{"id":32278,"date":"2015-08-27T09:48:33","date_gmt":"2015-08-27T12:48:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=32278"},"modified":"2020-11-09T00:19:55","modified_gmt":"2020-11-09T03:19:55","slug":"scream-yell-recomenda-the-september-guests","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/27\/scream-yell-recomenda-the-september-guests\/","title":{"rendered":"Entrevista: The September Guests"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32279\" title=\"september_guests\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/september_guests.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na primeira vez que Fernando Lalli falou ao Scream &amp; Yell, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/seamus.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">h\u00e1 10 anos<\/a>, ele integrava a banda Seamus, que ent\u00e3o lan\u00e7ava um EP incipientemente produzido e executado, incoerente com o potencial que a banda mostrava ao vivo. O disco tinha um ar notadamente indie, e as letras eram escancaradamente confessionais. Hoje, Fernando grava sozinho sob o nome The September Guests, e \u00e9 poss\u00edvel dizer que uma d\u00e9cada transforma estilos, propostas e execu\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que vale o ditado franc\u00eas de que \u201cquanto mais as coisas mudam, mais elas permanecem as mesmas\u201d&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O registro em est\u00fadio j\u00e1 \u00e9 uma mudan\u00e7a ineg\u00e1vel: por mais que Lalli tenha apre\u00e7o ao lo-fi, \u201cBeningo Street Again\u201d, o primeiro \u00e1lbum com o novo nome (<a href=\"https:\/\/septemberguests.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">download gratuito aqui<\/a>), soa muito bem, gra\u00e7as \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de Sergio Ugeda (ex-Diagonal e ex-Debate). As composi\u00e7\u00f5es continuam remetendo ao underground norte-americano, mas se antes as guitarras altas predominavam, agora \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o mais folk que toma conta \u2013 ainda que seu autor fa\u00e7a quest\u00e3o de frisar sempre que poss\u00edvel que sua inten\u00e7\u00e3o (bem-sucedida, diga-se) era passar longe do que ele chama de \u201cfolk p\u00e3o-de-a\u00e7\u00facar\u201d, referindo-se \u00e0quele som fofinho e in\u00f3cuo com voca\u00e7\u00e3o para samambaia musical que proliferou nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201dBenigno Street Again\u201d compila can\u00e7\u00f5es que haviam sido gravadas em casa e lan\u00e7adas digitalmente nos  EPs &#8220;Songs From Benigno Street, pt.1 e pt.2&#8221;, de 2011 e 2012, respectivamente. Nele, o instrumental fica todo a cargo do autor, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de uma guitarra bar\u00edtono tocada pelo produtor Ugeda. A densidade dos arranjos n\u00e3o contrasta com a voz quase fr\u00e1gil; ao contr\u00e1rio, complementa-a, levando a um som que remete a Sebadoh, The Skating Club, Buffalo Tom e Dinosaur Jr. em diferentes momentos de sua carreira \u2013 uma est\u00e9tica que j\u00e1 havia sido apresentada com a devida clareza de est\u00fadio na vers\u00e3o de \u201cT\u00e9 para Tres\u201d, do Soda Stereo, registrada no \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/17\/download-somos-todos-latinos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Somos Todos Latinos<\/a>\u201d, lan\u00e7ado pelo Scream &amp; Yell em mar\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, \u201cT\u00e9 para Tres\u201d \u00e9 uma das can\u00e7\u00f5es mais melanc\u00f3licas da banda argentina, composta quando o vocalista Gustavo Cerati foi comunicado de que seu pai estava com c\u00e2ncer em est\u00e1gio avan\u00e7ado. E como se disse no come\u00e7o desse texto, algumas coisas mudam para permanecerem iguais: por mais que Fernando Lalli tenha trocado de banda, de formato e at\u00e9 de g\u00eanero, o estilo confessional de escrever, presente desde suas primeiras grava\u00e7\u00f5es caseiras, muito anteriores ao Seamus, no come\u00e7o da d\u00e9cada passada, continua. Na verdade, em \u201cBenigno Street Again\u201d, elas est\u00e3o mais tristes que nunca. Ent\u00e3o \u00e9 natural que a entrevista aborde, acima de tudo, essa que parece ser a caracter\u00edstica mais forte de suas composi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/playlists\/129527219&amp;color=ff5500&amp;auto_play=false&amp;hide_related=false&amp;show_comments=true&amp;show_user=true&amp;show_reposts=false\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos entender um pouco a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma one man band que virou banda que virou one man band de novo, \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nO September surgiu em 2008. Era uma \u00e9poca em que eu ouvia muito Mojave 3, Low, Midlake, e senti que meu modo de composi\u00e7\u00e3o mudou. Come\u00e7aram a brotar can\u00e7\u00f5es menos urgentes, que n\u00e3o cabiam no repert\u00f3rio do Seamus. &#8220;It&#8217;s Not Fine&#8221;, que \u00e9 a primeira faixa do &#8220;Benigno Street Again&#8221;, foi exatamente a primeira m\u00fasica que compus nessa situa\u00e7\u00e3o. Procurei fazer parcerias com outros amigos para desovar esse novo fluxo de can\u00e7\u00f5es, mas, no final das contas, lancei m\u00fasicas na internet e fiz shows essencialmente sozinho, apenas com viol\u00e3o. Isso aconteceu entre 2010 e 2013. No entanto eu sentia que precisava amplificar o som para levar as can\u00e7\u00f5es em frente. Por isso, no final de 2013, convidei o Henrique Albernaz (ex-Mentecapto e Maquiladora) e o Erik Cardoso (ex-Somata) e fizemos do September um trio. Por diversos motivos, nunca conseguimos fazer um registro em est\u00fadio como dever\u00edamos. Doze meses depois, no final de 2014, o Erik se mudou para Foz do Igua\u00e7u e o Henrique seguiu para tocar guitarra em outras bandas. E ent\u00e3o eu me vi sem banda de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Num dado momento, voc\u00ea chegou at\u00e9 a pensar em abandonar o nome The September Guests, n\u00e3o foi? Na \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o de &#8220;T\u00e9 para Tres&#8221; voc\u00ea falou que estava em d\u00favida de como assinar&#8230;<\/strong><br \/>\nFoi exatamente nesse momento em que o Henrique e o Erik sa\u00edram. Eu passei semanas a fio refletindo sobre se eu deveria abandonar o nome e partir para outras ideias. Mas cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o fazia sentido mudar o nome da banda, j\u00e1 que eu continuaria com as m\u00fasicas que j\u00e1 tocava e jamais eu iria me desfazer delas. Eu havia trabalhado por anos em &#8220;It&#8217;s Not Fine&#8221;; jamais a jogaria fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso d\u00e1 margem a perguntar: mais que uma alcunha, The September Guests \u00e9 um conceito?<\/strong><br \/>\nThe September Guests, no final das contas, \u00e9 apenas um nome. Um nome que surgiu na \u00e9poca do Seamus, ali\u00e1s. Meteoro (Luis Naressi, ex-Seamus e hoje guitarrista do Labirinto) e eu inventamos um monte de nomes de bandas fict\u00edcias para dizer que eram nossas &#8220;influ\u00eancias&#8221;. Um desses nomes era &#8220;The September Guests&#8221;. Eu defino a coisa toda como \u201cbanda\u201d porque n\u00e3o enxergo o September como um \u201cprojeto\u201d. \u201cProjeto\u201d d\u00e1 a impress\u00e3o de ser algo paralelo a outra banda \u2013 ou pior, algo menos importante do que uma banda. Acho uma bosta chamar banda de &#8220;projeto&#8221;. Mas, sinceramente? Eu cansei de formatos. Solo, trio, quarteto, quinteto, orquestra, el\u00e9trico, ac\u00fastico, s\u00f3lido, l\u00edquido, enfim, n\u00e3o faz sentido amarrar seu processo de composi\u00e7\u00e3o a uma forma\u00e7\u00e3o ou a uma est\u00e9tica. Isso limita tua criatividade e te coloca numa prateleira debaixo de um r\u00f3tulo, um produto embalado. Quero ter a liberdade de l\u00e1 na frente lan\u00e7ar um \u00e1lbum punk, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me chama a aten\u00e7\u00e3o como, musicalmente, ele n\u00e3o tem nada a ver com o Seamus, mas ainda continua com forte influ\u00eancia do underground americano, notadamente Dinosaur Jr e Buffalo Tom. Um filho dos anos 90 n\u00e3o trai a causa? (risos)<\/strong><br \/>\nJamais! (risos) O universo de timbres que habita minha mem\u00f3ria afetiva musical vem toda dos anos 90, n\u00e3o tenho como fugir disso. Mas a compara\u00e7\u00e3o com o Dinosaur Jr. \u00e9 sempre uma surpresa pra mim, porque nunca fui f\u00e3 incondicional. Ouvi muito Sebadoh, \u201cRebound\u201d \u00e9 uma das m\u00fasicas da minha vida, mas s\u00f3 fui fisgado pelo Dinosaur Jr. depois de velho. Minhas influ\u00eancias pessoais mudaram muito pouco daquilo que me inspirava h\u00e1 cinco ou dez anos atr\u00e1s. Neil Young, Guided By Voices, R.E.M., Radiohead e Bruce Springsteen, pra citar alguns, sempre v\u00e3o estar comigo de uma forma ou outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por outro lado, o universo l\u00edrico parece ser o mesmo lago de auto-deprecia\u00e7\u00e3o e desilus\u00e3o, al\u00e9m da permanente incomunica\u00e7\u00e3o com a figura feminina. A exce\u00e7\u00e3o disso tudo \u00e9 &#8220;Don&#8217;t Stare at the People&#8221;. Fernando Lalli gosta do imagin\u00e1rio l\u00edrico da tristeza, ou a tristeza \u00e9 que insiste em n\u00e3o abandon\u00e1-lo?<\/strong><br \/>\nEssas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais motivadas por rancor do que por tristeza. Vejo essas m\u00fasicas que gravei em &#8220;Benigno Street&#8221; fora do espectro do que eu compunha antes. N\u00e3o \u00e9 mais aquela coisa sobre o plat\u00f4nico e o inating\u00edvel, quando eu achava que a dor que eu sentia era a coisa mais importante do mundo. A gente demora um bom tempo pra deixar de ser adolescente, \u00e0s vezes s\u00f3 acorda quando a dor \u00e9 pra valer \u2013 a\u00ed tudo o que veio antes e vir\u00e1 depois fica sob outra perspectiva&#8230; O que me leva a escrever m\u00fasica \u00e9 a frustra\u00e7\u00e3o e a insatisfa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o um sentimento eterno, permanente, que \u00e9 como eu interpreto a palavra tristeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de onde vem tanta dor, Fernando? Essa inevitabilidade da dor \u00e9 uma coisa muito Tao Te King, e n\u00e3o o vejo adepto de doutrinas orientais. Ou, colocando melhor: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que compor seja um exerc\u00edcio exclusivo de vaz\u00e3o de sentimentos doloridos e permanentes. Ou \u00e9? N\u00e3o pergunto provocativamente, e sim porque imagino que o exerc\u00edcio constante da composi\u00e7\u00e3o como al\u00edvio deveria, em tese e pelo tempo que voc\u00ea comp\u00f5e, ter suavizado um pouco a tua pr\u00f3pria carga.<\/strong><br \/>\nTodos n\u00f3s carregamos uma dor diferente. Talvez isso seja um conceito taoista, mas n\u00e3o sei dizer porque nunca estudei a doutrina. A diferen\u00e7a \u00e9 o quanto cada um valoriza e sente necessidade de externar essa dor. Como disse antes, eu achava quando mais jovem que essa coisa que eu sentia era mais importante do que tudo, o que era uma tremenda bobagem. Hoje estou em outro momento da minha vida onde consigo lidar muito melhor com as minhas emo\u00e7\u00f5es. S\u00f3 que otimismo n\u00e3o \u00e9 algo inerente \u00e0 minha personalidade e disso eu n\u00e3o tenho como escapar na hora que vou colocar minhas ideias no papel. No caso do meu disco, &#8220;Don&#8217;t Stare at the People&#8221;, foi uma tentativa de escrever uma m\u00fasica sobre a vida atual com minha mulher, mas tem o verso &#8220;by the first time I don&#8217;t struggle to love&#8221;, que fala por si s\u00f3. N\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica feliz, se analisada friamente, apesar das piadas internas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Este foi seu primeiro disco concebido inteiramente em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 onde sei. E sei tamb\u00e9m que S\u00e3o Paulo n\u00e3o representa exatamente a Meca da urbanidade e da vida feliz para o senhor. Ent\u00e3o imagino que a cidade contribuiu em algo para o clima do disco &#8211; nem que seja para acentuar certa nostalgia da juventude passada entre discos e grava\u00e7\u00f5es caseiras em Taubat\u00e9&#8230;<\/strong><br \/>\nA \u201cBenigno Street\u201d \u00e9 a Rua Benigno, meu primeiro lar em S\u00e3o Paulo, para onde me mudei em 2010. \u00c9 uma rua na Zona Norte em formato de \u201cU\u201d. Ela come\u00e7a e termina na mesma rua. Voc\u00ea vai entender se jogar no Maps. Foi muito simb\u00f3lico pra mim sair correndo, literalmente fugindo, da vida no interior, quase sem planejamento algum, e ir parar em uma rua que come\u00e7a, faz a volta e termina no mesmo lugar. Eu morava num sobrado e eu me pegava pensando muito naquilo. Talvez eu s\u00f3 estivesse dando uma volta mais longa para chegar ao destino que eu alcan\u00e7aria da mesma forma. As can\u00e7\u00f5es do disco s\u00e3o sobre esse autoquestionamento de &#8220;estou fazendo a coisa certa?&#8221;, &#8220;estou tomando as decis\u00f5es certas?&#8221;, &#8220;aqui voc\u00ea est\u00e1, a responsabilidade \u00e9 sua, e agora?&#8221;. Essa quest\u00e3o da responsabilidade e peso das decis\u00f5es est\u00e1, por exemplo, em &#8220;No Way&#8221;, sobre ir longe demais sabendo que tudo iria dar errado, com ressentimentos e transfer\u00eancias de culpa pra todo lado. Essas quest\u00f5es percorrem o disco inteiro. Depois de velho voc\u00ea se d\u00e1 conta que o problema n\u00e3o \u00e9 encontrar as respostas, mas saber lidar com as d\u00favidas. Foi nesse processo que a maioria das letras presentes no disco surgiram. A grava\u00e7\u00e3o foi um tanto febril. Eu e o S\u00e9rgio gravamos o disco em duas semanas, exatas 40 horas de est\u00fadio. Eu queria um disco ruidoso, denso, fomos adicionando camadas sem se preocupar muito com l\u00f3gica, tanto que os \u00faltimos instrumentos que foram gravados foram o baixo, a bateria e a guitarra bar\u00edtono, nessa ordem. N\u00e3o limamos nenhum ru\u00eddo, gravamos viol\u00e3o em amplificador de guitarra, entupimos a voz de efeito, bateria registrada apenas em dois canais sem frescura, enfim&#8230; Queria que o disco soasse o mais distante poss\u00edvel de ser confundido com aquele folk pop mequetrefe que toca de trilha sonora gen\u00e9rica em supermercado e padaria. Aquela coisa abomin\u00e1vel&#8230; O resultado final faz essa ponte entre a capital e o gravador de fita que eu usava na minha adolesc\u00eancia em Taubat\u00e9. Fecha um ciclo e volta para o mesmo lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea faz can\u00e7\u00f5es superemotivas, em um idioma estrangeiro, usando uma est\u00e9tica musical com forte liga\u00e7\u00e3o com o passado. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer isso e subir num palco, sozinho, e mostrar isso em um bar onde a maior parte das pessoas est\u00e1 l\u00e1 para outra coisa que n\u00e3o ouvir m\u00fasica. Ent\u00e3o, qual a motiva\u00e7\u00e3o de peitar as op\u00e7\u00f5es desse cen\u00e1rio independente? O que impede que The September Guests seja s\u00f3 um projeto de est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nO que impede \u00e9 que uma banda s\u00f3 faz sentido se tocar ao vivo. Tenho plena consci\u00eancia que a linguagem dos meus shows solo n\u00e3o \u00e9 entendida como rock, mesmo que tenha filia\u00e7\u00f5es com diversas refer\u00eancias cultuadas por a\u00ed atualmente. Quando estou em cima de um palco, n\u00e3o me importo com quem n\u00e3o ouve o que eu toco: me importo \u00e9 com quem est\u00e1 disposto a ouvir. E por pior que seja o bar, por pior que seja a noite, sempre tem algu\u00e9m pra te ouvir. Nem que seja um tio b\u00eabado pra falar que seu som parece Simon &amp; Garfunkel. (risos) Eu acredito piamente na for\u00e7a da composi\u00e7\u00e3o. Tem tanta coisa boa que est\u00e1 guardada a sete chaves porque a pessoa n\u00e3o tem coragem para lan\u00e7ar ou acha que &#8220;n\u00e3o vale a pena&#8221;. A m\u00fasica \u00e9 um artefato cada vez mais desgra\u00e7ado \u2013 esses dias eu vi ouvi uma propaganda com um trecho de m\u00fasica sampleada sintetizada, horr\u00edvel, ardido, e a vinheta no final dizia algo como &#8220;a m\u00fasica que voc\u00ea ama&#8221;. N\u00e3o, cara, eu n\u00e3o amo m\u00fasica que sai de estudos de publicidade e impregna na mente como uma mensagem subliminar para chamar a aten\u00e7\u00e3o. Rap, rock, sertanejo, dance \u2013 tudo hoje tem o mesmo timbre, os mesmos produtores, as mesmas ag\u00eancias de publicidade por tr\u00e1s. Nunca a m\u00fasica pop foi t\u00e3o pobre de esp\u00edrito. Eu tenho uma vis\u00e3o muito mais ing\u00eanua da m\u00fasica e eu vou morrer com ela por acreditar demais que existe, sim, gente disposta a ouvir m\u00fasica feita com o cora\u00e7\u00e3o &#8211; como eu estou disposto a ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/f2IOwKBoB4E\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/f2IOwKBoB4E\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9JtVWWR0lsw\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/9JtVWWR0lsw\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/n6MS1gdQ4TA\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/n6MS1gdQ4TA\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nLan\u00e7ando seu primeiro \u00e1lbum, \u201cBeningo Street Again\u201d, Fernando Lalli passa longe do que ele chama de \u201cfolk p\u00e3o-de-a\u00e7\u00facar\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/27\/scream-yell-recomenda-the-september-guests\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32278"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32278"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32278\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58252,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32278\/revisions\/58252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}