{"id":31995,"date":"2015-08-11T09:36:29","date_gmt":"2015-08-11T12:36:29","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=31995"},"modified":"2016-08-31T03:08:22","modified_gmt":"2016-08-31T06:08:22","slug":"entrevista-pega-monstro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/11\/entrevista-pega-monstro\/","title":{"rendered":"Entrevista: Pega Monstro"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-31996\" title=\"pega_monstro\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pega_monstro.jpg\" alt=\"\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <\/strong><strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">Pedro Salgado<\/a><\/strong>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma liga\u00e7\u00e3o seminal ao selo Cafetra Records, o duo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pegamonstroband\/\" target=\"_blank\">Pega Monstro<\/a> definiu atempadamente a sua sonoridade pop punk atrav\u00e9s de temas emblem\u00e1ticos como \u201cParedes de Coura\u201d, \u201cDom Docas\u201d ou \u201cFetra\u201d, assinando shows explosivos em festivais como Barreiro Rocks (perto de Lisboa) e Milh\u00f5es de Festa (no norte de Portugal). As irm\u00e3s Maria (guitarra, voz e teclado) e J\u00falia Reis (bateria e voz) acabaram de lan\u00e7ar \u201cAlfarroba\u201d (o t\u00edtulo do disco prov\u00e9m de um fruto da regi\u00e3o do Algarve, sul de Portugal, de onde \u00e9 a fam\u00edlia de sua m\u00e3e) e a pegada roqueira inicial acentuou-se, concretizando um \u00e1lbum mais ambicioso e repleto de novas abordagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No trabalho, o grupo revela efic\u00e1cia pop no single \u201cBra\u00e7o de Ferro\u201d, aproxima-se da vertente mel\u00f3dica em faixas como \u201c\u00c9s Tu, J\u00e1 Sei\u201d, flerta com o shoegazing (\u201cEstrada\u201d), e exibe um cruzamento de psicodelismo e indie rock na brilhante \u201cAm\u00eandoa Amarga\u201d. A maturidade l\u00edrica do disco evidencia-se igualmente na deriva rom\u00e2ntica de \u201c\u00c9s Tudo o Que Eu Queria\u201d. \u201cEsse tema fala de hist\u00f3rias que acontecem quando crescemos. Quando individualizamos a narrativa conseguimos mostr\u00e1-la para as outras pessoas e elas tamb\u00e9m a sentem. Porque toda a gente tem quest\u00f5es amorosas e existenciais\u201d, explica Maria Reis num quiosque lisboeta do Jardim do Pr\u00edncipe Real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de nomes primordiais como My Bloody Valentine ou Sonic Youth, em \u201cAlfarroba\u201d tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel detectar outras refer\u00eancias. \u201cDo Lightning Bolt agradou-nos o poder da bateria, nos Rolling Stones interessou-nos o fato do rock deles n\u00e3o se levar muito a s\u00e9rio e nem sempre ser dram\u00e1tico e no Royal Trux apreciamos o som da guitarra\u201d, conta J\u00falia Reis. Embora reconhecendo o contributo dos diversos conceitos musicais apresentados, Maria Reis prefere sublinhar o produto final: \u201cQuando reconhecemos algo que tem valor, acabamos por interiorizar esses elementos e fazemos o filtro, isso traduz algo que \u00e9 nosso\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o do disco, pelo selo londrino Upset The Rhythm, resultou de um contato de Afonso Sim\u00f5es (baterista do Gala Drop e respons\u00e1vel da Associa\u00e7\u00e3o Cultural Filho \u00danico) com Chris Tipton, quando o Pega Monstro se viu impossibilitado de lan\u00e7ar o \u00e1lbum em vinil por falta de recursos financeiros da Cafetra Records. \u201cO Chris gostou da ideia e foi \u00f3timo, porque o Upset The Rhythm nunca tinha editado nada que n\u00e3o fosse em ingl\u00eas ou japon\u00eas. Mas ele curtiu o nosso andamento, as vozes, a energia e aceitou. A barreira lingu\u00edstica n\u00e3o foi um problema (risos)\u201d, refere Maria Reis. Sobre a m\u00fasica brasileira, o duo destaca Elis Regina, a transversalidade das can\u00e7\u00f5es de Jorge Ben Jor, o lado funk de Tim Maia e aponta o garage d\u2019Os Haxixins como pr\u00f3ximo do seu trabalho. De Lisboa para o Brasil, o Pega Monstro conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 600px; height: 720px;\" src=\"http:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=649410208\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/transparent=true\/\" seamless><a href=\"http:\/\/pegamonstro.bandcamp.com\/album\/alfarroba\"><\/a><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAlfarroba\u201d \u00e9 um disco mais roqueiro e din\u00e2mico do que o \u00e1lbum\u00a0hom\u00f4nimo\u00a0de estreia. Como se deu essa transforma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nIsso est\u00e1 relacionado com a passagem do tempo. Escutamos e tocamos mais m\u00fasica desde 2012 e tudo aconteceu de uma forma espont\u00e2nea. Se calhar, ocorreu igualmente um processo de identifica\u00e7\u00e3o com diferentes sonoridades e o resultado tomou este aspecto. O processo de composi\u00e7\u00e3o foi mais longo, demoramos dois anos a execut\u00e1-lo, desde o \u201c<a href=\"https:\/\/pegamonstro.bandcamp.com\/album\/pega-monstro\" target=\"_blank\">Pega Monstro<\/a>\u201d (2012), e h\u00e1 m\u00fasicas complexas em termos de estrutura que levaram algum tempo para fazer. O \u201cAlfarroba\u201d talvez tenha sido mais pensado, mas a nossa inten\u00e7\u00e3o foi que ele fosse apenas o que era. Foi s\u00f3 deixar a loucura acontecer (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sinto uma evolu\u00e7\u00e3o sonora e urg\u00eancia nas palavras cantadas de \u201cAm\u00eandoa Amarga\u201d. O que as motivou a compor esta can\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma m\u00fasica central, porque de certa forma d\u00e1 o nome ao disco. Embora tenha seguido os mesmos moldes das outras can\u00e7\u00f5es, ela \u00e9 mais comprida, din\u00e2mica e leva-nos para diversos caminhos. O tema d\u00e1 para respirar e liricamente tem muitas imagens (frutas, praias, sensa\u00e7\u00f5es). Ele sugere f\u00e9rias e paz interior. No fundo, acaba por traduzir uma ideia de boiar no mar e tranquilidade, tipo chill (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O p\u00fablico que assiste aos shows de voc\u00eas \u00e9 simultaneamente heterog\u00eaneo e entusiasmado. Com explicam o fasc\u00ednio pelo grupo?<\/strong><br \/>\nJulgo que as pessoas se identificam com o gosto, harmonia e power das nossas can\u00e7\u00f5es, isso \u00e9 prazeroso de sentir e o fato da nossa m\u00fasica ser direta provoca um reconhecimento f\u00e1cil pelas pessoas. O p\u00fablico rev\u00ea-se nas situa\u00e7\u00f5es, gosta de nos escutar, percebe racioc\u00ednios e instantes. Acaba por ser uma coisa mais ligada ao momento e menos \u00e0 mensagem. Nos shows, criamos liga\u00e7\u00f5es entre as m\u00fasicas, porque tudo faz parte da experi\u00eancia de assistir a um concerto. Embora n\u00e3o seja muito comum ver duas garotas fazendo rock, o importante \u00e9 que curtimos imenso. E no show do Ateneu da Madredeus (espa\u00e7o lisboeta onde apresentaram recentemente o disco \u201cAlfarroba\u201d) eramos uma unidade e toda a gente parecia estar tocando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entre outros, voc\u00eas abriram os shows de Ariel Pink e Jon Spencer Blues Explosion. Recolheram alguns ensinamentos dessas apresenta\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nAriel Pink \u00e9 o boss, n\u00f3s j\u00e1 curt\u00edamos muito a sua m\u00fasica e ele faz can\u00e7\u00f5es como ningu\u00e9m. Na passagem de som, ele tocava com um microfone sem fios, sa\u00eda do palco, continuava a cantar, ia no banheiro, regressava e vislumbrava o som do Lux (sala lisboeta). Jon Spencer foi legal tamb\u00e9m. Acabamos por n\u00e3o falar com a banda, mas eles fazem um \u00f3timo rock. Consciente ou inconscientemente acabamos sempre por retirar algo destas experi\u00eancias e n\u00e3o s\u00f3 com os shows. Tamb\u00e9m nos impressionou o fato do Ariel Pink passar o disco e altern\u00e1-lo com o som do concerto, para aperfei\u00e7oar a m\u00fasica dele. Nunca t\u00ednhamos visto isso e foi uma boa aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brevemente, far\u00e3o uma tour inglesa de apresenta\u00e7\u00e3o do \u201cAlfarroba\u201d. Quais s\u00e3o as vossas expetativas?<\/strong><br \/>\nTocamos em Londres h\u00e1 tr\u00eas anos, porque fomos l\u00e1 em fam\u00edlia e decidimos marcar um concerto. A maioria do p\u00fablico era portugu\u00eas e at\u00e9 havia uma pessoa com a t-shirt do EP \u201c<a href=\"https:\/\/pegamonstro.bandcamp.com\/album\/o-juno-60-nunca-teve-fita\" target=\"_blank\">O Juno-60 Nunca Teve Fita<\/a>\u201d, que lhe foi oferecida no seu anivers\u00e1rio (risos). Desta vez, teremos mais p\u00fablico local e achamos que os ingleses v\u00e3o reagir bem, porque seguimos a linhagem do rock deles, como \u00e9 o caso do Spacemen 3. Vamos tocar em v\u00e1rias casas que n\u00e3o conhecemos, provavelmente n\u00e3o entender\u00e3o muito do que cantamos e depois dessa experi\u00eancia ficaremos um pouco como se tiv\u00e9ssemos tido um sonho. Mas n\u00e3o projetamos muito mais do que o fato de tocar na Inglaterra. \u00c9 algo t\u00e3o abstrato que nem d\u00e1 para saber o que esperar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostariam de deixar uma mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica brasileira est\u00e1 no topo e fazer parte disso seria muito legal. Soubemos que temos seguidores l\u00e1, porque apareceu um clipe no YouTube com um garoto brasileiro tocando na guitarra ac\u00fastica o \u201cParedes de Coura\u201d. E tamb\u00e9m h\u00e1 mensagens de f\u00e3s, no nosso Facebook, pedindo para fazermos shows em S\u00e3o Paulo. Possibilitem-nos tocar no Brasil, porque l\u00e1 devem ter as melhores vibes do mundo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nw1tSJqb6Xo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nw1tSJqb6Xo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EC2HjKm3HOE\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EC2HjKm3HOE\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nBRGDY-Dqoo\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/nBRGDY-Dqoo\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span>&#8211; Pedro Salgado (siga <\/span><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\">@woorman<\/a><span>) \u00e9 jornalista e conta as novidades da nova cena portuguesa. Outras entrevistas <\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>. A foto que ilustra o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/saragrafael\/\" target=\"_blank\">Sara Rafael <\/a>\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/category\/musica\/\">MAIS SOBRE M\u00daSICA, ENTREVISTAS E REVIEWS NO SCREAM &amp; YELL<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As irm\u00e3s portuguesas Maria (guitarra, voz e teclado) e J\u00falia Reis (bateria e voz) acabam de lan\u00e7ar \u201cAlfarroba\u201d, seu disco novo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/11\/entrevista-pega-monstro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31995"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31995"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31995\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39604,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31995\/revisions\/39604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}