{"id":31739,"date":"2015-07-24T10:57:06","date_gmt":"2015-07-24T13:57:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=31739"},"modified":"2020-11-09T00:20:24","modified_gmt":"2020-11-09T03:20:24","slug":"entrevista-panamericana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/24\/entrevista-panamericana\/","title":{"rendered":"Entrevista: Panamericana"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-31743\" title=\"panamericana2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/panamericana2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/panamericana2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/panamericana2-300x258.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Panamericana \u00e9 o nome escolhido para sintetizar uma jornada por muitos pa\u00edses, envolvendo muitas bandas, shows (assistidos ou realizados), descobertas musicais conjuntas e, mais recentemente, at\u00e9 imbr\u00f3glios burocr\u00e1ticos de direito autoral. Tamb\u00e9m nomeia uma agremia\u00e7\u00e3o que seria chamada de \u201csupergrupo oitentista\u201d, se ainda se repetissem certos chav\u00f5es da ind\u00fastria musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda \u00e9 formada por Dado Villa-Lobos (guitarra), Toni Plat\u00e3o (voz), Charles Gavin (bateria) e D\u00e9 Palmeira (baixo). Para ser justo, h\u00e1 que se falar em cinco pessoas: o uruguaio Carlos Taran, misto de empres\u00e1rio, curador musical e parceiro na feitura de algumas letras, \u00e9 referido (com justi\u00e7a) pelos m\u00fasicos como um integrante da banda. A ideia que os uniu foi recriar, em portugu\u00eas e com instrumental e po\u00e9tica pr\u00f3prios, cl\u00e1ssicos do rock originalmente cantado em espanhol. Desde que a ideia saiu da cabe\u00e7a dos cinco e tornou-se realidade, vieram alguns shows em diferentes capitais, apari\u00e7\u00f5es na TV e incont\u00e1veis horas em est\u00fadio, ensaiando, experimentando material e gravando. Em dado momento, tudo resultou em um bom \u00e1lbum \u2013 que teima em n\u00e3o sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSur\u201d, o disco em quest\u00e3o, traz vers\u00f5es de artistas de Uruguai e Argentina. Algumas can\u00e7\u00f5es podem ser ouvidas no Soundcloud da banda (<a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/bandapanamericana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/soundcloud.com\/bandapanamericana<\/a>) e no repert\u00f3rio cabem cl\u00e1ssicos (Luis Alberto Spinetta, Fito P\u00e1ez, Soda Stereo, Divididos), sucessos populares mais recentes (Babas\u00f3nicos, Las Pelotas, La Vela Puerca, No Te Va Gustar), nomes cult (Los Traidores) e mesmo pouco conhecidos (Loop Lascano, Mersey). A adequa\u00e7\u00e3o (em muitos casos, recria\u00e7\u00e3o) das letras ao portugu\u00eas coube \u00e0 banda, em alguns casos contando com a parceria de companheiros geracionais, como Herbert Vianna, Humberto Effe (Picassos Falsos), Paulinho Moska, S\u00e9rgio Britto (Tit\u00e3s), Alvin L e Fausto Fawcett, al\u00e9m do jovem compositor e cantor Bruno Cosentino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda n\u00e3o \u00e9 o projeto principal de nenhum dos cinco, mas n\u00e3o por isso menos importante para eles. O Scream &amp; Yell conversou individualmente com todos os integrantes da Panamericana, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Charles, entre janeiro e junho deste ano. Neste meio tempo, todos se mantiveram em atividade intensa: Villa-Lobos lan\u00e7ou sua autobiografia, \u201cMem\u00f3rias de Um Legion\u00e1rio\u201d; iniciou a nova temporada de seu programa Est\u00fadio do Dado, do Canal Bis, tocou em um tributo ao Cazuza e seguiu com alguns shows de divulga\u00e7\u00e3o de \u201cO Passo do Colapso\u201d, seu disco de 2013; D\u00e9 Palmeira, al\u00e9m de contribuir com uma vers\u00e3o de Franny Glass para o disco \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/17\/download-somos-todos-latinos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Somos Todos Latinos<\/a>\u201d, comp\u00f4s, produziu e executou diversas trilhas sonoras para programas de TV e ressuscitou a banda de surf rock The Silva\u2019s (ao lado de Liminha e Jo\u00e3o Barone); Charles tamb\u00e9m esteve envolvido em trilhas e produ\u00e7\u00f5es de discos e Toni preparava seu pr\u00f3ximo disco solo. Tanta atividade n\u00e3o arrefeceu a disposi\u00e7\u00e3o da banda, mas os entraves envolvendo direitos autorais, que em fevereiro pareciam estar pr\u00f3ximos, se tornaram um pouco mais complicados, e \u201cSur\u201d seguia engavetado. \u00c9 do embri\u00e3o da banda at\u00e9 este momento que se trata a entrevista a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EY8nXiTcTVU\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/EY8nXiTcTVU\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Creio que \u00e9 inevit\u00e1vel come\u00e7ar perguntando como voc\u00eas entraram nessa. De onde veio a ideia de quatro caras com carreiras consolidadas se reunirem para tocar rock originalmente cantado em espanhol e vertido para o portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nDado: Em 2008, o Hermano Vianna (irm\u00e3o de Herbert, antrop\u00f3logo e pesquisador musical) me p\u00f4s em contato com Carlos Tar\u00e1n, que me procurou dizendo que as bandas de Montevid\u00e9u estavam a fim de fazer uma homenagem a Legi\u00e3o Urbana. A ideia do Carlos era levar a mim e ao Bonf\u00e1, o que de pronto aconteceu. Foi incr\u00edvel! Foi no final de 2008, a gente desembarcou em Montevid\u00e9u, e eu, com toda essa carga emocional e afetiva, me vi em meio a todas essas bandas: La Vela Puerca, No Te Va Gustar, Bajofondo, Mart\u00edn Buscaglia&#8230; A surpresa foi muito grande, porque eles tinham uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima e muito forte com a Legi\u00e3o Urbana. Ali eu fui conhecendo as pessoas: o Seb\u00e1 [Teysera, vocalista e principal compositor do La Vela Puerca], que virou um grande amigo&#8230; O Juan Casanova me disse que, quando a Legi\u00e3o foi tocar em Montevid\u00e9u em 1986, Los Traidores \u2013 a banda dele \u2013 era a maior banda local, e n\u00f3s abrimos. Ele disse que ficou muito impressionado, e passou a acompanhar a Legi\u00e3o. Foi muito intenso, muito forte e surpreendente para mim \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 por essa rela\u00e7\u00e3o com a Legi\u00e3o Urbana, mas tamb\u00e9m com Adriana Calcanhoto, Zeca Baleiro, Tit\u00e3s, Paralamas, Marisa Monte&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Taran: Eu tinha acabado de chegar de Buenos Aires. Nasci e me criei no Uruguai, mas chegou uma hora em que estava trabalhando entre l\u00e1, a Argentina e a Espanha. Depois me mudei para a Argentina justamente para trabalhar no mercado editorial dedicado \u00e0 m\u00fasica. Mas minha mulher tinha recebido um convite para trabalhar no Rio a trabalho, e decidimos ir morar l\u00e1. Continuei a trabalhar l\u00e1 fora e, aos poucos, fui tentando entender mais do mercado cultural brasileiro. Eu tinha acabado de conhecer ao Hermano Vianna quase na mesma \u00e9poca que fui chamado pelo La Vela Puerca para fazer a dire\u00e7\u00e3o comercial e de marketing de uma s\u00e9rie de shows deles no Uruguai, e foi naquele show que eles tocaram \u201cEu Sei\u201d, da Legi\u00e3o Urbana e \u2013 quando perguntei o porqu\u00ea da vers\u00e3o \u2013  eles me falaram que eram super f\u00e3s da Legi\u00e3o e que queriam fazer um show tributo com os principais m\u00fasicos do Uruguai. Falei com o Hermano sobre e ele me respondeu que ia me ajudar a entrar em contato com o Dado. S\u00f3 que tinha me adiantado que achava dif\u00edcil acontecer, porque o Dado e Bonf\u00e1 nunca mais tinham tocado juntos desde o fim da Legi\u00e3o, e j\u00e1 se sabia que ambos vinham tendo problemas com a fam\u00edlia do Renato. Ele tamb\u00e9m me disse que eles n\u00e3o eram muito favor\u00e1veis a essa hist\u00f3ria de tributos, j\u00e1 tinham vetado alguns&#8230; Dias depois, Hermano me retorna dizendo que o Dado queria me conhecer e que estava me convidando para a festa de anivers\u00e1rio do filho dele, em uma pizzaria no Rio de Janeiro. Eu fui, e nem sabia o que esperar. Tinha uns pensamentos do tipo: \u201cnossa, o que ser\u00e1 isso? Festa em pizzaria com o guitarrista da Legi\u00e3o? Ser\u00e1 que o cara fechou o lugar para isso?\u201d (risos) E cheguei l\u00e1, era s\u00f3 o Hermano e a fam\u00edlia do Dado reunida. Eu no meio daquilo, e me apresento ao Dado, ele come\u00e7a a cantar o hino do Uruguai&#8230; (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado: Aos quatro anos de idade, morei em Montevid\u00e9u. Meu pai \u00e9 diplomata, por isso nasci em Bruxelas (B\u00e9lgica), depois disso fomos para a Iugosl\u00e1via, e depois Montevid\u00e9u. Foi quando eu comecei a ouvir m\u00fasica mesmo. Embora ouvisse m\u00fasicas brasileiras que meu av\u00f4 mostrava, tinha um la\u00e7o efetivo e emocional muito grande com o que vinha ali do Uruguai e da Argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Taran: O show veio a acontecer s\u00f3 em dezembro de 2008, e foi muito marcante. Depois disso, Dado e Bonf\u00e1 me convidaram para trabalhar com eles. Me deixaram claro que a Legi\u00e3o jamais iria voltar, mas queriam fazer alguns shows, tocar as m\u00fasicas deles&#8230; Mas que a condi\u00e7\u00e3o para que fizessem esses shows, para minha enorme surpresa, era que eu os empresariasse. Mesmo tendo muitos amigos m\u00fasicos e trabalhado no meio cultural, eu nunca tinha empresariado um artista antes&#8230; Mas conversamos bastante, e pensamos em fazer uma pequena turn\u00ea com vocalistas convidados. O Seba [Teysera, do La Vela Puerca] era um deles. Depois vieram as reedi\u00e7\u00f5es dos discos da Legi\u00e3o, o Rock In Rio, o show com o Wagner Moura de 2012, e entre tudo isso, a quest\u00e3o judicial pelo uso do nome Legi\u00e3o Urbana com a fam\u00edlia do Renato Russo. Foi um per\u00edodo de muita atividade, muitas coisas boas e ruins acontecendo, e isso nos aproximou. Em 2011 houve um convite do Canal Brasil, que culminou na forma\u00e7\u00e3o da Panamericana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9: O Paulo Mendon\u00e7a e o Andr\u00e9 Saddy, dois dos s\u00f3cios do Canal Brasil, estavam com ideia de fazer alguma coisa \u2013 n\u00e3o sei se um programa \u2013 para tocar m\u00fasicas que n\u00e3o fossem conhecidas no Brasil. O Paulo \u00e9 um grande entusiasta da m\u00fasica latino-americana, \u00e9 co-autor de \u201cSangue Latino\u201d (do Secos &amp; Molhados), conhece muito da Argentina e n\u00e3o s\u00f3 da m\u00fasica. A ideia era chamar uma banda pra atender esse convite, e convidaram o Toni e o Charles. Charles era \u201cda casa\u201d, faz o [programa] Som do Vinil, e tamb\u00e9m \u00e9 meu amigo de anos, e me trouxe. Fui o \u00faltimo a entrar. Ir\u00edamos, inicialmente, fazer um show no Teatro Amazonas, que viraria DVD.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado: Antes disso, o Taran j\u00e1 tinha sugerido ao Toni fazer um disco com covers do cancioneiro uruguaio em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: O Paulinho Mendon\u00e7a e o Carlinhos Wanderley, do Canal Brasil, tinham me chamado para almo\u00e7ar e falar da ideia de registrar uma banda tocando grandes cl\u00e1ssicos do rock mundial, e foi quando eu falei dessa ideia do Taran, e acabei abrindo o leque para n\u00e3o ficar \u201cs\u00f3\u201d no rock uruguaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado: Enfim, foi tudo isso mais ou menos no mesmo per\u00edodo, um processo de sincronicidade mesmo. Viajamos todos para o Uruguai e a gente registrou nossa passagem por l\u00e1. Ali a gente resolveu dar um start em outra ideia do que poderia ser o tal programa, que era chegar junto dos m\u00fasicos uruguaios, fazer uma entrevista, e ainda levar um som todos juntos. Ficou legal, a ideia continua de p\u00e9, e vamos ver se a partir do lan\u00e7amento do disco conseguimos colocar isso no ar \u2013 provavelmente no Canal Brasil tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas no fim, n\u00e3o rolou o tal show no Teatro Amazonas.<\/strong><br \/>\nD\u00e9: N\u00e3o. Nessa \u00e9poca (2012) houve uma enchente muito grande em Manaus, o Rio Negro transbordou, enfim&#8230; O governo do Estado do Amazonas seria parceiro nesse projeto, mas a verba teve que ser direcionada para cuidar dos efeitos da enchente, e nisso o show ficou cancelado. Mas entre n\u00f3s, nos demos conta: \u201cCara, isso \u00e9 uma banda, vamos tocar, o repert\u00f3rio \u00e9 bacana\u201d. Foi quando sugeri da gente gravar. J\u00e1 que a gente estava ensaiando ali, e tinha essa lista de m\u00fasica mais ou menos encaminhada, decidimos entrar em est\u00fadio. Come\u00e7amos a pesquisar uma quantidade gigantesca de can\u00e7\u00f5es, era um trabalho herc\u00faleo de parar e ver o que a gente podia catar dali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi feita essa sele\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio? Quais foram os crit\u00e9rios?<\/strong><br \/>\nD\u00e9: Tar\u00e1n \u00e9 uruguaio, j\u00e1 trabalhou em revistas de m\u00fasica de l\u00e1 e da Argentina, ele tinha conhecimento de muita coisa \u2013 principalmente desses dois pa\u00edses. Foi a\u00ed que tive o primeiro contato com muitos artistas desse universo.<br \/>\nTaran: Como era muito material, eu fiz uma divis\u00e3o geogr\u00e1fica: peguei a Am\u00e9rica Latina por regi\u00f5es, colocando Uruguai e Argentina como uma delas, os pa\u00edses andinos em outra, os pa\u00edses mais ao norte, Am\u00e9rica Central e o M\u00e9xico em uma terceira, e decidimos tamb\u00e9m expandir para fora da Am\u00e9rica e incluir a Espanha, que tem um cen\u00e1rio muito rico, que dialoga com a cena dos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9: A nossa ideia era come\u00e7ar pelos pa\u00edses mais pr\u00f3ximos, por isso o disco se chama \u201cSur\u201d. Depois ir\u00edamos gravando, com o tempo, as musicas dos outros pa\u00edses. Mas nesse primeiro momento foi conveniente trabalhar s\u00f3 com as bandas desses dois pa\u00edses. J\u00e1 tinha tanta coisa! Daria pra fazer um \u00e1lbum triplo s\u00f3 com Argentina e Uruguai!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado: Sim porque entrou a quest\u00e3o tamb\u00e9m de quais seriam os artistas mais representativos. No rock argentino, n\u00e3o poderia faltar Sumo, Soda Stereo&#8230; Mas a gente n\u00e3o pegou Los Redonditos de Ricota, que \u00e9 essencial para l\u00e1. Enfim&#8230; (pausa) Ao mesmo tempo, pegamos o Mersey (banda de Gonzalo Deniz, vulgo Franny Glass), que \u00e9 totalmente underground, mesmo no Uruguai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9: A gente achou por bem chamar o [produtor] Chico Neves. Ele tamb\u00e9m nos ajudou com esse filtro, trabalhou com a gente por muito tempo, mas teve que se mudar para Minas. Ent\u00e3o continuamos n\u00f3s mesmos a tocar as coisas no est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse processo de escolha, as m\u00fasicas tamb\u00e9m foram versionadas para o portugu\u00eas, e todos contribu\u00edram para isso. Ent\u00e3o imagino que o fator pessoal, o car\u00e1ter mais subjetivo mesmo, tamb\u00e9m pesou na sele\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nD\u00e9: Foi mesmo uma coisa de identifica\u00e7\u00e3o com as can\u00e7\u00f5es. Eu gosto de trabalhar dessa maneira, de trazer uma coisa pessoal. Por exemplo, essa do Spinetta, \u201cBarro Tal Vez\u201d, n\u00e3o estava entre as que o Taran mostrou pra gente. Eu j\u00e1 conhecia Spinetta, ent\u00e3o fui atr\u00e1s de discos dele e cheguei nessa. Depois fui saber que foi uma das primeiras m\u00fasicas que ele fez, quando ele tinha 15 anos. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre morte, e quando cheguei nela, Spinetta tinha acabado de falecer (fevereiro de 2012). Foi quando eu vi que ela tinha que entrar. Com \u201cPasajera em Trance\u201d, do Charly, foi parecido: n\u00e3o estava na nossa lista, mas eu conhecia h\u00e1 anos, e dei a ideia de colocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: Fiz uma vers\u00e3o e meia desse disco (risos). Minha vers\u00e3o de \u201cFlores en Mi Tumba\u201d (de Los Traidores) \u00e9 praticamente literal. Eu brinco com o Juan Casanova: quando ele diz que minha vers\u00e3o ficou boa, eu digo que quem fez foi o Google Translator (risos). A do No Te Va Gustar (\u201c\u00c1ngel en Campera\u201d, somente \u201c\u00c1ngel\u201d na releitura panamericana) \u00e9 uma m\u00fasica que eu amo profundamente, e que eu comecei [a adaptar] e n\u00e3o conseguia terminar. O Bruno [Cosentino], que foi um menino que o D\u00e9 trouxe para perto da gente, ajudou muito e completou a vers\u00e3o. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 muito emblem\u00e1tica dentro da Panamericana, fala muito de envelhecer, do passar do tempo, e o personagem \u00e9 um cara que t\u00e1 b\u00eabado e come\u00e7a a pensar no que fez da vida. E deixa de encontrar o \u201canjo com jaqueta\u201d da original para ver o anjo na sarjeta. \u00c9 uma das que ficou mais pr\u00f3xima da original, e ao mesmo tempo, com outra identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas algumas mudan\u00e7as nas letras foram bem radicais. \u201cZafar\u201d (original do La Vela Puerca), por exemplo.<\/strong><br \/>\nD\u00e9: Eu tive uma participa\u00e7\u00e3o grande nessa. A ideia de subverter foi minha. Ningu\u00e9m na banda tem vontade de morar no mato, que \u00e9 o que a letra fala (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: O Seb\u00e1 [Teysera] mora no campo, ele adora. A cidade grande para ele \u00e9 Montevid\u00e9u, que nem \u00e9 um caos como o Rio de Janeiro (risos). E fez um hino sobre deixar a cidade. Nenhum de n\u00f3s quer isso! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9: Ao mesmo tempo, \u00e9 uma puta m\u00fasica boa, o Seb\u00e1 \u00e9 nosso amigo, a gente queria muito fazer algo deles, e essa estava no topo. Ent\u00e3o falei pra mudarmos, que a gente n\u00e3o podia se reprimir. \u201cVamos fazer da maneira que for melhor fazer, sem pudores\u201d. Ent\u00e3o o Dado chamou o Fausto [Fawcett]. Se tem um cara com urbanidade nas can\u00e7\u00f5es, esse \u00e9 o Fausto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado: Acabou que mudamos todo o aspecto musical tamb\u00e9m. Acabou virando uma esp\u00e9cie de carimbo com rock. J\u00e1 que era para mudar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: Teve mudan\u00e7as que foram necess\u00e1rias mesmo. \u201cCiudad de La Furia\u201d (Soda Stereo) \u00e9 uma m\u00fasica sobre Buenos Aires, n\u00e3o faria sentido sermos literais. A gente optou por n\u00e3o encucar, porque tinha algumas coisas muito antigas, e n\u00e3o tem mais o contexto em que elas nasceram. \u201cCapit\u00e1n Am\u00e9rica\u201d (Las Pelotas) \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o emblem\u00e1tica sobre um cara que entra no \u00f4nibus depois de fumar um baseado (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas trouxeram v\u00e1rios parceiros para as composi\u00e7\u00f5es: Herbert Vianna, Humberto Effe, Fausto Fawcett. Alguns deles podem vir a participar do disco ou mesmo da banda?<\/strong><br \/>\nDado: Isso ainda n\u00e3o aconteceu. Acho que n\u00e3o cabe. S\u00e3o versionistas. Mas todos contribu\u00edram para a identidade das can\u00e7\u00f5es. O Humberto fez justamente \u201cMa\u00f1ana en El Abasto\u201d, uma can\u00e7\u00e3o totalmente portenha, do Sumo, transportada para o samba carioca. Ficou sensacional!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: Eu lembro quando o Alvin entregou a primeira vers\u00e3o de \u201cSpaghetti del Rock\u201d (Divididos, aqui transformada em \u201cFaroeste Spaghetti\u201d), completamente literal. O D\u00e9, que foi quem mais controlou o repert\u00f3rio, falou: \u201cP\u00f4, ele podia fazer uma can\u00e7\u00e3o de amor&#8230;\u201d Ent\u00e3o, devolvemos a bola e ele fez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Escolher can\u00e7\u00f5es que se adequassem \u00e0 voz do Toni era outro crit\u00e9rio? Afinal, \u00e9 um registro vocal de identidade bem forte.<\/strong><br \/>\nToni: De forma alguma! No Hojerizah talvez fosse assim, acho que o Flavio [Murrah, guitarrista e compositor da extinta banda] escrevia muito para minha voz. Na minha carreira solo, desde o \u201cNegro Amor\u201d (2006) que eu tenho sido muito espec\u00edfico em escolher can\u00e7\u00f5es que sirvam para minha voz da melhor forma. Mas na Panamericana, quando a gente foi entrando na loucura de selecionar o repert\u00f3rio, entrou o que era legal \u2018pra gente\u2019 (enf\u00e1tico), e n\u00e3o pra minha voz. Tem muita coisa que suei um bocado para me adaptar, mas acho que acabei chegando aos meus objetivos. Hoje eu ou\u00e7o e gosto, mas gostaria de regravar tudo porque estou muito mais firme agora (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O lan\u00e7amento de \u201cSur\u201d j\u00e1 foi anunciado algumas vezes e ainda n\u00e3o aconteceu. O que o impede?<\/strong><br \/>\nDado: Aconteceu uma quest\u00e3o bizarra que \u00e9 o funcionamento da gest\u00e3o das editoras respons\u00e1veis pelas m\u00fasicas. Aqui no Brasil j\u00e1 \u00e9 lento, e l\u00e1 parece ser muito pior. O processo \u00e9 muito vagaroso, muito complicado, um elefante&#8230; A gente pede autoriza\u00e7\u00f5es, e as respostas n\u00e3o v\u00eam. N\u00e3o conseguimos lan\u00e7ar nem em formato f\u00edsico nem digital porque as editoras n\u00e3o liberam. Os autores j\u00e1 autorizaram, mas o processo no Uruguai \u00e9 muito incompetente, e ainda tem algumas pend\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Taran: \u201cMa\u00f1ana en el Abasto\u201d, que ia ser s\u00f3 \u201cMa\u00f1ana\u201d em nossa vers\u00e3o, era uma dessas pend\u00eancias. Mas em junho tivemos a resposta de que os respons\u00e1veis pela obra do Sumo n\u00e3o autorizaram nossa vers\u00e3o. \u201cPasajera en Trance\u201d, do Charly Garc\u00eda, tamb\u00e9m continua pendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado: Para mim, em 2015, esse disco \u00e9 a prioridade, com certeza. Eu t\u00f4 fazendo [a divulga\u00e7\u00e3o do] \u201cPasso do Colapso\u201d em velocidade de cruzeiro, o disco j\u00e1 anda, o meu programa [Est\u00fadio do Dado, no Canal Bis] \u00e9 tranquilo, tem a divulga\u00e7\u00e3o do meu livro, \u201cMem\u00f3rias de um Legion\u00e1rio\u201d, d\u00e1 para conciliar agenda&#8230; Mas na hora que o disco sair, vai ser a prioridade de todos n\u00f3s. Foi muito trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Taran: J\u00e1 me disseram que temos que tirar esse disco de dentro da gente (risos). Ent\u00e3o sai sim. Nem que seja s\u00f3 digital, e com menos faixas, mas sai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: Ele tinha 14 faixas, depois deixamos com 13. Agora talvez saia com 11 (risos). Mas j\u00e1 \u00e9 um disco imenso para esse p\u00fablico de hoje que n\u00e3o tem saco pra mais nada (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por\u00e9m, vez ou outra pintam uns shows, mesmo sem o \u00e1lbum.<\/strong><br \/>\nDado: Na verdade, a gente toca quando chamado, independente de ter disco ou n\u00e3o. No show a gente acaba tocando algumas coisas do Tit\u00e3s, Bar\u00e3o, Legi\u00e3o, do Toni&#8230; Enfim, a ideia \u00e9 fazer shows, se exercitar em cima do palco para fazer a coisa acontecer de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu os vi no Globo de Ouro &#8211; Palco Viva tocando s\u00f3 essas m\u00fasicas do repert\u00f3rio nacional. Um medley das bandas que voc\u00eas participaram&#8230;<\/strong><br \/>\nToni: Eu admito que me irritei com essa hist\u00f3ria (risos). Chamam a gente pra tocar Legi\u00e3o no Premio Multishow, no Palco Viva&#8230; (suspira) Ainda bem que n\u00e3o tem Hojerizah. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Podia ter. \u201cPros que Est\u00e3o em Casa\u201d n\u00e3o ficaria ruim&#8230;<\/strong><br \/>\nToni: Podia. Sabe, uma vez, num show solo, um casal veio at\u00e9 mim e falou: \u201da gente veio de Nova Igua\u00e7u s\u00f3 pra ver voc\u00ea tocar \u2018Pros que Est\u00e3o em Casa\u2019 e voc\u00ea n\u00e3o tocou\u201d (risos). P\u00f4, isso me quebrou&#8230; Depois dessa, nunca a deixei de tocar nos meus shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aproveitando os assuntos pessoais: D\u00e9, como \u00e9 pra voc\u00ea voltar a uma experi\u00eancia de banda? Depois do Bar\u00e3o, veio o Telefone Gol e a\u00ed voc\u00ea s\u00f3 trabalhou solo&#8230;<\/strong><br \/>\nD\u00e9: \u00c9 a primeira experi\u00eancia com banda depois do Bar\u00e3o, pra falar a verdade. N\u00e3o sei se o Telefone Gol consegue ser uma experi\u00eancia de banda. Durou muito pouco. J\u00e1 a Panamericana j\u00e1 t\u00e1 junto h\u00e1 pelo menos dois anos e a gente tem uma coisa mais unida, de banda mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Bar\u00e3o, ali\u00e1s, tinha alguma influ\u00eancia nativa, mas mais pro lado Santana, que se notava nas guitarras, principalmente.<\/strong><br \/>\nD\u00e9: Isso foi quando efetivaram o Peninha na banda. E quando eu sa\u00ed, o Frejat foi muito pra esse lado, que \u00e9 pra aonde ele j\u00e1 queria ir. A especialidade do Peninha \u00e9 essa coisa cubana, caribenha, a\u00ed juntou a fome com a vontade de comer. Tem uma faixa chamada \u201cO Que Voc\u00ea Faz \u00e0 Noite\u201d (no disco \u201cCarnaval\u201d, do Bar\u00e3o), que eu fiz com o Humberto Gessinger, e nela eu tentava trazer uma coisa mais de samba, n\u00e3o queria fazer com a coisa latina, que o Santana j\u00e1 tinha feito bem antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho uma pergunta tentadora demais para n\u00e3o ser feita para quem est\u00e1 metido em uma viagem como essa de voc\u00eas: por que se escuta t\u00e3o pouca m\u00fasica em espanhol no Brasil? Mais ainda, por que tanto preconceito contra ela? N\u00e3o d\u00e1 para dizer que \u00e9 \u201ca barreira da l\u00edngua\u201d \u2013 se fosse assim, nada em ingl\u00eas emplacaria&#8230;<\/strong><br \/>\nD\u00e9: Sinceramente, eu j\u00e1 pensei muito sobre isso. J\u00e1 me debrucei em estudos sobre porque o Brasil ficou de costas para a Am\u00e9rica Latina. Isso n\u00e3o \u00e9 de agora, \u00e9 uma coisa hist\u00f3rica, e acho que n\u00e3o tenho uma resposta pra isso. N\u00e3o se explica somente pelo idioma. Tem o fato de o Brasil ter se libertado da col\u00f4nia e ter ficado monarquista enquanto todos os outros eram rep\u00fablica&#8230; Enfim, explica um pouco porque o Brasil ficou de costas para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: Nossa ind\u00fastria fonogr\u00e1fica vai desmoronando. A gente foi pegando as coisas que vinham das sedes das grandes gravadoras, que eram dos EUA e da Inglaterra. Tudo americano, tudo ingl\u00eas: CBS, Warner, Polygram&#8230; Esses caras mandam na nossa ind\u00fastria, e talvez n\u00e3o tinham interesse em fazer o interc\u00e2mbio [entre os pa\u00edses]. O Paulinho Moska defende a ideia \u2013 que eu adoro \u2013 de adotar o portunhol como idioma do continente (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9: Acho que o mais importante \u00e9 o p\u00fablico procurar e buscar os artistas que quer ouvir. Pra ouvir \u00e9 preciso conhecer, e pra conhecer \u00e9 preciso ter curiosidade. E hoje em dia ningu\u00e9m mais depende dos grandes centros para ter informa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a grande pergunta \u00e9 porque as pessoas n\u00e3o t\u00eam curiosidade de buscar essa informa\u00e7\u00e3o. Estava falando disso com o [jornalista, escritor e professor universit\u00e1rio Arthur] Dapi\u00e9ve e ele me contou que os alunos dele n\u00e3o t\u00eam curiosidade de procurar m\u00fasicas no YouTube. Isso \u00e9 uma das coisas que mais gosto de fazer! Passo madrugadas literalmente viajando atr\u00e1s de m\u00fasicas, coisas de antropologia&#8230; O mais importante \u00e9 perguntar por que essa curiosidade sumiu. Talvez a facilidade iniba a curiosidade. Pra gente conseguir um disco quando era mais novo, era um parto! Voc\u00ea conhecia um cara, e esse cara tinha um amigo que tinha um disco&#8230; Era dific\u00edlimo. A gente foi formado pra ter uma curiosidade. Voc\u00ea quer ouvir o \u00faltimo do Led Zeppelin? Tem que ir atr\u00e1s!  Esse neg\u00f3cio de catar o repert\u00f3rio [da Panamericana] foi a coisa mais divertida do mundo! Passei madrugadas ouvindo YouTube, comprando vinis na internet&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toni: Se Nelson Rodrigues fosse pensar nesse assunto, ele diria que isso faz parte do nosso complexo de vira-lata. S\u00f3 pode ser!  Hoje estou achando quase uma maldi\u00e7\u00e3o a gente falar portugu\u00eas&#8230; (risos)  Ao mesmo tempo em que temos um complexo de vira-lata, temos tamb\u00e9m uma arrog\u00e2ncia, uma petul\u00e2ncia&#8230; Somos um povo muito petulante. O Tom Jobim falava que o Brasil n\u00e3o \u00e9 pra amadores (risos). [A banda chilena] Los Tres tocou no Brasil em 2013, e foi um dos melhores shows que eu vi naquele ano. Dei um esporro na banda no dia seguinte porque ningu\u00e9m foi ver! (risos) Puxa, os caras tocam em est\u00e1dio na Am\u00e9rica Latina, e vieram tocar aqui [no Rio de Janeiro] no Audio Rebel, um lugar superpequeno (nota: e em S\u00e3o Paulo, tocaram no ainda menor Centro Cultural Rio Verde), trazendo seu pr\u00f3prio equipamento&#8230; A gente fez um show em Montevid\u00e9u que foi uma coisa&#8230; Esse nosso repert\u00f3rio, que \u00e9 desconhecido no Brasil, \u00e9 cl\u00e1ssico para eles. Eles cantavam em espanhol enquanto a gente cantava em portugu\u00eas (risos). Quando eu conheci o pessoal [das bandas] no Uruguai, apresentado pelo Tar\u00e1n, eu me tornei um deles. Um dia o Tar\u00e1n virou para mim e disse que eu deveria gravar um disco de rock uruguaio em portugu\u00eas. \u00c9 muito louco! Mas fico muito feliz que o acaso tenha me levado a Montevid\u00e9u e que os amigos mantenham contato&#8230; Um restaurante me mandou at\u00e9 convite para o anivers\u00e1rio de um ano da casa! (risos) O Taran n\u00e3o acreditou. Eu sou muito carioca, da Zona Sul do Rio de Janeiro, e era inconceb\u00edvel para mim morar em qualquer lugar do mundo que n\u00e3o fosse o Rio de Janeiro. Mas hoje, se eu n\u00e3o tivesse um filho de 14 anos, talvez j\u00e1 estivesse em Montevid\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria voltar um pouco nessa quest\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre as bandas que voc\u00ea citou. \u00c9 algo que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea por aqui?<\/strong><br \/>\nToni: Eu venho de outra cena musical. Estou me tornando um sujeito pior socialmente. Gosto do clima de camaradagem entre bandas. Aqui no Brasil todo mundo \u00e9 muito popstar, todo mundo \u00e9 politicamente correto&#8230; E isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na cena musical, \u00e9 na sociedade brasileira como um todo. At\u00e9 no futebol. H\u00e1 quanto tempo a gente n\u00e3o tem algu\u00e9m como o Rom\u00e1rio, que fale sem medo? O artista brasileiro passou por um processo de \u201cSandyniza\u00e7\u00e3o\u201d (o rep\u00f3rter gargalha). S\u00e9rio! Todo mundo \u00e9 legal, todo mundo tem um sorriso pronto. Eu acho a Sandy uma fofa, ela \u00e9 assim mesmo. Mas o resto do mundo n\u00e3o \u00e9! O mundo t\u00e1 muito careta. O Bruno Mazzeo me disse dia desses que a caretice venceu, que a AIDS venceu, o sexo n\u00e3o-seguro venceu, a banaliza\u00e7\u00e3o das drogas venceu, a caretice impera no planeta inteiro. E quando eu vou a Montevid\u00e9u, encontro uma galera que t\u00e1 com a cabe\u00e7a em outro lugar. Voc\u00ea v\u00ea jovens com outras ideias, mais abertos, as coisas se fazem com mais coopera\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o temos isso muito por aqui, n\u00e3o. Mas tem aquela sigla, LOV, do latim Labor Omni Vincit, o trabalho tudo vence. E espero que seja verdade. N\u00f3s estamos trabalhando.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Gq8BqxyQmUY\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Gq8BqxyQmUY\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UibVcPDZYYQ\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/UibVcPDZYYQ\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Leonardo Vinhas\nDado Villa-Lobos (guitarra), Toni Plat\u00e3o (voz), Charles Gavin (bateria) e D\u00e9 Palmeira (baixo) tocando repert\u00f3rio latino\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/24\/entrevista-panamericana\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31739"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31739"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58255,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31739\/revisions\/58255"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}