{"id":33034,"date":"2015-05-07T14:25:07","date_gmt":"2015-05-07T17:25:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=33034"},"modified":"2015-09-11T14:26:55","modified_gmt":"2015-09-11T17:26:55","slug":"blog-do-editor-gravadoras-selos-e-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/07\/blog-do-editor-gravadoras-selos-e-mercado\/","title":{"rendered":"Blog do Editor: Gravadoras, selos e mercado"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><em><span class=\"gmail_sendername\">Perguntas de Natalia Albertoni em agosto de 2014 <\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em><\/em>A maior parte da produ\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 feita por selos independentes (criados at\u00e9 pelos pr\u00f3prios artistas)? Desde quando? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um processo que come\u00e7ou no meio dos anos 90, com o barateamento tecnol\u00f3gico, que permitiu que m\u00fasicos constru\u00edssem est\u00fadios sem gastar uma fortuna. A prolifera\u00e7\u00e3o de selos independentes, no entanto, se deve ao descaso das grandes gravadoras com M\u00fasica, com M mai\u00fasculo. \u00c9 importante lembrar que as grandes gravadoras foram important\u00edssimas n\u00e3o s\u00f3 por investimento dos primeiros registros musicais como na prolifera\u00e7\u00e3o da cultura. Por\u00e9m, no Brasil, depois da segunda metade dos anos 90, os investimentos no novo come\u00e7aram a minguar, e muitas gravadoras come\u00e7aram a apostar apenas na recria\u00e7\u00e3o de modelos at\u00e9 esgota-los (aconteceu com o emo, com o pagode e diversos outros estilos). Ou seja, algu\u00e9m tinha um vislumbre de sucesso, e a gravadora brasileira ia l\u00e1 e criava um exercito de bandas clones. Deixou-se de apostar no novo, no risco de algo bom conquistar o p\u00fablico. Com isso, os artistas precisaram encontrar outra sa\u00edda e os selos independentes se mostraram \u00fateis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre existiram selos no Brasil, certo? Principalmente nos anos 1980&#8230; por que existe esta ideia de que selo \u00e9 uma forma de produ\u00e7\u00e3o gringa?<\/strong><br \/>\nPorque a ideia era copiada das matrizes das grandes gravadoras, que criavam sub selos dentro da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o tentando dar uma cara para os produtos daquele departamento. Por exemplo, o selo Chaos, da Sony Music, respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento dos primeiros discos de Gabriel O Pensador, Chico Science &amp; Na\u00e7\u00e3o Zumbi e Skank, nada mais era do que o mesmo selo da Universal norte-americana, que havia lan\u00e7ado bandas como Soul Asylum e Ned\u2019s Atomic Dustbin. No Brasil, nos anos 80, n\u00f3s tivemos o Plug, selo dentro da RCA que lan\u00e7ou um monte de nomes da cena ga\u00facha: Engenheiros do Hawaii, Nenhum de N\u00f3s, Defalla. L\u00f3gico que n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos selos independentes no pa\u00eds na mesma \u00e9poca. A Baratos Afins, por exemplo, era um selo \/ loja de discos que havia lan\u00e7ado muita gente boa (Fellini, Golpe de Estado, Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria) seguindo o velho lema dos selos independentes mundiais: estamos lan\u00e7ando coisas de qualidade que soam estranhas aos ouvidos do pessoal das grandes gravadoras. A mudan\u00e7a acontece quando, no come\u00e7o dos anos 2000, tudo passa a soar estranho aos ouvidos das grandes gravadoras, e artistas que antes teriam casa num grande selo passam a apostar na independ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea essa mudan\u00e7a de rumo no mercado fonogr\u00e1fico? Das grandes gravadoras para os selos&#8230; Muda algo para o consumidor?<\/strong><br \/>\nMudou muito porque as grandes gravadoras ainda det\u00e9m o controle da distribui\u00e7\u00e3o e ainda det\u00e9m verba de veicula\u00e7\u00e3o (o que faz do dial das r\u00e1dios um extenso comercial). Ent\u00e3o onde o povo ir\u00e1 encontrar os selos menores? Em lojas especializadas, mas nestas lojas s\u00f3 vai quem j\u00e1 sabe o que est\u00e1 indo procurar. A dona de casa, o cara que trabalha na obra, o banc\u00e1rio, as pessoas comuns, que tem uma vida comum cuja m\u00fasica \u00e9 apenas uma trilha incidental que entra aqui e ali em alguns momentos do dia, fica dependente de canais de divulga\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o que est\u00e3o viciados, que n\u00e3o recebem o novo, apenas mais do mesmo. E isso faz com que o p\u00fablico entre em um marasmo, em uma zona de conforto bastante prejudicial aos novos artistas. A internet abriu um pouco esse leque, mas as coisas ainda est\u00e3o engatinhando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O selo funciona quase como uma curadoria, certo? Qual a vantagem de seguir um e quais s\u00e3o interessantes ficar de olho para acompanhar novidades?<\/strong><br \/>\nExatamente. Uma curadoria que, via de regra, segue uma linha est\u00e9tica. Ent\u00e3o quando voc\u00ea compra um disco da Sub Pop (norte-americana) ou da Rough Trade (inglesa) ou da Monstro Discos (Brasil), voc\u00ea j\u00e1 tem uma vaga ideia do que pode estar ali, porque s\u00e3o selos que trabalham com nichos espec\u00edficos e est\u00e3o com as antenas ligadas para o mundo tentando buscar o novo, algo que continue levando a bandeira do selo estrada a frente. O investimento em um selo pequeno \u00e9 menor do que \u00e9 uma grande gravadora, ent\u00e3o eles podem apostar mais e tanto acertar mais. Um acerto muitas vezes \u201crecupera\u201d o investimento de 10 \u201cerros\u201d, isso economicamente falando porque discos lan\u00e7ados n\u00e3o s\u00e3o erros, certo. \u201cVelvet Underground &amp; Nico\u201d n\u00e3o vendeu absolutamente nada quando foi lan\u00e7ado, e \u00e9 um dos discos mais importantes da hist\u00f3ria do rock. A quest\u00e3o \u00e9 que, no mundo capitalista que vivemos, uma grava\u00e7\u00e3o, um lan\u00e7amento de disco, uma divulga\u00e7\u00e3o, isso tudo custa dinheiro, e as gravadoras necessitam do lucro para continuar lan\u00e7ando discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, o selo ainda \u00e9 bom filtro para identificar o que h\u00e1 de bom (principalmente levando em considera\u00e7\u00e3o o mund\u00e3o da internet) em um determinado estilo musical? Ou hoje o selo virou um recurso para lan\u00e7ar disco?<\/strong><br \/>\nOs selos continuam sendo o melhor filtro, sem d\u00favida. Se h\u00e1 um lugar no mundo onde a m\u00fasica nova pode ser surpreendente \u00e9 num selo independente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que selos nacionais tem a aprender com gente de selo gringo como Nonesuch, Domino, OWSLA?<\/strong><br \/>\nCuradoria, trabalho a longo prazo e n\u00e3o esquecer que o que importa \u00e9 a m\u00fasica. No Brasil tudo \u00e9 pra ontem, ent\u00e3o quando um artista \u00e9 lan\u00e7ado, n\u00e3o se pensa em trabalhar a carreira em longo prazo, a resposta tem que ser imediata. Se fosse assim, nomes como Bob Dylan e Bruce Springsteen teriam sido dispensados sumariamente das gravadoras brasileiras ap\u00f3s o primeiro disco. Nonesuch, Domino e OWSLA tentam entender os artistas que contratam e traduzi-los da melhor forma para o p\u00fablico, sem serem agressivos. O que importa \u00e9 a m\u00fasica, e esses selos se notabilizaram por venderem boa m\u00fasica. Gosto muito do trabalho da Merge, da Secretly  Canadian e da YB.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aumentou mesmo a produ\u00e7\u00e3o por selo?<\/strong><br \/>\nPor necessidade de mercado, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 a \u00fanica via para fazer m\u00fasica no pa\u00eds?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. As gravadoras ainda existem e, mesmo hibernando, ainda s\u00e3o uma via poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A multiplica\u00e7\u00e3o de selos \u00e9 atestado da desnecessidade de gravadoras? Qualquer artista grava e lan\u00e7a fazendo um selo?<\/strong><br \/>\nSim e n\u00e3o. Qualquer artista pode gravar e lan\u00e7ar, mas como vai distribuir? Como vai colocar a m\u00fasica na r\u00e1dio, na novela, como vai fazer com que seu disco chegue a um p\u00fablico maior? As gravadoras ainda det\u00e9m esse mercado de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que n\u00e3o muda nessa l\u00f3gica \u00e9 a necessidade de ter empres\u00e1rios, certo? Eles ainda s\u00e3o importantes, principalmente para o mainstream&#8230;<\/strong><br \/>\nEles s\u00e3o importantes no que tange dar liberdade para o artista criar m\u00fasica, e fazer apenas isso. E isso \u00e9 importante principalmente para os independentes, que precisam encontrar brechas na estrutura do mercado para conseguirem surgir. Um m\u00fasico pode fazer isso, mas se ele tem um bom empres\u00e1rio, que o conhece e est\u00e1 de acordo com seus ideais e seus desejos, ele pode continuar criando enquanto o empres\u00e1rio fica detectando as oportunidades de mercado.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/respostas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Mudou muito porque as grandes gravadoras ainda det\u00e9m o controle da distribui\u00e7\u00e3o e ainda det\u00e9m verba de veicula\u00e7\u00e3o (o que faz do dial das r\u00e1dios um extenso comercial).&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/07\/blog-do-editor-gravadoras-selos-e-mercado\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[330],"tags":[338],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33034"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33034"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33034\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33036,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33034\/revisions\/33036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}