{"id":32208,"date":"2015-08-24T14:18:10","date_gmt":"2015-08-24T17:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=32208"},"modified":"2015-11-10T01:09:30","modified_gmt":"2015-11-10T04:09:30","slug":"show-emicida-ao-vivo-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/24\/show-emicida-ao-vivo-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Show: Emicida ao vivo em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32209\" title=\"emicida4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida4.jpg\" alt=\"\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Texto por Marcelo Costa<\/span><br \/>\nFotos por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\">Liliane Callegari<\/a> (<a href=\"http:\/\/lilianecallegari.com.br\/sem-categoria\/emicida-no-sesc-pinheiros\/\" target=\"_blank\">Galeria<\/a>)<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\"><\/a><\/strong><\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num fim de semana de tr\u00eas noites sold out consagradoras, com os 700 lugares do teatro Paulo Autran totalmente ocupados, Emicida deu o start na turn\u00ea de seu novo disco, o emblem\u00e1tico \u201cSobre Crian\u00e7as, Quadris, Pesadelos e Li\u00e7\u00f5es de Casa\u201d, com um show poderoso que inicia extremamente pesado (graves batendo no peito, riffs de guitarra cortando o ar e a percuss\u00e3o encorpando a batida) para, ao longo da noite, fazer um passeio (praticamente educativo) por diversas sonoridades, como que defendendo: samba, rap, rock, reggae, tudo \u00e9 m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do teatro do Sesc Pinheiros, em S\u00e3o Paulo, estar totalmente tomado por f\u00e3s, com ingressos esgotados antecipadamente, quem chegasse ao show nos primeiros segundos iria ver centenas de cadeiras vazias. Isso porque bastou o primeiro som de grave ecoar no recinto para que a galera levantasse das cadeiras e fosse para a frente do palco, um recorde, como se um jogador fizesse um gol com dois segundos de jogo. No palco, baixo, duas guitarras, dois percussionistas e o velho parceiro DJ Nyack s\u00e3o respons\u00e1veis pelo embalo. E, claro, Emicida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show \u00e9 totalmente focado nos dois \u00e1lbuns cheios do m\u00fasico, \u201cO Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui\u201d (2013) e o novo \u201cSobre Crian\u00e7as, Quadris, Pesadelos e Li\u00e7\u00f5es de Casa\u201d (2015), com r\u00e1pidos acenos para as mixtapes \u201cPra Quem J\u00e1 Mordeu Um Cachorro Por Comida, At\u00e9 Que Eu Cheguei Longe&#8230;\u201d (2009), com \u201cTriunfo\u201d, e \u201cEmic\u00eddio\u201d (2010), representada por \u201cRinha\u201d, mais &#8220;Zica, Vai L\u00e1&#8230;&#8221;, uma das can\u00e7\u00f5es mais festejadas e cantadas da noite, presente no excelente EP \u201cDoozicabraba e a Revolu\u00e7\u00e3o Silenciosa\u201d, de 2011.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32210\" title=\"emicida5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida5.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida5.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida5-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ataque, no entanto, come\u00e7a com \u201c8\u201d, do disco novo, que abre o show envolta num arranjo pesad\u00edssimo \u2013 e aqueles que dizem que o rap \u00e9 o novo rock, sorriem, afinal o peso todo est\u00e1 aqui, batendo no peito, ecoando nos ouvidos, e o discurso afiado faz confiar na aposta: entre Banda Malta e Emicida, caso tivesse vivo, Joe Strummer sem nenhuma d\u00favida escolheria o rapper. O verso, ent\u00e3o, ecoa: \u201cSangue \u00edndio, suor preto e as igreja branca \/ Jogando na retranca, querendo que os mano respeita \/ Os professor que a pol\u00edcia espanca\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBoa Esperan\u00e7a\u201d, que ganhou um clipe forte que mostra a revolta de um grupo de empregados dom\u00e9sticos que resolvem se vingar dos patr\u00f5es ap\u00f3s uma s\u00e9rie de maus tratos, \u00e9 a primeira a ser cantada em coro na noite. A sonoridade abra\u00e7a a \u00c1frica e a aninha nos bra\u00e7os enquanto Emicida manda o recado: \u201cVoc\u00eas sabem, eu sei, que at\u00e9 Bin Laden \u00e9 Made in USA\u201d, e ati\u00e7a: \u201cC\u00eas diz que nosso pau \u00e9 grande \/ Espera at\u00e9 ver nosso \u00f3dio\u201d. A arrepiante \u201cBang!\u201d, do disco anterior, \u00e9 o primeiro momento antol\u00f3gico da noite. Devia ser transmitida em hor\u00e1rio nobre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os momentos especiais, \u201cM\u00e3e\u201d, do disco novo, com Dona Jacira no palco, emociona. \u201cHoje Cedo\u201d surge arrasadora. Eis a can\u00e7\u00e3o que coloca Emicida num posto de destaque no momento atual da m\u00fasica brasileira, um discurso revoltado, raivoso e urgente que, sozinho, oferece mais ao Brasil atual do que Caetano, Gil e Chico e o rock nacional juntos ofereceram nos \u00faltimos 10 anos. \u201cE vou por a\u00ed, Taleban, vendo os boy beber dois m\u00eas de sal\u00e1rio da minha irm\u00e3\u201d, diz a letra, que ainda crava: \u201cA sociedade vende Jesus, por que n\u00e3o ia vender rap\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, a liga\u00e7\u00e3o com as gera\u00e7\u00f5es anteriores (incluindo Caetano) \u00e9 um dos temas do novo show. Em certo momento, ele puxa o \u201cRap Da Felicidade\u201d, de MC Cidinho e MC Doca, que em 1994 cantavam que s\u00f3 queriam ser felizes andando tranquilamente na favela em que nasceram (20 anos depois andar tranquilamente ainda \u00e9 um sonho imposs\u00edvel: \u201cQuando 18 pessoas morrem em uma cidade e ningu\u00e9m fala nada, essa cidade tamb\u00e9m est\u00e1 morta\u201d, dispara Emicida no meio do show, sobre a s\u00e9rie de atentados em Osasco e Barueri).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32211\" title=\"emicida6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida6.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida6.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida6-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPreciso Me Encontrar\u201d, samba cl\u00e1ssico de Candeia gravado por Cartola, faz a ponte de liga\u00e7\u00e3o para o meio do show, mais sambista, africano e brasileiro, que ainda traz \u201cBaiana\u201d, que no novo disco conta com a participa\u00e7\u00e3o de Caetano, e \u201cHaiti\u201d, que lan\u00e7ada por Gil e Caetano no \u00e1lbum \u201cTropic\u00e1lia 2\u201d, de 1993, soa urgent\u00edssima agora, num momento em que haitianos refugiados no pa\u00eds sofrem discrimina\u00e7\u00e3o e atentados. A apropria\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o por Emicida \u00e9 importante, ainda que quem tor\u00e7a o nariz para a M\u00e1fia do Dend\u00ea ouse recusar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num momento em que as listas de m\u00fasicas mais tocadas s\u00e3o dominadas por escapismo, seja o sertanejo universit\u00e1rio pregando a farra (o caipira de \u201cSapequinha\u201d est\u00e1 mais preocupado em n\u00e3o dar mole para a garota; enquanto isso, pol\u00edticos, pastores, racistas e gente pedindo a volta da ditadura agem), breganejo ou bregarock (lamentando as dores de cora\u00e7\u00f5es partidos, dor que Caetano compactua em seus \u00faltimos tr\u00eas discos), o rap (samba, reggae, rock, maracatu) de Emicida se destaca por olhar os problemas de frente, buscando discuti-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desta forma, o show segue com can\u00e7\u00f5es novas (\u201cMufete\u201d, \u201cCasa\u201d, \u201cPassarinhos\u201d), estocadas no amago da sociedade (\u201cEssa \u00e9 dedicada aos nordestinos que constru\u00edram S\u00e3o Paulo. Os paulistanos esquecem, mas a gente lembra\u201d) e a bel\u00edssima declama\u00e7\u00e3o de \u201cS\u00faplica\u201d, da poetisa mo\u00e7ambicana No\u00e9mia de Sousa: \u201cTirem-nos tudo, mas deixem-nos a m\u00fasica!\u201d. Eis um dos grandes momentos de um dos shows mais importantes de 2015 (qui\u00e7a \u201co\u201d show mais importante) que leva a s\u00e9rio a frase \u201carte \u00e9 fazer parte, n\u00e3o ser dono\u201d. No Sesc Pinheiros, o show foi (simbolicamente) de 700 pessoas na plateia e 6 no palco. Um povo unido. Palmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-32212\" title=\"emicida7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/emicida7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell e assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\">Calmantes com Champagne<\/a><br \/>\n&#8211; Liliane Callegari (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\">@licallegari<\/a>) \u00e9 fot\u00f3grafa e arquiteta. Veja galeria de fotos do show <a href=\"http:\/\/lilianecallegari.com.br\/sem-categoria\/emicida-no-sesc-pinheiros\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa\nUm dos shows mais importantes de 2015 (qui\u00e7a \u201co\u201d show mais importante) tem rock, maracatu, samba, reggae e&#8230; rap\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/24\/show-emicida-ao-vivo-em-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32208"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32208"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35148,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32208\/revisions\/35148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}