{"id":32291,"date":"2015-08-27T10:36:16","date_gmt":"2015-08-27T13:36:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=32291"},"modified":"2016-10-13T10:18:29","modified_gmt":"2016-10-13T13:18:29","slug":"cd-depression-cherry-beach-house","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/27\/cd-depression-cherry-beach-house\/","title":{"rendered":"CD: &#8220;Depression Cherry&#8221;, Beach House"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-32292  aligncenter\" title=\"depression_cherry\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/depression_cherry.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\">Gabriel Innocentini<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O dream-pop \u00e9 um g\u00eanero encharcado de nostalgia e saudade. A vida que poderia ter sido e n\u00e3o foi, o futuro outrora t\u00e3o promissor, vocais long\u00ednquos vindos do que parecem outras exist\u00eancias, riffs de guitarra entorpecidos, a cama de teclados e sintetizadores numa cascata de arpejos, um sentimento indefinido entre o abandono e o desejo de voltar ao que \u00e9 imposs\u00edvel, aquele andar \u00e0s cegas pelas paisagens interiores. Ah, e letras enigm\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certas bandas parecem criar e habitar um tempo pr\u00f3prio. Existe um tempo Mazzy Star, existe um tempo My Bloody Valentine, existe um tempo Portishead. E j\u00e1 podemos dizer ap\u00f3s cinco \u00e1lbuns: existe um tempo Beach House.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o faz sentido ouvir \u201cDepression Cherry\u201d, o novo disco do duo de Baltimore, procurando novidades ou avan\u00e7os no som do Beach House. L\u00e1 pelo meio dos anos 60 a cultura pop adotou a curiosa ideia de que os artistas precisam sempre se reinventar. N\u00e3o basta criar \u201cLove Me Do\u201d, \u00e9 preciso se trancar no est\u00fadio e usar todos os canais poss\u00edveis, editar ru\u00eddos e mixar o vocal de tr\u00e1s pra frente. N\u00e3o basta compor \u201cBlowin\u2019 the Wind\u201d, \u00e9 preciso escrever can\u00e7\u00f5es de 11 minutos. Os cr\u00edticos tamb\u00e9m entram na dan\u00e7a: \u201cbom trabalho, mas quero ver o que v\u00e3o aprontar na pr\u00f3xima\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem, quem conhece Beach House pode ficar tranquilo: \u201cDepression Cherry\u201d \u00e9 o Beach House de sempre. Terreno conhecido, o que n\u00e3o significa confort\u00e1vel. O timbre profundo e robusto de Victoria Legrand, como os vinhos, melhora com o passar do tempo. Mas h\u00e1 uma nota de amargor nessa voz, nesse disco espec\u00edfico. Uma dor controlada, cujo transe bem medido tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de li\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cLevitation\u201d, logo de in\u00edcio, realiza o transporte para o tempo Beach House: \u201cThere&#8217;s a place I want to take you \/ when the unknown will surround you\u201d. O meio minuto final, quando a bateria entra em fade out, a letra termina e o \u00f3rg\u00e3o cheio de reverb resta pairando no ar, \u00e9 talvez o mais belo momento musical do ano at\u00e9 aqui. Esse pulo no desconhecido, \u00f3bvio, ser\u00e1 o amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O shoegaze entra em campo com \u201cSparks\u201d, can\u00e7\u00e3o repleta de tent\u00e1culos: \u201cAnd it goes dark again \/ just like sparks\u201d. Shoegaze \u00e0 moda Beach House, bem entendido. Apenas uns poucos ru\u00eddos e uma guitarra mais suja do que o habitual. A camada sonora do \u00f3rg\u00e3o, afogada em drone, nessa e em outras faixas lembra o Rocketship, banda de Sacramento dos anos 90, cujo \u201cA Certain Smile, a Certain Sadness\u201d poderia tamb\u00e9m servir de t\u00edtulo para o \u00e1lbum de Victoria Legrand e Alex Scally.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSpace Song\u201d tem uma letra banal adornada por voos de slide guitar. Esta talvez seja a can\u00e7\u00e3o mais imediatamente Beach House de todo o disco, um exemplo perfeito da aparente magia sem esfor\u00e7o dessa banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A introdu\u00e7\u00e3o de \u201cBeyond Love\u201d d\u00e1 o tom da melhor can\u00e7\u00e3o do disco: a nota mi \u00e9 seguida por r\u00e9 sustenido. Esse intervalo de apenas meio tom como que estabelece a dist\u00e2ncia imposs\u00edvel entre os amantes. Repetida ao longo da can\u00e7\u00e3o essa sequ\u00eancia descendente adquire um som fantasmag\u00f3rico, inalcan\u00e7\u00e1vel. Meio tom a mais e ter\u00edamos uma oitava perfeita: duas notas iguais, com uma escala de separa\u00e7\u00e3o. As outras duas notas da guitarra s\u00e3o si bemol e si. Essa disson\u00e2ncia vai se espraiando por toda can\u00e7\u00e3o, que mal termina, parece interrompida abruptamente porque n\u00e3o pode durar para sempre. O que h\u00e1 al\u00e9m do amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras can\u00e7\u00f5es, \u00e9 claro. Seguindo o disco a resposta seria \u201c10:37\u201d, mais uma daquelas m\u00fasicas Beach House a que todo f\u00e3 j\u00e1 est\u00e1 mais do que acostumado, embora a parte percussiva seja o ingrediente principal para criar o senso de dramaticidade e dinamismo dessa faixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem nos c\u00e9us se canta o tempo todo, disse o poeta, e \u201cDays of Candy\u201d parece contradizer tal afirma\u00e7\u00e3o: do para\u00edso perdido tamb\u00e9m se fazem can\u00e7\u00f5es. Um fecho que seria grandioso n\u00e3o fosse a conten\u00e7\u00e3o presente em todo o disco \u2013 n\u00e3o h\u00e1 explos\u00e3o de microfonia, mergulho no oceano da wall of sound, apenas a habita\u00e7\u00e3o de um outro tempo, o agora conhecido tempo Beach House.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A capa de \u201cDepression Cherry\u201d \u00e9 da cor vinho, pura e discreta como as capas da lend\u00e1ria gravadora de jazz ECM, cujo lema durante certa \u00e9poca era \u201co som mais belo depois do sil\u00eancio\u201d. Aqui seria melhor inverter a ordem do t\u00edtulo do Rocketship: \u201cA Certain Sadness, A Certain Smile\u201d. No seu melhor, \u00e9 assim que habitamos o tempo Beach House: possu\u00eddos pela nostalgia \u2013 e possu\u00eddos pela beleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Cy5MiOqarYs\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Cy5MiOqarYs\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p>&#8211; Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/eduardomarciano\" target=\"_blank\">@eduardomarciano<\/a>) \u00e9 jornalista e dissecou a discografia completa de Bob Dylan no Scream &amp; Yell. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">Confira aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Gabriel Innocentini\nExiste um tempo Mazzy Star, existe um tempo My Bloody Valentine, e agora existe um tempo Beach House.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/27\/cd-depression-cherry-beach-house\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":32,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32291"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/32"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32291"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32294,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32291\/revisions\/32294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}