{"id":33671,"date":"2007-10-15T12:40:38","date_gmt":"2007-10-15T15:40:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33671"},"modified":"2015-09-16T12:42:14","modified_gmt":"2015-09-16T15:42:14","slug":"blog-do-editor-marcelo-costa-o-ogro-fofo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/10\/15\/blog-do-editor-marcelo-costa-o-ogro-fofo\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: Marcelo Costa, o ogro-fofo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">por Mac<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevi um textinho especial para o blog Comidinhas,  da querida Ale Blanco, contando sobre minhas experi\u00eancias culin\u00e1rias.  Da pr\u00f3xima vez que fizer um tournedo com ervas, posto uma foto aqui, ok.  Al\u00e9m da receita, e da hist\u00f3ria,\u00a0a Ale\u00a0come\u00e7a escrevendo assim e\u2026 bem\u2026  as frases dizem por si mesmas\u2026 :)~<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ps. Este texto \u00e9 dedicado a Helena, minha \u201cprofessora\u201d de culin\u00e1ria\u2026 e  a Lili, que vai experimentar meus pratos malucos quem sabe at\u00e9 os meus  100 anos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O ogro-fofo, por Ale Banco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cO Marcelo Costa \u00e9 o t\u00edpico menino que eu e minhas amigas  chamamos de o \u201cogro-fofo\u201d. Sabe aquele tipo que gosta de futebol,  conhece tudo de m\u00fasica, tem um fanzine h\u00e1 anos, um blog, anda com  camisetas de banda de rock ou camisas xadrez, adora um clube indie da  rua Augusta ou da Barra Funda? Esse \u00e9 o lado ogro. O fofo \u00e9 que ele \u00e9 um  amor, amigo para todas as horas, total amorzinho com a namorada (agora  mulher). Mas jamais o tipo que eu imaginaria curtir um forno e fog\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A gente se conhece h\u00e1 anos, trabalhamos juntos h\u00e1 v\u00e1rios outros e  pelo menos umas duas vezes por semana eu dou uma carona na sa\u00edda do  trabalho e o deixo na porta de casa. Falamos sobre quase tudo, inclusive  comida. Mas h\u00e1 alguns dias em um papo parado no tr\u00e2nsito o Mac disse  que havia comprado um livro de dicas para homens na cozinha e que vinha  se saindo muito bem. Contou que havia passado o est\u00e1gio do macarr\u00e3o, que  seu risoto era um sucesso e me deu dicas de preparo de carnes!!!! Achei  que merecia um depoimento aqui no Comidinhas. Ent\u00e3o, a\u00ed vai abaixo: um  ogro-fofo que acaba de se aventurar pela arte da culin\u00e1ria:\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma homem na cozinha, por Marcelo Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu sempre tive vontade de aprender a cozinhar. Quando tinha meus 15  anos, imaginava que quando chegasse aos 30 iria entrar em um curso de  culin\u00e1ria e descobrir os prazeres da boa cozinha. Os 30 anos se  passaram, a vontade de aprender a cozinhar continuou, mas o tal curso de  culin\u00e1ria virou sonho de adolescente: na hora de escolher os primeiros  m\u00f3veis para a minha primeira casa de \u201chomem morando sozinho\u201d, a cama de  casal e uma TV 29 polegadas vieram na frente da geladeira e do fog\u00e3o,  que s\u00f3 foram fazer parte do ambiente um ano depois\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compra de geladeira e fog\u00e3o n\u00e3o quis dizer muita coisa. A geladeira  servia para manter as cervejas geladas e o fog\u00e3o para fazer pipocas. Ou  seja, eu era um caso perdido. At\u00e9 que uma amiga querida decidiu me dar  um empurr\u00e3o e me ensinar a fazer risoto, um risoto de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; \u201cMinha especialidade: risoto (tem panela e colher de pau a\u00ed?)\u201d<br \/>\n&#8211; \u201cColher de pau? Hummm\u2026 vou tentar comprar\u2026 risos\u2026 mas panelas t\u00eam!\u201d<br \/>\n&#8211; \u201cCompra-se colher de pau com pouqu\u00edssimo dinheiro em qualquer supermercado\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim foi. Aprendi a fazer risoto, e na primeira oportunidade  testei o novo dom com a namorada na casa das amigas dela. O namoro  estava come\u00e7ando e um fracasso naquele momento iria virar piada para o  resto da vida, mas todos gostaram. Escrevi para a minha professora: <em>\u201cFicou  bom. T\u00e1, o arroz estava um pouco durinho, mas nem tanto, e como eu  deixei o alho por\u00f3 passar do ponto, o arroz ficou amarronzado. Ficou  \u2018bunito\u2019. E gostoso sim. Mas tenho que melhorar muito!\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Animada com o sucesso do aluno, e rec\u00e9m-formada em um curso de  culin\u00e1ria, ela resolveu apostar no amigo, e lhe deu um livro que,  segundo ela, havia quebrado muitos galhos em suas aventuras culin\u00e1rias:  \u201cGuia Para a Sobreviv\u00eancia do Homem na Cozinha\u201d, de Alessandra Porro. A  introdu\u00e7\u00e3o escrita pelo pai da autora junta poesia familiar, David  Bowie, Beatles e cabelos curtos em um jantar londrino. Diz o pai em  certo trecho, antes de contar os detalhes da fam\u00edlia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cEu n\u00e3o acredito em receitas. Respeito o b\u00e1sico, mas detesto as  bizarrias que durante algum tempo nos foram oferecidas em nome de uma  estromb\u00f3tica nouvelle cuisine. Cozinhar, para mim, \u00e9 exerc\u00edcio de  cria\u00e7\u00e3o, de inven\u00e7\u00e3o, de fantasia e inspira\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 preciso respeitar o  paladar dos h\u00f3spedes\u201d<\/em>, explica, antes de jogar uma pitada de a\u00e7\u00facar sobre a filha: <em>\u201cQuando  comecei a ler as provas deste livro (\u2026) fui obrigado a rever \u2013 em parte  \u2013 minha atitude carregada de preconceitos contra receitas. As que  Alessandra nos oferece cont\u00eam, numa dosagem exata, o essencial e a  fantasia\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o livro em m\u00e3os fui fu\u00e7ar as tais receitas. O texto \u00e9 divertido e  os rodap\u00e9s funcionam como pequenas por\u00e7\u00f5es de tempero sobre o  cotidiano. Na p\u00e1gina 18, uma nota de rodap\u00e9 explica que as <em>\u201cPanelas  de Barro eram confeccionadas originalmente pelos \u00edndios e as de pedra  sab\u00e3o s\u00e3o, em grande parte, de Minas Gerais. Al\u00e9m de conferir um sabor  especial \u00e0 comida, elas se prestam a prepara\u00e7\u00f5es lentas, pois conservam o  calor e o distribui uniformemente\u201d.<\/em> Cool.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cap\u00edtulo \u201cCortes, Aproveitamento e Conserva\u00e7\u00e3o de Carnes\u201d, a  autora abre a p\u00e1gina dizendo que vegetarianos convictos n\u00e3o devem ler o  que vir\u00e1 a seguir. Segundo ela, vegetarianos s\u00e3o <em>\u201canimais que se alimentam exclusivamente de vegetais e fogem daqueles que comem carne, como o tigre, o le\u00e3o e o leopardo\u201d<\/em>. Logo abaixo, uma dica interessante: <em>\u201cAo  contr\u00e1rio daquilo que o seu a\u00e7ougueiro costuma repetir, n\u00e3o existe  carne de primeira ou de segunda. O que existe \u00e9 carne boa, bem tratada e  bem utilizada\u201d<\/em>. Bingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel perceber que decidi come\u00e7ar minha aventura na cozinha  pelas carnes, acredito. Apostei nos tournedos com ervas, algo que l\u00e1 em  Taubat\u00e9, cidade em que cresci, costuma ser chamado de medalh\u00f5es. Levei o  livro para o supermercado e fui separando os ingredientes: fil\u00e9s,  bacon, manteiga, salsinha e pimenta-do-reino. A namorada tomou conta do  arroz, uma amiga assumiu a salada e fiquei na total responsabilidade  pelos tournedos com ervas. Preciso assumir que cozinhar para outras  pessoas d\u00e1 um friozinho na barriga. Ser\u00e1 que vai ficar bom? Ser\u00e1 que  exagerei no tempero? Ser\u00e1 que passou do ponto? Isso n\u00e3o era pra ser  divertido? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi divertido. O prato ficou \u00f3timo, daqueles que ao provar voc\u00ea  fica na d\u00favida se foi voc\u00ea realmente quem fez (ou ent\u00e3o, pior, que foi  sorte de principiante). Na primeira vez que a m\u00e3e e a irm\u00e3 vieram para  S\u00e3o Paulo visitar o filho, adivinha o prato principal: tournedos com  ervas, claro. A m\u00e3e toda hora ia na cozinha, observar, mas aceitou que  naquele domingo ela seria visita e o filho quem iria cozinhar. E a  receita, seguida a risca, saiu t\u00e3o perfeita quanto da primeira vez. A  m\u00e3e voltou feliz e imaginando que, agora, pode ficar despreocupada: \u201cEle  cozinha bem, n\u00e3o vai passar fome\u201d (risos \u2013 as m\u00e3es sempre acham que n\u00f3s  vamos passar fome).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s esse \u00edmpeto inicial, arrisquei mais algumas receitas, mas a  frase \u201cele cozinha bem\u201d est\u00e1 muito (mas muuuuuito) longe da realidade.  Na verdade, acho que estou perdendo aos poucos o medo da cozinha e  sobrevivendo neste ambiente de colheres de pau, panelas, cheiros e  sabores. Fa\u00e7o testes com umas ervas aqui, uns cheiros acol\u00e1, nada muito  dif\u00edcil. Ainda sou extremamente dependente do meu \u201cGuia Para a  Sobreviv\u00eancia do Homem na Cozinha\u201d, que depois de uma arruma\u00e7\u00e3o na  estante de livros do quartinho acabou ganhando um lugar definitivo na  nova casa: sobre o arm\u00e1rio da cozinha, ao lado do \u201cArroz, Feij\u00e3o e\u2026\u201d,  livro de Glorinha Barbosa que a namorada, agora \u201cesposa\u201d, ganhou de uma  tia quando veio morar sozinha em S\u00e3o Paulo (ela \u00e9 mineira). Abaixo, a  receita dos tournedos com ervas (para duas pessoas). \u00c9 facinha, embora  nada seja muito f\u00e1cil para um homem que sobrevive na cozinha\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tournedos com Ervas (para duas pessoas)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; 4 fil\u00e9s (cortados para tournedos*) de 100 a 150g cada, com 5cm de espessura;<br \/>\n&#8211; 4 fatias de bacon;<br \/>\n&#8211; 50g de manteiga, que deve ser derretida da geladeira 30 minutos antes da prepara\u00e7\u00e3o;<br \/>\n&#8211; 1 colher de sopa de salsinha bem picada;<br \/>\n&#8211; Sal e pimenta-do-reino;<br \/>\n&#8211; 4 palitos de dente 50 cm de barbante;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) Tempere os tournedos apenas com a pimenta-do-reino;<br \/>\n2) Enrole cada peda\u00e7o de carne com 2 fatias de bacon, no sentido da altura; **<br \/>\n3) Voc\u00ea pode prender o bacon usando palitos de dente ou amarrando com um barbante qualquer, de algod\u00e3o; ***<br \/>\n4) Leve uma frigideira ao fogo bem alto. Quando tiver super quente,  coloque nela os tournedos. Comece fritando os lados onde est\u00e1 o bacon.  N\u00e3o \u00e9 preciso colocar manteiga ou \u00f3leo porque o bacon vai soltar a sua  pr\u00f3pria gordura. Conforme for tostando, v\u00e1 virando os tournedos;<br \/>\n5) Coloque a manteiga em uma tigela, junte a salsinha bem picada e  tempere com um pouco de sal e pimenta do reino mo\u00edda. Misture muito bem.  Vai ficar uma pasta verde;<br \/>\n6) Quando todos os lados estiverem dourados por igual, frite as pontas, virando apenas uma vez cada uma;<br \/>\n7) Apague o fogo e tire os tournedos. Com cuidado, solte o bacon que j\u00e1 deve estar esturricado e retire;<br \/>\n8 ) Coloque 1 tournedo em cada prato e sobre cada fil\u00e9 coloque metade da manteiga com salsinha e sirva;<br \/>\n9) J\u00e1 que a carne pegou o gostinho do bacon, que \u00e9 salgado, coloque o sal na mesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Tournedos: \u00e9 um corte feito com a parte central do fil\u00e9 mignon,  que \u00e9 bem redonda. Tamb\u00e9m s\u00e3o chamados de \u2018medalh\u00f5es\u2019 e s\u00e3o um pouco  menores que o chateaubriand;<br \/>\n**Altura: imagine que comprou a pe\u00e7a inteira e separou voc\u00ea mesmo os  peda\u00e7os. As duas partes que forem seccionadas pela faca s\u00e3o as duas  pontas. O bacon vai ser enrolado em toda a volta, deixando as pontas  livres;<br \/>\n***Linha de bordado, grossa, tamb\u00e9m serve. S\u00f3 n\u00e3o use l\u00e3, corda de varal, fio encerado para pipas ou fio de n\u00e1ilon;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGuia Para a Sobreviv\u00eancia do Homem na Cozinha\u201d, de Alessandra Porro (Editora Objetiva, 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO Marcelo Costa \u00e9 o t\u00edpico menino que eu e minhas amigas chamamos de o \u201cogro-fofo\u201d. 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