{"id":33991,"date":"2015-09-22T08:38:58","date_gmt":"2015-09-22T11:38:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33991"},"modified":"2026-01-27T11:26:47","modified_gmt":"2026-01-27T14:26:47","slug":"10-perolas-raras-do-rock-brasil-anos-80","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/22\/10-perolas-raras-do-rock-brasil-anos-80\/","title":{"rendered":"10 discos que s\u00e3o p\u00e9rolas raras do Rock Brasil anos 80"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33992\" title=\"dezdiscos1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/dezdiscos1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/dezdiscos1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/dezdiscos1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na semana passada listei <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/15\/pensata-rock-brasil-10-discos-30-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10 grandes discos de 1985<\/a> que tiveram grandes vendagens e marcaram o per\u00edodo. Por\u00e9m, a d\u00e9cada de 80 foi muito mais ampla, com uma dezena (talvez uma centena) de grupos cravando um \u00fanico hit nas paradas, gente como Eletrodom\u00e9sticos, respons\u00e1veis pelo sucesso radiof\u00f4nico \u201cChoveu no Meu Chip\u201d; ou o octeto carioca Esp\u00edrito da Coisa, que fez sucesso com a m\u00fasica \u201cLigeiramente Gr\u00e1vida\u201d; ou ainda o trio vocal feminino Afrodite Se Quiser? com a m\u00fasica \u201cO Que Que Ela Tem Que Eu N\u00e3o Tenho?\u201d, e muito mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, entre bandas que cravaram dezenas de hits nas paradas e one-hit-wonders que sacudiram ver\u00f5es brasileiros dos anos 80, um grupo de artistas passou despercebido por r\u00e1dios e TVs, mesmo lan\u00e7ando discos seminais para o per\u00edodo, \u00e1lbuns que foram elogiados pela cr\u00edtica da \u00e9poca, apareceram em listas de melhores do ano, mas n\u00e3o tiveram vendagem e repercuss\u00e3o no n\u00edvel de sua import\u00e2ncia. A lista abaixo re\u00fane 10 destes discos cl\u00e1ssicos do rock brasileiro dos anos 80, que continuam excelentes mais de duas d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"KID VINIL E SEUS HER\u00d3IS DO BRASIL - FULL \u00c1LBUM - ROCK BRASIL \u00c0 V\u00c8RA\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/daSFxmVVTZA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>-&#8220;Kid Vinil e os Her\u00f3is do Brasil&#8221;, Kid Vinil e os Her\u00f3is do Brasil (1986)<\/strong><br \/>\nKid Vinil cravou hits \u00e0 frente do Magazine (\u201cAdivinh\u00e3o\u201d, &#8220;Tic Tic Nervoso&#8221;, \u201cEu Sou Boy\u201d), banda que implodiu em 1985 devido ao enorme sucesso. Em 1986 ele surgia acompanhado pelos Her\u00f3is do Brasil, quarteto que trazia \u00e0 frente o guitarrista Andr\u00e9 Christovam e que lan\u00e7ou apenas este grande debute produzido por Roberto Carvalho e lan\u00e7ado pelo selo 3M. S\u00e3o nove rocks viciantes: da excelente abertura com \u201cSem Whisky &amp; Sem My Baby\u201d passando por poderosas vers\u00f5es de \u201cEverbody\u2019s Moving\u201d (vertida para \u201cConta da Light\u201d) e \u201cLost Highway\u201d (\u201cTrilha da Perdi\u00e7\u00e3o\u201d) e grandes can\u00e7\u00f5es como \u201cF\u00fatil Rock\u2019n Roll\u201d (com Rita Lee nos backings), \u201cIndepend\u00eancia ou Morte\u201d (do hil\u00e1rio refr\u00e3o \u201cMeu bem, eu preferia morrer \/ A ter que me casar com voc\u00ea\u201d) e \u201cAssassinato An\u00f4nimo\u201d, que conta com a harm\u00f4nica de Tony Osanah.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: Acima no Youtube. O \u00fanico disco de Kid Vinil e os Her\u00f3is do Brasil nunca foi lan\u00e7ado em CD nem digitalmente, mas circula pela web em vers\u00e3o ripada do&#8230; vinil. Vale muito a busca.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Defalla - Ferida (Pseudo Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WAOre5BInvU?list=OLAK5uy_mQ4hH0QC1w0LLY23x4GBN5mTAjH3WPnYU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;Papaparty&#8221;, DeFalla (1987)<\/strong><br \/>\nProvavelmente a cult band mais amada do per\u00edodo, o insucesso do quarteto ga\u00facho <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/20\/literatura-sem-nenhuma-direcao-defalla-1987-um-livro-imperdivel-sobre-um-disco-antologico\/\">DeFalla<\/a> na \u00e9poca \u00e9 constantemente atribu\u00eddo a sua pr\u00f3pria intelig\u00eancia: tanto este maravilhoso debute quanto o segundo disco, mais \u201ccertinho\u201d (dentro do jeito DeFalla de ser), s\u00e3o \u201cacusados\u201d de estar \u00e0 frente do seu tempo. Enquanto as outras bandas brasileiras da \u00e9poca copiavam Smiths, Police, Gang of Four e outros, o DeFalla promovia uma anarquia sonora sem nenhum paralelo na m\u00fasica brasileira at\u00e9 ent\u00e3o. Da abertura violenta com \u201cFerida\u201d passando pelas chapadas liga\u00e7\u00f5es entre uma m\u00fasica e outra, culminam hinos do ca\u00f3tico underground tupi como \u201cSodomia\u201d, \u201cN\u00e3o Me Mande Flores\u201d, \u201cSobre Amanh\u00e3\u201d, \u201cAlguma Coisa\u201d e \u201cJo Jo\u201d. Cl\u00e1ssico. Ap\u00f3s v\u00e1rias mudan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o, a banda retornou a ativa com a forma\u00e7\u00e3o original em 2011, lan\u00e7ou o excelente &#8220;Monstro&#8221; em 2016 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/17\/defalla-ao-vivo-no-sesc-pompeia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">al\u00e9m de fazer grandes shows<\/a>) e encerrou novamente as atividades. Mas n\u00e3o perca o foco: v\u00e1 atr\u00e1s dessa p\u00e9rola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: Tamb\u00e9m conhecido como &#8220;DeFalla&#8221;, o debute dos ga\u00fachos passou anos mutilado em colet\u00e2neas, muitas delas cortando as vinhetas, mas reapareceu nos players digitais completo em 2020, e ganhou um livro especial, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/20\/literatura-sem-nenhuma-direcao-defalla-1987-um-livro-imperdivel-sobre-um-disco-antologico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sem Nenhuma Dire\u00e7\u00e3o<\/a>&#8220;, em 2021.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nau - Bom Sonho\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Yn8kYEuiiJk?list=PLcHzrFyREj0AgpTH4Iqknck3VLp-KehVf\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;Nau&#8221;, Nau (1987)<\/strong><br \/>\nUma das bandas badaladas na noite paulistana na segunda metade dos anos 80 devido a for\u00e7a de seus shows, a Nau havia gravado duas faixas para a colet\u00e2nea \u201cN\u00e3o S\u00e3o Paulo 2\u201d, do selo Baratos Afins, em 1986, mas o vinil s\u00f3 saiu em 1987 (trazendo ainda outras tr\u00eas \u00f3timas bandas: Gueto, 365 e Vultos), mesmo ano desta pungente estreia pela major RCA, produzida por Luiz Carlos Maluly (respons\u00e1vel pelo primeiro \u00e1lbum do RPM). A banda unia o vocal marcante de Vange Leonel com os riffs cortantes da guitarra de Zique, ambos respons\u00e1veis por grande parte do material presente nesta estreia (completavam a forma\u00e7\u00e3o Beto Birger no baixo e Mauro Sanches na bateria). \u201cNovos Pesadelos\u201d, \u201cBarcas\u201d, \u201cCorpo Vadio\u201d e \u201cO Que Eu Quero \u00e9 Voc\u00ea\u201d mereciam ter tocado muito em r\u00e1dios. A banda chegou a trabalhar no material para um segundo \u00e1lbum, em 1988, mas o disco acabou engavetado na \u00e9poca, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/O_%C3%81lbum_Perdido_do_Nau\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e s\u00f3 foi lan\u00e7ado 30 anos depois<\/a>, em 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: 39 anos ap\u00f3s seu lan\u00e7amento, o disco de estreia da Nau foi disponibilizado nas plataformas em 2025.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"As Mercen\u00e1rias - Trashland (\u00c1lbum Completo) [1988]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SMFCIUuadsU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;Trashland&#8221;, As Mercen\u00e1rias (1987)<\/strong><br \/>\nTal como a Nau, As Mercen\u00e1rias s\u00e3o remanescentes da cena p\u00f3s punk paulistana da primeira metade dos anos 80. Tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por boa parte da inspira\u00e7\u00e3o dos Tit\u00e3s em \u201cCabe\u00e7a Dinossauro\u201d, que clonava temas como \u201cPol\u00edcia\u201d, \u201cSanta Igreja\u201d, \u201cInimigo\u201d e \u201cP\u00e2nico\u201d, todos presentes em \u201cCad\u00ea As Armas?\u201d, \u00e1lbum independente lan\u00e7ado pela Baratos Afins em 1986. No ano seguinte, as garotas assinaram com a major EMI e, produzidas por Edgard Scandurra (membro de primeira hora da banda, tocando bateria), lan\u00e7aram esse majestoso \u201cTrashland\u201d, que mostrava a maturidade do grupo. A faixa \u201cA\u00e7\u00e3o na Cidade\u201d chegou a tocar nas r\u00e1dios, mas n\u00e3o alavancou as vendas de um \u00e1lbum intenso, que \u00e9 aberto com a clim\u00e1tica \u201cLembran\u00e7as\u201d, traz uma sele\u00e7\u00e3o dos \u201cProv\u00e9rbios do Inferno\u201d, de William Blake, impecavelmente musicada, e grandes faixas como \u201cH\u00e1 Dez Anos Passados\u201d e \u201cSomos Milh\u00f5es\u201d. Em 2015, Sandra Coutinho <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/09\/entrevista-sandra-coutinho\/\">liberou uma demo de 1983<\/a> da banda. Vale ir atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: Acima no Youtube. O \u00e1lbum nunca foi relan\u00e7ado em CD nem em digital, mas circula pela web em vers\u00e3o ripada do vinil.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"3 Lugares Diferentes\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kPdD-75K8G--81fqrG8GtbEKGNS6KQSnU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;3 Lugares Diferentes&#8221;, Fellini (1987)<\/strong><br \/>\nUma anedota de bastidores d\u00e1 conta da import\u00e2ncia deste \u00e1lbum: na vota\u00e7\u00e3o dos Melhores Discos de 1986 realizada pela revista Bizz, a mais importante publica\u00e7\u00e3o musical brasileira do per\u00edodo, ele aparece em primeiro lugar empatado com \u201cJesus N\u00e3o Tem Dentes No Pa\u00eds dos Banguelas\u201d, dos Tit\u00e3s (a estreia do DeFalla ficou em terceiro), mas consta que a vota\u00e7\u00e3o foi \u201cmexida\u201d, e n\u00e3o a favor do Fellini, diz um personagem da \u00e9poca: \u201cTivemos que tirar uns pontos deles para o Tit\u00e3s empatar\u201d. Terceiro \u00e1lbum independente do trio paulistano, tamb\u00e9m lan\u00e7ado pela Baratos Afins, este genial \u201c3 Lugares Diferentes\u201d tinha nenhuma chance nas paradas contra os \u00e1lbuns lan\u00e7ados (e jabazados) pelas majors, o que diz mais sobre estrat\u00e9gia de marketing e vendas do que sobre qualidade. P\u00e9rolas como \u201cAmbos Mundos\u201d, \u201cLa Paz Song\u201d, a pungente \u201cPai\u201d mais \u201cZum Zum Zum Zazoeira\u201d e \u201cTeu Ingl\u00eas\u201d s\u00e3o absolutamente eternas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: No Bandcamp da banda: <a href=\"https:\/\/fellini.bandcamp.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/fellini.bandcamp.com<\/a>. O \u00e1lbum foi relan\u00e7ado em CD com faixas b\u00f4nus e pode ser adquirido na loja e no site da Baratos Afins.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A M\u00e3o De Mao\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mujWbHcEGzXm7h_Vmw1m5Vy3fV1DdPDyo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;A M\u00e3o de Mao&#8221;, Metr\u00f4 (1987)<\/strong><br \/>\nLuiz Carlos Maluly, que assina a produ\u00e7\u00e3o do disco da Nau e do RPM, tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pelo primeiro \u00e1lbum do Metr\u00f4, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/31\/tres-cds-hanoi-hanoi-marisa-monte-metro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Olhar<\/a>\u201d, de 1985 \u2013 que cravou um punhado de hits nas paradas e implodiu a forma\u00e7\u00e3o original da banda no auge, marcado pela sa\u00edda da vocalista Virginie \u2013 e por esta segunda vinda do grupo, com o portugu\u00eas Pedro Parq nos vocais. Lan\u00e7ado em 1987 pela gravadora CBS Records, o absolutamente surrealista \u201cA M\u00e3o de Mao\u201d satisfez a cr\u00edtica, mas frustrou o p\u00fablico, que n\u00e3o entendeu as maluquices sonoras que levavam o Metr\u00f4 a flertar com a psicodelia (a faixa t\u00edtulo), o jazz (na maravilhosa \u201cAtl\u00e2ntico, 07 de Novembro\u201d) e o rock com toques indianos (\u201cBoca\u201d). O single \u201cGato Preto\u201d (com mixagens diferentes no vinil da \u00e9poca e no relan\u00e7amento em CD) tocou pouco em r\u00e1dios, que tamb\u00e9m desconhecem a balada irrepreens\u00edvel \u201cL\u00e1grimas Im\u00f3veis\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: O \u00e1lbum foi relan\u00e7ado em CD no final dos anos 90 e j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel em portais de streaming. Aprovado pela banda, o site <a href=\"http:\/\/www.metrobr.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.metrobr.com<\/a>,\u00a0 tamb\u00e9m oferece o disco inteiro (e outras raridades do Metr\u00f4) em MP3.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Black Future &quot;Eu Sou O Rio&quot;\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xTE7pZ-2Dcs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;Eu Sou o Rio&#8221;, Black Future (1988)<\/strong><br \/>\nDo underground da Lapa para lugar nenhum, o Black Future debutou oficialmente pelo selo Plug, da major BMG, em 1988, com este poderoso manifesto carioca, um coquetel de samba noise que pouco tem a ver com a Cidade Maravilhosa desenhada pela Bossa Nova e pela MPB dos anos 60 e 70. J\u00e1 na faixa t\u00edtulo, com repiques de escola de samba na introdu\u00e7\u00e3o, batidas a la Cabaret Voltaire e linha de baixo a PIL, M\u00e1rcio Satan\u00e9sio Bandeira desfila uma letra apote\u00f3tica: \u201cEu sou o Rio da caipirinha e do sol (&#8230;) Eu sou o Rio das favelas que fedem a mijo\u201d. Boa parte da galera que participa deste Top 10 pessoal tamb\u00e9m participa do caos deste disco: Edu K e Biba Meira (DeFalla), Alex Antunes (Akira S. &amp; As Garotas que Erraram), Ronaldo Pereira (Finis Africae), Edgard Scandurra (Ira!) e Thomas Pappon (Fellini) recheiam um \u00e1lbum que credencia ainda faixas como \u201cNo Nights\u201d, \u201cReflex\u00e3o\u201d e a niilista \u201cBem Depois\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: O \u00e1lbum nunca foi relan\u00e7ado em CD nem em digital, mas circula pela web em vers\u00e3o ripada do vinil.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Supercarioca\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mR63OWzxEhS80ANcfciDqWKtBJwy449Kk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;Supercarioca&#8221;, Picassos Falsos (1988)<\/strong><br \/>\nProduzido pelo jornalista Jos\u00e9 Emilio Rondeau, \u201cPicassos Falsos\u201d, o debute do quarteto carioca lan\u00e7ado em 1987 pelo selo Plug, da RCA, trazia uma obra prima (\u201cCarne e Osso\u201d) e um semi-hit, \u201cQuadrinhos\u201d, mas n\u00e3o d\u00e1 conta do potencial que o grupo poderia alcan\u00e7ar em est\u00fadio, e que foi exposto em seu auge no segundo disco, \u201cSupercarioca\u201d, um \u00e1lbum em que a banda radicaliza o conceito de misturar rock com m\u00fasica brasileira. N\u00e3o a toa, \u201cRetinas\u201d, a can\u00e7\u00e3o que abre o \u00e1lbum, \u00e9 introduzida por voz e pandeiro, e logo recebe uma dose caprichada de microfonia. Durante o disco, riffs poderosos de guitarra (a cargo de Gustavo Corsi) duelam com o vocal marcante de Humberto Effe, respons\u00e1vel tamb\u00e9m pelas letras excelentes. Impec\u00e1vel do come\u00e7o ao fim, &#8220;Supercarioca&#8221; destaca faixas poderosas como \u201cSangue\u201d, \u201cBolero\u201d, \u201cVer\u00f5es\u201d, \u201cO Homem Que N\u00e3o Vendeu Sua Alma\u201d e \u201cRio de Janeiro\u201d. Essencial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: O \u00e1lbum foi relan\u00e7ado em CD na colet\u00e2nea \u201cHot 20\u201d (fora de cat\u00e1logo) junto com o primeiro \u00e1lbum, e depois n\u00e3o s\u00f3 ganhou reedi\u00e7\u00e3o isolada como tamb\u00e9m um especial em v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=n4ASlhwf5Ss&amp;list=PLTaRWr5sdDvl_jiGRJndWN4xpNyM-r1tb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com a banda festejando em est\u00fadio 25 anos de lan\u00e7amento do disco<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Ultimo Numero - Desintoxica\u00e7\u00e3o\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fkxCzMaiWsQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; &#8220;Filme&#8221;, \u00daltimo N\u00famero (1988)<\/strong><br \/>\nMais um da safra independente, desta vez de Minas Gerais, o \u00daltimo N\u00famero debutou em 1986 pelo selo Cambio Negro com o bel\u00edssimo \u00e1lbum \u201cStrip-Tease da Alma\u201d, que unia a poesia e o grande vocal de Gato Jair com os bons riffs de guitarra do garoto Jo\u00e3o Daniel Ulhoa, que deixaria a banda no ano seguinte para se dedicar ao grupo Sexo Expl\u00edcito (e, depois, ao Pato Fu). Reformado como um quinteto, o \u00daltimo N\u00famero conseguiu superar a \u00f3tima estreia neste brilhante segundo \u00e1lbum, \u201cFilme\u201d, de 1988. A sonoridade \u00e9 mais cheia, redonda e complexa. O vocal de Gato Jair brilha na maravilhosa faixa de abertura, \u201cDesintoxica\u00e7\u00e3o\u201d, na revis\u00e3o de \u201cArs Longa Vita Brevis II\u201d (presente no primeiro \u00e1lbum, e muito mais encorpada aqui), na clim\u00e1tica faixa t\u00edtulo (que abre com o verso \u201cAcossado e s\u00f3, estou cansado de tudo que fiz \/ voc\u00ea \u00e9 o sol l\u00e1 em cima e n\u00e3o existe amor feliz\u201d) e na \u00f3tima vers\u00e3o de \u201cCome Together\u201d, dos Beatles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: O \u00e1lbum nunca foi relan\u00e7ado em CD nem em digital, mas circula pela web em vers\u00e3o ripada do vinil.<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;O Disco dos Mist\u00e9rios&quot;, Sexpl\u00edcito (1991)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9jVl-2EhGcM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8211; \u201cO disco dos mist\u00e9rios ou 3 diabos e \u00bd ou Sexpl\u00edcito visita o S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo ou tributo a H. Romeu Pinto\u201d, Sexpl\u00edcito (1991)<\/strong><br \/>\nO correto seria citar nesta lista o \u00e1lbum de estreia do Sexo Expl\u00edcito, \u201cCombust\u00edvel para o Fogo\u201d, lan\u00e7ado em 1989 pelo selo Eldorado, mas o preferido da casa \u00e9 este segundo disco, de t\u00edtulo quilom\u00e9trico e muito mais palat\u00e1vel do que a histeria ca\u00f3tica da estreia (mas n\u00e3o deixe de ir atr\u00e1s de \u201cA Obra\u201d e \u201cCuidado com Nixon\u201d, duas do debute). Formado por John Ulhoa, Rubs Troll, Roger Bacoom e Marompas, o Sexpl\u00edcito fez de seu segundo disco um \u201cGreatest Hits\u201d ignorado pelas r\u00e1dios: a balada \u201cFaca\u201d, aqui na segunda vers\u00e3o acrescida dos teclados de Luiz Schiavon, \u00e9 total trilha de novela. \u201cO Filho Predileto do Rajneesh\u201d foi regravada pelo Pato Fu no \u00e1lbum \u201cIsopor\u201d (1999) e uma sobra de est\u00fadio, \u201cA Necrofilia da Arte\u201d, apareceu no \u00e1lbum \u201cTelevis\u00e3o de Cachorro\u201d (1998). H\u00e1 mais: a levada pop com grande vocal de Rubs em \u201cBonanza Exorcista\u201d, a \u00f3tima \u201cCoisa Linda\u201d, a sensacional \u201cSpeak Ou Morra\u201d (que riff, que letra), a balada anti-alistamento \u201cNo Thanks\u201d e, n\u00e3o presente no disco por veto de Prince, mas liberada no Soundcloud, \u201cSem Ningu\u00e9m\u201d, vers\u00e3o de \u201cPurple Rain\u201d. Cl\u00e1ssico&#8230; e desconhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Onde ouvir: O disco foi digitalizado no come\u00e7o dos anos 2020 e est\u00e1 dispon\u00edvel em streaming, mas o Soundcloud da banda traz n\u00e3o s\u00f3 o disco na integra como raridades e vers\u00f5es de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas que acabaram entrando no repert\u00f3rio do Pato Fu: <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/sexo-explicito\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/soundcloud.com\/sexo-explicito<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Rock Brasil, 10 Discos (Legi\u00e3o, RPM, Ira!, Ultraje, Sepultura), 30 Anos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/15\/pensata-rock-brasil-10-discos-30-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Assista ao document\u00e1rio sobre o disco \u201cRock Grande do Sul, 30 Anos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/12\/28\/assista-rock-grande-do-sul-30-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 O rock nacional anos 80 e a Censura Federal (Blitz, Lob\u00e3o, Ultraje) (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/30\/o-rock-nacional-anos-80-e-a-censura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">leia aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"10 discos cl\u00e1ssicos e pouco ouvidos do rock brasileiro dos anos 80, que continuam excelentes mais de duas d\u00e9cadas depois.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/22\/10-perolas-raras-do-rock-brasil-anos-80\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3051,1222,1084,448,964,7260,5157,5204,3059,5205],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33991"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33991"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33991\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93546,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33991\/revisions\/93546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33991"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33991"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33991"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}