{"id":33102,"date":"2014-07-04T15:12:21","date_gmt":"2014-07-04T18:12:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33102"},"modified":"2015-09-11T15:14:29","modified_gmt":"2015-09-11T18:14:29","slug":"blog-do-editor-viagens-e-festivais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/04\/blog-do-editor-viagens-e-festivais\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: Viagens e festivais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Para uma pauta de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/flaviadurante\" target=\"_blank\">Fl\u00e1via Durante<\/a> publicada na revista Dufry World<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A quais festivais de m\u00fasica no exterior voc\u00ea j\u00e1 foi?<\/strong><br \/>\nEspero que eu n\u00e3o esque\u00e7a nenhum: Rock Werchter e Cactus Festival, na B\u00e9lgica; T In The Park, na Esc\u00f3cia; Isle of Wight e I\u2019ll Be Your Mirror, na Inglaterra; Primavera Sound e Festival de Benic\u00e0ssim, na Espanha; Norwegian Wood, na Noruega; Best Kept Secret, na Holanda; Coachella e New Orleans Jazz Festival, nos Estados Unidos; Personal Fest, na Argentina; Primavera Fauna, no Chile. Neste ano devo ver mais tr\u00eas diferentes: Oya Festival, na Noruega; La Route Du Rock, na Fran\u00e7a; Stockholm Music &amp; Arts, na Su\u00e9cia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que leva voc\u00ea a correr o mundo atr\u00e1s de festivais?<\/strong><br \/>\nA paix\u00e3o pela m\u00fasica: o bacana de um grande festival \u00e9 que voc\u00ea tem a oportunidade de ver diversas atra\u00e7\u00f5es diferentes de uma vez. Isso \u00e9 sensacional e \u00e9 algo que estamos experimentando apenas agora, com o Lollapalooza. Minhas viagens s\u00e3o sempre pautadas por shows: tento ir de uma cidade para a outra (principalmente na Europa) sempre encaixando o show de um artista que quero ver. Nos Estados Unidos, por exemplo, quando fui ao Coachella em 2011, que acontece na Calif\u00f3rnia, saindo dali voei para Chicago a fim de ver dois shows do Arcade Fire com o National, e dali para Columbus, Ohio, ver o Decemberists. O roteiro mais maluco que fiz foi o de 2012, em que vi Zombies, Elvis Costello, Big Star e o festival I\u2019ll Be Your Mirror em Londres, fui para Barcelona conferir o sensacional Primavera Sound, e dali passei por Paris (Guns n\u2019 Roses&#8230; porque um amigo queria ver, risos), Luxemburgo (Lou Reed), Cork (Tom Petty), voltei para Barcelona para ver Stone Roses, fui para Trieste, na It\u00e1lia, conferir Bruce Springsteen e terminei em Amsterd\u00e3, onde o Afghan Whigs iria se apresentar. \u00c9 cansativo, mas acabo indo a lugares sensacionais atr\u00e1s de shows, provavelmente cidades que eu n\u00e3o iria normalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual hist\u00f3ria mais interessante ou engra\u00e7ada voc\u00ea j\u00e1 viveu em uma dessas viagens?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o muitas. Desde confundir um trem na B\u00e9lgica (\u201cLeuven e Louvain, same name\u201d, me disse o cobrador do trem na B\u00e9lgica para explicar que duas cidades belgas tem o mesmo nome, um em flamengo, outro em franc\u00eas, mas eu estava indo para a errada. Eu deveria ir para a cidade com nome em franc\u00eas, mas acabei quase na divisa com a Holanda do outro lado do pa\u00eds \u2013 n\u00e3o precisa muito, afinal o pa\u00eds \u00e9 pequeno, mas o casal de amigos que estava me esperando para o Rock Werchter achou estranho de n\u00e3o chegarmos no hor\u00e1rio combinado). O interessante \u00e9 observar costumes locais. A comida creole do New Orleans Jazz Festival dever\u00e1 ser, eternamente, uma das melhores comidas que j\u00e1 experimentei em festival. No Coachella n\u00e3o se pode consumir bebida alc\u00f3olica no meio do festival, apenas em \u00e1reas cercadas; por sua vez em Bruges, no Cactus Festival, havia umas 10 cervejas diferentes ofertadas ao p\u00fablico. Minha mulher comprou hamb\u00farguer de carne de avestruz no Isle of Whigt, e percebi no primeiro momento que a carne era mais densa, estranha, mas depois ela me mostrou um cartaz na barraquinha em que comprou fazendo comparativos sobre carne saud\u00e1vel. Na Holanda, era mais barato comer dentro do festival do que fora (algo inimagin\u00e1vel no Brasil), e eram pratos mesmo, comida para sustentar a pessoa para oito, dez horas de shows. Em Benic\u00e0ssim, para fazer amizade com os barmans, ped\u00edamos em espanhol: \u201cUna ca\u00f1a, por favor\u201d, e eles puxavam papo, agradeciam por pedirmos em espanhol e reclamavam dos hooligans brit\u00e2nicos que causavam no evento. Uma das hist\u00f3rias que mais gosto de lembrar em festival aconteceu exatamente no Benic\u00e0ssim, e descrevi assim no meu blog (sempre fa\u00e7o di\u00e1rios):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A primeira coisa que fiz ao entrar no FIB foi ir direto comer um taco numa barraquinha de comida mexicana. Facada: 10 euros, mas valeu, estava bem bom. E estou eu l\u00e1, no meio do prato, quando cola uma menina ao lado: \u201cVoc\u00ea fala ingl\u00eas ou espanhol?\u201d. E eu: \u201cN\u00e3o falo bem nem um nem outro, mas diga\u201d. Ela: \u201cCara, estou com muita fome, voc\u00ea pode me dar um pouco da sua comida?\u201d. O nome dela era Roxanne, era francesa e depois de duas garfadas \u2013 cujo sabor deu para perceber em seus olhos \u2013 se despediu: \u201cComo se diz bon appetite em portugu\u00eas?\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>J\u00e1 tinha acontecido algo assim no primeiro dia, antes mesmo de eu pegar a pulseira do festival. Do lado de fora, uma barraca vendia copos de cerveja de 1 litro por 6 euros. Com o sol a pino, decidi encarar. Uma inglesa colou em mim no balc\u00e3o e desembestou a falar. E eu: \u201cCalma, calma, devagar\u201d. E ela: \u201cVoc\u00ea \u00e9 alem\u00e3o? Fala ingl\u00eas?\u201d. E eu: \u201cMais ou menos\u201d. E ela: \u201cLegal, voc\u00ea me entende. Me empresta 2 euros para eu comprar um kebab?\u201d. O atendente, espanhol, comentou: \u201cVoc\u00ea devia ter dito que n\u00e3o sabia falar ingl\u00eas\u201d. (risos)<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual dica voc\u00ea d\u00e1 para \u201cmarinheiros de primeira viagem\u201d?<\/strong><br \/>\nAproveitar os percal\u00e7os que surgem pelo caminho porque tudo \u00e9 aprendizado. E, sobretudo, respeitar a tradi\u00e7\u00e3o local. Uma vez em Istambul peguei o barco que segue pelo B\u00f3sforo alternando paradas, de um lado no Oriente, do outro no Ocidente. O ponto final era numa cidadezinha quase na entrada do Mar Morto.  Vi um restaurante simples assando peixe fresco numa grelha e decidi sentar para comer. Pedi uma cerveja, e fui informado que eles n\u00e3o tinham. Enquanto minha mulher esperava na mesa, fui a uma vendinha e comprei duas latas de cerveja e voltei para a mesa. Quando ia abrir a primeira, o rapaz do restaurante voltou e me informou: \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos cerveja porque nossa religi\u00e3o n\u00e3o nos permite consumir nem vende-la, e por isso pedimos que nossos clientes n\u00e3o consumam aqui\u201d. Na hora fiquei contrariado, mas guardei a cerveja na mochila e percebi que eu estava na terra dele, na casa dele, e deveria respeitar suas tradi\u00e7\u00f5es. Mark Twain tem uma frase que adoro, e que resume isso: \u201cViajar \u00e9 fatal para o preconceito, a intoler\u00e2ncia e as ideias limitadas. N\u00e3o se pode ter uma vis\u00e3o ampla, abrangente e generosa dos homens vegetando num cantinho do mundo a vida inteira\u201d. Acredito nisso.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/respostas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O bacana de um grande festival \u00e9 que voc\u00ea tem a oportunidade de ver diversas atra\u00e7\u00f5es diferentes de uma vez. 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