{"id":33112,"date":"2014-02-04T15:19:33","date_gmt":"2014-02-04T18:19:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33112"},"modified":"2015-09-23T19:41:50","modified_gmt":"2015-09-23T22:41:50","slug":"blog-do-editor-musica-cinema-e-web","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/04\/blog-do-editor-musica-cinema-e-web\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: M\u00fasica, Cinema e Web"},"content":{"rendered":"<p><em>Meu nome \u00e9 <a href=\"https:\/\/twitter.com\/lucasparaizo\" target=\"_blank\">Lucas Paraizo<\/a>, sou estudante de Jornalismo e estou realizando uma grande reportagem sobre como a internet mudou a maneira de consumir cultura &#8211; tratando especialmente sobre m\u00fasica e cinema. Aceita participar?<\/em><br \/>\n<strong><br \/>\nComo voc\u00ea avalia o impacto que os programas de troca de arquivos (que surgiram a partir do Napster) tiveram na maneira com que as pessoas consomem os produtos culturais?<\/strong><br \/>\nA internet mudou a vida das pessoas em todos os sentidos, e ainda estamos nos adaptando, procurando maneiras de lidar com essa novidade, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem t\u00e3o nova, mas a todo momento mostra algo absolutamente novo para n\u00f3s. No caso da m\u00fasica, a mudan\u00e7a foi brutal, e ainda estamos nos recuperando do choque. A avalia\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 positiva: as vendas de m\u00fasica ca\u00edram, mas as pessoas est\u00e3o ouvindo muito mais m\u00fasica hoje em dia \u2013 e o surgimento do iPod e de ferramentas que tocam arquivos de m\u00fasica tamb\u00e9m tem um peso nisso. A quest\u00e3o ent\u00e3o deixa de ser cultural (a m\u00fasica est\u00e1 morrendo? N\u00e3o! Ela vive um de seus momentos mais valorosos) e passa a ser econ\u00f4mica: como ganhar dinheiro vendendo m\u00fasica? H\u00e1 maneiras e maneiras, e nenhuma ir\u00e1 sobrepujar o auge da ind\u00fastria, nos anos 80 e 90, mas \u00e9 poss\u00edvel ganhar dinheiro sim produzindo m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que a ind\u00fastria da m\u00fasica j\u00e1 aprendeu a lidar com a internet, ao inv\u00e9s de tentar combat\u00ea-la?<\/strong><br \/>\nAinda n\u00e3o, mas est\u00e1 tateando. Sinto que ela come\u00e7a a aceitar algumas pr\u00e1ticas e tenta ir na onda do que acontece na web, ao inv\u00e9s de ir contra. No fundo, nenhum de n\u00f3s sabe lidar com a internet ainda. A ind\u00fastria da m\u00fasica \u00e9 apenas um reflexo dessa nossa ignor\u00e2ncia frente ao novo.<br \/>\n<strong><br \/>\nO caso do disco \u201cIn Rainbows\u201d, do Radiohead, \u00e9 bem emblem\u00e1tico quando falamos na rela\u00e7\u00e3o entre artistas e internet no cen\u00e1rio musical. Voc\u00ea considera esse o exemplo mais relevante? A ideia do \u201cpague quanto quiser\u201d vale ser seguida pelos artistas<\/strong>?<br \/>\nEla j\u00e1 \u00e9 seguida, e tanto Bandcamp quanto Crowdfunding s\u00e3o exemplos pr\u00e1ticos desta demanda, mas n\u00e3o podemos cravar que esse ser\u00e1 o m\u00e9todo a ser seguido. A verdade \u00e9 que s\u00f3 existe uma \u00fanica regra neste momento: n\u00e3o existem regras. Isso \u00e9 extremamente libert\u00e1rio e permite que cada artista converse com seu p\u00fablico da forma que lhe convier. \u00c9 hora de ser criativo.<\/p>\n<p><strong>Os sistemas de stream (como Spotify, Deezer e Rdio) se popularizaram bastante nos \u00faltimos anos, e, enquanto alguns dizem que essa pode ser a sa\u00edda contra os downloads ilegais, v\u00e1rios artistas afirmam que o modelo n\u00e3o \u00e9 nada favor\u00e1vel para eles. Qual a sua opini\u00e3o sobre esse modelo de servi\u00e7o?<\/strong><br \/>\nTem pr\u00f3s e contras. A remunera\u00e7\u00e3o para os artistas \u00e9 bastante baixa muito porque uma burocracia imensa foi criada nos \u00faltimos 60 anos para reconhecer uma obra musical. Entre o momento que o compositor comp\u00f5e a can\u00e7\u00e3o e voc\u00ea a ouve em sua casa, dezenas de atravessadores passaram pelo caminho retirando uma fatia da renda dessa obra. Mais do que discutir a viabilidade dos sistemas de streaming (que est\u00e3o funcionando hoje, mas podem cair em desuso amanh\u00e3, como milhares de coisas na web) \u00e9 preciso discutir o valor da obra art\u00edstica, quem deve ganhar com ela, e quanto. N\u00e3o basta o artista reclamar da ind\u00fastria, tem que ir atr\u00e1s de seus direitos.<\/p>\n<p><strong>Sobre os downloads ilegais (principalmente de m\u00fasica e filmes), como voc\u00ea avalia a import\u00e2ncia deles na dissemina\u00e7\u00e3o cultural?<\/strong><br \/>\nEuropa e Estados Unidos ainda tem mercados s\u00f3lidos, um misto de cultura pelo que \u00e9 correto (l\u00f3gico, h\u00e1 desvios) e for\u00e7a da lei. No Brasil, onde reina a Lei de Gerson e a ind\u00fastria musical est\u00e1 falida como objeto de dissemina\u00e7\u00e3o de ideias da ind\u00fastria cultural, o download ilegal transformou-se numa maneira \u00fatil para que grande parte dos artistas alcance um determinado p\u00fablico. Acho de extrema import\u00e2ncia para este novo mercado, uma ferramenta valiosa de conhecimento. E ao contr\u00e1rio do que muita acha, o download gratuito n\u00e3o diminui \u00e0s vendas. Muitas vezes acontece o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel perceber uma nova gera\u00e7\u00e3o de consumidores de cultura aparecendo, formada por jovens que, gra\u00e7as a internet, n\u00e3o sabem o que \u00e9 n\u00e3o ter praticamente todo o conte\u00fado desejado dispon\u00edvel online. Que efeito isso pode ter no cen\u00e1rio cultural, e, consequentemente, na sociedade?<\/strong><br \/>\nAinda acho cedo para discutirmos esse cen\u00e1rio porque a internet de alta velocidade n\u00e3o tem nem 15 anos no Brasil (ela come\u00e7ou a se popularizar de verdade em 2000). Ent\u00e3o todos os jovens ainda s\u00e3o afetados por seus pais, mesmo que eles tenham um contato cada vez maior com a internet. Eles veem discos, CDs, DVDs, vitrolas, disc-man e outras coisas, h\u00e1 ainda uma liga\u00e7\u00e3o. A mudan\u00e7a dr\u00e1stica, creio eu, ir\u00e1 acontecer tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es para frente, quando os bisnetos dessa molecada crescerem em um mundo que pouco dever\u00e1 ter do que \u00e9 hoje. At\u00e9 l\u00e1, as coisas v\u00e3o continuar mudando, mas n\u00e3o creio em tsunamis, e sim em fortes chuvas aqui e ali.<\/p>\n<p><strong>A Amanda Palmer falou durante um evento no ano passado, comentando sobre os seus projetos independentes na m\u00fasica, que as pessoas v\u00eam fazendo a pergunta errada quando se trata de arrecadar dinheiro com arte. Ela disse que o certo n\u00e3o \u00e9 obrigar o pagamento, mas sim deixar que as pessoas paguem se for interessante para elas. Esse coment\u00e1rio se relaciona bem com v\u00e1rios projetos que vimos recentemente no Brasil, com artistas lan\u00e7ando seus \u00e1lbuns gratuitamente na internet ou em projetos de crowdfunding, como o do Apanhador S\u00f3. Seria esse o futuro dos projetos art\u00edsticos na era da internet? Com menor participa\u00e7\u00e3o de gravadoras\/produtoras e mais realiza\u00e7\u00e3o focada, direto do artista para o seu p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nCreio que sim. A Amanda foi bastante perspicaz em sua observa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos esquecer que o sentimento de posse \u00e9 inerente ao ser-humano: ele gosta de ter o objeto, de toca-lo, de v\u00ea-lo. Os downloads devem aumentar, os portais de streaming tamb\u00e9m, mas as pessoas v\u00e3o continuar consumindo cultura porque isso as define. A camisa do Wilco que eu uso \u00e9 um c\u00f3digo que traz em si diversas ideias. O CD do Apanhador S\u00f3 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um disco de acr\u00edlico e papel, h\u00e1 revolu\u00e7\u00e3o ali, e as pessoas ainda est\u00e3o interessadas nisso. Creio que, cada vez mais, o ser-humano precisar\u00e1 de fichas que o definam em uma sociedade cada vez mais ca\u00f3tica. Dessa forma, a m\u00fasica \u00e9 uma escolha t\u00e3o emblem\u00e1tica quanto religi\u00e3o, seu time de futebol e seus pratos preferidos. Tudo isso junto (e muito mais) forma a nossa personalidade. Acho que n\u00e3o conseguiremos nos livrar destes valores t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/respostas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;A internet mudou a vida das pessoas em todos os sentidos, e ainda estamos nos adaptando, procurando maneiras de lidar com essa novidade, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 nem t\u00e3o nova&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/02\/04\/blog-do-editor-musica-cinema-e-web\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[330],"tags":[338],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33112"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33112"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34011,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33112\/revisions\/34011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}