{"id":32408,"date":"2015-09-02T11:10:13","date_gmt":"2015-09-02T14:10:13","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=32408"},"modified":"2016-09-03T11:27:21","modified_gmt":"2016-09-03T14:27:21","slug":"tres-perguntas-fabio-de-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/02\/tres-perguntas-fabio-de-carvalho\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: F\u00e1bio de Carvalho"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32409\" title=\"fabiodecarvalho\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/fabiodecarvalho.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/fabiodecarvalho.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/fabiodecarvalho-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2013, quando tinha 15 anos, F\u00e1bio de Carvalho entrou em um est\u00fadio profissional e gravou um rap com um amigo. Sua primeira grava\u00e7\u00e3o solo, por\u00e9m, s\u00f3 veio no final do ano seguinte, quando ele voltou ao mesmo est\u00fadio, gastou uma grana e, depois de seis horas, saiu de l\u00e1 com apenas uma can\u00e7\u00e3o: &#8220;S\u00e1bado, entre 16:30 e 17:50&#8221;. Ele n\u00e3o sabia, mas tudo o que ele precisava estava naquela m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso porque ao disponibilizar a can\u00e7\u00e3o no Bandcamp, F\u00e1bio chamou a aten\u00e7\u00e3o de Vitor Brauer (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/19\/entrevista-lupe-de-lupe\/\" target=\"_blank\">Lupe de Lupe<\/a>), que lhe adicionou no Facebook e prop\u00f4s produzir seu primeiro disco solo, mas nos moldes artesanais e apaixonados do movimento <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/geracaoperdidamg\" target=\"_blank\">Gera\u00e7\u00e3o Perdida de Minas Gerais<\/a>. Ou seja, sai de cena o est\u00fadio profissional (e caro) e entra no lugar o est\u00fadio caseiro que tem transformado sonhos em realidade para essa agitada turma mineira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, com apenas 17 anos, F\u00e1bio de Carvalho lan\u00e7a seu primeiro \u00e1lbum, o perturbador \u201cTudo em V\u00e3o\u201d, um disco de guitarras dissonantes e letras confessionais sobre os dilemas da adolesc\u00eancia, totalmente <a href=\"http:\/\/fabiodecarvalho.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\">dispon\u00edvel para audi\u00e7\u00e3o e download<\/a> (no modelo pague quanto quiser) no Bandcamp. Al\u00e9m de F\u00e1bio (letras, vozes, guitarra e bateria) e Vitor (baixo, produ\u00e7\u00e3o e mixagem), \u201cTudo em V\u00e3o\u201d conta com o pai de F\u00e1bio tocando trompete em uma can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs integrantes da Gera\u00e7\u00e3o Perdida n\u00e3o est\u00e3o mais t\u00e3o perdidos assim, em muitos sentidos\u201d, observa o integrante mais jovem do coletivo em conversa por e-mail. No bate papo, F\u00e1bio de Carvalho conta como rolou a aproxima\u00e7\u00e3o com Vitor, fala sobre a produ\u00e7\u00e3o e o resultado do \u00e1lbum \u201cTudo em V\u00e3o\u201d e lista seus planos futuros: \u201cEu quero muito fazer um curta!\u201d. Preste aten\u00e7\u00e3o no trabalho dele. Abaixo, tr\u00eas perguntas.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 600px; height: 720px;\" src=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1770777168\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/fabiodecarvalho.bandcamp.com\/album\/tudo-em-v-o\"><\/a><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se deu a parceria com Vitor Brauer e a sua entrada para o movimento Gera\u00e7\u00e3o Perdida de Minas Gerais?<\/strong><br \/>\nNo final de 2014, a \u00fanica coisa que eu sabia \u00e9 que eu precisava gravar alguma coisa, mesmo que fosse s\u00f3 uma m\u00fasica. Fui parar no Est\u00fadio Casa Antiga, onde em 2013 eu havia gravado uma faixa de rap com um amigo. Demorei cerca de 6 horas no total pra gravar a m\u00fasica &#8220;S\u00e1bado, entre 16:30 e 17:50&#8221; e gastei uma fortuna s\u00f3 com ela, porque o est\u00fadio era profissional, cobrava por hora, essas coisas. Depois de ter a m\u00fasica completa, criei uma p\u00e1gina no Bandcamp chamada <a href=\"http:\/\/virtudesdeumsofa.bandcamp.com\" target=\"_blank\">Virtudes de Um Sof\u00e1<\/a> onde a coloquei junto de um cover do Charlie Brown Jr. e uma foto da minha cachorra Mel. A partir da\u00ed j\u00e1 n\u00e3o fiz mais nada, at\u00e9 porque eu n\u00e3o tinha perspectiva. A m\u00fasica ficou morta l\u00e1 por alguns dias, e mostrei pra algumas pessoas que foram muito positivas e me incentivaram, mas ficou por isso mesmo. No dia seguinte da minha formatura acordei bem tarde, e as coisas pareciam mais sem rumo ainda, agora que o ensino m\u00e9dio havia efetivamente terminado. Fui tomar um banho e quando voltei pro meu quarto vi uma solicita\u00e7\u00e3o de amizade no meu perfil. Me lembro de pensar que talvez aquela solicita\u00e7\u00e3o viesse de alguma pessoa que pudesse mudar a minha vida, ou alguma coisa do tipo, provavelmente por causa de um certo desespero que eu andava sentindo na \u00e9poca. Quando vi que era do Vitor, j\u00e1 comecei a achar tudo muito absurdo e n\u00f3s imediatamente come\u00e7amos a conversar, ele disse que havia escutado a m\u00fasica, e fez a proposta de produzir meu disco. Nessa mesma noite fui para o show do Tat\u00e1 Aeroplano no Teatro Klauss Vianna, e fiquei cagando de medo de estar sonhando aquilo tudo. Entrar para movimento \u00e9 uma coisa que at\u00e9 agora n\u00e3o consigo conceber muito bem, \u00e9 o tipo de coisa que eu literalmente sonhava direto. H\u00e1 uma certa disparidade entre eu e o resto dos integrantes, principalmente por quest\u00f5es de idade e tal, mas n\u00e3o sei se eles sentem isso. \u00c9 uma experi\u00eancia muito estranha, mas enriquecedora estar mais pr\u00f3ximo das pessoas que voc\u00ea v\u00ea como influ\u00eancias. Os integrantes da Gera\u00e7\u00e3o Perdida n\u00e3o est\u00e3o mais t\u00e3o perdidos assim, em muitos sentidos, e \u00e9 bom ter pessoas com quem posso agir abertamente e que tem muito pra me dizer, que respeitam o meu trabalho tanto quanto respeito o deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Suas letras s\u00e3o marcadas pelo o que chamaria de &#8220;pessoalidade intensa&#8221;, caracter\u00edstica surpreendente para um jovem com voc\u00ea. De que maneira o cotidiano interfere no seu modo de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA minha &#8220;pessoalidade intensa&#8221; provavelmente vem de uma coisa internalizada na minha vida, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de autos sabotagem produtiva, onde me exponho e me mostro vulner\u00e1vel pras pessoas. \u00c9 algo que sempre cultivei, ainda mais com meu gosto pelo tragic\u00f4mico nas situa\u00e7\u00f5es cotidianas da adolesc\u00eancia. A maioria das pessoas que escutaram o disco, o acharam muito triste e com uma onda muito pesada. Enquanto eu entendo isso, e n\u00e3o consigo evitar achar alguns momentos do disco muito engra\u00e7ados. Acho que as pessoas levam as coisas a s\u00e9rio demais e talvez eu seja a \u00faltima pessoa que pode julgar os outros por isso, porque costumo ser bem sistem\u00e1tico, rabugento na maioria das vezes, mas uma coisa que passou muito pela minha cabe\u00e7a durante a grava\u00e7\u00e3o do disco foi que todas as situa\u00e7\u00f5es supostamente tristes que relato, enquanto dramas pessoais, representam uma realidade muito privilegiada. Tenho muitos amigos, muitas pessoas que me amam ao meu redor, e sou grato por ter elas na minha vida, eu genuinamente cansei de reclamar de muita coisa, porque simplesmente n\u00e3o vale a pena, n\u00e3o faz sentido. Gravar essas m\u00fasicas, com esse tom t\u00e3o pessoal, foi menos um relato das minhas angustias e dias ruins, e mais um exorcismo de muitas coisas que me atormentavam na forma como eu lidava\/lido com meus problemas. A sensa\u00e7\u00e3o que sucedeu as grava\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi de al\u00edvio, nem de completa satisfa\u00e7\u00e3o, mas de consci\u00eancia de que estou em um momento muito bom da minha vida, e uma esp\u00e9cie de urg\u00eancia me dominou, de apreciar e reparar nos detalhes que fazem dos meus dias t\u00e3o privilegiados. Sempre reparei muito em detalhes, mas talvez nos detalhes errados. O cotidiano \u00e9 fundamental para as minhas m\u00fasicas, nele reside minha principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Geralmente encontro certa dificuldade em me identificar com coisas muito grandes, \u00e9picas. Tem alguns quadros dos rom\u00e2nticos do s\u00e9culo XIX que me fazem rir de t\u00e3o exagerados e grandiosos eles s\u00e3o. Pra mim aquilo n\u00e3o faz o menor sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o seus planos futuros? Pretende realizar turn\u00ea de divulga\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNesse segundo semestre estou com alguns projetos, mais ligados ao audiovisual, clipe de m\u00fasica, essas coisas. Deve rolar um show no Rio tamb\u00e9m com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/30\/tres-perguntas-jonathan-tadeu\/\" target=\"_blank\">Jonathan Tadeu<\/a> e o pessoal da Tom Gangue, mas uma turn\u00ea de verdade n\u00e3o vai rolar n\u00e3o. No final do ano, volto pro est\u00fadio da Gera\u00e7\u00e3o pra gravar um EP que vai conter algumas m\u00fasicas com um direcionamento diferente na sonoridade. N\u00e3o vai ser uma mudan\u00e7a brusca n\u00e3o, mas n\u00e3o quero ficar acomodado na mesma forma de composi\u00e7\u00e3o. O curioso de gravar um disco \u00e9 que sua vida n\u00e3o muda muito na sua ess\u00eancia, conheci bastante gente desde ent\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 como se eu me sentisse outra pessoa ou coisa do tipo. Em algum momento algu\u00e9m me fez essa promessa ilus\u00f3ria de que as coisas seriam diferentes e que eu ia ter certo conforto proveniente do meu projeto musical, mas a verdade \u00e9 que isso nunca me gerou conforto. As minhas m\u00fasicas vem de uma certa urg\u00eancia, urg\u00eancia de produzir, independente do formato. Eu quero muito fazer um curta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/940395336020502\/videos\/vb.940395336020502\/961740713885964\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32413\" title=\"fabiodecarvalho1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/fabiodecarvalho1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"363\" \/><br \/>\n<\/a><em>Registro da apresenta\u00e7\u00e3o solo no Edif\u00edcio Maletta pelo Jonathan Tadeu<\/em><\/p>\n<p>&#8211; Bruno Lisboa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\">@brunorplisboa<\/a>) \u00e9 redator\/colunista do <a href=\"http:\/\/pignes.com\" target=\"_blank\">Pigner<\/a> e do <a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Lupe de Lupe: \u201cRemar contra a mar\u00e9 faz parte da nossa natureza arredia\u201d\u00a0 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/19\/entrevista-lupe-de-lupe\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Integrante mais jovem do coletivo Gera\u00e7\u00e3o Perdida de Minas Gerais, F\u00e1bio estreia com o dissonante &#8220;Tudo em V\u00e3o&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/09\/02\/tres-perguntas-fabio-de-carvalho\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[990,821,982,52],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32408"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32408"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32408\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39762,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32408\/revisions\/39762"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}