{"id":3378,"date":"2009-12-28T00:05:02","date_gmt":"2009-12-28T03:05:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=3378"},"modified":"2010-01-14T17:51:28","modified_gmt":"2010-01-14T20:51:28","slug":"cinema-ervas-daninhas-alain-resnais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/28\/cinema-ervas-daninhas-alain-resnais\/","title":{"rendered":"Cinema: Ervas Daninhas, Alain Resnais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-3369\" title=\"Cartaz do filme &quot;Ervas Daninhas&quot;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ervas.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ervas.jpg 320w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ervas-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela se chama Marguerite Muir, e seus p\u00e9s delicados se destacam entre milhares de p\u00e9s no caminhar parisiense. Ela n\u00e3o mora em Paris, mas vai \u00e0 cidade comprar um sapato em sua loja predileta, com a vendedora predileta. V\u00edcios. Assim que deixa a loja saltitante com o modelo escolhido devidamente protegido em uma sacola na m\u00e3o esquerda, Marguerite tem sua bolsa (desleixada na m\u00e3o direita) roubada por um pivete em uma bicicleta. Ela pensa em gritar, mas abafa a vontade por, talvez, medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele se chama Georges Palet. Est\u00e1 deixando o shopping quando v\u00ea uma carteira vermelha no ch\u00e3o, ao lado do pneu de seu carro. Ele pega a carteira, e hesita em abri-la. Neste mesmo momento, duas garotas passam por ele, uma delas vestindo uma provocante calcinha preta debaixo de uma cal\u00e7a branca. Georges se sente enojado, ultrajado, excitado e, por fim, tarado. Pensa em bater na menina, nela e na amiga dela, ensin\u00e1-las com palmadinhas que n\u00e3o se deve deix\u00e1-lo assim no meio de uma garagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marguerite e Georges s\u00e3o os dois personagens improv\u00e1veis de \u201cErvas Daninhas\u201d (\u201cLes Herbes Folles\u201d), novo filme de Alain Resnais, lend\u00e1rio cineasta que aos 87 anos e quase cego insiste em dar n\u00f3s na cabe\u00e7a do p\u00fablico. Resnais brinca com o espectador de forma sublime (para ele, distorcida para n\u00f3s) nesta f\u00e1bula sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a que parte do acaso para abra\u00e7ar o nonsense enquanto rel\u00ea a cartilha dos maiores clich\u00eas acerca do romance cinematogr\u00e1fico franc\u00eas abusando da com\u00e9dia, do drama e, \u00f3bvio, da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7a quando Georges tenta entrar em contato com Marguerite. Ele faz um dramalh\u00e3o sobre um tema simples: avisar algu\u00e9m que perdeu a carteira de que voc\u00ea a achou. Georges fantasia que a dona da carteira ir\u00e1 premia-lo com&#8230; seu amor eterno, mas n\u00e3o consegue falar com ela ao telefone. Acaba deixando a carteira em uma delegacia, e um policial faz a ponte. Feliz por ter seus documentos de volta, Marguerite liga para agradecer Georges, e o circulo vicioso da loucura se inicia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como em \u201cMedos Privados em Lugares P\u00fablicos\u201d, Alain Resnais parece querer jogar na cara do espectador que tudo aquilo que est\u00e1 na tela \u00e9 inventado. Um dos sintomas s\u00e3o as cores exuberantes, vivas, que mais parecem sa\u00eddas de sonhos do que da vida real. Nada sugere seriedade em \u201cErvas Daninhas\u201d. At\u00e9 os momentos mais dram\u00e1ticos s\u00e3o afogados em sarcasmo cinematogr\u00e1fico de tal forma que voc\u00ea, leitor, por exemplo, n\u00e3o pode imaginar o mal que uma braguilha emperrada pode causar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cErvas Daninhas\u201d \u00e9 uma tira\u00e7\u00e3o de sarro com os clich\u00eas do cinema franc\u00eas (o amor fortuito, os tri\u00e2ngulos amorosos, a trag\u00e9dia rom\u00e2ntica), uma aula de independ\u00eancia cinematogr\u00e1fica baseada em exerc\u00edcio de estilo, e uma pegadinha para os viciados nos roteiros fechadinhos das com\u00e9dias rom\u00e2nticas de Hollywood e para os (pseudo)intelectuais que procuram seriedade em uma piada. N\u00e3o espere nada l\u00f3gico (\u00f3bvio, talvez). \u201cErvas Daninhas\u201d \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o, algo raro no cinema atual. Uns v\u00e3o odiar. A maioria n\u00e3o vai entender, mas Alain Resnais vai rir. Talvez sozinho, mas vai rir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo Costa \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_self\"><span style=\"color: #29568f;\">Calmantes com Champagne<\/span><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3370 aligncenter\" title=\"Cena de &quot;Ervas Daninhas&quot;\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/ervas1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nAos 87 anos e quase cego, Alain Resnais ainda insiste em dar n\u00f3s na cabe\u00e7a do p\u00fablico com um filme que \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/28\/cinema-ervas-daninhas-alain-resnais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3378"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3516,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3378\/revisions\/3516"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}