{"id":33158,"date":"2008-01-25T16:23:46","date_gmt":"2008-01-25T19:23:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33158"},"modified":"2015-09-11T16:31:18","modified_gmt":"2015-09-11T19:31:18","slug":"jose-gonzalez-entre-o-psycho-e-o-candy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/01\/25\/jose-gonzalez-entre-o-psycho-e-o-candy\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Gonz\u00e1lez: entre o psycho e o candy"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33159\" title=\"jose2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose2.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">por Marcelo Costa<\/span><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num quarto de hotel em Santo Antonio, Texas, um rapaz negro dedilha seu viol\u00e3o. Na sala, dois homens brancos de mais idade preparam-se para gravar o som que vem do quarto atrav\u00e9s de um fio. Assim que a sess\u00e3o come\u00e7a, eles se olham e confabulam: &#8220;Tem mais algu\u00e9m no quarto com ele? Como \u00e9 que ele consegue fazer o acompanhamento e o solo ao mesmo tempo?&#8221; O rapaz se chamava Robert Johnson, e como ele conseguia fazer isso, bem, ele conseguia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 em Robert Johnson que penso quando vejo Jos\u00e9 Gonz\u00e1lez tocar suas can\u00e7\u00f5es que falam de amor e religi\u00e3o. N\u00e3o, Jos\u00e9 Gonz\u00e1lez n\u00e3o toca blues, mas est\u00e1 muito pr\u00f3ximo de Robert Johnson pela extrema destreza que exibe ao tocar um simples viol\u00e3o de seis cordas. Gonz\u00e1lez \u00e9 muito mais Nick Drake, Jo\u00e3o Gilberto e Ellioth Smith em conceito, mas na pr\u00e1tica ele faz ressurgir, a cada apresenta\u00e7\u00e3o, a aura m\u00e1gica do som que aquele rapaz de 25 anos tirou de seu viol\u00e3o em um quarto de um hotel de segunda categoria no Texas, em 1936.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa proximidade acontece, principalmente, quando Jos\u00e9 apresenta can\u00e7\u00f5es como &#8220;Crosses&#8221;, do \u00e1lbum de estr\u00e9ia, &#8220;Veneer&#8221; (2003), e, principalmente &#8220;Down the Line&#8221;, do rec\u00e9m-lan\u00e7ado &#8220;In Our Nature&#8221;. Voc\u00ea fecha os olhos e ouve duas, at\u00e9 tr\u00eas linhas harm\u00f4nicas, e fica pensando em como ele consegue tirar esse som, como ele consegue fazer acompanhamento e solo ao mesmo tempo. \u00c9 uma experi\u00eancia e tanto ver Jos\u00e9 Gonz\u00e1lez ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua segunda passagem pelo Brasil em seis meses, o m\u00fasico sueco (pero, de fam\u00edlia argentina) fez uma apresenta\u00e7\u00e3o igualzinha a primeira. Sim, havia m\u00fasicas diferentes no repert\u00f3rio. No primeiro show, em julho, a base foi seu debute al\u00e9m de algumas m\u00fasicas in\u00e9ditas e as famosas covers. Agora, aquelas faixas in\u00e9ditas j\u00e1 s\u00e3o um \u00e1lbum, mas mesmo engordando o repert\u00f3rio, as covers continuam l\u00e1, para felicidade do p\u00fablico. E as novas can\u00e7\u00f5es mant\u00e9m a poesia, o sil\u00eancio, a rever\u00eancia pela melodia que leva o violonista a estender a can\u00e7\u00e3o pelo simples prazer de continuar ouvindo o som.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, tamb\u00e9m, um avan\u00e7o na perda da timidez. Na passagem anterior, Jos\u00e9 fez um pocket show na Livraria da Vila, em S\u00e3o Paulo. Antes do show come\u00e7ar, o m\u00fasico podia ser visto circulando pelo recinto, olhando CDs, folheando livros, sempre cabisbaixo, fugindo de um confronto. Agora, Jos\u00e9 se d\u00e1 ao luxo de entrar para o bis, com grande parte do p\u00fablico em p\u00e9 no teatro do Sesc Vila Mariana, brincando com seu portugu\u00eas canhestro: &#8220;Agorah, s\u00f3\u00f3h as pupuzudas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show permanece impec\u00e1vel como um todo. &#8220;Hints&#8221;, com seu arpejo sublime, \u00e9 avassaladora. A cover de &#8220;Heartbeats&#8221;, original The Knife, virou marca registrada Jos\u00e9 Gonz\u00e1lez: a melodia das notas do viol\u00e3o se misturando na atmosfera com as s\u00edlabas soltas pela boca, todas na mesma altura disputando a aten\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia. &#8220;Cycling Triviliaties&#8221;, em uma vers\u00e3o mais enxuta que a do \u00e1lbum &#8220;In Our Nature&#8221;, ganhou um bonito sampler de um trompete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;Abram&#8221;, Jos\u00e9 lembrou a tem\u00e1tica central do novo \u00e1lbum, com can\u00e7\u00f5es inspiradas no livro &#8220;Deus, um Del\u00edrio&#8221;, de Richard Dawkins: &#8220;Dizem que existem um, dois, v\u00e1rios deuses. Essa can\u00e7\u00e3o fala sobre isso&#8221;, explicou. A arrebatadora vers\u00e3o de &#8220;Teardrop&#8221; encerrou a apresenta\u00e7\u00e3o de forma digna: sozinho, Gonz\u00e1lez consegue manter intoc\u00e1vel a beleza do original do Massive Attack (com Liz Fraser, do Cocteau Twins, nos vocais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bis, &#8220;Deadweight On Velveteen&#8221;, com sua modula\u00e7\u00e3o arrastada, seu dedilhado crescente e o formato &#8220;acompanhamento e solo&#8221; que tanto impressiona. Para fechar, &#8220;Love Will Tear Us Apart&#8221;, cl\u00e1ssico do Joy Division cantado no limite extremo entre a do\u00e7ura e a viol\u00eancia, entre o psycho e o candy, entre a delicadeza da voz e o barulho arranhado do viol\u00e3o. Uma grande vers\u00e3o, um belo show.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-33160\" title=\"jose1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/jose1-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nEm sua segunda passagem pelo Brasil em seis meses, o m\u00fasico sueco (pero, de fam\u00edlia argentina) fez uma apresenta\u00e7\u00e3o igualzinha a primeira\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/01\/25\/jose-gonzalez-entre-o-psycho-e-o-candy\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33158"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33161,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33158\/revisions\/33161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}