{"id":33676,"date":"2007-11-22T12:50:38","date_gmt":"2007-11-22T15:50:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33676"},"modified":"2015-09-16T12:53:09","modified_gmt":"2015-09-16T15:53:09","slug":"blog-do-editor-um-vicio-chamado-radiohead","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/22\/blog-do-editor-um-vicio-chamado-radiohead\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: Um v\u00edcio chamado Radiohead"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">por Mac<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz seis semanas que \u201cIn Rainbows\u201d crava as dez m\u00fasicas mais ouvidas  da r\u00e1dio Last FM. Ent\u00e3o voc\u00ea questiona: isso l\u00e1 significa alguma coisa?\u00a0  Bem, os n\u00fameros respondem isso. Em seis semanas (42 dias), o Radiohead  foi executado pela Last FM nada menos do que 11 milh\u00f5es de vezes (n\u00famero  preciso: 11.594.424 execu\u00e7\u00f5es). \u201c15 Step\u201d, a m\u00fasica que abre \u201cIn  Rainbows\u201d, j\u00e1 foi ouvida 760 mil vezes pelos usu\u00e1rios cadastrados no  site. \u201cVideotape\u201d, a faixa que encerra o \u00e1lbum, teve 620 mil execu\u00e7\u00f5es.  Esses n\u00fameros s\u00e3o assustadores\u2026 pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda coisa que tenho para falar sobre o Radiohead diz respeito  ao livro estampado neste post: \u201cBeijar o C\u00e9u\u201d, de Simon Reynolds. O  livro traz muitas mat\u00e9rias bacanas, mas a do Radiohead \u00e9 sensacional.  Escrita originalmente para a The Wire brit\u00e2nica, a reportagem (que foi  capa da revista) ocupa 30 p\u00e1ginas do livro, e traz dezenas de momentos  memor\u00e1veis de jornalismo pop. Abaixo transcrevo alguns:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-33677    aligncenter\" title=\"simon_reynolds\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/simon_reynolds.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1)<em> \u201cTalvez seu primeiro pensamento quando pegou este n\u00famero da  The Wire tenha sido \u2018que porra \u00e9 essa?\u2019, e talvez seja uma rea\u00e7\u00e3o  compreens\u00edvel. Afinal, o Radiohead \u00e9 um grupo que conseguiu vendas  multiplatinadas em 50 pa\u00edses. N\u00e3o fiz as contas (n\u00e3o sou t\u00e3o louco), mas  considero perfeitamente conceb\u00edvel que as vendas totais de cada artista  que aparece nesta edi\u00e7\u00e3o da The Wire, somadas, talvez n\u00e3o passe as  vendas globais de \u2018Ok Computer\u2019, o maior \u00e1lbum do Radiohead. E existe um  argumento forte de que uma banda com esse tipo de peso comercial e tal  n\u00edvel de consenso no mainstream simplesmente n\u00e3o tem lugar na capa de  uma revista desse tipo, conhecida por lutar pelos dissidentes e pelos  que est\u00e3o a margem.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>S\u00f3 que o Radiohead, eu insisto, fez por merecer. Considere os  fatos: no final do ano passado, tr\u00eas \u00e1lbuns rejuvenesceram o conceito  moribundo do p\u00f3s-rock. \u2018Agaetis Byrjun\u2019, do Sigur Ros; \u2018Lift Yr. Skinny  Fists Like Antennas To Heaven\u2019, do Godspeed You! Black Emperor; e \u2018Kid  A\u2019. (\u2026) Acontece que s\u00f3 um dos membros desse triunvirato do p\u00f3s rock  entrou no primeiro lugar das paradas de \u00e1lbuns mais vendidos do Reino  Unido e dos EUA. (\u2026) O fato \u00e9 que o Radiohead opera hoje como embaixador  do mainstream para muitas das coisas que essa revista estima\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) <em>Jonny Grrenwood fala: \u201cQuando sa\u00edram as cr\u00edticas de \u2018Kid A\u2019,  nos acusando de sermos dif\u00edceis de prop\u00f3sito, eu falei: \u2018Se isso fosse  verdade, ter\u00edamos feito um servi\u00e7o muito melhor\u2019. O disco n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o  complicado assim \u2013 tudo ainda tem quatro minutos de dura\u00e7\u00e3o, \u00e9  mel\u00f3dico\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) <em>Thom Yorke fala: \u201cEstamos muito felizes porque, dois dias  atr\u00e1s, o Jonny deu uma entrevista para um jornal brasileiro e a primeira  pergunta foi: \u2018O que voc\u00ea achou do Noel e do Liam dizerem que \u2018Kid A\u2019  foi uma monumental covardia?\u2019 N\u00e3o sei o que isso quer dizer, mas quem se  importa, a gente falou YES, finalmente deixamos eles putos\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4) <em>Talvez o coment\u00e1rio de \u201ccovardia\u201d dos irm\u00e3os Gallagher esteja  relacionado \u00e0 ideologia central do britpop, de  fazer-sucesso-a-qualquer-custo. Essa ret\u00f3rica de ter as paradas de  sucesso como alvo, afinal, denigre os velhos ideais do indie rock como  derrotista, obscurantista, elitista at\u00e9. N\u00e3o s\u00f3 \u201cKid A\u201d ressuscitou um  conceito diferente de ambi\u00e7\u00e3o \u2013 amadurecimento art\u00edstico contra explos\u00e3o  comercial \u2013 mas tamb\u00e9m interferiu no destino \u201ccorreto\u201d do Radiohead:  tornar-se uma megabanda tipo U2 fase \u201cThe Joshua Tree\u201d (\u2026)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Esp\u00e9cie de \u00e1lbum semiconceitual sobre a tecnologia e a aliena\u00e7\u00e3o,  a magnitude de \u201cOk Computer\u201d \u2013 em termos de som, tem\u00e1tica e aspira\u00e7\u00e3o \u2013  fez o britpop pagar por seus erros, substituindo seu  anti-intelectualismo juvenil e seu hedonismo vazio pelo glamour da  literatura e da ang\u00fastia. Noel e Liam t\u00eam raz\u00e3o em se sentirem  incomodados: o Radiohead \u00e9 o anti-Oasis, \u00e9 o enorme sucesso de \u201cOk  Computer\u201d ofuscando \u201cBe Here Now\u201d, o \u00e1lbum dos irm\u00e3os Gallagher inflado e  arruinado pela coca\u00edna.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. Eu queria colocar mais trechos, mas o texto \u00e9 graaaaaaaaande e tem muita coisa imperd\u00edvel\u2026 risos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Faz seis semanas que \u201cIn Rainbows\u201d crava as dez m\u00fasicas mais ouvidas da r\u00e1dio Last FM. 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