{"id":32219,"date":"2015-08-25T10:16:41","date_gmt":"2015-08-25T13:16:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=32219"},"modified":"2023-03-28T23:05:59","modified_gmt":"2023-03-29T02:05:59","slug":"entrevista-o-zeitgeist-de-phillip-long","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/25\/entrevista-o-zeitgeist-de-phillip-long\/","title":{"rendered":"Entrevista: o &#8220;Zeitgeist&#8221; de Phillip Long"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32220\" title=\"philip_long\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/philip_long.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/philip_long.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/philip_long-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/renata_arruda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Renata Arruda<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Quando entrevistei Phillip Long para este site <a href=\"http:\/\/www.philliplong.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tr\u00eas anos atr\u00e1s<\/a>, ele \u201cs\u00f3\u201d tinha dois discos em seu curr\u00edculo: &#8220;Man on a Tightrope&#8221; (2011) e &#8220;Cai\u00e7ara&#8221; (2012). De l\u00e1 pra c\u00e1, o m\u00fasico natural de Araras gravou outros sete \u00e1lbuns, assinou com um selo e rompeu com o folk que marcava seu trabalho, se voltando para as bandas inglesas dos anos 1980 ao compor &#8220;A Blue Waltz&#8221; (2014). Segundo o m\u00fasico, seu &#8220;modo de produ\u00e7\u00e3o industrial&#8221; se deve tanto a uma inerente ansiedade \u2013 que faz com que em quatro meses ele j\u00e1 tenha conseguido compor, produzir, gravar e lan\u00e7ar um \u00e1lbum \u2013 quanto ao fato de, at\u00e9 ent\u00e3o, ter permanecido como um m\u00fasico de est\u00fadio, sem sair em turn\u00eas ou trabalhar muito cada um de seus registros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, al\u00e9m de seus pr\u00f3prios trabalhos, Phillip ainda encontrou tempo para participar de diversos tributos com vers\u00f5es bem-sucedidas, como a de &#8220;Sentimental&#8221;, que contou com mais de 315 mil downloads e foi elogiada pelos pr\u00f3prios Los Hermanos, al\u00e9m de &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/03\/26\/download-ainda-somos-os-mesmos-belchior\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Como Nossos Pais<\/a>&#8220;, de Belchior, e &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/11\/download-tributo-aos-engenheiros-do-hawaii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terra de Gigantes<\/a>&#8220;, do Engenheiros do Hawaii, estas \u00faltimas em colet\u00e2neas promovidas pelo Scream &amp; Yell. Ele avisa, por\u00e9m, que as coisas agora ser\u00e3o um pouco diferentes: a ideia \u00e9 lan\u00e7ar um disco por ano e, com o apoio do selo Grama Records, conseguir levar suas m\u00fasicas para respirar nos palcos pelo Brasil afora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum da vez \u00e9 tamb\u00e9m aquele que pode ser considerado o seu melhor: &#8220;Zeitgeist&#8221;, produzido por Eduardo Kusdra e disponibilizado gratuitamente em seu site oficial para download (<a href=\"http:\/\/www.philliplong.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.philliplong.com.br<\/a>) e em todas as plataformas de streaming em julho deste ano, volta a flertar com o folk, mas mant\u00e9m o rock dos Smiths e da Legi\u00e3o Urbana como base principal, criando uma atmosfera que \u00e9 assumidamente referencial ao mesmo tempo em que possui identidade pr\u00f3pria. Com a dica dada j\u00e1 no t\u00edtulo, em &#8220;Zeitgeist&#8221;, Phillip Long buscou abordar assuntos que refletem o momento social e pol\u00edtico em que vivemos, abordando temas como homossexualidade, machismo, identidade de g\u00eanero e opress\u00e3o. &#8220;Quero contar a nossa hist\u00f3ria, mas a verdadeira, aquela que acontece nas ruas. N\u00e3o acho justo e nada transformador, considerando tudo que estamos vivendo em termos pol\u00edticos e sociais, que o &#8216;artista&#8217; brasileiro siga dizendo amenidades&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Percebendo que, provavelmente devido \u00e0s letras em ingl\u00eas, alguns de seus f\u00e3s pareceram n\u00e3o entender a mensagem contida em &#8220;Zeitgeist&#8221; (como o epis\u00f3dio em que ao trocar sua imagem de perfil no Facebook por uma com as cores do arco-\u00edris, s\u00edmbolo do orgulho gay, um seguidor mandou uma mensagem privada dizendo que ele &#8220;poderia ser curado&#8221; e que iria bloque\u00e1-lo), Phillip j\u00e1 come\u00e7ou a dar forma ao que ser\u00e1 seu d\u00e9cimo disco \u2013 mantendo os mesmos temas, mas em portugu\u00eas (&#8220;Comecei a pensar se o meu posicionamento estava claro o suficiente. \u00c9 l\u00f3gico que n\u00e3o espero que as pessoas sejam obrigadas a compreender um idioma estrangeiro, sou eu quem tem que quebrar isso e come\u00e7ar a cantar em minha l\u00edngua materna&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma conversa que virou a madrugada, Phillip Long falou sobre este esp\u00edrito do nosso tempo, o que pensa sobre a produ\u00e7\u00e3o musical brasileira atual, o convite que recebeu para participar do programa &#8220;The Voice&#8221; e sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica. Confira a seguir:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tZhSZ2aLNw4\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/tZhSZ2aLNw4\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom, eu queria come\u00e7ar falando sobre essa guinada no seu som. Voc\u00ea come\u00e7ou fazendo um folk fortemente influenciado por Bob Dylan, mas seus \u00e1lbuns mais recentes, &#8220;A Blue Waltz&#8221; (2014) e o rec\u00e9m-lan\u00e7ado &#8220;Zeitgeist&#8221; (2015), j\u00e1 t\u00eam o rock dos anos 80 como maior refer\u00eancia. Para o pr\u00f3ximo voc\u00ea manifestou o desejo de fazer diferente, talvez post rock. Como foi que se deu essa mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nAcho que isso foi acontecendo de forma gradativa. Eu havia explorado muita coisa dentro do universo folk e senti que isso estava de certa forma me limitando, eu queria me mover, sair da zona de conforto e ampliar as refer\u00eancias.  E isso n\u00e3o significa que o folk morreu em mim ou que perdeu a import\u00e2ncia, eu volto a fazer folk quando terminar o que tenho para fazer aqui, nesse momento. Tem sido incr\u00edvel testar novas possibilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas at\u00e9 que o &#8220;Zeitgeist&#8221; mant\u00e9m a influ\u00eancia do folk, o que o &#8220;Blue Waltz&#8221; n\u00e3o tinha tanto. Rolou algum inc\u00f4modo com a possibilidade de ficar rotulado apenas como &#8220;cantor folk&#8221;?<\/strong><br \/>\nSim, o &#8220;Zeitgeist&#8221; ainda flerta com o folk, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 como antes, onde tudo respirava folk e a instrumenta\u00e7\u00e3o era basicamente voltada para o viol\u00e3o. O &#8220;Blue Waltz&#8221; \u00e9 um disco de ruptura e esse \u00e9 um disco de transi\u00e7\u00e3o. De verdade n\u00e3o tenho problema com o r\u00f3tulo de cantor folk, isso n\u00e3o me incomoda nem um pouco. O lance dessa transi\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o pessoal mesmo, eu tenho buscado evoluir em cada disco, encontrar novas formas de dizer as coisas, novas atmosferas, \u00e9 um pacto que tenho comigo, enquanto compositor. E acho que \u00e9 por isso que fa\u00e7o tanta coisa, porque estou sempre procurando por algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi a concep\u00e7\u00e3o do &#8220;Zeitgeist&#8221;? No &#8220;A Blue Waltz&#8221; voc\u00ea dividiu a coprodu\u00e7\u00e3o com Enzo Petrucci e Danilo Carandina, rompendo pela primeira vez a tradi\u00e7\u00e3o de trabalhar com Eduardo Kusdra. Na \u00e9poca voc\u00ea me disse que tinha chegado o momento de ambos trabalharem em outras frentes, mas no &#8220;Zeitgeist&#8221; a parceria est\u00e1 de volta.<\/strong><br \/>\n\u00c9, no fim acho que a gente se ama demais para n\u00e3o trabalharmos juntos. Comecei a pensar o &#8220;Zeitgeist&#8221; sozinho e chamei o Eduardo para ajudar nas grava\u00e7\u00f5es, no fim est\u00e1vamos de volta. Trabalhar com o Kusdra \u00e9 algo que eleva o meu ritmo, ele for\u00e7a os meus limites e adoro trabalhar com gente assim. Ambos somos compulsivos e profundamente apaixonados por essa coisa de se fazer m\u00fasica. No &#8220;Zeitgeist&#8221; resolvi deixar de falar apenas da minha perspectiva e passei a falar sobre o outro. Como a vida na nossa gera\u00e7\u00e3o afetava as pessoas, da\u00ed a escolha do t\u00edtulo e todo o resto. O Joc\u00ea Rodrigues e o Ebbios Lima abra\u00e7aram a causa e foram os respons\u00e1veis pela identidade visual do disco que tem como principal refer\u00eancia \u00e0 obra de Bauman. Foi um disco melhor elaborado, admito, n\u00f3s pensamos melhor em todas as coisas, pensamos melhor nas atmosferas, nos detalhes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi trabalhado com mais calma?<\/strong><br \/>\nSim, foi trabalhado com muito mais calma. Meus discos costumam levar de dois a quatro meses para ficarem prontos, contando desde o processo de composi\u00e7\u00e3o at\u00e9 as grava\u00e7\u00f5es, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o. \u00c9 bem acelerado e quando a gente conta isso, muita gente n\u00e3o acredita. O &#8220;Zeitgeist&#8221; levou nove meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum foi lan\u00e7ado h\u00e1 pouco tempo e voc\u00ea j\u00e1 vem mostrando material do pr\u00f3ximo nas redes sociais. Vendo isso, eu me lembrei do Momo contando que quando termina um disco, ele perde o sentido para ele, como se apagados da mem\u00f3ria. Com voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 assim, quando finaliza um \u00e1lbum sente que o trabalho foi encerrado?<\/strong><br \/>\nExatamente. Quando finalizo o disco, aquela hist\u00f3ria est\u00e1 contada, mas a vida segue e continuo tentando resolver coisas em mim e s\u00f3 a m\u00fasica me salva disso, ent\u00e3o j\u00e1 come\u00e7o a trabalhar de novo e de novo. M\u00fasica \u00e9 a coisa mais importante da minha vida. O fato de at\u00e9 ent\u00e3o eu nunca ter feito uma turn\u00ea ou trabalhado um disco de verdade, contribuiu para que eu pudesse agir assim, pensando em disco atr\u00e1s de disco, como antes n\u00e3o havia um trabalho espec\u00edfico em minha carreira, n\u00e3o havia um planejamento, eu pude fazer coisas como fiz em 2012 quando lancei quatro discos. Hoje ando bem mais tranquilo, considerando que o disco em portugu\u00eas que anunciei recentemente, s\u00f3 sair\u00e1 ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E dessa vez, voc\u00ea pensa em sair em turn\u00ea e trabalhar melhor esse disco? Aproveitando o gancho, queria saber tamb\u00e9m se voc\u00ea n\u00e3o acha arriscado que, em um cen\u00e1rio em que a todo o momento um artista est\u00e1 lan\u00e7ando um trabalho \u00e0 dist\u00e2ncia de um clique, o \u00e1lbum n\u00e3o tenha tempo de maturar e o p\u00fablico em geral possa se sentir um pouco sobrecarregado de informa\u00e7\u00e3o, sem conseguir digerir as m\u00fasicas o suficiente?<\/strong><br \/>\nPara o &#8220;Zeitgeist&#8221;, o Grama Records tem planejado uma turn\u00ea, sim. Devo tocar em alguns lugares que nunca pude antes e isso pra mim \u00e9 algo bem diferente, tendo em conta que nesses \u00faltimos anos me especializei em gravar can\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o pouco levei meu trabalho para respirar em palcos. Acho que n\u00e3o falei pra ningu\u00e9m, mas h\u00e1 duas vers\u00f5es alternativas de can\u00e7\u00f5es do &#8220;Zeitgeist&#8221;. Uma vers\u00e3o ac\u00fastica de &#8220;Lake Of Lovers&#8221; e uma vers\u00e3o que pende mais para o eletr\u00f4nico de &#8220;Going With The Wind&#8221;. Eu ando me segurando para n\u00e3o divulgar. Sobre o lado comercial, as coisas se tornaram mais palp\u00e1veis agora que estou em um selo, existe um planejamento a fim de explorar melhor o meu trabalho. Ent\u00e3o, sim, a ideia \u00e9 chegar a mais pessoas, fazer mais shows e conseguir sobreviver. Fazer m\u00fasica \u00e9 sempre um risco, durante esses quatro anos trabalhando com isso cheguei a conclus\u00e3o que \u00e9 preciso trabalhar bastante, se tivesse lan\u00e7ado um disco por ano, por exemplo, talvez eu nem existisse mais. Acredito muito que a cada nova produ\u00e7\u00e3o voc\u00ea mant\u00e9m a chama viva e segue dando passos. Se voc\u00ea n\u00e3o tem a grife que alguns artistas da cena possuem voc\u00ea tem que se sobressair de outra forma e trabalhar muito \u00e9 o caminho mais vi\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6CK5DMH9s9w\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/6CK5DMH9s9w\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o a cada lan\u00e7amento os la\u00e7os com o seu p\u00fablico se estreitam mais?<\/strong><br \/>\nSim, a cada lan\u00e7amento eu os trago pra mais perto e me aproximo na mesma propor\u00e7\u00e3o. N\u00f3s vamos criando um pacto e um ritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inclusive voc\u00ea tem uma hist\u00f3rias bonitas sobre o carinho dos f\u00e3s, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, agrade\u00e7o todos os dias por essa comunica\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea se coloca verdadeiramente nas coisas que voc\u00ea faz voc\u00ea cria essas pontes, essas trocas. E essas trocas s\u00e3o o que fazem a luta valer a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre o volume de composi\u00e7\u00f5es, como \u00e9 seu m\u00e9todo de cria\u00e7\u00e3o? E como voc\u00ea decide o que merece ou n\u00e3o entrar no \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nCrio de forma completamente terap\u00eautica, curo as minhas feridas, de verdade. Hoje mesmo eu estava com o viol\u00e3o e essa semana foi um verdadeiro desastre, mas hoje quando peguei o viol\u00e3o e comecei a escrever sobre tudo, por um momento nada mais era pesado, eu estava tranquilo enquanto dizia as coisas mais dif\u00edceis para mim. Estava iluminando os meus quartos escuros, essa \u00e9 a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o que conhe\u00e7o. A m\u00fasica ainda vai me colocar no lugar, a m\u00fasica e o amor verdadeiro. Sobre a sele\u00e7\u00e3o de material, nunca vetei uma m\u00fasica, todas as can\u00e7\u00f5es que escrevi foram gravadas e entraram em discos. Quando come\u00e7o a escrever n\u00e3o costumo escrever uma m\u00fasica, penso logo em disco, vou escrever um disco e \u00e9 isso que fa\u00e7o. Preciso contar essa hist\u00f3ria, esse momento, isso que estou sentindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o te agrade o suficiente na hora de pensar um \u00e1lbum ou que voc\u00ea olhe pra tr\u00e1s e pense, &#8220;essa podia ter ficado de fora&#8221;?<\/strong><br \/>\nTem coisas que n\u00e3o me agradam, sim. Quando j\u00e1 n\u00e3o come\u00e7a bem descarto, nem chega a ser m\u00fasica de verdade, corto no in\u00edcio. Hoje quando ou\u00e7o meus discos (em raros momentos) sempre penso que podia ter feito algo melhor, podia ter editado uma letra, ter explorado uma outra ponte, mas no fim sempre compreendo que aquilo faz parte da hist\u00f3ria, e \u00e9 t\u00e3o importante quanto todo o resto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o costuma ouvir suas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nAh, n\u00e3o gosto de ouvir n\u00e3o. Wou muito exigente comigo e sempre vou encontrar algo para melhorar. Escuto durante o processo de grava\u00e7\u00e3o e tudo mais mas depois disso n\u00e3o costumo ficar me ouvindo n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algum dos seus discos que \u00e9 o predileto?<\/strong><br \/>\nEu amo o &#8220;Gratitude&#8221; (2013), \u00e9 o meu predileto, na parte musical e na ideol\u00f3gica tamb\u00e9m. \u00c9 um disco que narrou meu dia a dia com uma pessoa extremamente importante pra mim, um di\u00e1rio sobre esse encontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente voc\u00ea revelou ter sido convidado para participar do The Voice, mas n\u00e3o aceitou? Pode contar essa hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o aceitei participar do The Voice porque n\u00e3o acredito na proposta e, principalmente, porque n\u00e3o podia ser hip\u00f3crita e mentir para as pessoas que se envolveram comigo e com meu trabalho. N\u00e3o podia ser uma mentira, n\u00e3o \u00e9 isso que defendo. Fa\u00e7o m\u00fasica para o cora\u00e7\u00e3o, para o esp\u00edrito, acredito que isso muda as coisas, o amor muda as coisas. The Voice n\u00e3o se preocupa com esse tipo de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o voc\u00ea v\u00ea esses programas televisivos basicamente como a promo\u00e7\u00e3o de uma mentira?<\/strong><br \/>\nSim, n\u00e3o acho que esses programas tenham preocupa\u00e7\u00e3o com a transforma\u00e7\u00e3o e com a arte. Aquilo \u00e9 mero entretenimento, \u00e9 um jogo, um esquema. Tem exposi\u00e7\u00e3o? Tem. Mas n\u00e3o tem verdade. Quero que minha m\u00fasica chegue completa e minha mensagem seja ouvida por quem precisar, sem intermedi\u00e1rios, formatos, vers\u00f5es ou outras coisas que n\u00e3o condizem com o que digo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/E1IvK2kETeg\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/E1IvK2kETeg\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vou te fazer uma pergunta que eu j\u00e1 fiz para o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/11\/26\/scream-yell-recomenda-onagra-claudique\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Onagra Claudique<\/a>, em entrevista publicada neste site. Enquanto eles fizeram um \u00e1lbum mais heterog\u00eaneo, que aponta para v\u00e1rios caminhos, voc\u00ea diz que, ao compor, n\u00e3o pensa em uma m\u00fasica, mas no disco todo. Voc\u00ea acha que ainda faz sentido o conceito de \u00e1lbum hoje em dia com o download e os servi\u00e7os de streaming, em que o ouvinte pode selecionar suas faixas preferidas em playlists ou ouvir tudo em modo aleat\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nDe verdade, fazer m\u00fasica hoje em dia quase j\u00e1 n\u00e3o faz mais sentido. Amar algu\u00e9m pra vida hoje em dia quase j\u00e1 n\u00e3o faz mais sentido, mas tem gente louca o suficiente para acreditar que faz. Eu sou um desses. Ainda tento fazer aquilo que acredito. Cresci ouvindo discos, isso foi muito importante pra minha forma\u00e7\u00e3o. Tomei um p\u00e9 na bunda e corri pro &#8220;Blood On The Tracks&#8221;, tinha um sujeito ali dizendo tudo que eu queria dizer, era uma hist\u00f3ria. Quando me apaixonei pela primeira vez eu ouvia sem parar o &#8220;Pet Sounds&#8221;, aquilo era a minha b\u00edblia. Esse tipo de conex\u00e3o com um trabalho \u00e9 muito verdadeira. N\u00e3o sou t\u00e3o old school a ponto de resistir a toda e qualquer mudan\u00e7a do mundo, mas algumas coisas ainda gosto de preservar porque acho um absurdo de lindo. \u00c9 um ritual particular, as pessoas podem fazer o que elas quiserem depois disso, podem separar as faixas, mistur\u00e1-las, mas pra mim aquilo \u00e9 uma hist\u00f3ria violentamente verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi com isso em mente que decidiu dedicar o &#8220;Zeitgeist&#8221; \u00e0s pessoas que se sentem sozinhas&#8221;?<\/strong><br \/>\nSim. Sempre me senti muito sozinho, nunca fui o garoto popular, era o baixinho com nariz grande, praticamente invis\u00edvel, o ensino m\u00e9dio quase acabou comigo. Tive que encontrar uma forma de existir e a m\u00fasica fez isso comigo. Em &#8220;Nothing Happens&#8221;, faixa do meu primeiro disco, falo sobre isso, sobre se sentir completamente invis\u00edvel. E ao longo desses quatro anos senti que as pessoas que se relacionavam com o meu trabalho tamb\u00e9m sentiam essas coisas, acho que o pilar fundamental da nossa troca \u00e9 isso, a gente n\u00e3o se sente t\u00e3o sozinho quando a gente compartilha nossas experi\u00eancias. Ent\u00e3o fiz esse disco e dediquei a eles porque \u00e9 a forma mais bonita que conhe\u00e7o de retribuir a comunica\u00e7\u00e3o e o entusiasmo com que eles carregam a nossa bandeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma mensagem muito bonita, ainda mais quando a gente olha as letras, que falam de homossexualidade, machismo, opress\u00e3o, inadequa\u00e7\u00e3o. A gente n\u00e3o tem visto muito esses temas na chamada m\u00fasica popular brasileira atual.<\/strong><br \/>\nPoxa, Renata. Isso foi direto no cora\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea foi a primeira pessoa a falar sobre isso do &#8220;Zeitgeist&#8221;. Eu andava at\u00e9 meio grilado porque parecia que ningu\u00e9m tinha sacado que eu estava falando de outras coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 interessante voc\u00ea tocar nesse ponto da mensagem, porque eu ia mesmo perguntar sobre a batida quest\u00e3o do idioma. Ser\u00e1 que as letras em ingl\u00eas ainda podem ser uma barreira para a mensagem chegar? Pensei nisso depois de voc\u00ea ter compartilhado uma mensagem privada de um seguidor que criticou seu posicionamento a favor do casamento igualit\u00e1rio, que aconteceu justamente na \u00e9poca em que voc\u00ea estava lan\u00e7ando o &#8220;Zeitgeist&#8221;.<\/strong><br \/>\nNesses \u00faltimos meses me questionei muito sobre isso. Principalmente por conta desse epis\u00f3dio que voc\u00ea citou. Comecei a pensar se estava claro o suficiente para quem acompanhava meu trabalho o que eu estava dizendo, o meu posicionamento. \u00c9 l\u00f3gico que n\u00e3o espero que as pessoas sejam obrigadas a compreender um idioma estrangeiro, sou eu quem tem que quebrar isso e come\u00e7ar a cantar em minha l\u00edngua materna, mas costumo ser veemente quando defendo as coisas que acredito nas minhas redes sociais, n\u00e3o fico em cima do muro. Ent\u00e3o por conta disso resolvi dar um tempo com o ingl\u00eas. J\u00e1 escrevi quase todas as can\u00e7\u00f5es desse disco que ser\u00e1 totalmente em portugu\u00eas e ele vai sair o ano que vem. As letras s\u00e3o pol\u00edticas e falam sobre tudo isso que j\u00e1 falei no &#8220;Zeitgeist&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A respeito da situa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira, voc\u00ea fez uma declara\u00e7\u00e3o bem contundente, dizendo que &#8220;h\u00e1 pouqu\u00edssimas coisas que verdadeiramente significam algo na m\u00fasica autoral brasileira de agora. Quase tudo cheira a engodo. Onde \u00e9 que est\u00e1 a verdade capaz de nos transformar? N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de est\u00e9tica, \u00e9 uma quest\u00e3o de verdade. Ningu\u00e9m est\u00e1 contando a nossa hist\u00f3ria&#8221;. Com o &#8220;Zeitgeist&#8221;, parece que tamb\u00e9m com o pr\u00f3ximo, sua inten\u00e7\u00e3o \u00e9 tentar contar essa &#8220;nossa hist\u00f3ria&#8221;?<\/strong><br \/>\nTotalmente, quero contar a nossa hist\u00f3ria, mas a verdadeira, aquela que acontece nas ruas. O compositor popular deve ser um cronista do seu tempo, deve empunhar uma bandeira. N\u00e3o acho justo e n\u00e3o acho nada transformador, considerando tudo que estamos vivendo em termos pol\u00edticos e sociais, que o &#8220;artista&#8221; brasileiro siga dizendo amenidades. Colocando isso em um contexto mais \u00f3bvio e claro: mulheres s\u00e3o assassinadas, homossexuais s\u00e3o apedrejados em pra\u00e7a p\u00fablica, gente que se mata por se sentirem inadequados, l\u00edderes religiosos comandando hordas contra tudo que \u00e9 diferente, uma guerra ideol\u00f3gica super pesada batendo em nossas portas e a gente falando sobre amenidades? N\u00f3s estamos perdendo gente aqui, e abandono \u00e9 coisa muito s\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/NznC2J2iif0\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/NznC2J2iif0\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m disse que &#8220;na m\u00fasica brasileira moderna \u00e9 necess\u00e1rio ter talento pra oferecer anestesia e n\u00e3o reflex\u00e3o&#8221;. Isso pode ser um reflexo do nosso tempo, de bombardeamento de informa\u00e7\u00e3o e entretenimento excessivo, que pode fazer com que as pessoas se sintam um pouco desorientadas e acabem se voltando para si mesmas ou rumando para o escapismo?<\/strong><br \/>\nSempre tenho f\u00e9 nas pessoas. Acho que as pessoas s\u00e3o doutrinadas a n\u00e3o olhar para dentro. E a gente vai vivendo nessa superficialidade toda at\u00e9 ter uma crise, porque a gente sempre acaba em crise quando n\u00e3o cuida da parte interna. Acredito que o tato com a vida de agora, essa quest\u00e3o do bombardeamento de informa\u00e7\u00e3o e entretenimento, da dissolu\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os, do jogo r\u00e1pido, vai nos arrastando tanto para essa superf\u00edcie que vai ficando cada vez mais imposs\u00edvel n\u00e3o se jogar do oitavo andar. N\u00f3s estamos come\u00e7ando a entrar em crise e a crise aponta uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que crise seria essa?<\/strong><br \/>\nUm colapso total dos nossos sentidos, talvez? Algo como come\u00e7armos a vomitar tudo que soterramos de uma vez s\u00f3. Um colapso da forma como pensamos a sociedade. N\u00e3o d\u00e1 pra seguir num ritmo t\u00e3o acelerado quanto esse por mais tempo sem causar dano algum a nossa psique. N\u00f3s estamos arrasados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea v\u00ea algum paralelo entre este &#8220;colapso da forma como pensamos a sociedade&#8221; e o aumento da intoler\u00e2ncia?<\/strong><br \/>\nPenso que a intoler\u00e2ncia e o conservadorismo no pa\u00eds n\u00e3o aumentaram, na verdade isso sempre existiu nesse mesmo n\u00edvel, o que acontece \u00e9 que agora eles vieram para a luz, sa\u00edram da escurid\u00e3o. E n\u00f3s sabemos onde eles moram e as festas que eles frequentam. N\u00f3s come\u00e7amos a mostrar o que realmente somos e eles come\u00e7aram a mostrar do que s\u00e3o feitos. E sim, tem um profundo paralelo com o colapso da forma como pensamos sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quem s\u00e3o os artistas de hoje que voc\u00ea admira?<\/strong><br \/>\nSobre artistas que admiro, tem um cara que talvez seja desconhecido pra muita gente mas que mora no meu cora\u00e7\u00e3o porque \u00e9 verdadeiro, ele \u00e9 o Rafael Elfe. Mas a vida pra gente verdadeira como ele \u00e9 sempre dura. \u00c9 preciso ter a t\u00e3o famigerada &#8220;grife&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao disco, &#8220;Tired of Being a Boy&#8221; fala sobre papeis de g\u00eanero e a vontade de romper com eles. Existe algo de autobiogr\u00e1fico nessa faixa?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 completamente autobiogr\u00e1fica. Desde muito cedo aprendo sobre isso, meus pais sempre foram os melhores nessa quest\u00e3o. Gra\u00e7as ao universo cresci em uma casa onde isso pouco importava. O conceito de g\u00eanero limita tudo, \u00e9 um desastre total, voc\u00ea fica preso dentro de um estigma que n\u00e3o permite se auto conhecer, voc\u00ea j\u00e1 vem pro mundo todo embalado e engessado. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos me relacionei com uma pessoa que me fez expandir em todos esses aspectos, ela me ajudou muito romper com tanta coisa. Essa can\u00e7\u00e3o veio muito desse encontro e do que me proporcionou. Essa coisa mata as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas apesar dos temas pesados, o \u00e1lbum tamb\u00e9m tem um lado mais pra cima, em faixas como &#8220;Happiness Comes by Morning&#8221; e &#8220;Moonchild&#8221;, que me chamaram a aten\u00e7\u00e3o pela semelhan\u00e7a com os Smiths. Foi intencional?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 referencial. Eu sempre carreguei minha m\u00fasica de refer\u00eancias, n\u00e3o foi diferente dessa vez. Smiths tem sido a maior nesse momento. Essas duas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem mais pop do que o resto do disco, \u00e9 uma tentativa de fazer algo que fosse mais dan\u00e7ante, triste, mas dan\u00e7ante. S\u00e3o duas can\u00e7\u00f5es completamente governadas pela linha de baixo, que era uma coisa que eu queria muito, que as linhas de baixo mandassem nas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais s\u00e3o as outras influ\u00eancias do &#8220;Zeitgeist&#8221;?<\/strong><br \/>\nBauman foi uma refer\u00eancia enorme no conceito, o conceito de liquidez. De como a gente acessa as pessoas por esses portais, essa virtualidade, a gente perde o contato real com as coisas e com as pessoas, essa coisa dos la\u00e7os. Tem tamb\u00e9m uma coisa de Legi\u00e3o Urbana, eu andava escutando muito &#8220;A Tempestade&#8221; e isso me atingiu muito. Acho um disco extremamente lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre os shows, voc\u00ea disse que pretende sair em turn\u00ea, e at\u00e9 j\u00e1 tem algumas datas marcadas (06\/09 em Belo Horizonte; 12\/09 em Araras). Com tanto repert\u00f3rio, o que voc\u00ea pretende priorizar nesses shows?<\/strong><br \/>\nNossa. Isso t\u00e1 sendo um problema gigante, n\u00f3s montamos uma banda e estamos tentando mesclar um set ac\u00fastico com o el\u00e9trico. Tenho muita vontade de tocar as coisas novas, de repente at\u00e9 tocar algumas desse em portugu\u00eas. Vai ser um apanhado geral daquilo que \u00e9 especial para os f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesses quatro anos foram poucas as oportunidades que voc\u00ea teve de fazer shows. Muitos artistas costumam se mudar para a cidade de S\u00e3o Paulo, onde encontram maiores oportunidades. Voc\u00ea acredita que no futuro acabe precisando ir tamb\u00e9m? Tem essa vontade?<\/strong><br \/>\nTalvez aconte\u00e7a de ser necess\u00e1rio ir pra l\u00e1 um dia desses.  Por enquanto estou evitando, sou do interior, tenho medo de cidade grande, dizem por a\u00ed que elas engolem a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o15dugftKto\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/o15dugftKto\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/uUgZvGmD7ao\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/uUgZvGmD7ao\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/JNcXdsBN7KM\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/JNcXdsBN7KM\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/NfdAZaJqVPU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/NfdAZaJqVPU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p><span>&#8211; Renata Arruda (<\/span><a href=\"http:\/\/twitter.com\/renata_arruda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@renata_arruda<\/a><span>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/www.mardemarmore.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Prosa Espont\u00e2nea<\/a>. A foto que ilustra a entrevista \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/cirobertoluccic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ciro Bertolucci<br \/>\n<\/a><\/span><\/p>\n<p><strong>Entrevistas:<\/strong><br \/>\n&#8211; Projeto Ponte: \u201cA gente n\u00e3o vai reinventar o mundo, mas pode ser um come\u00e7o\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/19\/entrevista-projeto-ponte\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Dig\u00e3o: \u201cRolaram momentos dif\u00edceis em todas as forma\u00e7\u00f5es do Raimundos\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/17\/a-turne-de-20-anos-dos-raimundos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; The Legendary Tigerman: \u201cRock\u2019n\u2019roll tamb\u00e9m \u00e9 suor e animalidade\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/13\/the-legendary-tigerman-no-brasil\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Pega Monstro: \u201dSomos duas meninas tocando rock e curtimos imenso\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/11\/entrevista-pega-monstro\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Sandra Coutinho: \u201cE<span>u sou muitas outras coisas al\u00e9m d\u2019As Mercen\u00e1rias<\/span>\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/09\/entrevista-sandra-coutinho\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Khristal: \u201cO folclore vem servindo de fil\u00e3o para m\u00fasico mal intencionado\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/08\/tres-perguntas-khrystal\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Banda Gentileza: \u201cO disco novo \u00e9 fruto de um processo bem mais concentrado\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/04\/entrevista-banda-gentileza\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Duda Brack: \u201cCada artista tem seu caminho e suas quest\u00f5es\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/01\/entrevista-duda-brack\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Judas: \u201c\u00c9 um som caipira tocado por quem cresceu dentro do rock\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/30\/entrevista-judas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; D\u00f4nica: \u201dAt\u00e9 agora estamos apostando em viver de m\u00fasica\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/28\/entrevista-donica\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" por Renata Arruda\n&#8220;O compositor popular deve ser um cronista do seu tempo, deve empunhar uma bandeira&#8221;, opina Phillip Long em uma bela entrevista\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/25\/entrevista-o-zeitgeist-de-phillip-long\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32219"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32219"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32219\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73500,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32219\/revisions\/73500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}