{"id":33069,"date":"2007-09-18T14:47:41","date_gmt":"2007-09-18T17:47:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33069"},"modified":"2015-09-11T14:49:48","modified_gmt":"2015-09-11T17:49:48","slug":"blog-do-editor-entrevista-ao-pop-indie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/18\/blog-do-editor-entrevista-ao-pop-indie\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: Entrevista ao Pop Indie"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Entrevista concedida a Maikol Paolo Vancine (agosto de 2006)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Hoje estr\u00e9ia a s\u00e9rie de entrevistas (tomara que realmente vire uma s\u00e9rie), feitas por e-mail, com poucas e simples perguntas, at\u00e9 porque n\u00e3o tenho pr\u00e1tica nisso, pra matar a curiosidade, e saber mais um pouco sobre grandes pessoas que se movimentam para trazer um pouco de divers\u00e3o e cultura para n\u00f3s, apaixonados. E hoje, mais do que merecido, o primeiro convidado foi o jornalista Marcelo Costa, editor do site Scream &amp; Yell, e um grande apaixonado pela cultura pop.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Marcelo tamb\u00e9m \u00e9 editor de homes do iG, BRTurbo, iBest, e escreve para as revistas Rock Press, Rock Life, Pipoca Moderna, e estreou na semana passada sua coluna no iG chamada Revoluttion. Marcelo fala aqui sob sua estr\u00e9ia, um pouco da sua vida, seus pensamentos, etc.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem te conhece sabe da sua paix\u00e3o pela cultura pop, voc\u00ea acha que \u00e9 poss\u00edvel viver fazendo somente tudo aquilo que voc\u00ea gosta, desde trabalho at\u00e9 estilo de vida? E no seu caso em especial voc\u00ea se sente realizado, e acredita que ainda hoje \u00e9 poss\u00edvel viver de cultura pop?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poss\u00edvel \u00e9, mas \u00e9 bem dif\u00edcil tamb\u00e9m. Eu gostaria muito de poder viver s\u00f3 de cultura pop, do site que eu edito, dos textos que escrevo para algumas revistas, mas isso ainda \u00e9 imposs\u00edvel. O meu trabalho no iG, por exemplo, nada t\u00eam de cultura pop. E \u00e9 este trabalho que possibilita que eu pague as contas, me alimente, ou seja, viva a vida normalmente. Viver s\u00f3 de cultura pop n\u00e3o daria, mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. \u00c9 preciso, talvez, um tato maior para neg\u00f3cios, para fazer o dinheiro render. Particularmente tenho medo de dizer que me sinto realizado, sabe. Eu tenho 36 anos, s\u00f3 (risos). Se me sentir realizado agora, o que \u00e9 que vou fazer com os outros 54 que ainda pretendo viver? Ficar vendo a vida passar \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1. Poderia dizer que me sinto orgulhoso com as conquistas, mas ainda falta muita coisa para se conquistar e viver. \u00c9 s\u00f3 sair pra rua e dar uma boa olhada ao seu lado. O mundo precisa melhorar muito, e isso faz parte de se sentir realizado, sabe: desejar o bem estar de todos. N\u00e3o d\u00e1 para se sentir o cara mais bacana do mundo com tanta desgra\u00e7a por ai. Seria muito \u201cumbiguismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E para quem est\u00e1 iniciando, principalmente na \u00e1rea jornal\u00edstica, ainda existem chances de ter toda a carreira voltada para essa \u00e1rea, j\u00e1 que toda a \u201cmagia\u201d de publica\u00e7\u00f5es impressas de fanzines, jornais e revistas especializadas de d\u00e9cadas passadas, se perdeu um pouco, principalmente pelo surgimento da internet e as facilidades que ela proporciona?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As chances sempre existiram e sempre v\u00e3o existir. Apesar das facilidades da Internet, acho que fazer fanzines em papel deve ser muito mais sedutor e m\u00e1gico hoje em dia do que um dia foi. Eu ainda quero fazer umas edi\u00e7\u00f5es do Scream em papel novamente, mas seria voltar est\u00e1gios, j\u00e1 que comecei a me envolver com revistas, e voc\u00ea acaba enxergando a coisa como um todo. Acaba sendo mais exigente, mesmo sendo um fanzine. No entanto, com tantos sites surgindo por ai, o fanzine em papel \u00e9 um diferencial que deve ser explorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Scream &amp; Yell surgiu como um fanzine, e durou pouco tempo, houve uma necessidade de se digitalizar, ou foram outros os motivos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram acasos, apenas isso. Eu editava ele (o fanzine de papel) inteiro no pagemaker, sozinho. E continuaria editando, mas um amigo se empolgou com o fanzine em papel, e me \u201cdeu\u201d um site. Ele fez tudo. E depois teve a Zero, que foi um projeto que nasceu dentro do S&amp;Y. Ou seja: era um fanzine, virou site, e dali surgiu uma revista. S\u00e3o passos naturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cultura \u00e9 coisa de rico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De maneira alguma. Eu, por exemplo, n\u00e3o sou rico. Com muito jeito d\u00e1 at\u00e9 para dizer que sou classe m\u00e9dia, m\u00e9dia mesmo (e baixa records, como escreveu o Mini na letra da m\u00fasica do Walverdes). Passei em um concurso para trabalhar na faculdade, e ganhei uma bolsa de 50% para cursar Comunica\u00e7\u00e3o Social. Isso me permitiu ter um diploma de bacharel. Nunca cheguei a prestar Federal, mas acho que eu nunca iria passar. Faltou base no col\u00e9gio. Mesmo assim, era rato de biblioteca e lia tudo que pintava pela frente. Ou seja, a cultura est\u00e1 na pr\u00f3pria pessoa. Na vontade dela conhecer mais coisas. Tem gente que tem dinheiro e prefere gastar com iates, helic\u00f3pteros, jatinhos e coisas e tal. Tem gente que n\u00e3o tem e prefere comprar CDs, filmes e livros. O dinheiro n\u00e3o serve como paralelo. A cultura est\u00e1 na pr\u00f3pria pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pol\u00edtica e futebol te interessam, ou voc\u00ea foge do comum?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pol\u00edtica deveria interessar a todos, mas as desilus\u00f5es foram me colocando mais distante. Assim como v\u00e1rios amigos, pela primeira vez estou pensando seriamente em votar nulo. Havia uma meta sonhada, e essa meta foi conseguida, mas n\u00e3o mudou nada. Ent\u00e3o acho que precisamos de medidas s\u00e9rias para mostrar aos governantes que estamos infelizes. O voto nulo \u00e9 uma destas medidas. J\u00e1 o futebol&#8230; eu era completamente fan\u00e1tico, corintiano roxo e tal. Mas depois de um certo dia (uma oitavas de final da Libertadores com o Palmeiras), nunca mais fui o mesmo. E, cada dia que passa, perco mais e mais o prazer em assistir e acompanhar os jogos. Hoje em dia o futebol me interessa com os amigos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se sente indo contra a corrente, como voc\u00ea disse na Revoluttion em rela\u00e7\u00e3o aos nomes de suas colunas (Revoluttion, Calmantes com Champagne, L\u2019\u00e2ge D\u2019or)?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na maioria do tempo, mas existem coisas que me surpreendem. \u00c0s vezes acho que s\u00f3 eu detestei uma coisa, e quando comento vejo que mais pessoas achavam aquilo tamb\u00e9m (como quando critiquei negativamente o \u201cA Ghost Is Born\u201d, do Wilco). Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma corrente t\u00e3o forte assim&#8230; (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em sua p\u00e1gina no Orkut voc\u00ea d\u00e1 a entender que n\u00e3o assisti televis\u00e3o, ou que n\u00e3o gosta. Chega a ser um \u201cradicalismo\u201d, uma avers\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e1 a entender isso mesmo? Bem, \u00e9 s\u00f3 por falta de tempo mesmo. Em S\u00e3o Paulo existem sei l\u00e1 quantas salas de cinema. Tem shows todo dia. Eu tenho mais de 80 discos novos para ouvir (sem contar os 5 mil da minha estante). Tenho que escrever para alguns lugares, editar o site&#8230; e tem os DVDs. A televis\u00e3o acabou perdendo a sua fun\u00e7\u00e3o para mim, assim como o r\u00e1dio. Se eu quero ouvir uma m\u00fasica, eu vou e pego o CD na estante. N\u00e3o preciso ficar procurando ela numa FM. Acho que aconteceu o mesmo com a TV&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua coluna, Revoluttion, estreou dia 05 desse m\u00eas no iG, al\u00e9m disso voc\u00ea tem outros trabalhos em revistas, al\u00e9m do site. Como voc\u00ea faz para n\u00e3o se tornar repetitivo, e administrar o seu tempo em torno de tantos projetos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem muitas maneiras de se falar a mesma coisa sem se repetir (risos), mas na verdade s\u00e3o coisas diferentes. O blog Calmantes \u00e9 extremamente pessoal, eu com meu leitor; a coluna Revoluttion ser\u00e1 uma coisa mais centrada na informa\u00e7\u00e3o e na poesia do texto, assim como \u00e9 a coluna de cinema no site da Rock Press. Cada coisa tem seu foco. E administrar o tempo \u00e9 sempre um problema. Um dia de 24 horas \u00e9 muito curto para tanta coisa&#8230; N\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula. Voc\u00ea vai fazendo e fazendo e fazendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais s\u00e3o suas expectativas diante dessa nova empreitada?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que \u00e9 um espa\u00e7o bacana, num lugar bacana, com uma exposi\u00e7\u00e3o \u00f3tima. Tem tudo para render.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra finalizar: Morrissey \u00e9 o maior ingl\u00eas vivo da hist\u00f3ria, e Chico Buarque o melhor letrista do nosso pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Letrista, sem d\u00favida. No rock sempre tivemos bons nomes, mas Chico \u00e9 imbat\u00edvel. S\u00f3 n\u00e3o sei se ele \u00e9 o maior brasileiro vivo. Tem v\u00e1rios nomes para essa lista&#8230;<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/respostas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As chances sempre existiram e sempre v\u00e3o existir. Apesar das facilidades da Internet, acho que fazer fanzines em papel deve ser muito mais sedutor e m\u00e1gico hoje em dia do que um dia foi. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/18\/blog-do-editor-entrevista-ao-pop-indie\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[330],"tags":[338],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33069"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33070,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33069\/revisions\/33070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}