{"id":3360,"date":"2009-12-27T06:27:53","date_gmt":"2009-12-27T08:27:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=3360"},"modified":"2023-03-29T01:01:23","modified_gmt":"2023-03-29T04:01:23","slug":"vapen-och-ammunition-do-kent","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/27\/vapen-och-ammunition-do-kent\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ouvir: &#8220;Vapen Och Ammunition&#8221;, Kent"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/palandi.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eduardo Palandi<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho minhas teorias sobre m\u00fasica. <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/teoriadopala1.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Algumas at\u00e9 foram publicadas aqui no Scream &amp; Yell<\/a>, quatro anos atr\u00e1s. Outras eu s\u00f3 conto para alguns amigos pr\u00f3ximos. Uma delas \u00e9 a de que a Su\u00e9cia \u00e9, por excel\u00eancia, o pa\u00eds do refr\u00e3o, numa tradi\u00e7\u00e3o que tem 30 anos de vida internacional &#8211; vem pelo menos desde &#8220;Waterloo&#8221;, do Abba. Nos anos seguintes, Roxette, Cardigans e Hellacopters encarregaram-se de fazer o mundo cantar junto e de trazer ainda mais divisas para esse rico pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Kent \u00e9 uma banda pouco conhecida fora da Escandin\u00e1via, apesar de algumas tentativas de sua gravadora para que a banda emplacasse nos EUA e no Reino Unido &#8211; que fez com que lan\u00e7assem dois discos de duas vers\u00f5es cada, em sueco e em ingl\u00eas. Quando a BMG sueca percebeu que a miss\u00e3o era dif\u00edcil, o Kent decidiu voltar a dar aten\u00e7\u00e3o total a seu amado pa\u00eds, onde s\u00e3o astros de primeira grandeza. &#8220;Vapen Och Ammunition&#8221; (&#8220;Arma e Muni\u00e7\u00e3o&#8221;), de 2002, \u00e9 seu quinto trabalho, lan\u00e7ado apenas em sueco. Em suas 10 can\u00e7\u00f5es a banda faz um tratado pop, uma obra-prima composta de refr\u00f5es, guitarras, teclados estrategicamente posicionados e backing vocals. Nada original, mas minha m\u00e3e j\u00e1 ensinava que o que importa n\u00e3o \u00e9 &#8220;o que&#8221; voc\u00ea faz, mas &#8220;como&#8221; faz. E voc\u00ea precisa ouvir &#8220;o que&#8221; e &#8220;como&#8221; o Kent fez esse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco abre com &#8220;Sundance Kid&#8221;, onde uma base meio shoegazer faz a cama para Joakim Berg, o vocalista, cantar &#8220;h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s \/ brig\u00e1vamos contra a estupidez \/ chegamos at\u00e9 a cidade dos sonhos \/ sabendo de tudo e cheios de arrog\u00e2ncia \/ tendo a f\u00e9 como arma mort\u00edfera \/ eram outros inimigos contra outros de n\u00f3s&#8221;. O t\u00edtulo faz refer\u00eancia ao personagem do mestre Steve McQueen em &#8220;Butch Cassidy&#8221;, um assaltante de bancos do velho Oeste que decide fugir para a Bol\u00edvia. Desde o come\u00e7o da can\u00e7\u00e3o, voc\u00ea j\u00e1 percebe quais s\u00e3o as armas e muni\u00e7\u00e3o do Kent: guitarras primorosas, refr\u00f5es cuidadosamente estudados pra ficar na sua cabe\u00e7a, aulas de backing vocals.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;P\u00e4rlor&#8221; (&#8220;P\u00e9rolas&#8221;), cada verso do backing vocal completa um verso do vocal principal, at\u00e9 que a explos\u00e3o do refr\u00e3o acaba com isso deixando voc\u00ea com os versos &#8220;s\u00e5 snurra min jord igen \/ radion spelar v\u00e5r s\u00e5ng \/ Stockholm ligger \u00f6de och v\u00e4rlden h\u00e5ller andan \/ snurra min jord igen \/ f\u00f6r allt vi dr\u00f6mde en g\u00e5ng \/ allt som du g\u00f6r blir till p\u00e4rlor p\u00e5 min panna&#8221;. Algumas palavras do sueco t\u00eam parentesco bem pr\u00f3ximo com o ingl\u00eas, mas experimente pronunci\u00e1-las. Depois de 10 vezes, continua dif\u00edcil &#8211; mas a cada tentativa voc\u00ea fica com mais vontade de aprender a cantar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kent - Dom Andra (Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fWxUr_vDwwE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num disco em que as 10 can\u00e7\u00f5es poderiam ser singles, \u00e9 imposs\u00edvel saber como eles decidiram escolher os hits. O primeiro deles, &#8220;Dom Andra&#8221; (&#8220;Os Outros&#8221;), venceu do Grammy sueco em 2003, e retrata a busca por amor e reconhecimento. Tem uns recados primorosos a quem muda por causa dos outros, do tipo &#8220;coma gordura e a\u00e7\u00facar at\u00e9 vomitar \/ ou tornar-se um m\u00e1rtir de quatro toneladas \/ s\u00f3 n\u00e3o se venda barato&#8221;. Sob os versos, sintetizadores cortados por uma guitarra mais baixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, &#8220;Duett&#8221; (&#8220;Dueto&#8221;) coloca a cantora Titiyo ao lado de Berg, e os dois constroem juntos uma can\u00e7\u00e3o de amor. &#8220;Recebi uma mensagem \/ uma carta de verdade e com um selo \/ um postal de muito tempo atr\u00e1s \/ quando o futuro era nosso&#8221;. O refr\u00e3o \u00e9 embasado na frase &#8220;att l\u00e5ngsamt, l\u00e5ngsamt, \u00e5h s\u00e5 l\u00e5ngsamt&#8221; (lentamente, lentamente, oh, t\u00e3o lentamente), mas a velocidade com que voc\u00ea vai cantar algo como &#8220;atlongsa, longsa, ah solongsaaaaaaa&#8221; ser\u00e1 espantosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Hur Jag Fick Dig Att \u00c4lska Mig&#8221; (&#8220;Como Eu Fiz Voc\u00ea Me Amar&#8221;) parte de uma batidinha que, com o perd\u00e3o do trocadilho, \u00e9 bem batida, para que Joakim Berg conte \u00e0 amada o que ele precisou fazer para que ela se interessasse por ele. Dela, vale mencionar os versos &#8220;voc\u00ea nunca se importou \/ com aqueles que me chamavam \/ de &#8216;um estrago j\u00e1 feito'&#8221;. \u00c9 loser, \u00e9 verdade. Mas se a musa da can\u00e7\u00e3o tivesse ouvido as cinco can\u00e7\u00f5es que abrem o disco, seria paix\u00e3o \u00e0 primeira vista. Metais sintetizados fecham suavemente a m\u00fasica, abrindo caminho para &#8220;K\u00e4rleken V\u00e4ntar&#8221; (&#8220;O Amor Espera&#8221; &#8211; sim, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o Radiohead que diz isso).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kent - K\u00e4rleken V\u00e4ntar (Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SAD68GOLzEA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;K\u00e4rleken&#8230;&#8221;, outro single, flerta novamente com o shoegazer e tem um solo de guitarras que me deixa maravilhado. N\u00e3o toco nenhum instrumento e s\u00f3 tenho simpatia pelo piano, mas, quando ou\u00e7o o solo dessa m\u00fasica, sou tomado pela vontade de aprender a tocar guitarra. Fora isso, mais uma aula de backing vocals, que faz o Kent superar at\u00e9 o Teenage Fanclub, \u00edcone do assunto. O clipe da can\u00e7\u00e3o mostra um casal de adolescentes perdendo a virgindade &#8211; debaixo dos len\u00e7\u00f3is: e antes que algu\u00e9m a\u00ed reclame; \u00e9 a coisa mais bonitinha do mundo, apesar da comemora\u00e7\u00e3o do goiab\u00e3o, na frente da menina, depois de consumar o ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;S\u00f6cker&#8221; (&#8220;A\u00e7\u00facar&#8221;), o pianinho da introdu\u00e7\u00e3o disfar\u00e7a bem a letra, uma metralhadora girat\u00f3ria contra a apela\u00e7\u00e3o na tev\u00ea e as celebridades instant\u00e2neas (sim, a Su\u00e9cia tamb\u00e9m tem disso). Em tom de deboche, Joakim emula um apresentador anunciando a atra\u00e7\u00e3o do dia em seu programa: &#8220;E o convidado dessa noite \u00e9 Jesus \/ ele se viciou em hero\u00edna \/ ele tomou um gole em seu copo \/ e a \u00e1gua \u00c9vian virou vinho \/ ele vai falar de suas armas \/ de seus tempos em Saint-Tropez \/ sobre se dar uma chance \/ e sua nova BMW Z3 \/ em um mundo de idiotas \/ ele \u00e9 o primeiro da fila \/ vai falar em frente \u00e0s c\u00e2meras \/ sobre como foi trocar de sexo \/ ou qualquer coisa do tipo \/ que deveria ser \u00edntimo \/ sobre todos aqueles que amou \/ e aqueles para quem pagou um boquete \/ mas ele sempre disse &#8216;n\u00e3o'&#8221;. Artilharia pesada, sem d\u00favida, mas coberta por um pop perfeito, impec\u00e1vel, incontorn\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na faixa oito, &#8220;FF&#8221;, o Kent convida a cantora francesa Nancy Danino para um dueto bil\u00edngue: Berg em sueco, ela em franc\u00eas. Imposs\u00edvel descrever com palavras essa can\u00e7\u00e3o, mas a\u00ed v\u00e3o umas tentativas: ela \u00e9 pulsante. Vibrante. Po\u00e9tica. Voc\u00ea precisa ouvir isso, juro. Foi a terceira m\u00fasica de trabalho do disco e ganhou um clipe sem gra\u00e7a, mas nada que estrague o belo arranjo e a linda melodia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kent - FF (Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J7JgiZ81vmY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pro final, &#8220;Elite&#8221; come\u00e7a como se fosse um blues lo-fi, mas basta uma pandeirola e o clima muda. Na letra, uma certa decep\u00e7\u00e3o do protagonista, que diz ter uma fam\u00edlia cheia de her\u00f3is, cora\u00e7\u00f5es partidos, alian\u00e7as cansadas e um orgulho entediante &#8211; e que o caminho de tudo isso desembocou nele. Um coro de lalalas garante a aula de pop, entrando no \u00faltimo quarto da can\u00e7\u00e3o. E &#8220;Sverige&#8221; (&#8220;Su\u00e9cia&#8221;) fecha o disco, com um viol\u00e3o dedilhado e uma declara\u00e7\u00e3o de amor ao pr\u00f3prio pa\u00eds:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Su\u00e9cia, Su\u00e9cia, amada amiga<\/em><br \/>\n<em> Uma tigresa envergonhada<\/em><br \/>\n<em> Eu sei como se sentes<\/em><br \/>\n<em> Quando a realidade vira piada<\/em><br \/>\n<em> Quando o sil\u00eancio assusta &#8211;<\/em><br \/>\n<em> O qu\u00ea aconteceu?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Bem-vinda, bem-vinda aqui<\/em><br \/>\n<em> Quem quer que seja, onde quer que esteja<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Prepare sua varanda para uma festa<\/em><br \/>\n<em> Para um convidado que vem de longe<\/em><br \/>\n<em> Numa terra onde o suficiente \u00e9 o melhor<\/em><br \/>\n<em> E n\u00f3s bebemos at\u00e9 o sol da meia-noite<\/em><br \/>\n<em> Com batatas frescas e peixe<\/em><br \/>\n<em> Como se estiv\u00e9ssemos parados no tempo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>A chuva bate contra as vidra\u00e7as agora<\/em><br \/>\n<em> Mas as noites brilham numa terra sem som<\/em><br \/>\n<em> E os copos brilham quietos sobre a mesa<\/em><br \/>\n<em> Vazios como as palavras<\/em><br \/>\n<em> E com certeza o amor \u00e9 grande<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00ednimo que se poderia dizer \u00e9 que a &#8220;Su\u00e9cia&#8221; do Kent \u00e9 melhor que &#8220;Brasil&#8221; do Cazuza &#8211; em termos de can\u00e7\u00e3o, saneamento b\u00e1sico e ind\u00fastria automotiva, pelo menos. Mas, mais do que me dar uma vontade enorme de aprender a tocar guitarra, a falar sueco e a conhecer o pa\u00eds, em &#8220;Vapen Och Ammunition&#8221; o Kent tem armas e muni\u00e7\u00e3o pra dizer que a Su\u00e9cia \u00e9 o pa\u00eds do refr\u00e3o. E ainda tem gente que vota a favor do desarmamento&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kent - Sverige (Live, SAAB Arena, Link\u00f6ping - 24\/9 2016)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WU7l7diiwR4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Eduardo Palandi\nA Su\u00e9cia \u00e9, por excel\u00eancia, o pa\u00eds do refr\u00e3o, numa tradi\u00e7\u00e3o que tem trinta anos de vida internacional. 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