechdel.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/alison_bechdel-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cVoc\u00ea \u00e9 Minha M\u00e3e?\u201d, de Alison Bechdel (Quadrinhos na Cia)<\/strong><br \/>\nEm \u201cFun Home \u2013 Uma Tragicom\u00e9dia em Fam\u00edlia\u201d, que a editora Conrad publicou por aqui em 2007, Alison Bechdel mergulhava na inf\u00e2ncia e crescimento olhando mais para as a\u00e7\u00f5es do pai, um professor que escondeu a homossexualidade durante anos. Em um \u00e1lbum que unia arte e texto de maneira triste e, ao mesmo tempo, encantadora, a autora se destacou, chamando a aten\u00e7\u00e3o do mundo dos quadrinhos e angariando elogios e pr\u00eamios. \u201cVoc\u00ea \u00e9 Minha M\u00e3e?\u201d (\u201cAre You My Mother?\u201d no original) \u00e9 a sequ\u00eancia natural de \u201cFun Home\u201d, lan\u00e7ada l\u00e1 fora em 2012 com edi\u00e7\u00e3o nacional em 2013 via selo \u201cQuadrinhos na Cia\u201d, da Companhia das Letras. Com 294 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de \u00c9rico Assis, Alison Bechdel aposta novamente no car\u00e1ter biogr\u00e1fico neste drama que faz leves alus\u00f5es ao pai, mas que, dessa vez, apresenta a rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e como foco. Na verdade, assim como em \u201cFun Home\u201d, \u201cVoc\u00ea \u00e9 Minha M\u00e3e?\u201d serve como escape para afugentar (ou acalmar, que seja) os dem\u00f4nios de Alison Bechdel. \u00c9 uma graphic-novel densa, repleta de conceitos psicol\u00f3gicos, onde os sonhos desempenham papel importante na busca da autora por um caminho em meio a d\u00favidas, questionamentos, inseguran\u00e7as e um humor involunt\u00e1rio. A escritora Virginia Woolf e o psicanalista Donald Winnicott s\u00e3o dois alicerces em que Bechdel baseia todo esse entendimento da vida pessoal, com v\u00e1rios trechos das suas obras citadas nas p\u00e1ginas. Por\u00e9m, ainda que mantenha algumas qualidades, como a arte funcional, \u201cVoc\u00ea \u00e9 Minha M\u00e3e?\u201d \u00e9 cansativa e, em termos de ritmo e texto, fica bem abaixo de \u201cFun Home\u201d, infelizmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 5,5<br \/>\nLeia um trecho gratuitamente no site da editora, <a href=\"http:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/trechos\/65058.pdf\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-34694 aligncenter\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"seresurbanos\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/seresurbanos.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"635\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/seresurbanos.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/seresurbanos-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSeres Urbanos \u2013 Antologia do Quadrinho Underground Cearense (1991-1998)\u201d, V\u00e1rios<\/strong><br \/>\nUm pouco antes do advento da internet, ou bem no in\u00edcio desta, que seja, os fanzines foram fundamentais na propaga\u00e7\u00e3o de uma cultura que n\u00e3o aparecia nas grandes m\u00eddias, al\u00e9m de servir como plataforma para uma arte que n\u00e3o encontrava espa\u00e7o em outros locais. Circulando no underground, de m\u00e3o em m\u00e3o, os \u201czines\u201d se faziam presentes em todo os cantos do pa\u00eds e n\u00e3o foi diferente em Fortaleza, capital do Cear\u00e1. L\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o chegou a ter destaque nacional e o grupo Seres Urbanos foi o expoente da cena zineira local. Formado inicialmente por Weaver Lima e Marc\u00edlio Nascimento, o grupo agregou outros nomes (Elvis, Lupin, Galba, Mychel e Kaos, este \u00faltimo falecido no ano passado) e foi respons\u00e1vel por fanzines, exposi\u00e7\u00f5es e festas que movimentaram a capital cearense nos anos 90. \u201cSeres Urbanos \u2013 Antologia do Quadrinho Underground Cearense (1991-1998)\u201d \u00e9 um \u00e1lbum que compila parte dessa produ\u00e7\u00e3o e passou por um processo lento desde que foi contemplado por edital da Secretaria de Cultura do Estado, em 2011, s\u00f3 realmente conhecendo a vida agora em 2015. Em preto e branco, com formato grande (21x30cm) e 100 p\u00e1ginas, os quadrinhos selecionados exibem um humor \u00e1cido passando por comportamento, m\u00fasica, sexo, pol\u00edtica e religi\u00e3o, sempre de maneira um pouco an\u00e1rquica, sem muitas formas pr\u00e9-definidas. Tamb\u00e9m demonstra tipos distintos de arte e de tra\u00e7os, o que na maioria dos casos funciona de acordo com o objetivo pretendido. Uma entrevista com os membros no final enaltece o esp\u00edrito da coisa toda e atesta \u201cSeres Urbanos\u201d como um projeto relevante e, acima de tudo, bem interessante de ser lido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nFacebook: <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/seresurbanosfanzines\" target=\"_blank\">http:\/\/www.facebook.com\/seresurbanosfanzines<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-34695 aligncenter\" title=\"pilulasazuis\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/pilulasazuis.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cP\u00edlulas Azuis\u201d, Frederik Peeters (Editora Nemo)<\/strong><br \/>\nSem pessimismo barato, mas atualmente \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil se deparar com um caso de amor l\u00edmpido, sincero, bonito, como aqueles das can\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas ou dos poemas mais c\u00e9lebres. In\u00fameros s\u00e3o os motivos para tanto, alguns justific\u00e1veis, outros n\u00e3o, contudo \u00e9 verdade que isso \u00e9 cada vez mais raro e espor\u00e1dico. Talvez seja por isso que o impacto de \u201cP\u00edlulas Azuis\u201d (\u201cPilules Bleus\u201d no original) seja t\u00e3o forte. Publicado originalmente em 2001, a graphic-novel do su\u00ed\u00e7o Frederik Peeters ganha edi\u00e7\u00e3o nacional em 2015 atrav\u00e9s da editora Nemo. Com 208 p\u00e1ginas e tradu\u00e7\u00e3o de Fernando Scheibe, o autor de \u201cA\u00e2ma\u201d (2011\/2014) tra\u00e7a em uma autobiografia seu romance com Cati, uma hist\u00f3ria de amor com dificuldades, supera\u00e7\u00f5es, temores, mas tamb\u00e9m com muita entrega, companheirismo e amor. O tom tinha tudo para descambar para o piegas ou o sentimentalismo de feira, mas o resultado final passa muito longe disso. A hist\u00f3ria come\u00e7a com o b\u00e1sico garoto conhece garota, mas se estende por alguns anos at\u00e9 que realmente ocorra a uni\u00e3o, que tem como parte inerente o v\u00edrus da Aids, j\u00e1 que tanto Cati, quanto o pequeno filho dela s\u00e3o soropositivos. A maneira como o autor trata de quest\u00f5es t\u00e3o delicadas \u00e9 excepcional inserindo a carga de drama necess\u00e1ria, mas a envolve-a com humor e dedica\u00e7\u00e3o. A arte em preto e branco, ora rabiscada, ora detalhada, se destaca nas express\u00f5es faciais que refletem muito bem o momento a que se dedicam. Com tudo isso, \u201cP\u00edlulas Azuis\u201d \u00e9 um hist\u00f3ria como poucas, que espanta o preconceito para bem longe e narra uma bela e bonita hist\u00f3ria de amor. Sim, essas hist\u00f3rias ainda existem. Ainda bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<br \/>\nLeia um trecho gratuitamente no site da editora, <a href=\"http:\/\/grupoautentica.com.br\/nemo\/amostra\/1232\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34696\" title=\"pilulasazuis1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/pilulasazuis1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&#8211; Adriano Mello Costa (siga <a href=\"http:\/\/twitter.com\/coisapop\">@coisapop<\/a> no Twitter) e assina o blog de cultura <a href=\"http:\/\/coisapop.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\">Coisa Pop<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/literatura\/\"><strong>LEIA MAIS SOBRE LIVROS E HQs<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alison Bechdel foca drama na m\u00e3e; livro resgata quadrinho underground cearense; a graphic-novel &#8220;P\u00edlulas Azuis&#8221; comove\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/15\/hqs-bechdel-seres-urbanos-e-peeters\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[50,734],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34692"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34692"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34692\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39942,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34692\/revisions\/39942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}