{"id":33066,"date":"2007-09-18T14:45:10","date_gmt":"2007-09-18T17:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33066"},"modified":"2023-03-29T00:36:51","modified_gmt":"2023-03-29T03:36:51","slug":"respostas-entrevista-ao-yer-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/18\/respostas-entrevista-ao-yer-blues\/","title":{"rendered":"Respostas: Entrevista ao Yer Blues"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Entrevista concedida a Jonas Lopes (07\/2004), do Yer Blues<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Para aqueles que gostam de ler e-zines, provavelmente nunca haver\u00e1 t\u00e3o cedo um per\u00edodo f\u00e9rtil como o de 2001\/2002, quando \u00f3timos sites como o Scream &amp; Yell e o Quadradinho nos ajudavam a entender um pouco mais esse bicho t\u00e3o abrangente quanto pouco compreendido chamado cultura pop.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em> Claro que hoje h\u00e1 alguns zines de alto n\u00edvel, e isso s\u00f3 comprova a minha teoria, pois v\u00e1rias das pessoas que escrevem neles eram leitores ou escreviam para o S&amp;Y nesta \u00e9poca \u00e1urea. Liderado e idealizado por Marcelo Costa, o Scream &amp; Yell impressionava pela qualidade e produtividade \u2013 tinha texto novo praticamente todo dia, gra\u00e7as ao batalh\u00e3o de colaboradores do site. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>No fim de 2002, Marcelo anunciou o fim do zine, para surpresa dos leitores. A como\u00e7\u00e3o foi geral. Mac ensaiou uma volta no ano passado, que durou alguns meses, mas n\u00e3o vingou completamente. Hoje ele mant\u00e9m um blog na p\u00e1gina principal do S&amp;Y. Nesta entrevista ele conta algumas hist\u00f3rias curiosas da trajet\u00f3ria do zine e at\u00e9 vislumbra uma poss\u00edvel volta, entre outras coisas interessantes. Vamos torcer. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma pergunta vaga e bem pessoal: pra voc\u00ea, o que \u00e9 cultura pop e que import\u00e2ncia devemos atribuir a ela?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Putz, pegou pesado para come\u00e7ar, hein (risos)? Bem, entendo cultura pop como um bra\u00e7o mais deslocado da cultura, um caminho mais leve, desencanado e que permite muito mais maneirismos do que a cultura sedimentada. Vai desde gibis, revistinhas Tex (Sabrina e Julia tamb\u00e9m), passa por discos e chega ao cinema. \u00c9 tudo de uma leveza e uma urg\u00eancia que demarcam muito o tempo que vivemos. Fico c\u00e1 imaginando a atemporalidade dessa cultura, mas se um livro do Marcelo Paiva de 1982 ou um disco dos Beatles de 1967 continuam atuais, acho que n\u00e3o temos muito com o que nos preocuparmos, n\u00e9? Quanto \u00e0 import\u00e2ncia, putz, vai da vida de cada um. Conhe\u00e7o muita gente que n\u00e3o sabe nada de Belle &amp; Sebastian, nunca passou perto de um livro de Salman Rushdie e deve achar que Matrix \u00e9 um xingamento, e essas pessoas s\u00e3o felizes. Cada um tem que se satisfazer e descobrir o que pode retirar de bom da vida. Na verdade, e chulamente falando, cultura pop se assemelha ao futebol. De que adianta ficar se remoendo, torcendo, brigando por 22 homens peludos correndo atr\u00e1s de uma bola e que ganham em um m\u00eas a grana que eu deverei juntar trabalhando a vida toda? Adianta porque \u00e9 passatempo, \u00e9 divers\u00e3o, \u00e9 emo\u00e7\u00e3o. Faz a vida valer a pena, faz o mundo pessoal de cada um ter sentido. A import\u00e2ncia cada um d\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como e quando surgiu a id\u00e9ia do Scream &amp; Yell?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um tremendo acaso. Eu sempre fui bicho do mato. Tinha centenas de vinis e passei a adolesc\u00eancia toda lendo, ouvindo m\u00fasica e jogando jogo de bot\u00e3o, sempre sozinho, muito pelo fato da minha fam\u00edlia se mudar constantemente, o que me atrapalhava em fazer novas amizades. Isso tudo para dizer que quando o Scream &amp; Yell surgiu eu tinha no\u00e7\u00e3o quase zero do que era um fanzine. Mas eu gostava de escrever, era metido a enciclop\u00e9dia de m\u00fasica, tinha uma cole\u00e7\u00e3o invej\u00e1vel de vinis e muitas pessoas pr\u00f3ximas freq\u00fcentavam a minha casa ou para ouvir um som ou para gravar fitas. Na \u00e9poca, eu estava cursando o segundo ano de publicidade e propaganda na Universidade de Taubat\u00e9, local onde eu trabalhava tamb\u00e9m (era auxiliar de biblioteca na faculdade de Direito de l\u00e1). E foi l\u00e1 que eu conheci o Jo\u00e3o Marcelo, um cara que amava Metallica e Engenheiros do Hawaii em propor\u00e7\u00f5es iguais (risos). Foi ele que em plena tarde de 25 de dezembro de 1996, apareceu na minha casa com a id\u00e9ia de fazer um fanzine. O pessoal da minha sala da faculdade j\u00e1 tinha feito um, o Gambiarra, bem bacana por sinal, ent\u00e3o as id\u00e9ias brotaram com facilidade. Ali mesmo, ouvindo Smiths, Jesus &amp; Mary Chain e Smashing Pumpkins, rascunhamos o n\u00famero 1. O problema foi que ambos eram muito perfeccionistas. O Jo\u00e3o estava aprendendo a mexer em pagemaker e toda vez a gente mudava algo, tinha uma nova id\u00e9ia, e tudo mudava. Fizemos um zine profissa, com espa\u00e7os para anunciantes e tudo mais. Outro grande problema \u00e9 que, j\u00e1 na fase de acabamento, o Jo\u00e3o se acidentou. Enfiou a moto no meio de uma Bras\u00edlia amarela e se foi. Fiquei sem ch\u00e3o pela perda do amigo e nem quis mais saber do projeto. Um ano depois o retomei, por uma paix\u00e3o enlouquecedora pelo \u00e1lbum Carnaval na Obra, do Mundo Livre. Da\u00ed tem um intervalo, n\u00e9, entre o fanzine sair do papel e virar site. Eu tinha vindo para S\u00e3o Paulo j\u00e1, e conversava sempre por email com um cara politizado e bem bacana, chamado Hugo. Quando mostrei o Scream &amp; Yell em papel, ele pirou.Tinha planos de fazer um site e fez mesmo. O Scream &amp; Yell que est\u00e1 hoje no ar ainda \u00e9 o mesmo HTML que o Hugo colocou no HPG em novembro de 2000. Mudei alguns detalhes depois, mas em ess\u00eancia \u00e9 a mesma coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No zine voc\u00ea j\u00e1 fez coisas como entrevistar o Ian McCulloch, que \u00e9 um grande \u00eddolo seu. Que outros momentos voc\u00ea destacaria em toda a trajet\u00f3ria do site?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrevista com o Lambchop que o Leonardo Vinhas fez, \u00e9 muito melhor que a publicada em qualquer grande ve\u00edculo, mesmo. Tem muita coisa no site que bate material publicado na grande m\u00eddia, mas eu sempre curti mesmo dar aos colaboradores a oportunidade de falar sem rabo preso. Mas o que mais me emocionou neste tempo foi uma hist\u00f3ria bem legal. Estava eu bebendo cerveja em um boteco na Augusta com alguns amigos quando me liga uma grande amiga para contar uma novidade: ela estava vendo o DVD do filme Concorr\u00eancia Desleal e, na parte dos extras, um atalho leva para os coment\u00e1rios da imprensa e tava l\u00e1, entre Folha, Veja e Estad\u00e3o: &#8220;Um filme inesquec\u00edvel&#8221; &#8211; Marcelo Costa, do Scream &amp; Yell. Foi muito legal ter esse reconhecimento. Meio que mostrou que o site era uma fonte de refer\u00eancia. Mas, sobretudo, acho que o grande momento do site aconteceu quando anunciei seu fim. N\u00e3o me passava pela cabe\u00e7a que tanta gente lesse e se importasse com o Scream &amp; Yell. Foram tr\u00eas dias seguidos chorando. Toda hora que eu abria o email tinha uma mensagem linda, emocionada, que me chapava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Scream &amp; Yell conta com textos de v\u00e1rios colaboradores. Como voc\u00ea fazia a sele\u00e7\u00e3o do que d\u00e1 pra entrar e o que n\u00e3o d\u00e1? Rolava muito de voc\u00ea discordar completamente da opini\u00e3o de algum colaborador e mesmo assim publicar o texto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa sempre foi a parte mais simples do neg\u00f3cio, e voc\u00ea mesmo pode contar melhor que eu. Na verdade, muita gente tem o S&amp;Y como um grande ve\u00edculo. \u00c9 s\u00e9rio. Tem gente que j\u00e1 colocou em curr\u00edculo! Mas sempre foi simples. A pessoa entra em contato, passa a pauta (na maioria resenhas, pouca gente oferece uma pauta de entrevistas ou de pesquisa, por exemplo) e eu analiso mais o texto e a viabilidade da id\u00e9ia. Por exemplo, discordo muito tanto do Leonardo Vinhas quanto do Diego Fernandes, mas os textos deles s\u00e3o t\u00e3o bons que fica imposs\u00edvel n\u00e3o publicar (risos). \u00c9 b\u00e1sico. N\u00e3o basta dizer que Radiohead \u00e9 chato, tem que explicar. Se explicar bem, de maneira convincente, sem ataque gratuito e tal, entra, mesmo comigo amando Radiohead.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais eram os pontos fortes e fracos do site? Que outros zines voc\u00ea curte?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande destaque do Scream &amp; Yell \u00e9 poder falar de tudo e todos. Poder ter uma boa entrevista com Renato Teixeira, uma boa entrevista com o Interpol e uma boa entrevista com o Autoramas. \u00c9 n\u00e3o se prender a nichos. Falar do que der vontade, porque uma pessoa faz um zine para falar do que der vontade, n\u00e3o para ficar atendendo a expectativas alheias. O ponto fraco era a falta de uniformidade nos textos. Adoro o HTML do site, mas ele n\u00e3o funciona em v\u00e1rios aspectos, como busca. Sem contar que, como foi feito tudo no bra\u00e7o, para alterar ou corrigir alguma coisa \u00e9 um trampo. Quanto aos e-zines, puxa, s\u00e3o tantos que at\u00e9 d\u00e1 medo de citar e esquecer de algum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muito se fala na decad\u00eancia do jornalismo musical e at\u00e9 cultural no pa\u00eds. As poucas revistas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o lidas, a qualidade dos textos vem caindo bastante. De quem \u00e9 a culpa: leitores que n\u00e3o correm atr\u00e1s, jornalistas que t\u00eam se achado t\u00e3o importantes quanto os artistas ou editoras que n\u00e3o deixam o produto se firmar? Voc\u00ea enxerga melhoras para o futuro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cara, h\u00e1 muito de nostalgia ai, sabe? As coisas n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o ruins agora quanto estavam dez anos atr\u00e1s, ou vinte, ou cinq\u00fcenta. Pega um jornal dos anos 60 que voc\u00ea vai encontrar muitos erros tamb\u00e9m. O que acontece \u00e9 que, hoje em dia, tudo \u00e9 mais vis\u00edvel, muito pela internet. E quase todos os bons textos e jornalistas sensacionais que eu admiro nem jornalistas s\u00e3o. Como explicar que os jornalistas que melhor traduzem a m\u00fasica n\u00e3o s\u00e3o jornalistas? Ou seja, vai muito do feeling. Do jeito do cara se expressar. Ent\u00e3o, o presente est\u00e1 maravilhoso como sempre esteve. N\u00e3o \u00e9 apologia da cegueira. Tamb\u00e9m tem essa dos jornalistas superstar (risos), mas \u00e9 a ind\u00fastria. Cara, como dizia um filme, todo mundo precisa de um guia, &#8220;seja ele Buda, Jesus ou Elvis&#8221;. Ou \u00c1lvaro Pereira J\u00fanior (risos). Cada pessoa tem o guia que merece, pode ter certeza&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea fazia parte do projeto inicial da Zero e saiu por &#8220;diferen\u00e7as profissionais&#8221;. Que diferen\u00e7as foram essas e o que voc\u00ea acha do rumo que a revista vem tomando?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro \u00e9 bom que se esclare\u00e7a que eu n\u00e3o sa\u00ed da Zero. Eu fui &#8220;sa\u00eddo&#8221;. Seria altamente nobre da minha parte dizer que sa\u00ed por n\u00e3o concordar com diversas coisas da revista e bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1, mas, infelizmente (risos), n\u00e3o foi isso que aconteceu. O que aconteceu \u00e9 que, no final de 2001, quando o n\u00famero 0 da Zero estava sendo feito, eu descobri uma s\u00e9rie de coisas erradas no que diz respeito a honestidade e idoneidade de uma das pessoas do grupo. E isso, simplesmente, me bloqueou. Aquela \u00e9poca foi a que menos escrevi na vida, por absoluta falta de tes\u00e3o. N\u00e3o me via fazendo uma revista que iria contar com mat\u00e9rias duvidosas. O certo, claro, seria reunir o grupo e abrir o jogo. Mas faltou culh\u00e3o da minha parte em jogar sucrilhos no ventilador. E tamb\u00e9m da parte deles, afinal, eu era um nome no projeto, participava de reuni\u00f5es com editoras, mas n\u00e3o estava rendendo como jornalista. Nisso fui me afastando, e eles se unindo. Colaborou para a minha sa\u00edda o fato de eu assinar um contrato de um ano com o UOL para editar um site parceiro de esportes. Ou seja, eu estava cada vez mais fora da revista, mas s\u00f3 fui saber que estava fora &#8216;de fato&#8217; quando recebi o release da n\u00famero 1 e eu n\u00e3o estava l\u00e1. Ao contr\u00e1rio de ficar chateado, eu comemorei, afinal, estava livre. No fim, ficou todo mundo em paz, claro, eles por um tempo, como conta a hist\u00f3ria (hahahaha).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto ao rumo que a revista tomou, isso me d\u00e1 um al\u00edvio. Imagina se eles v\u00e3o e fazem uma puta revista bacana? Eu ficaria mordido de vontade de estar l\u00e1 (risos). Mas, como demonstra a hist\u00f3ria, n\u00e3o foi bem isso que aconteceu. A Zero \u00e9 uma revista absurdamente sem foco, sem ideologia. Sem rumo musical, pol\u00edtico ou social. \u00c9 claro que tem o seu valor. Se uma pessoa n\u00e3o consegue comprar revistas gringas (Q, Mojo, Uncut, Rolling Stone, etc&#8230;), n\u00e3o tem acesso \u00e0 internet (para se informar em sites de m\u00fasica, e-zines, sites dos pr\u00f3prios artistas, etc&#8230;), n\u00e3o consegue acompanhar os cadernos culturais dos principais jornais do pa\u00eds (Caderno 2, Ilustrada, Segundo Caderno, Zero Hora, etc&#8230;), uma revista como a Zero ter\u00e1 a sua utilidade. E eu seria altamente maldoso se dissesse que a revista toda \u00e9 ruim. A coluna do Andr\u00e9 Fiori \u00e9 muito boa, a melhor coisa da revista (e nem \u00e9 por ele ser um grande amigo &#8211; risos). E tem gente muito boa que colabora com a revista, como o Jardel Sebba, o Luciano Vianna, o Alex Antunes. Na edi\u00e7\u00e3o passada, com Caetano e Gil na capa, o resgate daquelas fotos merece aplausos. \u00c9 claro que, para isso, eles poderiam ter feito um \u00e1lbum de fotos e n\u00e3o uma revista, mas est\u00e1 valendo. Com certeza deve dar para salvar uns dois ou tr\u00eas textos por edi\u00e7\u00e3o. E, por mais que isso venha a soar rancoroso, \u00e9 s\u00f3 uma an\u00e1lise fria e s\u00e9ria da publica\u00e7\u00e3o, e s\u00f3 quem me conhece sabe que eu n\u00e3o brincaria com um assunto desses. No mais, o esfor\u00e7o deles em manter a revista nas bancas \u00e9 louv\u00e1vel. S\u00f3 \u00e9 preciso deixar claro que isso n\u00e3o justifica a qualidade question\u00e1vel da publica\u00e7\u00e3o. Interessante \u00e9 que acho o site deles mais bem definido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dizem que os blogs mataram os zines, que por sua vez mataram as revistas. At\u00e9 que ponto isso \u00e9 verdade e qual seria o espa\u00e7o de cada um destes ve\u00edculos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem est\u00e1 dizendo que os blogs mataram os zines que, por sua vez, mataram as revistas, est\u00e1 completamente enganado. Primeiro: as revistas n\u00e3o morreram. Segundo: os zines n\u00e3o morreram. Terceiro: os blogs s\u00e3o apenas mais uma fonte de informa\u00e7\u00e3o. Para provar que as revistas n\u00e3o morreram \u00e9 s\u00f3 pegar a tiragem de uma Caras, de uma Veja, de uma Playboy, de uma SuperInteressante, de uma Vip. O problema n\u00e3o \u00e9 com o mercado de revistas. O problema \u00e9 com a ind\u00fastria musical no Brasil. \u00c9 esta ind\u00fastria que dificulta a exist\u00eancia de revistas de M\u00daSICA, porque \u00e9 tudo uma engrenagem s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Skank est\u00e1 feliz da vida porque vendeu 100 mil c\u00f3pias do Cosmotron. E eles j\u00e1 venderam 2 milh\u00f5es de c\u00f3pias do Calango. O Caetano estava festejando as 50 mil c\u00f3pias do A Foreign Sound. E ele vendeu 1 milh\u00e3o de c\u00f3pias do Prenda Minha &#8211; Ao Vivo. Transponha isso para o mercado: imagine uma revista de m\u00fasica para um p\u00fablico que compra 2 milh\u00f5es de discos e a mesma revista de m\u00fasica para quem compra 100 mil. A dist\u00e2ncia \u00e9 enorme. O que significa que a ind\u00fastria musical brasileira est\u00e1 falida e absurdamente perdida. Como uma revista de m\u00fasica pode ter uma vida saud\u00e1vel em um pa\u00eds que n\u00e3o tem uma vida cultural saud\u00e1vel? Voc\u00ea sempre ir\u00e1 escrever para os mesmos gatos pingados. A ind\u00fastria musical colocou tudo a perder com pre\u00e7os abusivos, jab\u00e1s em excesso e nenhuma no\u00e7\u00e3o de mercado. As gravadoras s\u00e3o culpadas pela programa\u00e7\u00e3o &#8216;flashback&#8217; das r\u00e1dios. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o novo. E se n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o novo, como a massa de 170 milh\u00f5es ir\u00e1 ter acesso ao novo? No Doming\u00e3o do Faust\u00e3o que n\u00e3o ser\u00e1. Eu assisti a uma palestra do Andr\u00e9 Midani no ano passado e ele dizia que a id\u00e9ia das majors era de deixar o pre\u00e7o de um CD nacional equivalente com o de um CD gringo. Ent\u00e3o, voc\u00ea chega para comprar o novo \u00e1lbum da PJ Harvey e est\u00e1 R$ 39, aproximadamente US$ 13, pre\u00e7o de um CD nos Estados Unidos. \u00c9 preciso muita percep\u00e7\u00e3o para notar que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel comparar a economia norte-americana com a brasileira? Que pouca gente tem condi\u00e7\u00f5es de pagar esse pre\u00e7o por um CD no Brasil? E se formos comparar um CD independente (por exemplo, da Monstro Discos) com um CD de uma major, n\u00e3o veremos nenhuma diferen\u00e7a: a qualidade de grava\u00e7\u00e3o, a arte gr\u00e1fica, o produto \u00e9 totalmente equivalente. E um CD independente sai exatamente pela metade do pre\u00e7o. O Wander Wildner vende o CD dele por R$ 15!!!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o esse papo de que a Internet colaborou para o fim das revistas \u00e9 uma tremenda balela. Por exemplo: enquanto eu tiver uma grana sobrando, eu vou comprar uma Uncut, que, para mim, \u00e9 a melhor revista de m\u00fasica do mundo. S\u00f3 que seria utopia acreditar que uma revista como essa cres\u00e7a no Brasil. \u00c9 preciso come\u00e7ar de cima. \u00c9 preciso reestruturar o mercado, gravadoras, r\u00e1dios. Se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos um mercado cultural saud\u00e1vel, ter\u00edamos boas revistas com grandes tiragens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe alguma chance, ainda que remota, de o Scream &amp; Yell voltar enquanto zine?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu, sinceramente, espero que o Scream &amp; Yell volte. O que acontece \u00e9 que eu sempre consegui conciliar o tempo no emprego que paga as contas, as cervejas e os CDs com um tempo de folga em que eu editava o Scream &amp; Yell. Mas ultimamente n\u00e3o estou conseguindo. O meu trabalho \u00e9 absurdamente envolvente, n\u00e3o h\u00e1 como me desvencilhar, n\u00e3o sobra tempo. Ent\u00e3o quando chego em casa n\u00e3o quero saber de jornalismo (risos). Mas a id\u00e9ia \u00e9 ter um trabalho mais leve que permita pagar as contas e manter o Scream atualizado. Eu sempre disse que o Scream &amp; Yell era um site tosco e passional demais, o que soava um tanto desrespeitoso da minha parte com algo que me surpreendeu mais do que qualquer coisa na vida. De um tempo para c\u00e1 tenho admirado demais esse projeto que nasceu t\u00e3o idiotamente (em um dia de natal) e, depois de quase oito anos, ap\u00f3s ter se envolvido na vida de tanta gente, me orgulha demais. Ele vai voltar sim, provavelmente reformulado visualmente, mas com as mesmas ideias editoriais. N\u00e3o d\u00e1 para dizer ao certo se ser\u00e1 em uma semana, um m\u00eas, ou at\u00e9 o fim do ano. Mas ele voltar\u00e1.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/respostas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As coisas n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o ruins agora quanto estavam dez anos atr\u00e1s, ou vinte, ou cinquenta. 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