{"id":34114,"date":"2015-09-25T10:32:19","date_gmt":"2015-09-25T13:32:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=34114"},"modified":"2017-07-14T10:42:17","modified_gmt":"2017-07-14T13:42:17","slug":"sob-o-cel-historia-por-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/25\/sob-o-cel-historia-por-musica\/","title":{"rendered":"Sob o CEL: Hist\u00f3ria Por M\u00fasica"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-34149\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"historia_musica\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/historia_musica.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"401\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span>Sob o CEL #31<br \/>\nHist\u00f3ria por M\u00fasica<\/span><br \/>\npor <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carloseduardo.lima.90\" target=\"_blank\">Carlos Eduardo Lima<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vou contar uma pequena hist\u00f3ria para voc\u00eas, que perdem seu precioso tempo lendo essas coisas que eu escrevo por aqui e que meu amigo Mac, do alto de sua camaradagem, acha por bem publicar. Depois de um bom tempo formado em jornalismo, decidi fazer outra faculdade e resgatar uma d\u00edvida com o Carlos Eduardo Lima l\u00e1 do in\u00edcio dos anos 80, que era CDF numa s\u00f3 mat\u00e9ria: Hist\u00f3ria. Esse moleque espinhudo e t\u00edmido sempre foi bom com essa coisa de decorar datas, entender fatos e explic\u00e1-los depois, escrevendo. Quando chegou ao antigo segundo grau, essa paix\u00e3o ficou mais evidente e suas notas sempre se mantiveram altas, em meio ao choque inicial da Qu\u00edmica Org\u00e2nica, da F\u00edsico-Qu\u00edmica, das v\u00e1rias F\u00edsicas e Matem\u00e1ticas que o Col\u00e9gio Santo Agostinho achava por bem colocar em seu curr\u00edculo. Mas, por influ\u00eancia do meio e dos pr\u00f3prios pais, a faculdade de Hist\u00f3ria n\u00e3o foi a op\u00e7\u00e3o naqueles tempos e caminhos tortuosos me levaram a passar para a Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Uerj, onde obtive minha primeira gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos depois, incentivado pela minha mulher, Maria, decidi fazer a faculdade de Hist\u00f3ria da UFF, em Niter\u00f3i. Havia perdido o prazo para a prova de aproveitamento de estudos, que me isentaria de reencontrar as ci\u00eancias exatas no vestibular e n\u00e3o restou outro jeito a n\u00e3o ser prestar o exame completo. A duras penas consegui passar e retornei ao ambiente universit\u00e1rio em 2009, animada\u00e7o. Ao longo do curso, fiz amizade com pessoas ador\u00e1veis com metade da minha idade e que logo me chamaram de nomes como &#8220;Velho&#8221; ou &#8220;Pai&#8221;, numa cachoeira de demonstra\u00e7\u00f5es de carinho que se inserem em momentos dourados que vou levar para o chamado al\u00e9m-t\u00famulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo desse processo, de me reinventar l\u00e1 dentro, surgiu uma ideia, justamente ap\u00f3s me inscrever numa disciplina optativa. Sob o nome \u201cHist\u00f3ria, M\u00fasica e Comportamento nos Estados Unidos e Gr\u00e3-Bretanha (1955-1980)\u201d, eu viria a ter aulas sobre&#8230; Rock. Na verdade, a inscri\u00e7\u00e3o na disciplina se deu, justamente, a partir da mitologia em torno dela. Segundo relatos dos alunos, o professor Luiz Carlos, um estudioso da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, com in\u00fameros t\u00edtulos e mais linhas que a lista telef\u00f4nica em seu Curriculum Lattes, se assumia como hippie acad\u00eamico e dava um curso sobre o surgimento do Rock como sintoma do p\u00f3s-guerra e de como ele \u2013 o Rock \u2013 refletiu uma nova sociedade que estava em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecido como &#8220;Franja&#8221;, justamente por sua calv\u00edcie, Luiz entrava na sala de aula com CDs e um radiogravador, tendo como temas a import\u00e2ncia do Blues, a forma\u00e7\u00e3o do Rock ingl\u00eas, coisas assim. Eu discordava de algumas coisas, sobretudo quando ele reduziu a import\u00e2ncia do The Who, uma das bandas mais comprometidas com a mudan\u00e7a, a adolesc\u00eancia e a incapacidade de se encontrar. Mas, dentre tantos acertos, este foi um pecado, digamos, toler\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia, como dizem em Portugal, c\u00e1 me ficou. Como eu n\u00e3o havia pensado na possibilidade de levar a m\u00fasica popular para a sala de aula? Porque, sim, eu cursei a faculdade de Hist\u00f3ria para dar aulas, para mudar de profiss\u00e3o, j\u00e1 com a ci\u00eancia de que o magist\u00e9rio, assim como o jornalismo, n\u00e3o assegurava nada em termos de riqueza material ou futuro certo, mas me possibilitava, ainda que bem pouco, dar alguns pitacos na vida das pessoas, apresentar algo, resgatar detalhes, mostrar alguma coisa produtiva, fazer a diferen\u00e7a, algo ut\u00f3pico e casual assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu fosse fazer isso mesmo, a alternativa apresentada pelo Franja era tentadora. Isso foi em 2013. Dois anos depois, formado e com um programa que cobre o fim do s\u00e9culo 19 at\u00e9 o in\u00edcio dos governos petistas, formatei o curso <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/historiapormusica\" target=\"_blank\">Hist\u00f3ria Por M\u00fasica<\/a>. Constatei que d\u00e1 pra falar de fatos hist\u00f3ricos como a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, a Rep\u00fablica Velha, a Semana de Arte de 1922, os governos de Get\u00falio Vargas, do p\u00f3s-guerra com Dutra, dos presidentes desenvolvimentistas e da infame ditadura militar, al\u00e9m da redemocratiza\u00e7\u00e3o e da globaliza\u00e7\u00e3o usando composi\u00e7\u00f5es populares como pano de fundo, mecanismo desencadeador ou mesmo como pequenas polar\u00f3ides dos per\u00edodos, sejam elas compostas em sincronia com os eventos, seja compostas mais tarde, refletindo sobre o acontecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m d\u00e1 pra falar sobre hist\u00f3ria geral, sobre o tal nascimento do Rock, que conservo como um m\u00f3dulo especial em homenagem ao que aprendi na sala de aula, mas tamb\u00e9m sobre seu papel nos anos 60, sobre como ele refletiu as demandas sociais e pol\u00edticas daquele tempo ou como a globaliza\u00e7\u00e3o e o abra\u00e7o ao neoliberalismo o feriu de morte de significado nos anos 90. D\u00e1 pra falar de muita coisa, literalmente. Como forma de testar o conte\u00fado, criei no Facebook, h\u00e1 cerca de dois meses, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/historiapormusica\" target=\"_blank\">uma p\u00e1gina na qual posto frequentemente<\/a> uma can\u00e7\u00e3o e um texto autoral, no qual comento e contextualizo a m\u00fasica escolhida, como se fosse um aperitivo do que o Hist\u00f3ria Por M\u00fasica pode fazer em sala de aula. J\u00e1 falei sobre The Clash e Margaret Thatcher, sobre Sting e a ditadura chilena de Pinochet, sobre Raul Seixas e o milagre econ\u00f4mico, sobre Paralamas do Sucesso e globaliza\u00e7\u00e3o, sobre Glen Campbell e a primeira can\u00e7\u00e3o que mencionou um trabalhador em seu t\u00edtulo, sobre The Police e a quest\u00e3o da Irlanda do Norte, sobre a anu\u00eancia dos Incr\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura militar, enfim, sobre incont\u00e1veis e interessantes assuntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 pouco menos de um m\u00eas surgiu, finalmente, a oportunidade para levar o conte\u00fado para a sala de aula e muitos destes casos ser\u00e3o estudados, primeiramente por uma galera que n\u00e3o est\u00e1 mais na escola, mas que tem interesse pela m\u00fasica popular al\u00e9m da pauta novidadeira que move a imprensa especializada, cada vez mais coadunada com os mecanismos de sustenta\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria ind\u00fastria musical, moribunda, anacr\u00f4nica, burra. Quando n\u00e3o vai por esta via, os colegas falam de criadores e criaturas surgidos a partir da internet, glorificando-os como se fossem, apenas por n\u00e3o pertencer \u00e0 l\u00f3gica das gravadoras, a sa\u00edda para tudo. Minha preocupa\u00e7\u00e3o sempre foi com as can\u00e7\u00f5es, com as mensagens, algo que, a meu ver &#8211; e \u00e9 um ju\u00edzo de valor pessoal &#8211; est\u00e1 se perdendo rapidamente. Talvez por medo de ver que tudo pode ser esquecido e ressignificado em quest\u00e3o de segundos, o Hist\u00f3ria Por M\u00fasica surge como uma boa alternativa para conhecer as coisas. \u00c9 uma mistura de jornalismo musical com aula de Hist\u00f3ria e d\u00e1 certo, pessoal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso voc\u00ea esteja interessado\/a\/x em saber mais, me acha l\u00e1 no Facebook, que explico melhor, ou manda um al\u00f4 para o <strong>historiapormusica@gmail.com<\/strong>. Tem duas turmas come\u00e7ando em outubro, ser\u00e3o aulas presenciais no Centro do Rio e em breve devemos avan\u00e7ar para a internet, com conte\u00fado online a pre\u00e7os camaradas. Deve sair mais barato que gastar seu tutuzinho na academia, por exemplo. E, sim, esse \u00e9 um texto jabaz\u00edstico, por que n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/594WLzzb3JI\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/594WLzzb3JI\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; CEL \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carloseduardo.lima.90\" target=\"_blank\">Carlos Eduardo Lima<\/a> (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/celeolimite\" target=\"_blank\">@celeolimite<\/a>), respons\u00e1vel pela coluna Sob o CEL, vers\u00e3o renovada de sua primeira coluna no site, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/cel24.htm\" target=\"_blank\">O CEL \u00e9 o Limite<\/a>, que estreou em maio de 2002. Tamb\u00e9m \u00e9 locutor e produtor na empresa <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RadioVitrola.net\" target=\"_blank\">R\u00e1dio Vitrola<\/a> e respons\u00e1vel pela <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/historiapormusica\" target=\"_blank\">Hist\u00f3ria Por M\u00fasica<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/sob_o_ceu\/\"><strong>LEIA OUTRAS COLUNAS DE CARLOS EDUARDO LIMA NO SCREAM &amp; YELL<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sob o CEL #31\nO jornalista, historiador e colunista do Scream &#038; Yell, Carlos Eduardo Lima fala de seu novo projeto: Hist\u00f3ria Por M\u00fasica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/25\/sob-o-cel-historia-por-musica\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[457,46],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34114"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34114"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34114\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34152,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34114\/revisions\/34152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}