{"id":33118,"date":"2013-11-14T15:22:19","date_gmt":"2013-11-14T18:22:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33118"},"modified":"2015-09-11T15:24:01","modified_gmt":"2015-09-11T18:24:01","slug":"blog-do-editor-12-respostas-sobre-critica-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/14\/blog-do-editor-12-respostas-sobre-critica-musical\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: 12 respostas sobre cr\u00edtica musical"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Para o Rafael em junho de 2011&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o assunto \u00e9 cultura, fala-se muito sobre como o consumo de m\u00fasica, cinema ou literatura mudou. Voc\u00ea acha que a reflex\u00e3o sobre esses produtos mudou em alguma coisa, com a maior velocidade e acessibilidade que a populariza\u00e7\u00e3o da internet trouxe\u00bf Voc\u00ea acha que a velocidade no consumo influenciou, de alguma maneira, na \u201cvelocidade\u201d sobre o que se pensa sobre m\u00fasica, atualmente?<\/strong><br \/>\nTotalmente. A rela\u00e7\u00e3o das pessoas com os objetos de arte \u00e9 totalmente diferente hoje em dia. Por\u00e9m, se \u00e9 certo ou errado, pior ou melhor, \u00e9 uma outra reflex\u00e3o. Temos tamb\u00e9m que tomar cuidado para n\u00e3o posarmos de nost\u00e1lgicos e n\u00e3o cairmos na armadilha do &#8220;Ah, no meu tempo a rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica era diferente&#8221; por pura mem\u00f3ria afetiva e falta de encaixe no modus operandi atual da ind\u00fastria cultural. Por\u00e9m, mudou e muito. E l\u00f3gico que acaba influenciando a maneira como uma pessoa digere um disco. Antes ela tinha um disco que iria ouvir durante um tempo x. Agora ela tem todos os discos que quiser para ouvir nesse mesmo tempo x.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o surgimento de novos espa\u00e7os de discuss\u00e3o, como f\u00f3runs eletr\u00f4nicos e blogs (que dispensam editores e limites de caracteres), em que eles mudaram o modo de discutir m\u00fasica no Brasil e no Mundo?<\/strong><br \/>\nA coisa toda ficou mais direta, sem media\u00e7\u00e3o. Isso possibilitou o surgimento de muitas coisas legais, mas tamb\u00e9m nivelou a discuss\u00e3o por baixo em outros casos. No entanto acredito que o saldo final \u00e9 positivo. As pessoas acabaram descobrindo pares, pessoas que pensam e gostam das mesmas coisas que ela. E isso \u00e9 um primeiro passo interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse aspecto direto pode fazer com que a cr\u00edtica seja menos &#8220;especializada&#8221;, no sentido de se aproximar mais do f\u00e3 de m\u00fasica? <\/strong><br \/>\nDepende do que entendermos como cr\u00edtica especializada, pois se existe algu\u00e9m especialista sobre um artista, este algu\u00e9m \u00e9 o f\u00e3. Se ele n\u00e3o for cego &#8211; como a maioria dos f\u00e3s s\u00e3o &#8211; a chance de ele fazer uma grande cr\u00edtica muito melhor do que qualquer outra pessoa. Um m\u00e9dico que tenho um bom texto naturalmente pode escrever um texto melhor que um jornalista que cobre medicina, por exemplo. Acredito muito nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/entrevista-ao-blog-do-bracin\/\">Numa entrevista com o \u201cblogdobracin\u201d<\/a>, voc\u00ea disse que, no in\u00edcio do Scream &amp; Yell j\u00e1 havia \u201cuma necessidade de escrever devido aos ve\u00edculos que eu acompanhava (Ilustrada, Bizz) n\u00e3o estarem trazendo nada de novo. Ent\u00e3o foi algo: \u2018Se eles n\u00e3o falam das bandas que deveriam ser faladas, a gente fala\u2019\u201d A internet, no que diz respeito \u00e0 cr\u00edtica, tamb\u00e9m desempenha um espa\u00e7o \u201calternativo\u201d ao tipo de cr\u00edtica associado a ve\u00edculos tradicionais? Por que?<br \/>\nO espa\u00e7o alternativo, via de regra, n\u00e3o precisa se preocupar com o anunciante, a gravadora ou uma produtora, e muitas vezes um grande ve\u00edculo tem que lidar com isso, pois eles s\u00e3o anunciantes, e a coisa toda s\u00f3 funciona porque d\u00e1 lucro, ou seja, ningu\u00e9m vai fazer jornal para ter preju\u00edzo. Assim, a rela\u00e7\u00e3o entre patrocinador e ve\u00edculo muitas vezes pode contaminar a cr\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 algo comum nem frequente, mas acontece. Em um ve\u00edculo independente a liberdade \u00e9 total (e o dinheiro quase sempre n\u00e3o existe).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da aus\u00eancia dessa contamina\u00e7\u00e3o, em que um espa\u00e7o mais &#8220;livre&#8221; influencia na cr\u00edtica? \u00c9 poss\u00edvel que essa cr\u00edtica seja mais descompromissada? Se sim (ou n\u00e3o), como isso transparece nos textos?<\/strong><br \/>\nA liberdade \u00e9 uma faca de dois gumes. Ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sim que a cr\u00edtica seja mais descompromissada porque a pessoa est\u00e1 escrevendo aquilo por vontade pr\u00f3pria &#8211; ou outra coisa que o mova &#8211; e n\u00e3o para tapar um buraco dentro de um caderno de jornal. O modo de identificar isso \u00e9 percebendo quanto tempo a argumenta\u00e7\u00e3o (pr\u00f3 ou contra) se sustenta. Em um bom texto, a argumenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente em todas as linhas do come\u00e7o ao fim (mesmo quando a frase est\u00e1 ambientando uma ideia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Scream &amp; Yell come\u00e7ou num momento em que as possibilidades de \u201cqualquer um escrever sobre m\u00fasica\u201d ainda eram muito novas. O que voc\u00ea acha que mudou, nesse per\u00edodo\u00bf<\/strong><br \/>\nCome\u00e7ou a pintar muita gente legal escrevendo sobre m\u00fasica, e isso s\u00f3 pode melhorar o cen\u00e1rio todo. Se antes era tudo muito novo, agora qualquer pessoa domina a ferramenta de um blog, consegue ouvir um disco com facilidade e s\u00f3 precisa gastar neur\u00f4nio para tentar decodificar aquela obra. Ou seja, felizmente aumentou a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea diz que o surgimento de mais gente escrevendo sobre m\u00fasica pode melhora o cen\u00e1rio todo. Em que sentido?<\/strong><br \/>\nQuanto mais pessoas escrevendo, mais pessoas v\u00e3o ler. Porque naturalmente todo mundo tem um c\u00edrculo de amizades que acaba sendo envolvido por este projeto, que acaba se cruzando com os outros e&#8230; nasce uma cena ou algo bem legal. Quanto comecei eu tinha l\u00e1 outros sites amigos que nem existem mais (Quadradinho, Pastilhas Coloridas &#8211; o Urbanaque continua firme e forte), mas de repente surgiram sites novos como o Move That Jukebox! e o Rock&#8217;n Beats (para citar dois) que est\u00e3o fazendo muitas coisas legais. Isso s\u00f3 tem a acrescentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E com um n\u00famero maior de opini\u00f5es e an\u00e1lises, a cr\u00edtica ainda \u00e9 capaz de estabelecer algum tipo par\u00e2metro ou c\u00e2none?<\/strong><br \/>\nO Metacritic est\u00e1 ai para exemplificar que isso \u00e9 poss\u00edvel.<br \/>\n<strong><br \/>\nA se\u00e7\u00e3o de coment\u00e1rios, no Scream &amp; Yell, desempenha um papel muito importante. A exist\u00eancia de comunidades como a da Bizz, no Orkut, tamb\u00e9m desempenha um papel importante no que se discute sobre m\u00fasica no pa\u00eds. Em que essas discuss\u00f5es, possibilitadas por redes sociais, f\u00f3runs de discuss\u00e3o e se\u00e7\u00f5es de coment\u00e1rios influenciam no trabalho de um cr\u00edtico?<\/strong><br \/>\nElas n\u00e3o deveriam influenciar em nada. O cr\u00edtico que escreve pensando na resposta do leitor (ou seja, na pol\u00eamica) est\u00e1 usando um artif\u00edcio batido, que at\u00e9 funciona ainda hoje, mas me soa baixo. Tudo bem que voc\u00ea n\u00e3o pode deixar o leitor pass\u00edvel. O cr\u00edtico tem que conquista-lo. No mais, uma boa discuss\u00e3o sempre aponta novos caminhos para as ideias.<br \/>\n<strong><br \/>\nComo voc\u00ea v\u00ea o papel do cr\u00edtico de m\u00fasica, num contexto em que ouvir o disco antes mesmo que qualquer coisa seja escrita sobre ele \u00e9 um fato corriqueiro\u00bf Por que essa reflex\u00e3o (e essa opini\u00e3o) ainda se faz necess\u00e1ria?<\/strong><br \/>\nPorque a cr\u00edtica ainda tem a obsess\u00e3o de entender o mundo. A pessoa que compra o disco ou baixa est\u00e1 seguindo um impulso cultural, de entretenimento, de passatempo. O cr\u00edtico deve ir um pouco al\u00e9m. Ele precisa entender o que aquele objeto de arte que foi consumido pela pessoa representa em nosso cotidiano hist\u00f3rico, econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Toda arte est\u00e1 inserida no momento hist\u00f3rico em que ela \u00e9 criada. Assim \u00e9 poss\u00edvel observar os movimentos sociais do mundo observando como as pessoas consomem cultura. Cr\u00edtica \u00e9 muito mais uma an\u00e1lise sociol\u00f3gica do que cultural. Por isso ainda \u00e9 necess\u00e1ria, pois a humanidade vive entrando em vielas escuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 pessoal, mas diz um pouco do que leva algu\u00e9m a escrever uma cr\u00edtica. O que te faz escrever sobre m\u00fasica?O que te leva a escrever (para o bem ou para o mal) sobre um disco? Quais s\u00e3o os nortes que te guiam, quando \u00e9 hora de escrever o texto? A que o texto (e voc\u00ea, como autor da resenha ou da cr\u00edtica ou do que quer que se chame um texto que realize uma reflex\u00e3o de um disco, como o que voc\u00ea fez sobre o The Suburbs) se prop\u00f5e?<\/strong><br \/>\nTentar entender o mundo. Um disco \u00e9 um quadro que um artista desenhou, e de certa forma este quadro est\u00e1 recheado de detalhes, de signos, de c\u00f3digos que permitem ao cr\u00edtico visualizar as mudan\u00e7as culturais pela qual o mundo est\u00e1 passando. No caso da resenha que voc\u00ea citou, minha busca ali \u00e9 entender o motivo que fez o autor e o grupo comporem aquelas can\u00e7\u00f5es, e o respaldo que ele recebeu da sociedade. Buscar esse entendimento \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, o que seria uma resenha &#8220;perfeita&#8221; pra voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nA resenha perfeita \u00e9 aquela que faz o leitor perceber algo que ele n\u00e3o tinha entendido, faz ele refletir o disco que ouve. Pensar \u00e9 nosso maior dom.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/respostas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A rela\u00e7\u00e3o das pessoas com os objetos de arte \u00e9 totalmente diferente hoje em dia. 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