{"id":33490,"date":"2009-03-29T14:59:56","date_gmt":"2009-03-29T17:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33490"},"modified":"2015-09-15T15:02:34","modified_gmt":"2015-09-15T18:02:34","slug":"blog-do-editor-teoria-de-alison","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/29\/blog-do-editor-teoria-de-alison\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: Teoria de Alison"},"content":{"rendered":"<div class=\"format_text\" style=\"text-align: justify;\">\n<p align=\"center\"><strong>Teoria de Alison<br \/>\npor Miguel F. Luna<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><em>\u201cOh, it\u2019s so funny to be seeing you after so long, girl.<br \/>\nAnd with the way you look<br \/>\nI understand that you are not impressed.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Essas s\u00e3o as tr\u00eas primeiras frases de \u201cAlison\u201d, can\u00e7\u00e3o de Elvis  Costelo, cl\u00e1ssico absoluto. E \u00e9 a can\u00e7\u00e3o que empresta som, palavras e  sentimento para esse texto, ou melhor, teoria. Essas frases j\u00e1 s\u00e3o uma  pista mas o que vem a ser a Teoria de Alison? Bem, a teoria de Alison \u00e9  uma equa\u00e7\u00e3o muito simples:<\/em><\/p>\n<p><em>{\u00c9 s\u00f3 juntar um cara legal, uma garota bacana, platonismo \u00e0  vontade, alguns itens da Lei de Murphy, e, \u00e0s vezes, um relacionamento  quase perfeito acontece. Quase perfeito. A\u00ed \u00e9 s\u00f3 bater no liq\u00fcidificador  e beber o resto da vida entre sil\u00eancios e sonhos} <\/em><\/p>\n<p><em>Alisons s\u00e3o aquelas garotas que marcam a vida da gente e que a  gente n\u00e3o consegue esquecer com o tempo, ao contr\u00e1rio, elas nos tomam  cada vez mais, como se s\u00f3 existissem elas no mundo. Sei que n\u00e3o existem  apenas elas, mas isso \u00e9 inexplic\u00e1vel, acontece. E acontece a ponto de as  tornarem as maiores advers\u00e1rias de novos relacionamentos, embora nem  estejam mais ali, talvez apenas como fantasmas, mas n\u00f3s acabamos sempre  as querendo. \u00c9 diferente de flertes corriqueiros e inconseq\u00fcentes e \u00e9  sacrif\u00edcio at\u00e9 manter a amizade depois que a hist\u00f3ria chega ao fim, ou  melhor, quase in\u00edcio. <\/em><\/p>\n<p><em>Ela pode ser qualquer garota, como a vizinha, uma colega de  classe, a amiga de um conhecido, a irm\u00e3 de uma amiga, a namorada do  melhor amigo, uma prima, qualquer uma. Parece piada, mas acredite, n\u00e3o  \u00e9. Acontece. Quem tem uma Alison tem tamb\u00e9m uma por\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias  tragic\u00f4micas para contar. Eu mesmo tenho um monte e daria para escrever  um livro s\u00f3 contando minhas mancadas. <\/em><\/p>\n<p><em>Cada um deve ter a sua Alison. Eu tenho a minha, bonita,  inteligente, frases iniciadas por um e finalizada por outro, quase  beijos, e por fim, sil\u00eancios. T\u00e1, ela me envia emails vez em quando. Mas  j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 sozinha, o que a torna ainda mais imposs\u00edvel. Mas \u00e9 a minha  Alison, vou fazer o que? N\u00e3o escolhi. Ela me apareceu do nada, numa  tarde de julho a quase 800 km da\u00a0 minha casa (acho que fui eu que  apareci) e, bem, ela vai se casar em setembro e eu n\u00e3o quero ser muito  sentimental (como canta Costelo) mas a vida segue, cada um na sua, e  geralmente Alisons nos trazem tristeza. \u00c9 a sina. Eu s\u00f3 sei que ela n\u00e3o \u00e9  minha. <\/em><\/p>\n<p><em>Isso \u00e9 o fim ? N\u00e3o, como eu disse, a vida segue. Apenas segue  mais arrastada. Isso tudo n\u00e3o impede da gente encontrar algu\u00e9m e se  apaixonar e tal. Eu j\u00e1 me apaixonei mas n\u00e3o foi l\u00e1 grande coisa, nem por  culpa da paix\u00e3o mas por culpa da Alison. Mesmo assim acredito que a  minha garota est\u00e1 andando por a\u00ed e qualquer dia eu a encontro. Acredito.  Mas Alison \u00e9\u00a0 Alison, a gente bebe a vida inteira dessa chuva. E desde  ent\u00e3o parece que tem chovido sempre. Sempre.<br \/>\n\u201cAlison, my aim is true. My aim is true.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Miguel F. Luna, 25,\u00a0 \u00e9 cercado por fantasmas e escreve sobre sil\u00eancios.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Reflex\u00f5es Alis\u00f4nicas<br \/>\nPor Miguel F. Luna<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00c9 meio de semana, quarta-feira de um m\u00eas de junho friorento que  j\u00e1 derrubou um punhado de amigos meus, com gripe. No som, Yo La Tengo  novo, lindo lindo e\u2026 lindo. Mesmo assim, e sem ouvir, a can\u00e7\u00e3o dos  \u00faltimos dias tem sido Alison, do Elvis Costelo\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o, ela n\u00e3o ligou, n\u00e3o mandou e-mail e nem apareceu na porta de  casa vestida em um palet\u00f3 de couro sobre um pijama de bolinhas. O que me  fez cantar \u201cmy aim is true\u201d em pensamento todos esses dias foram a  por\u00e7\u00e3o inimagin\u00e1vel de cartas e emails que recebi, de gente elogiando a  teoria (publicada na edi\u00e7\u00e3o anterior), o texto, a can\u00e7\u00e3o, tudo. \u00c9 muito  legal ter um feedback desses, principalmente na passionalidade que o  texto passava. Mas, saibam, fiquei preocupado. <\/em><\/p>\n<p><em>Preocupado pois sei que por tr\u00e1s dos elogios existem uma por\u00e7\u00e3o  de pessoas vivendo situa\u00e7\u00f5es terrivelmente alis\u00f4nicas, cujo sintoma  maior \u00e9 a perda de algu\u00e9m que a gente julga \u201ca pessoa certa\u201d para n\u00f3s.  Por isso, vivemos a margem, romances incompletos. N\u00e3o \u00e9 legal, mesmo. A  n\u00e3o ser que voc\u00ea nutra alguma chance de retorno, ai vale. Caso  contr\u00e1rio, \u00e9 trag\u00e9dia grega. <\/em><\/p>\n<p><em>No meu caso particular, exemplificando, Vit\u00f3ria \u00e9 uma cidade  proibida. N\u00e3o piso l\u00e1 nem que algu\u00e9m diga que Ian Curtis ressuscitou  para um \u00fanico show com a forma\u00e7\u00e3o original do Joy Division em que ele  vai cantar Atmosphere. Nem. Ent\u00e3o, bola pra frente, certo. Certo? <\/em><\/p>\n<p><em>Errado. N\u00e3o consigo me apaixonar e acho que a garota que eu tava  paquerando, e que eu queria que se apaixonasse por mim, se achou carta  fora do baralho, por esse papo de Alison, e desistiu. N\u00e3o \u00e9 legal isso.  Nem um pouco. <\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9 legal ter uma Alison. \u00c9 legal ter uma Ana (\u201dShe\u2019s my fave,  undressing in the sun\u201d), \u00e9 legar ter uma Sweet Jane (\u201dCause life is just  die, but, anyone who has a heart wouldn\u2019t want to turn around and break  it\u201d), \u00e9 legal at\u00e9 ter uma Metal Baby (\u201dMy Metal Baby, made me take her  to the heavy metal show\u201d) ou uma Lump (\u201dLump lingered last in line for  brains and the one she ot was sort rotten and insane\u201d). Alisons s\u00f3 d\u00e3o  dor de cabe\u00e7a. E cora\u00e7\u00f5es partidos. <\/em><\/p>\n<p><em>*****<\/em><\/p>\n<p><em>Garotas perguntam: uma menina pode ter um Alison? \u00c9 claro.  Infelizmente voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o livre. Nem os gays, nem os negros, nem os  japoneses, nem os marcianos, nem os personagens de Woody Allen e muito  menos Spit, personagem principal do romance rock and roll Clube dos  Cora\u00e7\u00f5es Solit\u00e1rios, de Andr\u00e9 Takeda, se salvam. <\/em><\/p>\n<p><em>*****<\/em><\/p>\n<p><em>Garotas continuam perguntando: \u00e9 poss\u00edvel ter dois Alisons? Com muito azar, sim.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>*****<\/em><\/p>\n<p><em>Teorizando em n\u00edvel rasteiro: talvez Alisons sejam Copas do Mundo  perdidas como as de 50 e a de 82. Permanecem mais que conquistas como a  de 94\u2026 <\/em><\/p>\n<p><em>*****<\/em><\/p>\n<p><em>Algu\u00e9m cantou baixinho no meu ouvido:<br \/>\n\u201cas brigas que eu ganhei, nenhum trof\u00e9u como lembran\u00e7a pra casa eu levei.<br \/>\nas brigas que eu perdi, essas sim, eu nunca esqueci, eu nunca esqueci\u2026\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>*****<\/em><\/p>\n<p><em>Enriquecendo o repert\u00f3rio de Alisons:<br \/>\n\u201cAlison Road\u201d, dos americanos do Gin Blossoms, foi a can\u00e7\u00e3o de fundo desse texto. <\/em><\/p>\n<p><em>\u201cI\u2019ve lost my mind on what i\u2019d find, and all of the pressure that I left behind on Alisson Road.<br \/>\nNow I can\u2019t hide so why not drive I know I want\u00a0 to love her\u00a0 but I can\u2019t decide on Alisson Road<br \/>\nDark clouds file in when the moon in near birds fly by a.m. in her bedroom stare<br \/>\nthere was no tellin what I might find I couldnt, see I was lost at the time\u2026<br \/>\nYeah, I didn\u2019t know I was lost at the time on Alisson Road\u201d <\/em><\/p>\n<p>Miguel, 26, sabe tanto de Alisons quanto falar franc\u00eas, ou seja, nada\u2026<\/p>\n<p><em>Nota do Editor: a Teoria de Alison foi publicada pela primeira  vez na vers\u00e3o on paper do Scream &amp; Yell, em mar\u00e7o de 2000. Foi um  dos textos mais comentados da edi\u00e7\u00e3o, rendendo muitas cartas e  coment\u00e1rios ao autor, que ainda preparou um segundo texto, que estaria  no n\u00famero 7 do Scream &amp; Yell On Paper, mas acabou sendo publicado na  vers\u00e3o on line, na estr\u00e9ia do site, chamado \u201cReflex\u00f5es Alis\u00f4nicas\u201d.<\/em><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Essas s\u00e3o as tr\u00eas primeiras frases de \u201cAlison\u201d, can\u00e7\u00e3o de Elvis Costelo, cl\u00e1ssico absoluto. 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