{"id":33081,"date":"2011-10-17T14:57:41","date_gmt":"2011-10-17T17:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33081"},"modified":"2015-09-11T14:59:44","modified_gmt":"2015-09-11T17:59:44","slug":"blog-do-editor-como-voce-pauta-materias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/17\/blog-do-editor-como-voce-pauta-materias\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: Como voc\u00ea pauta mat\u00e9rias?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pedro Ferreira (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#!\/_Klef\" target=\"_blank\">@_Klef<\/a>) \u00e9 estudante de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e colaborador dos sites irm\u00e3os <a href=\"http:\/\/www.amusicoteca.com.br\/\" target=\"_blank\">musicoteca<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.rocknbeats.com.br\/\" target=\"_blank\">Rock&#8217;n&#8217;Beats<\/a>. Ele estava fazendo um trabalho da disciplina &#8220;T\u00e9cnicas de Reportagem e Entrevista&#8221;, no qual a atividade prop\u00f5e ao aluno escolher um profissional para entrevist\u00e1-lo. Ele me escolheu, mandou as perguntas e, ap\u00f3s o trabalho entregue, liberou as respostas para que eu publicasse aqui na Calmantes. Valeu, Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea pauta suas mat\u00e9rias? Por exemplo, voc\u00ea acorda, entra na internet e procura pelo qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nEu respiro cultura. Esse \u00e9 o primeiro ponto. Neste momento estou lendo o \u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo\u201d, do Alex Ross, por exemplo. Coisas que leio no livro acabam influenciando as ideias e me aproximando analiticamente do tempo real. E, disso, surgem coisas para se falar, pesquisar, pautar. J\u00e1 na internet leio todo o notici\u00e1rio (principalmente via Guardian, New York Times e The New Yorker) e recebo muita coisa das pessoas que sigo no Twitter (ou mesmo de amigos que sabem que determinado assunto me interessa). Al\u00e9m disso, convivo com muitos jornalistas e as ideias v\u00e3o e vem. N\u00e3o diria que procuramos pautas, mas que elas nos procuram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para voc\u00ea a pauta \u00e9 um instrumento de aux\u00edlio ou limita\u00e7\u00e3o do rep\u00f3rter?<\/strong><br \/>\nEla auxilia ao mesmo tempo em que limita porque boa parte \u00e9 pauta factual, que todo mundo faz e n\u00f3s tamb\u00e9m temos que fazer. Ou seja: Caetano lan\u00e7a um disco, e todo mundo fala. \u201cNevermind\u201d faz 20 anos, e todo mundo fala. E a gente precisa falar dessas coisas, mas o ideal \u00e9 que o vi\u00e9s acrescente algo ao obrigat\u00f3rio da informa\u00e7\u00e3o. E que n\u00e3o nos rendamos a apenas pautas factuais. Buscar o diferente ou algo que ningu\u00e9m est\u00e1 falando, mas que possa soar interessante. Em linhas gerais, pensar o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 a sua prepara\u00e7\u00e3o para entrevistas? Poderia citar uma marcante? Quem voc\u00ea, ainda, deseja entrevistar?<\/strong><br \/>\nTento conhecer o melhor poss\u00edvel o universo do entrevistado. Saber o que ele pensa, o que ele j\u00e1 disse que j\u00e1 n\u00e3o interessa mais, e coisas que ele nunca disse, e que podem ser interessantes. Fugir do \u00f3bvio. Muitas vezes temos que fazer o feij\u00e3o com arroz, porque \u00e9 necess\u00e1rio, mas precisamos buscar algo novo. Foi bacana entrevistar Ian McCulloch (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/ianinterviewmac.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), do Echo and The Bunnymen, por exemplo. Ele estava inseguro, mas no meio da entrevista j\u00e1 tinha se soltado e rendeu um \u00f3timo material. Fernanda Young (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/fernandayoungum.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) tamb\u00e9m. Na \u00e9poca, fui entrevista-la para a Reuters, e acabamos conversando por mais de duas horas. Em certo ponto da entrevista ela diz: \u201cEu nunca falei tanto como eu estou falando agora e eu nem queria dar entrevista\u201d. Outra marcante foi com Cesar Camargo Mariano (<a href=\"http:\/\/musica.terra.com.br\/interna\/0,,OI308079-EI1267,00.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, <a href=\"http:\/\/musica.terra.com.br\/interna\/0,,OI297105-EI1267,00.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a> e <a href=\"http:\/\/musica.terra.com.br\/interna\/0,,OI297118-EI1267,00.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) relembrando \u201cElis e Tom\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem acompanha o seu trabalho sabe que voc\u00ea consegue v\u00e1rios &#8220;furos&#8221;. Como isso acontece? Voc\u00ea tem fontes por todo mundo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o s\u00e3o tantos assim (risos), mas os poucos que consigo surgem ou por pesquisa ou por conhecer as pessoas certas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com essas fontes?<\/strong><br \/>\nQuase sempre de amizade. E muitas das informa\u00e7\u00f5es que recebo s\u00e3o fruto de confian\u00e7a e da percep\u00e7\u00e3o de que o Scream &amp; Yell e eu temos uma postura \u00e9tica correta, que faz com que algo ligado a n\u00f3s tenha uma visibilidade interessante, agregando certo valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Temos na hist\u00f3ria bandas como The Clash, Sex Pistols e Nirvana, que influenciaram uma gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 pela sonoridade, mas pela pol\u00edtica e atitude. Na sua opini\u00e3o, a m\u00fasica perdeu essa ferramenta de forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de seus ouvintes?<\/strong><br \/>\n\u00c9 outra \u00e9poca, muito mais emocional que pol\u00edtica (a populariza\u00e7\u00e3o do emo e dos livros de autoajuda refletem isso). A m\u00fasica apenas reflete esse momento que estamos vivendo. Ou seja, ela \u00e9 adapt\u00e1vel. Se acontecer algo muito s\u00e9rio com sua cidade, seu pa\u00eds, o planeta, isso pode refletir na m\u00fasica, pois \u00e9 importante lembrar que uma m\u00fasica \u00e9 composta por uma pessoa como eu e voc\u00ea, que vive, sente e est\u00e1, na grande maioria das vezes, sendo influenciada pelo ambiente. A m\u00fasica \u00e9 um retrato da \u00e9poca que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No presente h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o chegando ao mesmo tempo (dezenas de bandas novas). N\u00e3o \u00e9 muito mais do mesmo? Existe hoje uma ansiedade at\u00e9 associada a algum status em se conhecer tudo, ter baixado tudo, estar por dentro de tudo. Esta ansiedade vinda dos consumidores n\u00e3o estaria influenciando a ind\u00fastria cultural a produzir mais e mais, mesmo que seja tudo uma f\u00f3rmula-base do sucesso?<\/strong><br \/>\nSempre existiram milhares de bandas, mas a gente n\u00e3o tinha acesso. A diferen\u00e7a agora \u00e9 que \u00e9 muito f\u00e1cil produzir um disco, e mostr\u00e1-lo para todo mundo. Talvez a ansiedade seja fruto da f\u00e9 de que algo maravilhoso pode estar sendo feito por alguma pessoa que a gente n\u00e3o conhe\u00e7a. Uma das coisas que mais questiono na ideia defendida pelo Simon Reynolds no livro Retromania (e em artigos) \u00e9 que ele defende que o aumento da oferta diminuiu o valor da m\u00fasica. Ser\u00e1? Ser\u00e1 que gost\u00e1vamos de m\u00fasica porque era dif\u00edcil de encontr\u00e1-la? O valor, ent\u00e3o, n\u00e3o era da m\u00fasica, mas da dificuldade que t\u00ednhamos? N\u00e3o acredito nisso. Acredito sim que estamos em uma fase complicada do p\u00f3s-modernismo. O que fazer de novo? Para onde ir? O formato pop que conhecemos (nascido com Elvis e Beatles) j\u00e1 tem 50 anos. O fon\u00f3grafo, mais de 100 anos. O cinema tamb\u00e9m est\u00e1 vivendo uma crise. Ainda assim, o consumidor vem consumindo cada vez mais, e n\u00e3o menos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea escutava na adolesc\u00eancia?<\/strong><br \/>\nBeatles e rock nacional foram onde comecei tudo. Depois, ao mesmo tempo, punk rock e Led Zeppelin. E, com o tempo, comecei a abrir o ouvido para m\u00fasica brasileira, jazz e erudito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra finalizar, o que voc\u00ea indica para os futuros jornalistas que desejam seguir no ramo da m\u00fasica\/cultura pop?<\/strong><br \/>\nLer muito. Criar um blog e escrever muito. E ouvir de tudo. Beethoven, Bob Dylan, Miles Davis e Jorge Ben s\u00e3o g\u00eanios. Existe m\u00fasica boa ou ruim. Apenas isso.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/respostas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Sempre existiram milhares de bandas, mas a gente n\u00e3o tinha acesso. 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