{"id":31517,"date":"2015-07-13T16:11:03","date_gmt":"2015-07-13T19:11:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=31517"},"modified":"2017-07-14T10:44:47","modified_gmt":"2017-07-14T13:44:47","slug":"radios-rock-e-o-dia-mundial-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/13\/radios-rock-e-o-dia-mundial-do-rock\/","title":{"rendered":"R\u00e1dios Rock e o Dia Mundial do Rock"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-31518\" title=\"liveaid\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/liveaid.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/liveaid.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/liveaid-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #333333;\">Sob o CEL #29<br \/>\nSobre R\u00e1dios Rock E Dia Mundial Do Rock<\/span><br \/>\npor <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carloseduardo.lima.90\" target=\"_blank\">Carlos Eduardo Lima<\/a><\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje \u00e9 13 de julho e eu n\u00e3o avisei ao amigo Marcelo Costa que escreveria algo sobre o Dia Mundial Do Rock. Na verdade, v\u00e1rios temas passaram por minha mente para este novo texto da coluna Sob O CEL. Poderia ser uma reflex\u00e3o sobre como o tempo passa, tendo como pano de fundo o estranh\u00edssimo novo filme da franquia &#8220;O Exterminador do Futuro&#8221;. Tamb\u00e9m poderia ter algo do momento pol\u00edtico do Brasil e sua apropria\u00e7\u00e3o pela m\u00eddia, mas imaginei que esta coluna deve ter a m\u00fasica pop como principal fonte de inspira\u00e7\u00e3o e dois eventos recentes vieram brejeiros como ponto de partida. Sendo assim, vamos a eles. O primeiro \u00e9 o pr\u00f3prio 13 de julho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, nada pode ser mais rid\u00edculo que este Dia Mundial Do Rock. Em primeiro lugar, a data escolhida \u00e9 de proced\u00eancia pra l\u00e1 de duvidosa, sendo ela o dia em que os shows simult\u00e2neos do Live Aid tiveram lugar, em Londres e Filad\u00e9lfia, para angariar fundos que se destinariam ao combate \u00e0 fome na \u00c1frica. Phil Collins, ex-baterista do Genesis, e popstar planet\u00e1rio naquele distante 1985, teria dito, pasmo pela dimens\u00e3o do pr\u00f3prio evento e maravilhado pela resposta do p\u00fablico, que aquele teria que ser o Dia Mundial Do Rock. Curiosamente, ningu\u00e9m fora do Brasil pensa nisso. A inven\u00e7\u00e3o da data celebrat\u00f3ria tem origem em S\u00e3o Paulo, mais precisamente atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o de duas emissoras de r\u00e1dio, a 89 FM e a 97 FM, que, a partir de meados dos anos 1990, passaram a comemorar e divulgar o 13 de julho como item de um calend\u00e1rio de comemora\u00e7\u00f5es que s\u00f3 existia na cabe\u00e7a dos idealizadores. Bem ou mal, a coisa pegou e hoje, 30 anos depois do Live Aid, h\u00e1 uma horda de gente aproveitando para postar v\u00eddeos de Led Zeppelin, Black Sabbath, Rolling Stones e Beatles nas redes sociais, sem a menor preocupa\u00e7\u00e3o em entender o Rock como um fen\u00f4meno e n\u00e3o como uma caixa empoeirada da qual tiram velhas fotos desbotadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vejam, o Rock s\u00f3 existiu por conta de uma cadeia de eventos hist\u00f3ricos, que deu no fim da Segunda Guerra Mundial e no ac\u00famulo de riquezas nos bancos americanos, que emprestaram dinheiro para a reconstru\u00e7\u00e3o da Europa, perdoaram a d\u00edvida externa alem\u00e3 em 1953 e geraram um mundo ocidental profundamente influenciado pela cultura nascente na terra do Tio Sam que era, pela primeira vez, voltada para uma gera\u00e7\u00e3o de jovens que n\u00e3o precisaria ir pra guerra ou seguir os passos dos pais. N\u00e3o vou esmiu\u00e7ar a g\u00eanese do Rock, mas todos sabem que ele surgiu da mistura de ritmos negros como o R&amp;B e o Blues com o Country branco e a primeira gera\u00e7\u00e3o de artistas foi varrida pra baixo do tapete daquela Am\u00e9rica racista. Em seu lugar vieram artistas branquelos, que tiveram curta dura\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo Elvis Presley teve sua carreira redirecionada a partir de seu retorno do Ex\u00e9rcito, o que praticamente sepultou o Rock em seu pr\u00f3prio lugar de nascimento. O estilo seria ressignificado do outro lado do Atl\u00e2ntico, mais precisamente na Inglaterra, onde jovens de classe m\u00e9dia\/m\u00e9dia-baixa ouviram esses pioneiros negros pelo r\u00e1dio ou por com\u00e9rcio alternativo de discos e viram que aqueles sujeitos falavam muito a eles, v\u00edtimas da rebordosa econ\u00f4mica daquela primeira d\u00e9cada sem guerras no continente desde os anos 20. O resto \u00e9 hist\u00f3ria e\u00a0 espero que voc\u00ea saiba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Rock, portanto, \u00e9 uma m\u00fasica inclusiva, seja para quem ouve, seja para quem a faz. A sua proposta democr\u00e1tica de execu\u00e7\u00e3o e sua ado\u00e7\u00e3o como porta-voz de uma juventude embriagada por sua pr\u00f3pria exist\u00eancia serviu para gravar seu nome na Hist\u00f3ria nos anos 1960. A d\u00e9cada seguinte veio como afirma\u00e7\u00e3o do ritmo como arte, em meio a tantos experimentos e conquistas, trazendo uma d\u00e9cada de 1980 marcada pela incorpora\u00e7\u00e3o do Rock ao ide\u00e1rio dos mega eventos, de sua ado\u00e7\u00e3o como marca, como sin\u00f4nimo de grana, fama e vida f\u00e1cil para seus criadores\/agenciadores. Os anos 1990 surgiram como o \u00faltimo per\u00edodo em que o estilo foi capaz de criar algo a partir do invent\u00e1rio das d\u00e9cadas anteriores. Depois, mais ou menos a partir de 1997\/98, o Rock tornou-se apenas mais um ritmo num universo de outros tantos, que surgiram igualmente inclusivos, igualmente porta-vozes, igualmente importantes para seus p\u00fablicos. E aqui chegamos em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar de Rock hoje \u00e9 falar de um paradoxo. Enquanto temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o um sem n\u00famero de meios para conhecer e ouvir novas bandas, cada vez mais precisamos da nossa pr\u00f3pria iniciativa para buscar tais informa\u00e7\u00f5es. Claro que isso \u00e9 positivo, \u00e9 s\u00f3 ligar o computador, devidamente conectado a um servi\u00e7o de banda larga, acessar os sites que eu j\u00e1 conhe\u00e7o e cair dentro conhecendo novos artistas e acompanhando o que meus artistas preferidos andam fazendo. Certo? Sim, mas calma l\u00e1. Isso nos levar\u00e1 ao segundo evento que me fez optar pelo tema do texto. Estive h\u00e1 poucos dias num workshop sobre iniciativas interessantes em r\u00e1dio, dentro de uma exposi\u00e7\u00e3o muito legal sobre a R\u00e1dio Fluminense FM, do munic\u00edpio de Niter\u00f3i, no Rio. Meu programa de webradio, Atemporal, que vai ao ar \u00e0s quintas-feiras, 22h, na <a href=\"http:\/\/www.radiovitrola.net\" target=\"_blank\">www.radiovitrola.net<\/a>, \u00e9 uma iniciativa entre tantas, visando apresentar novidades aos ouvintes, independente do ano em que foram gravadas e foi meu passaporte para a palestra, na qual dei alguns pitacos. Por sua ideia criativa de tocar can\u00e7\u00f5es e artistas que n\u00e3o apareciam no dial carioca daquele in\u00edcio de d\u00e9cada de 1980, a Flu FM foi logo chamada de &#8220;Maldita&#8221;, apelido que pegou e seguiu por toda a exist\u00eancia da emissora, que encerrou suas atividades no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Maldita tinha duas caracter\u00edsticas: tocar bandas de Rock cl\u00e1ssico, como The Who, Genesis, Yes, n\u00e3o apelando para seus sucessos e can\u00e7\u00f5es mais manjadas e, al\u00e9m disso, abrir espa\u00e7o para artistas brasileiros emergentes naquele 1982. A primeira gera\u00e7\u00e3o do Rock nacional, que seguiu o estouro da Blitz, surgiu a partir da atua\u00e7\u00e3o da Flu FM no dial. Com locutoras, promo\u00e7\u00f5es criativas e uma grade de programas diversificados, a emissora fez hist\u00f3ria. Muita gente de l\u00e1, incluindo um de seus fundadores, o jornalista Luiz Ant\u00f4nio Melo, reputam o in\u00edcio do fim da Maldita, ainda em 1985, &#8220;\u00e0 tentativa de querer ser outra r\u00e1dio&#8221;. Explicando: enquanto a emissora mantinha seu diferencial na programa\u00e7\u00e3o e em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s competidoras, preservava sua identidade. Quando abriu m\u00e3o disso para tentar chegar ao primeiro lugar de audi\u00eancia e tornar-se maior, fracassou e foi perdendo seu ineditismo. Claro, a Flu perdurou no ar, mas, sim, tornou-se uma esta\u00e7\u00e3o menos afiada em sua proposta, ainda que mantivesse um n\u00edvel elevado at\u00e9, pelo menos, o in\u00edcio dos anos 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato \u00e9 que, hoje em dia, iniciativas criativas em r\u00e1dio v\u00e3o de encontro a enfrentar uma mentalidade nacional, dominante na vis\u00e3o acerca do estilo,  que celebra o Dia Mundial Do Rock enquanto tem uma parada de sucessos habitada por 100% de artistas dos segmentos do sertenejo universit\u00e1rio, do pagode e demais estilos pertencentes \u00e0 ind\u00fastria do entretenimento nacional. Podemos ainda ficar achando que Rock \u00e9 apenas Led Zeppelin e demais dinossauros setentistas? Ou Beatles? Ou Rolling Stones? N\u00e3o, n\u00e9? Podemos ainda pensar que Rock \u00e9 Red Hot Chili Peppers tocando &#8220;Give It Away&#8221; e Oasis tocando &#8220;Live Forever&#8221;? Que \u00e9 a capa de &#8220;Nevermind&#8221; do Nirvana? Que o Pearl Jam s\u00f3 lan\u00e7ou seu primeiro disco? Que o Rock nacional morreu nos anos 1990? N\u00e3o, n\u00e3o podemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensar no Rock hoje \u00e9 pensar em duas frentes. A valoriza\u00e7\u00e3o das novidades, sejam elas de 2015, de 1977 ou de 1965. E na divulga\u00e7\u00e3o de artistas recentes, surgidos agora, aqui e l\u00e1 fora. H\u00e1 muitos, nunca foi t\u00e3o f\u00e1cil chegar \u00e0s suas cria\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso fazer contato com eles, pensar em solu\u00e7\u00f5es legais para que as pessoas ou\u00e7am seus discos e, sobretudo, compare\u00e7am a seus shows. Hoje em dia, caso voc\u00ea n\u00e3o saiba, n\u00e3o h\u00e1 sobreviv\u00eancia para essa gente se n\u00e3o for por meio da grana que arrecada em apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. Pensar em programa de r\u00e1dio sobre Rock \u00e9, mais que tudo, ter a mente aberta. N\u00e3o adianta s\u00f3 reunir as bandas do bairro, da galera que voc\u00ea conhece e que &#8220;leva um som&#8221;. Tem que ouvir com crit\u00e9rio, certamente h\u00e1 gente boa por a\u00ed, mas, infelizmente, h\u00e1 muita banda p\u00e9ssima tocando. \u00c9 preciso encontrar gente disposta a batalhar e correr atr\u00e1s, seja ao vivo, seja na Internet, fu\u00e7ando, conhecendo, gravando, pensando. Rock \u00e9 divers\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, por fim, cabe a n\u00f3s, gente que pensa e escreve sobre m\u00fasica aqui e alhures, pensar que temos responsabilidades para com o leitor e o artista. Sabemos que nossa opini\u00e3o n\u00e3o avaliza sozinha um disco ou banda mas temos o dever de sinalizar quando algo \u00e9 bom ou ruim. A m\u00eddia brasileira formal baniu a cr\u00edtica negativa por ach\u00e1-la in\u00fatil e est\u00e1 muito enganada. \u00c9 preciso criticar sem soar caricato, sem a necessidade de criar personagens que respondam por uma ranzinzice que destoe do senso comum emburrecido. Creiam, ele nunca esteve t\u00e3o imediatista, burro e raso. O objeto \u00e9 apenas a grana, a mesma cuja aus\u00eancia impede que uma emissora de TV ou de r\u00e1dio tenha uma programa\u00e7\u00e3o voltada para nova m\u00fasica, n\u00e3o necessariamente Rock. Talvez o estilo, enquanto mecanismo de manifesta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e porta-voz de mudan\u00e7as est\u00e9ticas tenha ficado mesmo no passado, bem antes de 1985, mas as pessoas ainda ouvem m\u00fasica e n\u00e3o h\u00e1 nada errado em lev\u00e1-las a s\u00e9rio, pelo menos mostrando novidades. \u00c9 a\u00ed que a m\u00e1gica acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"600\" height=\"340\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TDe1DqxwJoc\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"340\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/TDe1DqxwJoc\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; CEL \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/carloseduardo.lima.90\" target=\"_blank\">Carlos Eduardo Lima<\/a> (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/celeolimite\" target=\"_blank\">@celeolimite<\/a>), respons\u00e1vel pela coluna Sob o CEL no Scream &amp; Yell, uma vers\u00e3o renovada de sua primeira coluna no site, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/cel24.htm\" target=\"_blank\">O CEL \u00e9 o Limite<\/a>, que ele estreou em 05 de maio de 2002. Tamb\u00e9m \u00e9 locutor e produtor na empresa <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/RadioVitrola.net\" target=\"_blank\">R\u00e1dio Vitrola<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/sob_o_ceu\/\"><strong>LEIA OUTRAS COLUNAS DE CARLOS EDUARDO LIMA NO SCREAM &amp; YELL<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sob o CEL #29\n&#8220;O Rock \u00e9 uma m\u00fasica inclusiva, seja para quem ouve, seja para quem a faz. 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